Víctimas Del Pecado

51 Víctimas Del Pecado


Notas iniciais
Aqui é será contada talvez a resposta de alguma dúvida e também matada uma curiosidade!

Guardou seu celular e olhou uma última vez para as pessoas lá em baixo, alguém havia lhe chamado para ir enfim ao avião.

Desde a primeira vez na qual ele mencionou o nome da outra pela qual ele já estava apaixonado, mesmo que não enxergasse. Ela sentiu vontade de conhecê-la, seu sentido não falhou.

Aquela ruiva era tudo o que ela tinha imaginado e até muito mais, Maite assim que conheceu Dulce sempre teve uma segunda intenção da qual não tinha revelado para Alfonso. Queria conhecimento. Estratégia.

Aprender com as qualidades dos inimigos é uma virtude que qualquer jogador deve ter. Ela era assim, queria conhecer Dulce para aprender e estudar ela. Desde o começo uma grande adversária. E foi Dulce que lhe ensinou um ardiloso truque, camuflagem, ou melhor, troca de aparência com ela aprendeu a se disfarçar.

Como era excelente em tudo o que fazia aprendeu essa técnica de Dulce e aprimorou para usar em seu próprio benefício, perdeu as contas de quantas vezes esteve com Dulce, Alfonso, Eugênio e até mesmo próxima a Rodrigo sem que eles se dessem conta. Já foi homens, mulheres, senhoras, entre outras pessoas.

Em sua última conversa com Alfonso, ela deu pistas de seus próximos passos e ele logo entendeu tudo, mesmo que não soubesse como seria, saberia o que aconteceria a seguir. A morte de Rodrigo!

Ele tinha guardado o celular enquanto via algumas pessoas numa área do aeroporto, estava a procurando, tinha certeza que ela não perderia esse espetáculo. Nunca sabia encontrá-la disfarçada, mas como aquele dia estava mais implacável com todos os sentidos aguçados pela perda de Dulce, a encontrou, olhando para ele de longe discretamente quase não conseguiu reconhece-la. Na realidade não tinha a plena certeza que era ela, só confiava em seu coração que lhe dizia e era ela.

Alfonso então mentalizou sorte a ela, ambos esperaram tanto por esse momento e agora eram os passos finais para concluir suas vinganças.

Não demorou para Maite obter as informações de toda a operação afinal os seus homens estavam mandando todos os relatórios bem detalhados, estava muito perto e disfarçada tinha o álibi perfeito, estava caracterizada como um dos inimigos de Rodrigo, Chacho eram rivais no ramo onde atuavam, já se juraram de morte. O plano de Maite era perfeito.

Assim que viu Dulce e Alfonso saírem do hotel numa moto, chegou sua vez de brilhar nesse espetáculo. Tinha calculado, não lhe restava muito tempo para sua ação eram exatos cinco minutos.

Com apenas um olhar um dos funcionários do hotel, que na verdade era o seu empregado, discretamente ele lhe forneceu um cartão de acesso pelo sistema do hotel luxuoso e disse as instruções para ela entrar e sair sem levantar maiores suspeitas.

Ela entrou no hotel, subiu num elevador de serviço e colocou o uniforme masculino que foi lhe passada, chegou ao quarto de Rodrigo e o encontrou tentando se levantar e estacar o sangue que jorrava de sua perna atingida pelo tiro de um furioso Alfonso. Ele nem viu quem o apunhalou pelas costas com um golpe certeiro que o fez cair inconsciente. Maite saiu para pegar o carinho de lençóis sujos que seu empregado deixou de propósito naquele andar, com cuidado colocou o corpo miserável dentro do cesto, rapidamente rasgou um dos tecidos e amarrou a perna dele para que o sangue jorrasse menos.

Deu uma olhada para trás antes para verificar quais seriam os seus rastros, tinha sangue espalhado de Rodrigo, mas nada que atrapalhasse e frustrasse seu plano era até bom quando a policia chegasse.

Olhou seu relógio não podia ficar mais tempo ali.

Empurrou o carrinho com facilidade, se lembrou dos seus outros assassinatos, tinha vontade de rir quando as pessoas se negavam a acreditar que uma mulher “frágil” como ela poderia matar uma mosca. As aparências literalmente enganavam, ela tinha se preparado para aquele momento, na verdade poderia carregar o corpo um homem como Rodrigo facilmente.

