Víctimas Del Pecado
5 Dulce - 2
Dulce
Desde nossa liberdade se passaram quatro meses, e durante todo esse tempo Poncho e eu investigamos pistas relevantes para o nosso caso e estávamos fazendo um bom trabalho, repensando na noite do assassinato e pensando em testemunhas ou qualquer caminho que possamos seguir.
Paralelo a essas ações, sempre buscamos formas de nos encontrar com Eugênio ou Angelique, até mesmo o casal, e num desses reencontros, logo a verdade surgiu e quando fui questionada e colocada na parede por Angelique disse em voz alta.
Voltamos para nos vingar, Angelique, se lembra das nossas ameaças. Elas serão cumpridas.
Acontecimentos interessantes ocorreram, Angelique, por exemplo, se tornou uma das professoras de nossa antiga faculdade, Eugênio além de empresário era o diretor da faculdade. E eu sabia que isso era muito suspeito só estava tentando encontrar uma forma de investigá-los.
Outros acontecimentos patéticos, como Ceci está esperando um filho, ou seja, seria tia logo mais, ou Vicente descobrir minha liberdade e não se importar até descobrir que eu desviei uma grande porcentagem de sua fortuna, outra vez, para uma conta minha. E vier me confrontar.
E o que mais me deixava irritada, Poncho. E seus sumiços.
Eu sabia que ele deveria está com alguma mulher e isso não me incomodava de forma alguma, até que isso interferisse no compromisso do nosso pacto. Como agora, estava acontecendo um festa de premiação na faculdade e Eugênio estava presente, sozinho.
Angelique não veio por seu filho estar com alguma doença, que para o meu lamento e desagrado não ser ela. Enzo, estava com febre e a mãe ficou em casa para cuidar dele, deixando o noivo sozinho. Que perigo!
Deixando a presa solta assim, olhei Eugênio conversando com alguns executivos, ele não tinha visto ainda, e o observando pensei em algo curioso, quem era o pai de Enzo? E por que só agora Eugênio e Angelique noivaram? Olhei a hora e Poncho não chegava o evento já estava no fim e aquele imbecil não apareceu.
Procurei ignorar isso, era a primeira vez que voltava a faculdade e as lembranças se abriam na minha cabeça como feridas sendo reabertas, e o pior era enxergar que estavam em carne viva ainda.
‘●’
Ela sorriu enrolando um punhado de cabelo, enquanto esperava sabia do horário, logo passaria era questão de tempo e ele passou além de tudo era atleta jogava voleibol representando a universidade.
Com passos curtos ela o seguiu e colocou a mão tapando a visão dele.
:- Estava te esperando. – falou num sussurro em sua orelha, destapando a visão dele e sorrindo maliciosa quando ele se virou de frente para ela.
:- Dulce. – ele falou de uma forma desanimada, esperava outra pessoa. – O que você quer comigo?
:- Falar com você – ela sorriu.
:- Sobre?
:- Estava pensando que poderíamos nos encontrar na biblioteca, como antigamente. – Ela tentou se aproximar, colocar os braços no pescoço dele, porém foi impedida.
:- Dulce, esses encontros não vão mais acontecer. Eu não quero mais. – o sorriso no rosto dela morreu. – Acabou.
:- Como acabou, o que aconteceu?
:- Eu e Angelique. Nós nos entendemos e estamos namorando. – ele desviou o olhar e ela pensou e via nítido o quanto ele era covarde, além disso era um canalha que se divertiu e agora a jogava fora, mas isso não ficaria assim.
:- Então é isso? Me usa e agora joga fora como se fosse lixo. – ela riu, mas tudo que sentia era raiva.
:- Não é bem assim, Dulce, eu sempre fui sincero com você nunca quis nada a sério e você aceitou, nos divertimos.
:- Por que eu sempre fui apaixonada por você, antes mesmo dela. – ela olhava desacreditada, estava mesmo sendo dispensada. Mas, tinha que dar um jeito nisso, ela o puxou para a primeira sala que encontro e o empurrou para dentro.
:- Eu sou apaixonada por você. – disse olhando nos olhos claros do cara mais alto que ela.
:- Dulce. – ele suspirou, fazendo o jogo que ela queria, se aproximando. – Tem que me entender, eu não quero te machucar, mas não podemos ficar juntos.
:- Eu entendo. – ela mentiu descaradamente e faria isso quantas vezes fosse necessário para ficar com ele. E ficou na ponta dos pés para dar um beijo na bochecha, fingindo a aceitação e foi com sua boca até a orelha dele. – Mas, por tudo que vivemos, sentimos, devemos ter uma despedida. – e ela sorriu por que ele estremeceu apesar de tudo o que foi dito.
