Víctimas Del Pecado
7 Poncho - 4
Mais uma vez eu estava de volta ao meu carro, meu encontro com Olívia foi rápido expliquei para ela como deveria instalar as outras câmeras que eram minúsculas e discretas, pedi para ela tomar cuidado para as câmeras da casa para que não a flagrasse e meu plano fosse por água a baixo.
Depois de lhe dar uma porcentagem em dinheiro do que combinamos, ela foi para casa de Eugênio, onde ele morava junto com Angelique, Enzo e Alma. Sorri enquanto virava a esquerda na avenida escura, seguindo para o meu outro destino, eu teria meu próprio reality show.
Cheguei à praça que estava procurando, era mal iluminada, provavelmente a polícia aqui não fazia ronda, à medida que abaixei o vidro para ver melhor as pessoas eu era abordado por algumas mulheres.
:- Estou procurando o marinheiro. – Disse para a mulher que se apoiou no carro, ela me olhou de uma forma analítica, de cima para baixo, talvez se surpreendendo. Ela apenas apontou com a cabeça com desagrado para a rua no final da praça.
E eu segui com o meu carro em velocidade baixa, ele estava lá, bem diferente da última vez em que o tinha visto, e isso já tinha anos e anos.
Não me importei com a surpresa que vi em seus olhos quando me viu.
:- Entre.
:- Temos que acertar antes, vai que você só quer perder meu tempo. – ele permaneceu firme em seu lugar, ainda me olhando.
:- Se o problema é dinheiro, eu vou pagar, combinamos aqui no carro. – apoiei meu braço na janela do carro, mantendo seriedade apesar da situação ser surreal de ambas as partes e até mesmo constrangedora.
Um homem mais velho estava próximo e deu um olhar certeiro para marinheiro, indicando que ele deveria entrar no carro, foi o que ele fez. O caminho que eu comecei a fazer foi feito em silêncio ele não falava nada nem eu.
:- Sabe de algum lugar para irmos, eu não tenho a mínima ideia. – falei para ele.
:- Vai depender de sua preferência, tem um motel ali perto. — o olhei para o ver apontando para algum lugar. – Ou tem hotel, até mesmo sei de ruas mal iluminadas por ali.
:- Eu estou com sede sabe de algum lugar para tomar algo? Ainda não conheço a cidade o suficiente.
:- Daqui os bares estão longe, têm apenas restaurantes. – ele falou e parecia incomodado com toda aquela situação.
:- Ótimo, me indique algum, meu corpo está pedindo por álcool.
:- Quer que eu seja seu acompanhante ou vamos para algum lugar depois? Temos que acertar isso logo, para saber o preço que tem que pagar.
:- Não se preocupe com dinheiro, Francisco. Também não quero transar com você e não vai ser meu acompanhante.
:- Então o que você quer de mim?
:- Conversar. – disse apenas parando num restaurante qualquer.
Depois de sentados em alguma mesa, eu pedi algum whisky, enquanto ele me encarava. Só estava ali por que independente de tudo eu pagaria pelo tempo que ele estava perdendo.
Marinheiro era o apelido de Francisco quando entrou na faculdade, ele esteve na marinha e lá tatuou uma ancora no braço, dai surgiu o seu então apelido. No tempo da faculdade ele e eu não tínhamos contato nenhum, até uma certa noite.
:- Não sabia que você foi libertado, quando foi preso as notícias se espalharam rápido afinal era o escândalo da vez. Agora faz quanto tempo se está livre?
:- Mais de seis meses.
:- Então agora que esta livre, se não aparecesse eu sequer saberia. Como a vida dá voltas. – ele comentou tomando algo de sua bebida.
:- Pois é, olha só o lugar onde eu encontrei você.
Ele fechou a cara, não se orgulhava do que fazia para sobreviver. E quando eu descobri como a vida dele estava, me surpreendi afinal o que tanto aconteceu para que ele escolhesse esse caminho que o levou a prostituição. Ele fazia Comércio exterior, tudo bem que não tinha uma boa fama na faculdade, era bolsista, agora ter um final como aquele eu não imaginava.
:- Francisco, não me leve a mal, não falei para te ofender ou te julgar, não sei nada de sua vida, quer dizer a não ser que estava naquela praça e vendo sua aliança é casado. – eu comentei, mentindo eu sabia dos fatos mais importantes que aconteceu, pedi para pessoas averiguarem isso. Eu precisava de informações e Francisco poderia me dar, se fosse necessário eu o ameaçaria.
:- Seja sincero Alfonso. O que você quer de mim? – pela forma que me olhava, ele não me levaria muito a sério.
