Víctimas Del Pecado
49 Dulce - 25
Chegaram de mãos dadas no parque à noite e em silêncio tudo tinha um motivo estavam com medo. Ainda que não admitissem um para o outro, já era difícil saber que sentiam medo. E esse poderia ser o pior traidor de todos os sentimentos, ainda mais nesse momento crucial.
Sentir medo era admitir que se algo desse errado tudo estava perdido. Para os dois isso era inaceitável, ambos sabiam que uma postura fria e vazia era a melhor arma combater aquele caçador, mas nunca foi assim, nunca teve esse sentido. A vingança tinha muito sentimento em si, o ódio, a paixão, o desejo desde sempre.
Pararam no local marcado por Eugênio e se olharam agora eles tinham que seguir com a parte do plano deles avisarem a sua coordenada para a polícia e armar uma emboscada para Eugênio, mesmo sem falar nada Poncho queria que Dulce saísse dali e pela forma que deixou sua mão, grosseira ela entendeu essa mensagem logo.
:- Vai! – ele indicou com a cabeça.
:- Não falhe. – ela pediu e ele ficou a encarando não era uma ordem e sim um pedido.
:- Não falharemos. – ele garantiu dando força a uma voz interior que era arrogantemente confiante ainda que estivesse numa batalha interna com o seu medo. Medo de perder ela.
Dulce caminhou alguns passos, estavam num lugar estratégico do Central Parque, em um local onde aquele momento não havia ninguém apenas eles por conta do frio dilacerante que fazia. A verdade era que àquela hora da noite em vez de um parque parecia uma floresta escura. E uma das sombras se separou de uma das árvores e foi na direção dela que estava tão absorvida no último olhar de Poncho que não percebeu a outra presença.
:- Vocês demoraram.
Eugênio disse abraçando Dulce por trás e passando um braço na frente de seu corpo. O clima rapidamente se tornou tenso, Dulce sentia o coração sair pela boca e tentava desesperadamente controlar a respiração estava terrivelmente assustada.
Poncho se virou para a voz dele e soltou um palavrão baixo, uma vez mais Eugênio se adiantou, sequer teve tempo de avisar a Andréa e nem Dalton. Ele precisava virar o jogo ao seu favor.
:- Na realidade, nós estamos adiantados. — Poncho falou num tom calmo tentando não olhar para Dulce que lutava contra o seu susto.
Eugênio sorriu para Poncho e logo tirou o seu revolver apontando para a cabeça de Dulce numa clara ameaça.
:- Tem razão, por isso eu tomei a liberdade de me adiantar também. – Esse olhar maligno vindo de Eugênio, Poncho nunca tinha presenciado nem quando ele dormiu com Angelique.
Uma parte do cérebro de Eugênio lutava para se libertar se Dulce não tivesse tão preocupada e alerta consigo por conta do metal gelado encostado nela, notaria que Eugênio tremia estava tão nervoso quanto qualquer um deles.
:- Aproveitando, se você me permite Alfonso. – Eugênio voltou a falar e agir com uma das mãos foi até as costas de Dulce e lhe arrancou a arma que ela ali estava escondia. – Vejo que todos estão precavidos para o nosso joguinho final. – ele jogou a arma longe para depois ver que Poncho sacava sua arma e mantinha ao lado do corpo. – menos uma.
Nenhum dos três por mais que sempre se enfrentassem, imaginou aquele momento não saberiam o que poderia acontecer o quanto sangue poderia jorrar. O que eles tinham a certeza é que não tinham muito tempo para agir.
:- Eu tinha pensando num jogo bem divertido, poderíamos nos esconder atrás das árvores e caçar um ao outro. – Eugênio voltou a falar dessa com prazer em suas palavras por que ele imaginava perseguindo o casal e os assassinando. – Porém, infelizmente essa será uma caçada rápida, hoje sou um caçador que não vai brincar com a presa.
Tirou do bolso do seu palito italiano de última moda, um vidro com um líquido suspeito voltou a se encostar em Dulce roçando a barba em seu rosto e falou em seu ouvido.
:- Admita que será uma pena perder um covarde como eu.
O corpo de Dulce reagiu imediatamente, mas ela conseguiu se controlar se agisse impulsivamente algo ruim aconteceria e alguém acabaria morto. Seja ela ou pior, Poncho.
:- Beba! – Colocou o pequeno vidro em suas mãos.
