Víctimas Del Pecado
47 Poncho - 25
Poncho
:- Nada funciona da forma que você está pensando. – a escutei resmungando irritada, por que era a quinta vez desde que entrei naquela sala que eu olhava a janela e perguntava quanto tempo mais esperaríamos.
Eu voltei a olhar a janela e ali me prometi que se a resposta não chegasse em cinco minutos, sairia daquela sala. E faria tudo do meu jeito.
:- Eu sei o que você está pensando. – ela voltou a falar e eu deixei de olhar a janela para encará-la assim como os outros policiais dela, que não serviam para nada estavam calados, assim como todos ali, esperando. – Pode esquecer essas ideias.
:- Você não sabe o que estou pensando Andréa. – eu afirmei.
:- Não?! Se a nossa autorização não chegar a um determinado tempo que você tenha estipulado, vai sair daqui e fazer tudo com suas próprias mãos, talvez ligar para os seus homens e viajar o mais rápido possível para os Estados Unidos e lá vai bancar o herói, salvando a mocinha dos bandidos. – Ela falou com ironia, algo típico de policiais que me irritava e muito.
Desde que a conheci em alguns dos poucos momentos que estivemos juntos batemos de frente, isso por ser obvio, eu vivi anos preso e ela era uma policial. Eu sentia incomodo e desprezo para falar a verdade com sua presença e autoridade.
:- Sabe aquela orientação de etiqueta que diz, “Quando estamos na casa de alguém, respeitamos essa pessoa”. Mesmo que não concorde com os meus métodos, você está na minha casa Alfonso, na minha sala, respeite isso.
Ficamos nos encarando duramente por um curto tempo, somente naquele momento passou pela minha cabeça que ela poderia estar estressada com outros assuntos, deveria estar cuidando de outros casos. Os últimos acontecimentos fizeram com que todos ficassem fora do normal, assim como eu Andréa estava perdendo nessa briga e pior de tudo é que somos muito competitivos.
Pensei em aliviar a minha arrogância por conta disso, por ela ter ajudado nos meus outros casos, mas o destino de Dulce estava em jogo. Eu só sabia que tinha que agir, comecei a raciocinar se temos que esperar, eu já tinha que bolar um plano sensato e muito inteligente para tirar Dulce de Eugênio. Eu tinha a polícia do meu lado tinha que converter isso numa vantagem, mesmo que fossem lerdos.
Além do mais eu tinha que “respeitar” Andréa, era ela que estava no comando, aquilo era um jogo de interesses mesmo eu só queria o apoio da polícia assim além de resgatar Dulce, Andréa prendia o verdadeiro culpado pelo assassinato de Felipe, ambos sairiam no lucro. Por que quando tudo aquilo acabasse tanto eu quanto Andréa voltaríamos a bater de frente, algum dia, por que estamos em times diferentes.
Após algum tempo com todos esperando pacientes, escutamos um toque na porta e nos surpreendemos ao ver Dalton entrar.
:- Dalton o que você faz aqui? — logo disparei minha pergunta.
:- Eu estou com a resposta para vocês. – ele me respondeu e levando uma parte pequena da minha agonia, essa agonia que só iria embora por completo quando eu tivesse Dulce sã e salva nos meus braços.
:- Estamos esperando ordens e a liberação para prosseguir com caso, Dalton, eu só posso colocar o meu plano em prática quando eles me liberarem, eles nunca demoraram tanto mesmo o caso sendo urgente. – Andréa falou ainda irritada.
:- Estou ciente, policial. Eu tenho aqui a liberação, já podem colocar tudo em prática. – meu coração deu um salto e a adrenalina pulsou mandando energia para todo o meu corpo quando escutei isso.
:- Já não era sem tempo. – comentei e recebi os olhares de advertência.
Andréa pegou o envelope e logo deu um sinal de cabeça para os outros policiais que saíram imediatamente da sala. Agora sim eu via ação nessa delegacia.