Novamente entrou no elevador saiu dessa vez pelos fundos exatamente quando o segurança fez uma pausa para o seu café, conferiu com o olhar a entrada do hotel estava ainda tranquila foi para os fundos e como ela havia planejado seu funcionário voltou com um furgão preto que prestava serviço para a lavanderia do hotel. Ela abriu a porta dos fundos, abaixou a rampa e colocou o carrinho com o corpo inconsciente lá.

Verificou se haviam testemunhas, porém as pessoas estavam distantes a únicas testemunhas que haviam presenciado toda a ação eram as eletrônicas, as câmeras do hotel. Mas, para isso ela já tinha pensado. Deu a volta no furgão e entrou no lado do acompanhante, assim que fechou a porta a policia chegou em frente ao hotel com várias viaturas.

Olhou para o relógio eles se atrasaram.

Seguindo com o seu plano deixou seu funcionário no meio do caminho ele teria que voltar imediatamente para o seu país, Guiana Francesa ficar uma temporada por lá assim que as investigações terminem. Prosseguindo com o seu trajeto ela foi para um local da cidade abandonado, na realidade foi dirigindo para uma comunidade latina de baixa renda, ninguém suspeitaria de nada. As pessoas ali eram cegas, surdas e mudas. Era um subúrbio.

Na casa na qual alugou parou a vã e descarregou sua encomenda, em plena luz do dia sem se importar pelo menos ali se alguém tinha visto ou não, se por acaso chamassem a polícia ela já tinha terminado o seu trabalho.

Colocou o corpo de Rodrigo sentado numa cadeira e o amarrou o sangue agora voltou a jorrar mais e ele estava febril e deveria estar com muita dor, efeito do tiro que tomou.

:- Acorda! – ela deu um tapa forte em seu rosto e demorou alguns minutos para ele acordar realmente.

:- Chacho? Onde estou? – ele não conseguiu abrir os olhos direito, ela sorriu por ele não a reconhecer.

Ficou encarando ele sem dizer nada.

:- O que vai fazer comigo?

Calada ela se aproximou dele e apoiou um é exatamente no local do tiro o que fez Rodrigo urrar de dor.

:- Não sou Chacho. – Disse e Rodrigo estava com o rosto vermelho de dor, as veias saltando, mas bem no fundo de sua mente ele reconhecia aquela voz só não sabia dizer quem era, era muita dor. – Não sei se sinto pena ou inveja de quem fez isso com você primeiro, sempre planejei e sonhei com esse momento. O meu consolo é que eu vou colocar um ponto final nessa história. Você é um verme muito escorregadio e sorrateiro, Rodrigo, só consegui te capturar agora. – Ele escutava de cabeça abaixada, lamentando a dor que o consumia. Ela tirou o seu pé e caminhou de volta onde estava havia deixado ali um caixa foi até ela e tirou uma faca. Tirou uma bala e começou a marcar um X.

:- Quem é você? – ele perguntou fraco já, não conseguiu abrir os olhos diretos a pouca força que seu cérebro tinha além de tentar sobreviver era tentar se lembrar de quem era aquela voz.

:- Sem perguntas, eu sei o que você está sentindo agora, não consegue me reconhecer por que está sentindo o cheiro da morte. Já entregou os pontos, Rodrigo? – ela sorriu feliz por ver ele naquele estado. – Quando você estiver no inferno vai entender tudo. Vou ter o prazer de matar você e deixa-lo na agonia de não saber sequer o motivo e o melhor é saber que não estou fazendo isso como um favor, afinal de contas, já está ferido. Nós dois sabemos que ama sua vida como mais nada nesse mundo. É isso que eu quero tirar de você, o que você mais ama, assim como você fez comigo. – a voz de Maite foi ficando tão sombria que Rodrigo sentiu medo e como ela falou ele farejou a morte o rondando, não havia mais jeito.

Maite colocou violentamente a bala marcada em sua arma e apontou para o corpo de Rodrigo, aquela arma ela comprou justamente para executar aquele trabalho. Era uma arma feminino pequena e tinha um detalhe rosa. Apontou para o coração ela seria certeira, quando Rodrigo contrariando o que ela havia planejado arregalou os olhos foi o mesmo instante no qual ela apertou o gatilho.

A violência do ato foi tão grande que o corpo dele caiu para trás levando a cadeira consigo. Maldito! Ela pensou furiosa, pegando as outras balas para colocar em sua arma e foi rapidamente para um corpo já morto atirar as outras quatro balas para descontar sua raiva.