Dulce ficou paralisada não faria o que ele mandou, Poncho ficou apreensivo por não saber o que estava acontecendo com eles. Eugênio de um jeito brusco mostrando a sua real natureza jogou Dulce no chão e apontando o revolver para sua cabeça a forçou a tomar o líquido desconhecido.
E a deixou ali.
:- Sabe Alfonso quando a mandei sequestrarem vi todas as torturas que fizeram a ela, fiquei há muito tempo planejando a sua morte. A verdade era que eu não conseguia me decidir entre milhares de opções, sempre pensei que ela tinha que morrer de uma forma marcante. Primeiro pensei em sua personalidade, ela é fogo puro, então o que melhor morrer queimada? – ele sorriu se aproximando de Poncho agora, era a vez dele. – Porém, você atrapalhou os meus planos salvando a donzela. – ele revirou os olhos – eu tive que tomar outras decisões e optei por uma forma de morrer bem feminina e eficaz. Veneno.
Eugênio conseguiu provocar Poncho que ao olhar Dulce testemunhou ela se contorcendo, sem olhar algum ponto fixo estava tendo a visão embaraçada efeito de uma droga poderosa que Eugênio a fez tomar, sentia dor e agonia, estava tendo várias alucinações.
Imediatamente Poncho apontou a arma para Eugênio e ele fez o mesmo estavam muito próximos um do outro. Caçador olhando no olho do outro caçador, vendo seus reflexos.
:- Diga onde está Angelique? Quem sabe terá uma chance de salvar Dulce, a cada tempo que passa ela esta morrendo por dentro.
:- Eu vou salvar Dulce. Ao contrário de você. – Poncho falou convicto.
:- Onde está Angelique?
Poncho dessa vez observou no olhar de Eugênio uma mudança, agora que estavam tão perto apontando a arma um para o outro, podia enxergar Eugênio o que ele conhecia. O homem que ameaçou Dulce a obrigando tomar a droga era o caçador. O que estava em sua frente perguntando por Angelique era Eugênio.
:- Nesse instante? Com a polícia voltando para o México. – pela primeira vez Poncho sorriu por que viu dor nos olhos de Eugênio, sabia que ele não veria Angelique e que Poncho o tinha enganado.
:- Desgraçado! – Eugênio jogou o seu corpo de forma que o braço de Poncho que apontava a arma foi jogado de lado e num reflexo ele atirou no chão, ainda usando a força e sua velocidade derrubou Alfonso.
Tudo foi muito rápido. Segundos.
Tempo curto esse que definiu toda a história de vida desses três, Eugênio se beneficiou de sua experiência em assassinatos e conseguiu fazer como que arma de Poncho não só atirasse a toa como saísse de sua mão. Ele se preparou para acabar com tudo.
Mas, sentiu dor.
Pensou que essa dor vinha pelo fato de que não veria mais Angelique, porém era uma dor física ao olhar para o ombro viu sangue, sentiu a bala entrando e se repartindo no seu corpo causando tamanha agonia. Outra dor dessa vez em seu braço.
Ele caiu ao lado de Poncho sua última visão foi de Dulce com a arma que ele jogou apontando para ele.
E depois tudo ficou escuro.
‘– ● –’
Se olhou no espelho e aquelas últimas horas foram tão intensas e cansativas que no seu reflexo parecia que tinha envelhecido anos. Deixou de se olhar pelo vidro fumê espelhado e em sua mesa teve a confirmação que chegou do jeito antigo, por um relatório com vários papeis que ela leu e releu para ter a certeza do ocorrido.
Estava morto.
:- O que faremos agora Policial?
:- Me dê um minuto para pensar.
Muito provavelmente ela teria que resolver mais esse assassinato, mesmo que o caso tenha ficado com a polícia de Los Angeles. Aquele cadáver fazia parte da ossada dela, pensou nos últimos acontecimentos esses mesmos que a envelheceram.
Contra ao seu gosto, deixou Poncho a frente do resgate de Dulce e até mesmo na emboscada para prender Eugênio, todo o plano estava focado nesses dois momentos importantes para o fim de sua investigação. Ainda que Eugênio esteja se recuperando por duas balas e Dulce teve que ser levada imediatamente para o hospital para ser desintoxicada, ela conseguiu manter tudo ainda que possível num estranho controle. Como uma bomba que precisava ser estourada para terminar com o mal de vez.