:- Informações Francisco, eu vou fazer justiça com minhas mãos. Você deve ser mais um que acreditava que eu matei Felipe, mas isso não é verdade e prova que estou aqui fora da prisão hoje. O caso foi reaberto e eu e Dulce inocentados.
:- Ainda não entendi onde eu entro nessa história.
:- Quero que você me diga o que sabe.
:- Não muito do que você.
Antes de sorri de uma forma raivosa, ele colaboraria comigo de uma forma ou de outra, a pena que eu tive de ver ele naquele lugar já passou.
:- Eduardo seu marido, sabe que enquanto ele está em casa com sua filha, Letícia você está se prostituindo a noite? – ele ficou acuado. – Marinheiro, apesar de ser inocente eu mudei desde a última vez que nos vimos, não me importo de usar o que sei para conseguir o que eu quero. Não me faça ter uma conversa reveladora com Eduardo, então vamos lá me conte algo que eu não saiba sobre Felipe.
:- Não sei o que eu posso dizer que você não sabe, bom Felipe era um homem extremamente reservado, ele separava muito bem a vida pessoal da vida profissional. Zelava muito por sua carreira de professor, apesar de tudo. Ele tinha medo que arruinassem sua carreira, dava muito valor a ela.
:- Isso era contraditório levando em conta tudo que nós sabemos.
:- Pois é. Ele tinha uma relação especial com alguns alunos da nossa época, ia desde ameaças até envolvimento...
:- Sexual? – perguntei interessado.
:- Exato, mas não era algo constante quero dizer, ele logo trocava as pessoas só que no seu caso foi diferente, as ameaças continuaram e ele pegava pesado, por que tinha medo de ser expulso da faculdade.
:- Você me contando isso me pergunto por que na investigação isso não contou, não apareceu, quer dizer, sequer sabíamos que ele tinha mais desavenças que imaginávamos.
:- Na verdade Alfonso, por mais que ele tivesse essas pessoas nenhuma teria mais motivos para matá-lo do que vocês fora que a investigação do crime não foi intensa. Quer dizer, quem matou Felipe fez de uma forma que tudo indicava você como o assassino.
Ele estava certo e eu sabia disso.
:- Entendo, mais alguma coisa que não sabia?
:- Pelo que eu sei, não tinha família. Mas, tinha algo estranho por ele tinha seus protegidos na faculdade, mais tinha um ou uma em especial. Escutei uma conversa por telefone uma vez, ele dizia algo sobre proteger o do próprio sangue.
:- Então ele tinha algum parente?
:- Sim, mais é muito incerto saber quem era e se era, você vai ter trabalho pela frente.
Isso era interessante.
:- Ah acabei de lembrar, eu já vi encontros quer dizer, ele chamava para conversar, tanto Eugênio, Angelique, Dulce, ... – ele deu os ombros.
:- Isso eu sabia, até eu ele chamava às vezes para nos ameaçar, para nos humilhar.
:- Sendo assim fica difícil, bom não tem mais nada que eu sabia, ou que me lembre agora, se quer algum conselho deve rever seus outros colegas de classe, ou até mesmo da faculdade considerando que Felipe dava muitas aulas para as mais variadas salas.
:- Certo. Me tire uma dúvida, por que você era o fixo?
:- Por que eu era apaixonado por ele. – me revelou suspirando.
:- Esses sentimentos irracionais nos levam a ruína, enfim eu vou manter o contato com você. – eu peguei minha carteira para pagar a nossa conta.
O paguei pelo tempo que ele passou comigo e peguei seu telefone com a garantia que não contaria nada a seu marido e nem envolveria sua família nisso eu concordei, por que ele tinha me contado boas informações.
Voltei a dirigir para o hotel, querendo uma boa noite de sono, por que aquele dia tinha sido cheio.
‘●’
:- Já chega isso é ridículo, não vou ficar numa mesma mesa, que esse imbecil. – Os olhos dele estavam castanhos mais escuros, por conta do incomodo e ciúme que ele sentia. Não sentaria numa mesa onde Eugênio estava, não depois dele ter roubado sua namorada.
:- Poncho se controla aí. – Dulce falou, mesmo tão incomodada com a situação. – Eu também não queria estar aqui com pessoas traidoras. – Ela bufou sentada na cadeira de madeira.
:- Dulce não precisa me ofender ok. – Angelique era outra que não queria estar ali com os antigos amigos.
:- Eu não citei nomes, Demonique, mas se a carapuça serviu ótimo. – Dulce fez um trocadinho com o nome dela dando os ombros depois.
:- Já passou da hora de vocês aceitarem que estamos juntos. – Eugênio se impôs.
:- É muita cara de pau. – Poncho olhou para o seu ex melhor amigo com raiva pela calma que ele disse. Impondo que aceitassem a situação tranquilamente sendo que tudo o que queria era arrebentar ele.