Ela tinha certeza que ele tinha a reconhecido no último instante, viu então o agora cadáver de Rodrigo lhe encarar com os olhos arregalados, com sangue espalhado inclusive nela. Após alguns segundos o encarando a raiva evaporou e deu lugar a paz e alegria e mesmo o prazer, talvez tenha sido melhor que ele tivesse reconhecido assim a sua vingança ficava mais completa.

E por isso sorriu maligna.

‘●’

Me tienes loco mami, no sé qué hacer por ti. Me invento lo que sea para que seas pa mí, poderoso el deseo cuando yo te conocí

Toc, toc!

Bateu e se sentiu um idiota ninguém o escutaria, porém quando pensou em tocar maçaneta da porta, esta foi aberta.

:- Alfonso Herrera! – ele não conhecia a universitária, mas estranhou ela o ter escutado se afastou para que ele entrasse e viu que montaram uma espécie de tenda.

:- Você me conhece? – ele perguntou surpreso.

:- Claro, faz parte do meu trabalho conhecer quem são os populares ou quem são os fortes candidatos para serem os populares, você não está aqui a toa. Rodrigo já deixou avisado que viria seu nome está na lista vip. Pode entrar e divirta-se.

Ela abriu uma porta da estrutura que montaram e ele ficou impressionado, a tenda tinha o acústico que não deixava passar nenhum ruído para fora por isso ela tinha escutado seu bater na porta. Era uma festa que ia contra as regras da universidade rígida. Deu um sorriso negando com a cabeça se era contra as regras então estava no lugar certo. Rodrigo, conhecido como “O organizador das festas” o havia intimado para participar do primeiro grande evento do ano. Alfonso só não imaginava que era tudo isso.

:- ALFONSO!!!! MEU GAROTO SABIA QUE VIRIA! – Rodrigo chegou já meio alto e o abraçou pelo ombro pode confirmar de perto que ele já estava bêbado, se sentiu incomodado porque não ter ido com a cara de Rodrigo, mas como ele era organizador das festas precisava conhecer as pessoas, por isso permitiu essa proximidade.

:- Você me convidou e eu estou aqui.

:- Não vai se arrepender venha vamos pegar uma bebida para você, vou te apresentar as pessoas dessa universidade já que é carne nova por aqui.

E Rodrigo puxou Alfonso para andar entre as pessoas e de longe ir falando sobre cada uma delas, apenas as mais importantes ele realmente apresentava.

Alguns metros de distância do encontro entre o organizador e o universitário estavam as duas amigas conversando, na verdade quase gritando por conta da música alta.

Dulce tinha desviado o olhar para finalmente voltar a encarar Angelique em sua frente que falava sem parar com ela, estavam bem próximas. Na verdade ela estava já planejando o seu teste, tinha visto tudo. Quando o garoto novo, a propósito se chamava Alfonso Herrera, tinha entrado na festa e quando Rodrigo foi lhe dar as boas vindas. Ele era bem... Interessante!

:- Por favor, Dulce! – A voz de Angelique soou menos gritada por que tinham trocado de música que por sinal começou mais baixa.

:- Está bem você venceu.

Dulce se deu por vencida não costumava fazer esse tipo de favor, mas como Angelique era sua amiga, ela o faria. E antes que Angelique pudesse comemorar, Dulce viu o cara com quem Angelique estava ficando anteriormente se aproximar de novo.

:- E aí garotas! – Ele era alto e grande não por acaso formava parte do time de futebol americano, Angelique se assustou e Dulce riu da amiga. Inácio deu um sorriso safado e as encarou de cima a baixo querendo até mudar a sua oferta. – E então Angelique, já conversou com sua amiga podemos ir então?

:- Na verdade... – Angelique estava acuada, mas começou a falar ainda que foi interrompida por ele.

:- Quer saber eu quero mudar a minha proposta, por que não chama sua amiga também, tenho certeza que podemos nos divertir nós três juntos. – ele encarou Dulce com desejo assim como Angelique.

Dulce soltou um riso e antes que qualquer um falasse algo ela tomou sua postura arrogante e superior.

:- Escuta você já tomou demais e seu cérebro não está funcionando direito? Ou talvez os seus sentidos? Não está vendo que ela não está a fim, foram só uns beijos e acabou hoje não tem sexo. Então por que não vai procura alguma do seu nível que estava bêbada e aceita sua “proposta”.