:- Por que foi você que veio entregar essa autorização Dalton? — Andréa perguntou sem tirar os olhos do documento, mexia em suas coisas rapidamente sabendo o que estava fazendo, eu era o único que só observava tudo.
:- Porque eu vou junto. – ele disse seguro e esse foi o instante que ela parou e olhou para ele por uns segundos, assim como eu o encarava. – Cucaracha, é um grande rival de Gonzalo nas drogas ao que tudo indica, os dois andaram se enfrentando e Gonzalo levou a pior. Cucaracha tomou a frente aproveitando a crise que Gonzalo está vivendo, ao que parece ele viajou.
:- Para os Estados Unidos. – ela logo supôs e eu soube que essa explicação valeu muito mais para mim. Andréa pegou o telefone e rapidamente fez uma ligação. – Vocês têm cinco minutos para que tudo fique pronto. Vocês dois sente-se vou colocar todos vocês a par de toda a operação.
Fizemos o que ela pediu e ela nos mostrou todo o seu plano com detalhes e margem de erro, eu confesso que fiquei impressionado, afinal no tempo que estava esperando parecia que tudo estava parado e que nada daria certo. Após eu ter dado a pista da onde Dulce estava Andréa colocou todos os seus melhores homens para descobrir onde estava Eugênio, infelizmente ele não tinha sido encontrado ainda, mas Rodrigo sim e ainda foi visto com Dulce.
Estava num hotel de luxo em Los Angeles, ela Rodrigo e alguns dos homens dele.
:- Entenderam tudo?
:- Sim. – Dalton respondeu.
:- Eu sei que você está no comando Andréa, eu respeito isso, porém se me permitir eu tenho ideias que pode incrementar a sua operação e garanto que sua margem de erro será nula.
:- Alfonso eu já lhe expliquei que agir impulsivamente não fará com que Dulce volte.
:- Nem agir tão racional demais, fará como que ela volte, veja bem o seu plano é excelente na teoria, porém ele tem uma desvantagem. Rodrigo sabe como vocês vão agir, assim que perceberem que vocês estão lá atrás deles, vão ter como fugir ou até mesmo mataram Dulce. – engoli saliva temendo essa possibilidade – A essa altura eles já sabem que a casa de Eugênio foi revistada pelos policiais e a informação que ele é o maior procurado, eles já tem. Tenho certeza que eles têm um segundo plano caso vocês apareçam lá. Não foi a toa que meu irmão conseguiu escapar várias vezes, vocês policiais são muitas das vezes previsíveis não surpreendem, tem a lei, a questão da segurança, engessando suas ações. Eu posso oferecer um plano que tem as melhores chances de dar certo.
:- Andréa, não deveria me intrometer, mas não custa escutar o que Alfonso tem como proposta. Tanto eu quanto você, sabemos quantas vezes nos custou agir conforme a lei e as regras da nossa policia. Quantas vezes eu perdi Gonzalo e essa é nossa melhor oportunidade de pegá-los. – a última frase ele falou mais baixo.
:- Certo, Alfonso, diga o que você está pensando e vamos ver se você tem razão. Seja convincente. – Ela foi clara e eu soube naquele instante que ela seria sensata e me apoiaria.
Desde essa conversa e tudo que foi definido, tinha se passado exatamente uma hora, eu obviamente consegui convencer Andréa a usar o meu plano.
Todos agora devidamente posicionados estávamos chegando ao aeroporto pegaríamos aviões fretados para a polícia mexicana que nos levariam para Los Angeles. Usando o recurso da polícia de disfarce, claro que não eram disfarces feitos como Dulce e Maite, mas já ajudava no que nós precisávamos confundir Rodrigo e seus homens, quando chegássemos no hotel.
A meu pedido Andréa entrou em contato com a policia de Los Angeles, a principio eles não queriam ajudar, até ser mencionado que o procurado em questão era o maior traficante atualmente da América Latina, isso envolvia o Estados Unidos a comunidade Latina tinha grande influência, eles tinham interesse político se a operação desse certo.
:- Alô? — Atendi meu celular, depois que descemos do carro e caminhávamos para uma área restrita do aeroporto.