Tanto a polícia comandada por ela quanto a polícia americana ficaram focados na prisão de Eugênio e dos seus comparsas que Rodrigo com a ajuda de um homem desconhecido, conseguiu escapar mesmo atingido.
E agora estava morto.
:- José eu quero agora que reúna todos esses elementos na maior sala que tivermos aqui. – ela apontou para a sua mesa onde estavam monitores com as câmeras das salas onde estavam todos.
O policial mais novo olhou para ela sem entender aquela ordem por isso ficou paralisado.
:- Anda, José. – ela falou mais firme e ele no susto foi imediatamente fazer o que ela mandou.
Mais uma vez estou saindo do protocolo que meus superiores sejam compreensivos. Andréa pensou olhando para cima e se preparando para o que estava por vir.
Em meia hora todos estavam num grande sala assim como Andréa mandou, ainda que a sala fosse grande, o clima lá dentro era extramente tenso ainda que ninguém falasse nada por conta da surpresa. Quando a policial entrou após chamar Tony Dalton o clima de tensão era palpável.
:- Vejam só chegou os últimos integrantes para a nossa reunião. Logo mais marcaremos uma data e será a batalha do século, Vilões X Mocinhos. – Dulce comentou com sempre acida.
Dulce. Alfonso. Angelique. Gonzalo. Eugênio.
Numa mesma sala com vários policiais.
:- Que palhaçada é essa? – Alfonso perguntou irritado ao lado de Dulce, como se quisesse a proteger se acontecesse algo ou escondê-la de alguém.
:- Seja mais respeitoso. – Tony o advertiu se solidarizando a Andréa.
:- Estávamos com os principais elementos de toda uma história, cada um de vocês de alguma forma tem alguma ligação no assassinato de Felipe Gomez. Estamos reunidos para saber de uma vez por todas, a verdade. E enterrar de vez o passado. – a policial foi clara.
:- Falta uma pessoa importante aqui. Rodrigo. – Alfonso voltou a falar e todos se olharam.
Os policiais se olharam.
:- Ele está morto. – Tony foi direto ao ponto, afinal o assassino poderia estar aqui.
Angelique ficou surpresa apesar de estar recuada. Dulce e Alfonso demonstraram surpresa, entretanto logo chegou à indiferença. Gonzalo e Eugênio seus ex-comparsas ficaram sem reação, nenhuma.
:- Mais um assassinato para sua lista longa, Eugênio? – o policial olhou para ele diretamente.
:- Nem se eu tivesse motivo, tenho provas que no suposto momento do assassinato dele eu estava em Nova York. – Eugênio ainda teve coragem de ser debochado, só faltou sorrir.
Tony se afastou olhou Gonzalo que era o mais calado de todos, desde que foi preso pelo policial ali em Los Angeles não disse nenhuma palavra. Tony olhou para todos e sentiu a falta de mais uma pessoa.
:- Onde está Maite? – ele fez a pergunta justamente para Alfonso, o que desencadeou uma careta em Dulce.
:- Bem longe. Em algum lugar da Europa. – Poncho respondeu tirando o seu celular do bolso e mostrando para o policial uma foto. – Antes de todos esses acontecimentos ela viajou pra lá. Não tenho mais notícias.
Frustrado o policial eliminou a possibilidade de ser Maite a responsável pela morte de Rodrigo ainda que não tivesse motivos óbvios além de ser amiga de Poncho, como policial tinha que pensar em todas as possibilidades.
:- Se eles estiverem envolvidos nisso serão intimados formalmente para depor, agora eu quero algo a mais. – ela ligou o gravador e sentou de frente para os dois presos. – Vou ser bem direta como foi e quem foi o assassino de Felipe?
Gonzalo não mudou continuou na mesma posição e expressão, ainda que escutasse tudo, era como se não tivesse ali. Eugênio por sua vez repetiu a atitude desde que entrou naquela sala escoltado por três policiais, buscou o olhar de Angelique e após ela retribuir o olhar. Tudo mudou estava decidido a não falar nada mesmo que o prendesse, porém Angelique o encarou tão profundamente que se sentiu mal. Ela não o reconhecia, o julgava com o olhar, não queria mais ver ele. Ela não amava aquele Eugênio. E Angelique era a mulher que ele amava e se não tivesse ela, nada valeria mais a pena.
:- Fui eu. – Eugênio mudou a postura corporal e encarou a policial.