E ela o beijou sem deixar ele pensar, e se aproveitou, feliz por ter mais uma vez o homem que amava. Mesmo que ele fosse de outra.
‘●’
:- Eugênio que evento memorável. – eu sorri me aproximando dele, quando as palestras terminaram e deram o fim do evento o encontrando sozinho.
:- Dulce! O que faz aqui? – a surpresa não se manifestava mais nele, não sabia se isso era bom ou ruim.
:- Soube do evento e resolvi vir prestigiar, afinal há anos e anos não venho aqui. – olhei os corredores da universidade.
:- Sua ausência foi culpa sua, é muita cara de pau voltar aqui depois do seu crime. – ele me alfinetou.
:- Sempre fui sem vergonha, você mesmo comprovou várias vezes. – olhei para ele maliciosa, provocando as lembranças nele também. – Mas, sabe eu estava te vendo de longe e algumas perguntas não saíram da minha cabeça, do tipo, quem é o pai de Enzo? Sabe que Angelique não era uma santa e no tempo da faculdade você não foi o único com quem ela se envolveu.
:- Quieta. – ele falou nervoso, tentando se controlar e olhando para os lados ao ver se alguém prestava atenção em nós, apesar da música ambiente acontecendo. – Não abra sua boca suja para falar de Angelique, ela é uma mulher direita e honesta.
:- Ao contrário de você, Eugênio, você já desfrutou e muito dessa boca suja. – eu sorri me aproximando. – Ela faz como eu? Te deixa louco como eu deixava?
:- Claro. Por que eu a amo e simplesmente o olhar dela, já causa mais reações do que você com sua boca suja. – ele me atingiu, porém tinha uma coisa que aprendi a ser na prisão era ser fria. Assim como agora, fria, maliciosa e irônica.
:- Será que ela sabe dos nossos encontros? Na biblioteca, em salas escondidas, até mesmo na sua casa. Ela sabe Eugênio?
:- Você só pode ter vindo do inferno para nos assombrar. – ele passou a mão nos cabelos mais escuros agora, nervoso me dando a informação que eu queria, Angelique não sabia das traições dele.
:- Exatamente. – eu tomei minha pose de vingativa. – Vim do inferno e agora vou levar os dois para lá. Eugênio estou planejando uma vingança tão prazerosa, sabe? Fico deitada na cama imaginando meus próximos passos e como serão suas reações.
:- Escuta aqui, Dulce. – ele olhou mais sério diante das ameaças. – Você não ouse se aproximar de nós. Principalmente de Angelique e Enzo.
:- Eu vou descobrir a verdade. – disse sem mais nem menos o encarando, tentando decifra-lo, eu nunca soube nem mesmo antes, quando tudo que eu queria era saber o que ele estava pensando.
:- Está louca? De que verdade você fala? – fazendo uma expressão confusa como se eu fosse uma maluca que fugiu de um hospício e falava bobagens. E olhou por cima do ombro e bufou. – Ótimo, essa conversa já deu.
:- Que evento maravilhoso, faz tempo que não venho num evento como esse. – Poncho chegou sorrindo e não só Eugênio como eu também revirei os olhos só com o timbre de sua voz, depois pelo conjunto da obra, sua presença.
Eu estava possessa de raiva, Poncho chegou quase no fim do evento quando acontecia uma espécie de baile, chegou acompanhado e em vez de fazer como combinamos, ficou dançando se divertindo, apesar da minha cara de desaprovação, que ele fazia questão de ignorar. Essa é a primeira vez na noite que ele se aproximava.
:- Vocês se merecem. – Foi o que Eugênio disse antes de sair nos deixando sozinhos.
:- O que você falou para ele ficar assim?
Fiquei apenas olhando para ele com vontade de batê-lo.
:- Você é um inútil. – disse raivosa. – Como é que eu fui tão burra de deixar você por aí, se divertindo. A festa estava boa, Poncho, faltou alguma coisa para você? A bitch da vez, fez tudo o que você queria? Se não, eu aconselho a voltar lá onde ela está e vai se divertir.
:- Não usa esse tom comigo.
:- NÃO USAR ESSE TOM? – Não evitei gritar, me aproveitando que estávamos distantes dos outros convidados e a música estava mais alta, ninguém nos escutaria.
:- EXATAMENTE. – ele falou sério.
:- USO O TOM QUE EU QUERO, POR QUE ESTOU FALANDO COM UM COMPLETO ASNO, QUE EM VEZ DE DEIXAR A PORRA DE UM ORGASMO PARA DEPOIS, NÃO SABE SE CONCENTRAR NO QUE COMBINAMOS.