Inácio fechou seu sorriso não pensou que seria recusado.

:- Vem Angelique vamos aproveitar a festa. – ela puxou o braço da loira, antes que ela falasse qualquer coisa, mas Inácio foi mais rápido e ficou na frente delas.

:- Esperem aí garotas...

:- Inácio, numa boa hoje não rola. – Dulce falou novamente e quando tentou desviar para o lado e continuar o seu caminho ele com a mão livre, já que a outra tinha uma bebida, tomou o braço de Dulce.

:- Vocês não podem ir assim!

:- Tira a mão de mim. – ela disse seca e ele ficou surpreso com a sua reação que tirou. – Já disse vá procurar outra para satisfazer os seus desejos sexuais, não insista você está a mais tempo estudando aqui. Mas, deve saber quem eu sou. Se não quiser ser expulso dessa e de outras festas não toque dessa forma de novo em mim. – encarou o levantou a cabeça para encarar os olhos dele para que ficasse claro.

Dito isso ela saiu e arrastou uma Angelique tão surpresa com sua reação quanto Inácio, Dulce a levou para o bar e como era mais afastado das caixas de som e mais próximo ao banheiro podiam conversar melhor, sem gritar.

:- Dulce! Uau, quando pedi sua ajuda eu queria que inventasse uma desculpa do tipo, “Ela não pode dormir com você, por que tem que ficar comigo!” Sei lá algo assim. – Angelique deu os ombros e quando o bar man chegou pediu duas bebidas para elas.

:- Por favor, Angelique caras como Inácio nós temos que dominar senão eles nos dominam, a realidade que todos os caras são assim eles querem te dominar. A diferença é, como nós mulheres mostramos que nós que dominamos. Se tivesse dormido com ele faria de você gato e sapato se acharia o cara e falaria em alto e bom som sua grande performance para os caras do time ou para quem quisesse.

:- Quando na realidade essa grande performance, não passasse de uma transa de no máximo uma hora quando o cara é bom e apenas ele chegou ao ápice. – a loira riu completando. – Eu sei disso, mas não sabia como afasta-lo não como você fez. Não sou como você.

:- Má? Você quer dizer? Nesse assunto.

:- Exatamente! Não sei colocar os caras no devido lugar deles, na verdade eu sempre gosto de todos. – a loira riu admitindo.

:- Esse é a sua maldição... Ou devo dizer sua benção?! – ambas riram.

E as bebidas de ambas chegaram, Angelique entregou a de Dulce e pegou a sua fizeram um brinde. Não precisavam falar mais brindavam à amizade de ambas e a maldade de Dulce e a liberdade de Angel.

Então o Dj mudou a música e Angelique surtou dando um grito por que era a sua música favorita, imediatamente puxou Dulce animadamente pelo braço e ambas foram para pista de dança. No caminho assim que chegaram a pista Dulce esbarrou sem querer em alguém não tinha esse costume, mas por estar contente quis se desculpar.

Entretanto ficou calada quando viu quem era, Alfonso, ficaram se olhando ele ainda estava com Rodrigo que nem pareceu notar o que tinha acontecido assim como Angelique que já estava se acabando de dançar, Alfonso então deu um sorriso e se virou para acompanhar Rodrigo. Dulce ficou sem entender e demorou para tirar de sua mente o sorriso dele para ela enquanto dançava.

Saindo do banheiro acompanhado e recebendo algumas reclamações ele pensava numa forma de ficar livre dela, mas antes que chegassem ao bar ela o encostou na parede e logo ele começou a conversar qualquer outro assunto banal como da rotina da universidade ou de quem ela conhecia na festa, ficaram determinado tempo conversando. Ela queria algo a mais e ele já teve o que queria, estava pensando na forma que dispensaria ela.

:- Então suas amigas devem estar preocupadas, os meus colegas também, sumimos faz um bom tempo. – Ele falou coçando a cabeça desgrenhando mais o cabelo loiro.

:- Relaxa, não tem que se preocupar com isso. – ela sorriu tentando ser sexy, porém estava bêbada não teve um bom resultado. Ela tentou se aproximar para começar tudo novamente, mas ele se esquivou.

:- Vamos curtir a festa. – com aquela declaração ainda que bêbada fez com o que ela percebesse que ele não queria mais nada com ela e queria encontrar outras garotas. Tinha que pelo menos algo dele, já que era popular ela tinha que se aproximar.