:- Cansei disso, vamos fazer o seguinte, vamos ignorar o fato de queremos pular no pescoço um do outro e estrangularmos até a morte, por um momento? – Dulce falou aproveitando sua paciência que ainda não tinha chegado no limite. O namoro de Angelique e Eugênio a incomodava tanto quanto a Poncho. – O desprezível do Felipe quer que o nosso trabalho seja apenas pesquisado por livros, então quanto antes começarmos, antes acabaremos e todos estão livres dessa tortura.
Ela pegou um dos livros que estavam na mesa e abriu. Poncho olhou uma última vez para Angelique que desviou o olhar, não teria como fugir dele não seria reprovada em Ética por conta dos dois. E eles começaram a trabalhar, tiveram uma sensação de deja vu se não fosse pela situação tensa.
Antes eles passavam horas na biblioteca pesquisando de bom grado os seus trabalhos era divertido estudar juntos, por que todos se complementavam eram inteligentes e apostavam entre si para saber quem era o melhor, valendo um almoço ou um jantar. Antes não havia raiva, apenas amizade.
:- Conseguimos. – Eugênio exclamou largando a caneta, terminando o texto que de quinze páginas feito a mão.
:- Terminamos graças a Deus, vou poder chegar em casa e encontrar Ceci acordada com muita sorte. – Dulce já estava se arrumando para sair.
:- Só terminamos por que eu sabia melhor sobre o assunto e sabia quais os livros certos. – Poncho colocou sua mochila, se gabando.
:- Ah sim, falou o bonzão. – Eugênio ironizou e deu um selinho em Angelique de propósito, terminando com o resto de paciência que Poncho tinha.
:- Perdi toda a paciência com você, vou te mostrar uma coisa. – Antes que Poncho alcançasse Eugênio, Dulce ficou na frente deles, já que Angelique não fez nada além de ficar sentada assistindo a cena como se fosse um filme em vez da vida real.
:- Me mostrar o que Poncho? Que você foi um nada na vida de Angelique que na verdade ela me ama, assim como eu a ela. E agora somos felizes, não, isso eu já sei e vejo diariamente.
Foi difícil para Dulce consegui controlar Poncho que queria avançar a qualquer custo e pela forma que seu punho estava fechado, só ficaria satisfeito em acertar em cheio o rosto de Eugênio. Ela não queria que fossem pegos, mais uma vez por alguma briga, se isso acontecesse seriam expulsos da universidade. Isso ela não podia permitir.
:- Eu pelo menos nunca trai nenhuma namorada minha. – Poncho falou ácido, sem se importar que isso envolvesse Dulce.
:- Basta Poncho, não vou permitir que você invente calúnias sobre Eugênio. — A paixão de Angelique a deixava tão cega, tanto que não enxergava o quanto o namorado ficou tenso e pálido com a declaração de Poncho, Dulce mesmo sendo indiretamente envolvida, não pareceu se importar.
:- Angelique leve seu namorado daqui logo, vão embora. – Dulce não pode conter a voz sair gritada.
E foi isso que Angelique fez puxou Eugênio aquele trabalho já deu o que tinha que dar se eles ficassem, transbordava. O namorado foi por que tinha medo de ficar ali e que Angelique escutasse o que não deveria. Mas, eles não andaram muito, os quatros estavam nos fundos da biblioteca.
O funcionário dali sempre fazia uma pausa naquele horário, como os conhecia não viu problema em deixá-los sozinhos, fez um intervalo de duas horas mesmo que fosse contra as regras.
Dulce depois de recolher o trabalho de cada um com cuidado e guarda-lo na sua bolsa, conversou com Poncho para que ele se acalmasse e quando os dois estavam saindo da biblioteca encontraram o casal parado.
:- Só era o que faltava o que vocês ainda fazem aqui? – Dulce perguntou e por sorte a voz saiu baixa, o suficiente para apenas Angelique e Eugênio escutar.
:- O que vocês estão vendo? – Poncho notou que algo diferente.
E quando os dois pararam próximo onde os outros já estavam. A cena não era tão diferente das que eles flagraram alguns meses atrás.
Um beijo.
Felipe o professor de Ética deles, beijava um de seus alunos o que eles conheciam de vista por Francisco, o famoso Marinheiro. Eles pensavam que o funcionário já tinha ido embora, mais isso não era o problema, Felipe era influente o suficiente para fazer com que o funcionário guardasse seu segredo.
Foi por ver uma cena assim que as vidas dos quatros mudaram totalmente e ainda mudaria mais. As ameaças de Felipe eram constantes, ele se tornou um pesadelo na vida dos quatro e foi por ver uma cena como aquela que a vida deles foi traçada naquele instante.
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