:- Sou eu.
:- Maite. – reconheci sua voz.
:- Como você está? — estranhei a pergunta, ela não era de fazer esses tipos de questionamentos, mas eu entendia o que ela queria saber.
:- Estou nervoso. Mas, dessa vez eu vou ganhar Maite, todos os assuntos serão encerrados e Eugênio, Rodrigo e Gonzalo pagaram por tudo. Você sabe. – eu falei autoconfiante.
:- Sim eu sei. Eu só liguei para te dizer que estou com você nessa. E que quando você voltar, não nos vejamos mais. – Esperei as pessoas que estavam na minha frente se afastarem, eu parei por algum momento, olhando Andréa e Tony ficarem afastados, olhei salão de embarque pelo o vidro e olhei as pessoas.
Sabia que Maite assim que aquilo tudo acabasse seguiria o seu caminho, ela só veio por que eu a convenci em me ajudar por que isso ajudaria ela também, ela só cumpriria com a sua palavra e depois seguiria o caminho dela. E eu sabia que só nos veríamos depois de muito tempo. Os negócios a chamavam para longe, fora do México, também me chamavam só que eu não saberia o que fazer ainda.
Maite iria embora e nem nos despediríamos.
Isso era tão típico dela.
:- Eu sei. Obrigada. – Poucas palavras vários sentidos.
:- Sabe que pode me ligar, para qualquer coisa, eu só vou terminar a minha missão e cumprir minha palavra, eu vou viajar. Caso dê tudo errado nossos homens estão lá em Los Angeles e aqui no México.
:- Eu preciso que você mude a equipe de Los Angeles, tire três de lá e peça que eles façam outra função.
:- Qual?
:- Tenho certeza que Eugênio também esta nos Estados Unidos, mas algo me diz que não é Los Angeles, ele já teria aparecido se estivesse com Rodrigo. Temos que encontra-lo.
:- A policia confirmou com Don Giovanni que Angelique também desapareceu, ela também viajou para as terras americanas, nossas investigações foram para buscar diretamente Eugênio, Gonzalo e Rodrigo, não Angelique.
:- Ou seja, se encontrarmos Angelique encontramos Eugênio. – eu completei seu pensamento, ela mais uma vez tinha razão era algo simples, mas estava pensando tanto em Dulce que não pensava que Angelique poderia mostrar onde Eugênio estava. – Eu preciso que encontre Angelique, Maite e mande esses três homens atrás de Eugênio.
:- Certo. Agora vá, você tem que entrar em ação. Bom jogo.
:- Tchau. Obrigada. – consegui dizer antes que ela desligasse, nem eu e nem ela gostava de despedida, poderíamos entrar em contato alguma outra vez mesmo que isso demorasse até mesmo anos.
Guardei meu celular e olhei uma última para as pessoas lá em baixo, alguém me chamou para ir enfim para o avião. Eu comecei a andar e meu celular voltou a tocar, atendi dessa vez caminhando.
:- Alô!
:- Alfonso sou eu, Francisco.
:- Marinheiro? — eu deixei escapar seu apelido, fazia muito tempo que não nos falávamos. – Faz muito tempo que não falo com você, seria até um prazer conversar, mas agora eu estou ocupado.
:- Eu tenho algo importante para te dizer.
:- O que seria? — eu estava passando por uma porta, desceria um vão de escada e caminharia pela pista até o avião.
:- Você me disse que se eu me lembrasse da algo importante, que eu lhe dissesse. – ele comentei e tive vontade de revirar os olhos, eu já sabia o mais importante, Eugênio era o caçador. – Andei fazendo uma limpeza aqui e encontrei algo antigo que nem me lembrava que existia, algumas fotos e ela fizeram com que me lembrasse de algo.
:- O que seria, Francisco, pode ir direto o assunto, eu realmente estou ocupado.
:- Certo, eu vou ser. Lembrei que Felipe tinha um parente na universidade, eu escutei uma vez uma conversa que antes não tinha feito sentido, mas agora sim. Ele tinha um sobrinho estudando lá.