:- Você sabe onde me encontrar? Faço Turismo o prédio é bem próximo ao seu, vamos nos encontrar de novo.

Ele voltou a ficar relaxado deixando a irritação pelo grude dela de lado, sorriu por que com certeza a buscaria de novo. Só não queria nada mais agora, já deu.

:- Você me encontra por aí. – ele sorriu de lado.

:- Pelo menos merecemos um beijo de despedida após esse encontro especial, não acha? – mesmo que ele tivesse a chance de responder tudo terminaria na mesma, num beijo.

Ele ficou encostado na parede um tempo percebeu que a fila do banheiro não estava tão grande comparado há quantas pessoas estavam bebendo e resolveu voltar lá para se recompor.

Tinha dançado pouco comparado ao que queria extravasar, mas como ela fez o favor anterior não pode recusar pegar bebida para as duas.

:- Só por que você me ajudou antes. – ela riu sozinha, estava tonta, mas não saberia explicar do que.

:- Falando sozinha. – uma voz masculina falou ao seu lado e ela sequer percebeu quando ele chegou.

:- Pois é. – ela riu sem graça por ser pega no flagra.

:- Angelique, verdade?

:- Eugênio, pelo o que eu julgo. – os dois sorriram de confirmação. O barman trouxe as bebidas dela e Eugênio pediu uma bebida para ele, estavam conversando sobre a festa, Eugênio estava bem mais animado do que a conversa com a outra garota que tinha ficado que sequer lembrava o nome.

:- Vem comigo preciso levar a bebida para Dulce, vamos dançar. – ela o convidou.

Dulce não soube explicar o que sentiu ou o que expressou quando viu Angelique voltar com Eugênio.

:- Dul, aqui sua bebida desculpa a demora encontrei com o Eugênio, se lembra dele? – ela os apresentou e eles se encararam, foi diferente. Ao contrário de Angelique que estava mais alegre com Dulce sentiu algo estranho, como se ela apenas com o olhar quisesse possuí-lo. Gostou daquela sensação, impossível negar.

:- Sim, somos do mesmo grupo na aula de Ética. – ela falou e tomou sua bebida o encarando. Gostou que ele tinha retribuído o olhar.

Eugênio então sorriu confuso e tonto pelas bebidas que já tinha tomado olhou para as duas novamente que o encaravam, esperando por algo.

:- Então estamos numa festa para se divertir, certo? Vamos dançar. – ele sorriu para elas e começou a dançar numa espécie de mini roda que se formou entre os três, Angelique estava mais bêbada e não percebia as trocas de alguns olhares entre Dulce e Eugênio. Ele resolveu investir em algo se aproximou mais ainda dançando e ficou entre elas, numa dança a três, de costas para Angelique e de frente para Dulce que dançava bem mais discreta do que a amiga loira.

Para surpresa de Eugênio Dulce retribuiu o olhar e recuou um passo dando a entender que não queria ele, totalmente diferente de momentos atrás. Foi nesse momento que chegou a dupla.

:- Meus queridos!!! Desculpem interromper esse momento feliz. – Rodrigo falava alto, tanto pela voz quanto pelo nível de álcool em seu corpo, sorriu para Angelique que parou de dançar. – Quero que vocês realmente conheçam, Alfonso Herrera! – deu um tapa no ombro dele.

Alfonso deu apenas um meio sorriso e levantou sua bebida como sinal de cortesia. Dulce apenas o observou não mudou em nada de sua postura e expressão, Angelique piscou um tanto admirada não tinha visto ele tão de perto desde que souberam que seriam do mesmo grupo, definitivamente nada mal. Eugênio imitou Alfonso, porém de uma forma receptiva abriu um sorriso e estendeu a mão.

:- Bem vindo. – o aperto foi forte e firme. Eugênio sabia por Alfonso ser apresentado pelo Rodrigo e por conhecer pouco sobre aquele cara, aquilo significava que Alfonso ainda que bolsista afinal todos sabiam essas coisas, poderia ser um forte aliado.

:- Obrigado.

:- O que vocês acham de me acompanhar para uma parte mais reservada da festa? – Rodrigo os chamou. Todos sabiam o que aquilo significava e por isso aceitaram.

Desde que foi fundada a universidade feita para a Super Classe, tinha um ritual, sempre teria ter os populares, os mais cobiçados entre os que já eram ricos. Esses escolhidos ditariam as regras, seriam invejados, teriam regalias. Se a universidade era um império, esse império precisava de líderes e um comando.