Dulce e Alfonso que estavam calados se encararam desde sempre era ele, por culpa dele foram presos. Tudo calculado.
:- Sabia que Rodrigo era bom no que fazia, ele conseguiu roubar todas as plantas da universidade ali tinha todas as informações que eu precisava para planejar e executar tudo. Desde a estrutura do prédio até onde se encontravam as fiações. Ele fez um corte de energia e eu fui até onde estava Felipe e o matei.
Eugênio confessou frio chocando todos ali presentes.
:- Por quê?
:- Queria me vingar dele.
:- O matou por vingança, se refere ao que ele fazia com vocês quatro, os melhores alunos e os que sabiam do segredo dele? – Andréa continuou.
:- Não foi por isso. Dos quatro eu era a pessoa que ele menos implicava por eu ser seu sobrinho e por que eu trabalhava para ele. Eu não só consumia drogas, me transformei em vendedor delas. Entrei para o tráfico logo depois de Gonzalo e eu era uma espécie de carta na manga, entrava em contato com fornecedores e distribuidores com altas demandas, era tudo feito anonimamente. Algumas pessoas me conheciam e até mesmo vocês em algum momento dessa investigação, como Mago.
:- Mago? – Andréa ficou surpresa. Eugênio, o tempo todo debaixo do seu nariz, era um dos integrantes daquela máfia. – Tem um currículo extenso de assassinatos, Eugênio, vocês também traficavam crianças!
Eugênio não negou por que era sua realidade.
:- Sim. – ele afirmou cuspindo toda a verdade. – Eu fazia isso para livrá-las do mal. As crianças que nós traficávamos eram as que sofriam por abusos sexuais de familiares ou de pessoas próximas.
Mais uma surpresa naquele final de madrugada.
:- Para ajudá-las. – Eugênio deu os ombros comentando aleatoriamente.
:- Tudo começou quando eu quis muito jogar beisebol. – Gonzalo começou a falar do nada e era como se estivesse sozinho ali, por que ele não olhava para ninguém enquanto se confessava. – Eu pedia tanto aos meus pais para que eles ou me matriculassem numa escola ou enlouqueciam por minha existência. Foi ali que eu conheci Eugênio e Bill, um garoto americano que vivia no México por causa de sua mãe que era mexicana.
Houve uma pausa e todos notaram a diferença visível de Eugênio.
:- Nós três éramos amigos inseparáveis, tudo estava indo bem até que tiveram que substituir nosso treinador.
:- Por quem?
:- Felipe.
:- Esta relatando que tinha um passado com Eugênio?
:- Mais que isso. Um passado doloroso que deveria ter ficado enterrado para sempre. – Gonzalo ficou irritado pela pergunta da policial. – Ele era sórdido e perverso. Éramos crianças. – Gonzalo travou o maxilar. E o clima na sala ficou ainda mais tenso com todos os presentes atentos nas palavras do preso. – Ele nos obrigava a ter relações com ele.
Tony ficou incomodado com o que Gonzalo disse, por que só ele sabia da capacidade do qual Felipe fazia as pessoas sofrerem nesse sentido.
:- Isso durou por alguns meses tempo suficiente para traumatizar e marca para sempre as nossas vidas, ele era convincente fez com que nos sentíssemos culpados e humilhados guardamos esse segredo conosco durante muito tempo, na realidade até agora.
:- De nós três quem sofreu mais foi Bill por ser o “favorito” de Felipe tanto que ele se matou. Mas, de certa forma renasceu logo para concluir sua vingança. – Gonzalo encarou Eugênio que dessa vez ficou calado, como numa inversão de papéis.
Bill e Eugênio eram muito apegados, quando o garoto americano ainda que jovem demais planejou a morte de Felipe para que pagasse pelo mal que ele fazia. Eugênio concordou que seu tio e treinador tinha que ser punido, porém Bill começou a sofrer consequências de seu bicho papão e ficou louco. Tanto que se suicidou.
E Eugênio se afundou no mais profundo do seu ser, o seu lado negro, o que todo o ser humano tem. Se negava a aceitar a morte do melhor amigo e o amaldiçoava por ele ter abandonado quando mais precisava, ficou tão isolado e sufocado que estava ficando louco assim como Bill. E foi nesse momento que a presença do amigo americano voltou mais forte, teve alucinações tão intensas que ele renasceu no corpo de Eugênio dividindo as personalidades.