:- Sobrinho? — eu não conseguia imaginar nenhum sobrinho de Felipe estudando conosco.
:- Isso mesmo e esse sobrinho era alguém muito próximo de você. – ele falou e eu parei no meio da pista, ainda estavam entrando no avião não estava atrasado. Esperei que ele me revelasse. – Esse sobrinho é Eugênio.
:- O que? — eu já tinha me afastado e exclamei sabendo que não estavam me vigiando.
:- Eugênio é o sobrinho de Felipe, Alfonso. – ele repetiu para que eu amilase isso. – Você não tem muito tempo e também não tenho uma lembrança bem clara, mas eu me lembro de escutar uma conversa estranha entre eles. Deu para entender que Felipe negava o sobrinho e eles estavam discutindo um bom tempo depois, encontrei uma vez Eugênio louco estava drogado dizia que esse não era ele, que tinha outro nome.
:- Você me pegou de surpresa, Francisco. Não esperava por uma revelação como essa. Você tem certeza do que está falando?
:- Eu tenho certeza que é um sobrinho. É um homem. Tentei me lembrar várias vezes quem poderia ser esse sobrinho, algumas situações só me levam para dois nomes, Rodrigo e Eugênio. Pode ser que eu esteja enganado se é realmente Eugênio, mas tenho um forte sentido não tenho provas.
:- Francisco, por favor, me diga por que acredita que seja Rodrigo ou Eugênio.
:- Rodrigo eu imagino por que ele tinha uma relação muito estranha com Felipe, eles pareciam ter sempre um assunto pendente fora dos muros luxuosos da universidade. E Eugênio eu suspeito por ele assim como Rodrigo ter uma relação complicada, além de ele dizer isso de trocar o nome. Uma vez eu trabalhando na biblioteca da universidade, eu realmente encontrei um cadastro de Eugênio Gomez, seria coincidência?
:- Não! – eu respondi, não mesmo ainda mais no Elite, onde os privilegiados muitas vezes tinham muito mais regalias que os outros universitários, pensei.
:- Alfonso! – me chamaram. – Vamos só falta você. – Olhei acenei e caminhei devagar.
:- Francisco eu tenho que ir ainda assim, obrigada pela informação, você fez o certo me avisando.
:- Encaremos isso como uma troca de favores, você sabe do que eu falo. – ele se referiu a eu ter ajudado o marido dele, com algo do trabalho, nem sei como Francisco descobriu isso. Eu só quis fazer um favor por ele ter me ajudado, quase uma consequência. – Não gosto de manter certas dívidas, ainda mais como um homem como você.
:- Tem um pensamento correto. Mesmo que eu não tenha feita nada com segundas intenções, ao menos dessa vez. Ainda assim. Obrigada.
Nos despedimos de vez, cordialmente, por fim desliguei meu celular. Fui até o avião sentei onde indicavam e notei que nem ligavam por que eu estava calado demais e tinha falado muito ao celular, eu tinha a desculpa da minha agência como o mais importante. A inquietude de logo salvar Dulce.
O voo começou e eu estava com minha cabeça com milhares de perguntas estavam se formando na minha cabeça, milhares mesmo. Era tudo acontecendo ao mesmo tempo, o resgate de Dulce, o sumiço de Eugênio, a despedida de Maite, a busca por Angelique, a fugida de Gonzalo. Tudo.
Especialmente a última descoberta que atormentava minhas lembranças, eu tentava resgatar qualquer lembrança que fosse para ligar o parentesco de Eugênio com Felipe. Quanto mais se descobria, mas mistérios surgiam nessa história, aquilo não era possível. Por que Eugênio mudou de nome, como nunca soube que ele era sobrinho de Felipe. Ele era irmão de Alma?
Será que ainda havia mais segredos para serem revelados nessa história toda? A minha cabeça ficou tão concentrada nesse assunto que quando fui me dar conta, já estávamos pousando em Los Angeles.
Aqui colocaria um ponto final nesse capítulo, de uma vez por todas.
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