Geralmente eram escolhidas as pessoas que se destacavam entre as demais, por um ou outro motivo, os próprios universitários de forma indireta os elegiam assim como os anteriores escolhidos que precisam passar sua majestade e trono, já que se formaram.

Não havia uma forma certa poderia ser escolhido homem, mulher, um, dois, quatro, dez. Não existia regra, os dois últimos escolhidos eram dois homens e eles fizeram sua escolha, Dulce, Alfonso, Eugênio e Angelique.

Quem tinha a missão de ser o mensageiro dessa notícia era geralmente o organizador de eventos que estão mais próximos desses escolhidos, dessa vez Rodrigo.

:- Olá como estão? – Marcelo, um dos escolhidos veio recepcioná-los, era então outra pequena e sofisticada estrutura que o pessoal responsável pelos eventos tinham feito. À medida que os quatros se dirigiam ao local todos os presentes naquela festa sabiam, agora oficialmente eles eram os escolhidos, tinham um poder sem igual.

:- Bem, todos nós eu acredito, na realidade melhor agora. – Alfonso respondeu ficando aliviado por se livrar de Rodrigo, já tinha absorvido o que queria dele.

Não havia nenhum protocolo, nenhuma fala, nenhuma cerimônia apenas estavam no mais vip de toda a festa, era uma espécie de camarote onde tinha o melhor da festa, as melhores bebidas e conforto, ficavam ali os escolhidos e seus convidados.

Ficaram todos conversando um bom tempo, sobre assuntos variáveis à medida que a festa ia acontecendo vez ou outra alguém saía ou entrava, Alfonso foi o primeiro assim que se deu conta da situação pediu licença e saiu voltando para a festa. Dulce o acompanhou com o olhar durante toda sua saída, sem deixar de conversar com Marcelo. Percebeu ao olhar para o lado que Angelique e Eugênio estavam bem mais entrosados numa conversa mais maluca que fazia sentido apenas para ambos por estarem bêbados. Eugênio então tinha feita sua escolha da noite, optou por Angelique ainda que Dulce tenha condicionado para ele fazer essa escolha.

Resolveu aderir à mesma estratégia de Alfonso, voltar para a festa. Pediu licença a Marcelo e sozinha voltou para a festa. Como esperado não demorou muito para logo depois Angelique e Eugênio também aparecessem juntos, foram dançar. Ela apenas os observava de longe.

Pensando bastante em seus próximos passos.

:- Então Dulce como vai? — Estava tão concentrada que nem o viu se aproximar.

:- Conrado, verdade? — ela chutou seu nome, deve ter conversado com ele em algum outro momento, tentava voltar seu olhar para o casal, mas “Conrado” até então tampava sua visão.

:- Isso mesmo que privilégio que ainda se lembre do meu nome. – ele sorriu. – Sempre soube que entraria para a elite, sempre mostrou que não merecia uma posição inferior. O que acha de que eu lhe pague uma bebida?

Imediatamente ficou irritada se antes já tinha o assédio interesseiro das pessoas na universidade, agora seria insuportável, tinha que colocar as pessoas nos eu devido lugar. Destetava aquele tipo de gente.

E antes que pudesse abrir a boca foi interrompida por um terceiro.

:- Aqui está à bebida que você me pediu, demorei por que o barman está lerdo, bom está do jeito que você gosta. Perdi algo? — ele chegou oferecendo bebida a ela e lhe abraçando a cintura com uma segurança indefinida e encarando o outro esperando por algo.

Dulce ficou a primeiro momento sem reação assim como Conrado, mas ela logo entrou na dança.

Bebeu a bebida oferecida, ele tinha acertado era a que ela mais gostava de todo o cardápio e em seguida subiu o braço livre para o pescoço dele o puxando com delicadeza lhe deu um beijo nos lábios que não passou de um encostar, para ambos não era muito, porém para os outros que eventualmente presenciava a cena e especialmente para Conrado.

Tudo transparecia intimidade e uma química inigualável que os dois tinham juntos. Se completavam ainda que não se gostassem por conta do primeiro contato e de personalidades, algo que não dava para negar era que alguma coisa atraía um ao outro, eles só não saberiam dizer o que.

:- Obrigada, está do jeito que eu gosto. Na verdade Conrado me fez o favor de me fazer companhia enquanto você não voltava, Alfonso. – ela sorriu mais por estar alegre de ver como reagia Conrado.