:- Eu só tive um atraso. – ele diminuiu o tom consideravelmente, sabia que ele estava errado. – mas, eu vim a tempo e...
:- A TEMPO DE QUE? EU FIQUEI AQUI TE ESPERANDO FEITO TONTA. – não o perdoaria tão cedo por este erro.
:- DULCE ESTÁ EXAGERANDO SÓ PERDEMOS UMA NOITE.
:- TODAS AS NOITES SÃO IMPORTANTES PARA HUMILHA-LOS, PLANEJAMOS ISSO HÁ UM BOM TEMPO E O QUE VOCÊ FAZ? – olhei para ele com os olhos apertando para que ele entendesse bem a dimensão da burrada que ele fez.
:- VOCÊ FICOU DE ME LIGAR PARA AVISAR A HORA.
:- EU NÃO SOU BABÁ DE NINGUÉM. NINGUÉM. CUMPRA COM O QUE COMBINAMOS, IMBECIL.
Eu gritei saindo dali o mais rápido possível era capaz de eu fazer uma besteira se ficasse olhando para a cara dele. Mas, ele não deixaria por menos, me seguiu eu escutava os passos pesados atrás de mim. E se nossa discussão não tinha terminado, então que ela acontecesse longe de todos.
Entrei numa sala que antes ficava a sala dos professores, mas agora parecia ser uma sala de escritório talvez de administração da universidade, abri a porta com tanta raiva que tinha vontade fecha-la na cara dele.
:- VOCÊ É UM TOLO, ALFONSO, UM IMBECIL. – eu gritei com ele enquanto entravamos na sala, esbanjando minha fúria.
:- DULCE, CHEGA! DE ME OFENDER. – ele também gritou comigo. – EU NÃO FUI O ÚNICO A FALHAR HOJE, VOCÊ TAMBÉM ERROU. – me olhava com os olhos vibrantes que não paravam de se mexer, de me encarar. Até cuspir ele cuspiu enquanto gritava comigo.
:- Não eu não errei. Você errou. – me aproximei dele apontando o dedo na sua cara. – Ficou distraído com a VAGABUNDA que você estava dançando a noite toda, que PERDEU a oportunidade de HUMILHAR mais uma vez Eugênio. – engoli saliva, para recuperar meu ar.
:- EUGÊNIO! EUGÊNIO! EUGÊNIO! TUDO É EUGÊNIO! – ele ficou furioso com o que eu falei, e começou a andar de um lado para outro da sala. – TUDO É ESSE CARA, TUDO. SE VOCÊ SOUBESSE O ÓDIO QUE EU TENHO DELE. ÓDIO. – ele me olhou. – O que você e Angelique veem tanto nesse cara? Ele é um NADA! NADA! UMA FARSA.
:- Não seja patético Alfonso. – eu ri da ceninha que ele estava fazendo. – Eugênio é muito mais homem que você, muito mais. – falei a verdade por mais que odiasse Eugênio, eu sabia das qualidades dele, Poncho se aproximou e fui pega de surpresa quando ele me tomou e me jogou na parede, o baque fez minhas costas doerem. A minha raiva aumentou.
:- Cala a porra da sua boca, Dulce. – ele falou calmamente, me olhando com uns olhos que mais me lembravam os de um psicopata. – Eugênio não chega nem aos meus pés, desde quando estudávamos aqui, sabe o PORQUÊ. – ele gritou o final jogando a cabeça perto da minha que o encarava superior como uma gata que cai em pé depois da queda.
:- Por quê? – perguntei olhando da sua boca para seus olhos, sentindo sua respiração bater violentamente sobre mim.
Nunca me vi numa situação como essa com Poncho, nunca. Apesar dele dar em cima de mim. Eu nunca senti desejo por ele, não até agora. Contraditoriamente, com o tempo eu fui aprendendo que o ódio e o amor, podiam ser tão opostos unidos que um se transformava no outro. Mais esse desejo eu não admitiria para ninguém, assim como o amor que eu não deveria ter por Eugênio mesmo depois de tudo.
:- Por que eu estava por trás de suas ações, EU. – ele ainda me encarava perigosamente. – Eu que o manipulava de acordo como eu queria, mas ele era tão tolo que conseguia tudo para ele.
:- Tão tolo que conseguiu roubar Angelique de você. – eu ri, reabrindo essa que era uma das feridas de Alfonso, desde o passado.