Bill se transformou em todo de mal que Eugênio tentava a todo o custo controlar, mesmo que ainda criança, com o tempo Bill estava mais perverso e Eugênio teve que ir procurar ajuda, na verdade Alma foi atrás por temer o que aconteceria ao filho.
:- Eu fiz o que eu prometi que faria. Planejei e executei tudo. – Eugênio não se importou em ser exposto dessa forma na frente de todos, agora tinha aceitado de vez sua outra personalidade. Tinha finalmente liberdade só tinha se sentido assim quando viu Felipe morrendo em sua frente.
:- Esse é o cara que vocês tanto idolatravam? — Poncho comentou alfinetando tanto Dulce como Angelique. – Mesmo que fossemos melhores amigos, que eu sempre te julgasse um imbecil, fútil e bem influenciável talvez eu sempre soubesse que você não era quem aparentava ser. Para o lugar onde você vai ficar, vai sentir nem que seja um pouco do que eu passei por sua culpa e tomara que sofra o dobro. – disse para Eugênio irritado jogando uma praga. – O que eu não entendo é por que eu não me lembro dessa história de beisebol. Muito menos de Felipe como seu treinador. – Perguntou indiretamente para o irmão.
:- Isso foi muito antes de você nascer e todo e qualquer vestígio dessa fase eu queimei as fotos, destruí filmagens. Fiz nossos pais prometerem que não comentariam nunca mais sobre isso. – Gonzalo encarou o irmão o desafiando, mas logo fraquejou ele precisava assim como Eugênio se libertar não aguentava mais aquele fardo. – Policial, eu quero fazer outra confissão.
Andréa não falou nada apenas esperou que ele dissesse o que quisesse.
:- Em toda essa história eu só tenho um arrependimento. – ele falava com uma voz abafada por ter a cabeça abaixada. – A morte dos meus pais.
Poncho em seu lugar imediatamente ficou rígido e Dulce imediatamente notou isso mesmo que estivesse próxima a ele e com a cabeça em Eugênio, assim como Angelique, esse cara ela não reconhecia ainda que ele tenha se apresentado há pouco tempo. Era uma mistura de surpresa e ódio, ódio pelo caçador.
:- Eles descobriram que eu traficava drogas e ficaram loucos, surtaram. Me mandariam para longe para que eu me recuperasse, eu estava sob efeito de drogas nós três brigamos feio. Eles me rejeitavam por que ligavam para o que acontecia comigo? Deviam cuidar do filho querido deles e me deixar em paz.
:- Você os matou? — Tony perguntou direto se aproximando cuidadosamente de Poncho.
:- Eu disse que se eles me punissem fugiria daquela casa e peguei o carro, eles me seguiram e entraram no carro também todos eufóricos brigando aos gritos. Queria acabar com tudo aquilo forcei um acidente de carro e mesmo que eu fosse o motorista consegui me salvar e eles morreram.
:- VOCÊ NÃO FEZ ISSO? — Alfonso gritou assustando alguns ali presentes. – VOCÊ NÃO FEZ ISSO?! — repetiu a pergunta novamente, desacreditado. – EU VOU MATAR VOCÊ!! – Alfonso ameaçou e avançou o que pode em direção a Gonzalo, mas foi impedido primeiro por Dulce depois por Tony e por último alguns policiais.
:- Tirem eles daqui eu já tenho o que preciso e essa história se dá por encerrada.
Gonzalo foi o primeiro a ser retirado não sem Poncho tentar alcança-lo, mesmo que mais uma vez foi impedido. Eugênio foi o segundo tinha uma pose ereta, superior numa mescla de suas duas personalidades.
Olhou para cada um dos que estavam ali presentes, mas focou o seu olhar pela última vez em Angelique e aquela foi à despedida deles. Foram tudo um para o outro e hoje não são nada mais.
Com o clima mais ameno ainda que Alfonso reclamasse de tudo e tivesse descontrolado, Andréa pediu que levassem todos eles para outra sala e se organizassem por que eles viajariam juntos para o México em poucas horas.
Quando ficou sozinha olhou o gravador em suas mãos.
E pensou no significado de cada palavra ali gravada em áudio, era a história de várias vinganças e de vítimas. Ali estava representado o tormento e a paz de quatro pessoas.
Angelique Boyer.
Eugênio Siller.
Alfonso Herrera.
Dulce Maria Saviñon.
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