:- Obrigado, cara. Eu já voltei pode voltar para a festa. – Alfonso foi falsamente simpático, Dulce notou isso.

Conrado ficou tão impactado e frustrado de presenciar aquela cena de beijo que saiu sem dizer absolutamente nada. E assim que ele saiu Dulce se virou para Alfonso com um olhar de quem queria explicações.

:- Você precisava de ajuda. – ele deu os ombros se separando dela e se apoiando na parede atrás dela.

:- Poderia me defender sozinha sem maiores problemas.

:- Eu penso que agora que somos da elite, temos que apoiar um ao outro, cada um tem seus objetivos e eles serão melhores alcançados com as pessoas certas ao nosso lado.

:- O que você quer? — Dulce foi direta ficando ao lado dele, esperando a resposta que demorou a chegar, eles ficaram um tempo ainda lado a lado apenas observando a festa e bebendo em silêncio.

:- Quero sua amiga. Angelique.

Ela não soube explicar exatamente o que sentiu quando escutou sua declaração, sua mente já trabalhava várias formas de juntar os dois e estava satisfeita por que ele seria muito útil para os planos dela. Eles queriam as pessoas que agora estavam dançando animadamente juntas. Por outro lado ela ficou frustrada ele era uma pessoa interessante apesar de tudo, tinha ficado interessada nele.

:- Ótimo. Vou te ajudar com relação a isso.

:- Boa sorte no seu objetivo.

:- Por que diz isso?

:- Isso é um jogo de interesses, eu falei o meu e você tem o seu se for o que eu estou pensando, precisará de sorte. Ele deve ser um cara difícil de ter.

Assim como você, ela pensou. Eles tinham o mesmo perfil estavam no mesmo time, eram daqueles tipos de cara que é preciso tempo e estratégia para se tê-los nas mãos, eram inteligentes e sagazes demoravam em cair nas garras de uma mulher e se tornar submisso a elas, ainda que a grande maioria não perceba. Os homens são dependentes das mulheres assim como elas deles.

:- Você comentou no começo dessa conversa que temos que ficar juntos, por que somos da elite e tudo mais. Está certo, nós quatros temos que se unir e um ajudar ao outro, eu vou te ajudar e quando precisar você vai me ajudar.

:- Temos um acordo, Saviñon. – ele mostrou seu copo quase vazio.

:- Temos, Herrera. – ela brindou com o seu copo pela metade.

Sem palavras selaram ali uma aliança totalmente de interesse onde ele queria sua amiga e ela queria o futuro amigo dele. Aliança essa que duraria durante muitos anos e se tornaria algo muito mais forte e intenso que eles poderiam imaginar.

:- Difícil negar que eles têm uma sintonia isso é difícil de ser quebrado. – Alfonso comentou depois de mais um tempo em silêncio com ambos.

:- Não penso assim. De qualquer forma eu conheço minha amiga, não é difícil se aproximar dela vou deixar os dois num momento próximo você então continua a partir daí.

:- Eu preciso que tire por alguns momentos o Eugênio do meu caminho.

:- Isso também não vai ser difícil. – ela disse sorrindo maliciosa.

Os dois viram Eugênio e Angelique partirem para um canto da festa onde quem dominava era Rodrigo, tanto Dulce quanto Alfonso mesmo sem falarem nada um com o outro tinham mais um ponto em comum. Não gostavam de Rodrigo, apenas o suportavam.

E mesmo que tivessem feito um acordo aquele era um dia apenas para observação, o dia para agir era outro e já tinham visto muito. O que precisavam agora era pensar em suas próximas atitudes e por fim ter o que tanto querem.

:- Vem comigo. – Alfonso estendeu a mão para ela, do nada.

:- Para onde? — mesmo sem perceber ela já tinha desencostado da parede, assim como ele.

:- Já chega de ver-los por essa noite vamos aproveitar essa festa. – pegou na mão dela e a puxou sem ter a devida e literal resposta, não deu a chance de Dulce recusar eles estavam sem companhia, tinham até então um ao outro.

Dulce desde quando chegou não circulou pela festa que era maior do que ela pensava, Alfonso a estava levando para um lugar que ela não tinham estado, ali as pessoas estavam menos despreocupadas, mais felizes e dançando mais, visivelmente era o lado mais animado da festa, fora que ali ao contrário de onde estavam as pessoas tinham um olhar interesseiro sob eles. Já nesse novo local nem sequer se importavam com a presença deles.