Ele deu socos com as duas mãos, na parede atrás de mim. Na tentativa de manter o controle, o que não adiantou muito por que depois de me ver sorrir maligna e ver que eu fazia tudo de propósito ele desceu a mão direita e prendeu no meu pescoço e apertou com gana, e apesar da falta de ar eu sentia prazer no enforcamento.
:- EU JÁ MANDEI, VOCÊ CALAR A PORRA DA SUA BOCA DULCE. – ele apertou a mão no meu pescoço e a falta de ar começou a ficar insuportável, sentia meus olhos arderem. – Eugênio é uma farsa, a começar pelo papel de bom moço que ele faz e fazia, aqui mesmo nessa universidade ele traía Angelique com você.
E eu sorri maliciosa me lembrando dos meus encontros com Eugênio, quentes e prazerosos. Poncho deixou de apertar meu pescoço me trazendo um alívio imediato e momentâneo, por que ele desceu a mão para se apoiar na minha cintura e apertar com força. E voltei a olhá-lo sorrindo dessa vez, sedutora.
Sentindo a chama do desejo ficar maior ao ponto de se tornar uma fogueira alta e em plena brasa. Eu via agora o que me esforcei para ignorar, eu desejava Alfonso.
:- Nem me lembre daqueles tempos, eu o seduzi até deixá-lo louco, mesmo depois que ele me dispensava para voltar para Angelique. – eu comecei a respirar ofegante por sua mão começar um rastro na minha cintura. Poncho guiado por um desejo repentino que eu via refletido em seus olhos, encarou meu decote para depois subir o olhar para minha boca.
:- Uma vez eu peguei vocês dois, aos beijos na biblioteca, já sabia desde ali. O quanto à verdadeira tola era Angelique. — ele grudou o corpo no meu de uma forma que, qualquer que fosse meu movimento ele sentiria, a sensualidade e a tensão era tão nítida que estava palpável, eu poderia ver faísca de nossos olhos que antes era ódio e agora desejo.
Alfonso desceu uma das mãos para minha bunda e apertou com vontade, sorrindo atrevido. E eu subi uma mão, e acertei seu rosto em cheio, não seria uma das qualquer dele, não teríamos essa liberdade tínhamos um pacto juntos e não faria nada para atrapalhar isso.
Ele rapidamente se afastou e passou a mão onde eu tinha acabado de bater. Agora estava vermelho. Por que eu dei com o máximo de força que eu pude.
:- Isso é para você presta mais atenção no nosso plano e no nosso pacto, do que ficar se esfregando numa vagabunda qualquer que te distraia do seu objetivo. – disse séria ainda descontando a minha raiva por ele não ter executado o plano da noite. Porém, não podia me controlar estremeci ao vê-lo rindo.
:- Você não vai me parar de culpar, não é verdade? – voltou a se aproximar. – Parece que só tem um jeito de calar essa sua boca atrevida.
Alfonso atravessou a nossa distância e praticamente me esmagou com seu corpo, aquele era o nosso primeiro beijo, que desde quando nossas bocas se chocaram foi sensual, entregue e envolvente. E como éramos pessoas fortes, até em nosso beijo demonstrávamos isso, um tentava controlar e dominar o outro.
A língua de Poncho ganhava mais velocidade e eu o acompanhava nossas ações também eram intensas, ofegávamos e respirávamos rapidamente, mas eu voltei à realidade estava beijando Poncho em nossa antiga universidade e nosso único envolvimento deveria ser com relação ao pacto, nada mais. Ele me prensou mais na parede e subiu as mãos para minha nuca puxando meu cabelo.
Poncho atrasando mais de duas horas e quando volta é com uma vagabunda de quinta, com esse pensamento a fúria voltou assim como foi o meu desejo por ele, porém maior. O empurrei com a força que consegui e lhe dei outro tapa. Mais forte que o outro que ficasse marca em seu rosto.
Me recompondo rapidamente, arrumei meu cabelo e passei a mão na boca tirando a saliva dali, andei para a porta, parando para falar com ele, que estava encostado na parede assim como eu antes. Ofegante, tanto que dava para ver na camisa cinza social dele aberta, o peito subir e descer. Maldito desejo.
Eu tinha que esquecê-lo, e seria fácil assim como ele apareceu, ele vai embora.
:- Já lhe disse Alfonso, não se distraia, nossa libertinagem de gozar a liberdade não pode ser maior que o nosso pacto, foque no seu objetivo. – seriamente falei para que ficasse claro para ele.
Não deixaria nenhum homem me usar, assim como Eugênio, nenhum. O meu único objetivo de vida agora era acabar com o noivado de Angelique e Eugênio, não mediria esforços para isso. Nem que eu tenha que trabalhar sozinha.
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