:- Vem. – Alfonso gritou por que a música estava mais alta por ali e ela foi guiada para a pista, ele puxou sua cintura e os dois começaram a dançar.

Passaram muito tempo dançando juntos que esqueceram do resto. Chegou um momento no qual Dulce tropeçou e logo Alfonso a amparou eles se olharam de perto e trocaram sorrisos, ele puxou ela até o bar daquele lado da festa foram incontáveis doses de bebidas diferentes. Era uma bebida atrás da outra, estavam se divertindo juntos por mais inacreditável que poderia parecer.

Foram para a pista novamente, mas não conseguiam dançar sem tropeçar ao som de um reggaetoon foram rindo se encostar na parede mais próxima. Dulce se encostou na parede com a cabeça levantada e os olhos fechados sentindo sua tontura, logo sentiu o corpo dele se grudado frente ao seu e demorou para ela abaixar a cabeça para encara-lo. Pela cabeça de Alfonso pelo menos ela não tinha afastado.

:- O que você está fazendo? – ela perguntou e ele viu o olhar frio e menosprezado dela.

:- Poucos caras dessa festa faz o seu tipo, você provavelmente não ficará com mais nenhum. Já que todos pensam que estamos juntos, ao menos dançando. O mesmo acontece comigo, são poucas as mulheres que eu me aproximaria.

:- O que está insinuando?

:- O que você também quer.

Eles se encararam.

Ele estava certo. Mas, tinha uma contradição eles não tinham se dado bem a primeira vista, ele era sabichão demais e ela superior demais suas personalidades batiam de frente. O que não podiam negar é que naquela festa depois de estipularem um objetivo encontraram um bem em comum. Ou seria um mal. Se dariam ao luxo de ceder no mais íntimo de seus desejos? Cederiam a gana de sentir um ao outro? Alfonso já havia se dado conta e baixado a guarda, o que faltava era Dulce fazer o mesmo.

:- Vamos esquecer aqueles dois. – ele voltou a falar e só parou por que ela subiu seus braços e depositou nos ombros dele. – Eu estou no seu nível e você está no meu. Estamos em sintonia hoje, podíamos aproveitar ainda mais essa festa.

Ela não dizia nada, só o observava no íntimo do seu corpo vozes entravam em contradição e decidiu agir, não tinha nada a perder mesmo. Por isso o beijou, de leve como se fosse uma descoberta e foi bem diferente do que ela tinha fantasiado desde a primeira vez que o viu e contrariando tudo. Se sentiu atraída.

Alfonso subiu uma das mãos e com os dedos na nuca e o dedão sobre a orelha dela correspondeu o beijo. Lentamente. Fora do compasso da festa que estava agitada, da música que estava rápida. Eles exploravam a boca um do outro lentamente, o que era uma surpresa para ambos.

Quando finalmente o beijo lento e demorado pareceu terminar e os lábios se separaram fazendo um pequeno estralo, mais uma vez se olharam aquela noite, Dulce pensou que tudo tinha acabado e quando se afastar. Alfonso a tomou pela cintura a e a beijou de novo, um beijo que fazia jus aos seus reais desejos. Com volúpia e gana que foi devolvido com a mesma altura por Dulce que subiu as mãos e tentou se agarrar em algo, não tinha cabelo estava muito baixo, então uma mão se apoiou na cabeça de Alfonso e a outra mão puxou seu colarinho e amassou descontando ali toda sua tensão.

E juntos estavam matando cada chama de desejo que nutriam em seu interior, quando amanhecesse sequer lembrariam por estarem muitos bêbados. Aquele foi o primeiro beijo de muitos que viriam assim, intensos e entregue ao que sentiam seja desejo ou ódio, naquela noite não tinha motivo para se preocupar tinham selado uma parceria para destruir antes mesmo de começar uma relação entre seus amigos. E mal sabiam que essa parceria ainda duraria muito mais quando a vida dava voltas e girava a roleta irônica do destino e brincava com suas vítimas.

Victimas es lo que somos del deseo los dos, victimas es lo que somos de un verdadero amor. Victimas es lo que somos prontos para matar siempre te voy a esperar cuando me quieras buscar

‘●’

Notas finais
Música citada no capítulo e última da história é Victimas do Ñengo Flow, aqui para que escutem: https://www.youtube.com/watch?v=mrSU7aPDuCs