Dulce

:- Foi uma noite muito cansativa, vamos dormir e finalmente descansar desse susto que tivemos, amor. – Estefan voltou para a sala e movi minha cabeça para ver se Poncho aparecia, Estefan foi buscar alguma roupa para Poncho ir dormir. Porém, somente Estefan apareceu.

:- Vamos, essa noite ela pode dormir conosco? – Ceci perguntou ao marido e pela cara que ele fez, sabia que não haveria forma de dizer não à ela.

:- Claro. – ele a ajudou a levantar do sofá.

:- Estefan, onde está Poncho?

:- Ele foi para a cozinha tomar um café disse que logo ele vai subir.

Eu levantei pesando numa balança essa história de café, desde que chegamos ele está afastado, eu já havia tomado banho trocado de roupa, conversei com Ceci e nada de Poncho se aproximar para finalmente eu saber o que está acontecendo. Só que dessa vez ele não me escapa.

:- Dulce, estamos subindo vamos dormir, mas fique a vontade você já é de casa. – Ceci esperou eu me abaixar para beijar a cabeça de Nicole e depois dar um beijo apertado em sua bochecha para me falar. – Boa noite.

:- Boa noite pequenina! – Sorri para Nicole que dormia no colo de Ceci. – Boa noite casal!

Eles se despediram e subiram para irem ao seu quarto e eu fui até a cozinha, quando cheguei ele estava de costas vestindo um moletom e uma camisa branca de Estefan.

:- Poncho, não adianta você...

:- Dulce, meu amor eu fiquei tão preocupado essa noite com você, com Nicole. – ele se virou falando e deixou a xícara que estava nas mãos de lado, veio ao meu encontro e me calou com um beijo.

Eu sinceramente não entendi e demorei a entender o que estava acontecendo, tanto que enquanto ele me beijava mantinha meus olhos abertos até que mesmo sem entender eu o beijei também. Sentindo falta dele.

Quando sentiu que eu estava entregada me tomou pelos braços e me levantou levando até onde antes ele estava me encostou no balcão antes que ele estava apoiado. Eu subi minha mão até o seu cabelo e puxei fazendo o beijo acabar. Eu estava gostando do beijo e de ter Poncho perto assim, mas eu precisava entender antes o que estava acontecendo e foi isso que perguntei com os olhos.

Ele compreendeu a pergunta, foi se aproximando até que sua boca estava em minha orelha para falar bem baixo num tom moderado.

:- Isso precisava ser gravado, me desculpe, por agir assim sem mais nem menos. Eu preciso que continue minha encenação será rápido. – e se afastou de mim.

:- O caçador nos pegou hoje.

:- Sim, mas ele deve está preparado por que eu vou encontrar ele. E acabar com a raça dele. – Falei segura tentando entender onde ele queria chegar.

Poncho me olhou sorrindo, concordando com a cabeça tirou do seu bolso um aparelho discreto, com a outra mão me fez um sinal para que eu me afastasse do balcão, de costas foi andando calmamente até o fundo da cozinha e sorrindo para mim.

Colocou o aparelho na parede e o ligou e o que ocorreu foi um curto, faltando energia na cozinha por alguns segundos, eu e ele tomamos um ligeiro choque nada forte e quando a energia estabilizou ouvimos o barulho de algo caindo no chão.

Olhei para ele e com a cabeça me indicou para que eu fosse até o local do barulho.

E eu fui minha surpresa foi encontrar um micro câmera da mesma linha das que eu instalei no escritório de Eugênio caída no piso branco do chão, andando mais pela cozinha vi outros pontos pretos, eram escutas.

Estavam nos espionando.

:- Mais como? – olhei cada item da espionagem em minhas mãos, isso era impossível ontem quando eu estava com insônia e vim para a cozinha esse equipamento não estava aqui eu sou atenta a esses detalhes. Só se...

:- Os policiais. – Escutei Poncho.

E fiquei desacreditada como que aqueles policiais instalaram todo esse equipamento na casa de Ceci. Por que fariam isso? O que estava acontecendo, aquilo não fazia sentido para mim.

:- Eu preciso que você me explique o que está acontecendo, agora, Poncho.

:- Eu vou fazer isso, mas precisamos verificar todos os cômodos dessa casa e desinstalar cada câmera e escuta, causando um pequeno curto e depois eu lhe conto tudo o que eu descobri.

Eu concordei por que aquilo era o mais sensato a se fazer no momento, sem dificuldade alguma conseguimos desinstalar todas que ficaram no andar debaixo, o certo é que em cima não subiu nenhum policial, disso eu posso comprovar por estar atenta as ações, ou melhor, não ações deles. Especialmente quando Poncho chegou e ele o Jorge se estranharam.

Quando subimos para o quarto de hóspedes realmente certificados de que nenhuma escuta ou micro câmera estivesse funcionando, Poncho começou a me contar tudo o que aconteceu, de como ele e Maite montaram um plano e conseguiram resgatar Nicole, ele só confirmou o que eu já sabia desde o começo. Era o caçador.

:- E quando você vai receber essas imagens? – perguntei a ele depois de saber de toda a história, me lembrando de como os policiais agiram tudo planejado e pensado.

:- Amanhã.

:- Eu quero ver.

:- Dulce, não acho que...

:- Nicole é minha sobrinha, Alfonso, não ache nada. Eu quero ver essas imagens, quero ver aqueles homens de novo, um por um, para acabar com a raça deles. – Olhei pela janela e vi os “homens” de Poncho.

Ele e seus segredos por que ele precisaria de homens? Que tipo de homem era Poncho que eu não conhecia? Balancei a cabeça, aquele não era o momento de desconfiar dele, mesmo que eu estivesse com todos os motivos do mundo para está com raiva daquele imbecil, toda a raiva se converteu em ódio e o alvo mudou. Agora era o caçador.

:- Você tem que ser fria Dulce. – ele me advertiu e me virei para vê-lo sentado na cama, me encarando preocupado.

:- Eu sou fria Poncho, porém agora mudou eu não só quero encontrar o caçador, quero matá-lo por fazer isso com minha sobrinha já pensou se ele tivesse feito algo pior?

Revirei os olhos negando por ter revelado a ele o meu medo. Isso o que eu senti desde que vi Nicole chorando sendo arrancada de nossos braços, medo. Do que poderia acontecer com ela, se alguma coisa acontecesse a ela eu não me perdoaria.

:- Ele está acuado, parece outra pessoa como se não quisesse mais brincar com a gente como fazia. – Poncho voltou a falar. – De irônico e cuidadoso se tornou violento e impulsivo. – Poncho pensava sobre o caçador em voz alta para que eu entendesse as ideias dele. – Será que o caçador era algum daqueles policiais?

:- Não acredito. Caçador pode ter mudado o seu perfil como jogador para agir, mas não daria a cara a tapa dessa forma, apesar de acreditar fielmente que nós o conhecemos. Os policiais, se o forem realmente, são capangas dele.

:- Tem razão de qualquer forma, temos uma pista forte e vamos encontrar alguém que ao menos nos dê as respostas que queremos. Sabe de uma coisa? – me perguntou.

:- O que?

:- Se não fosse Maite me segurar no estacionamento daquele shopping eu teria partido a cara daquele policial maldito, já gosto desse tipo de profissional – ele riu irônico. — Jorge. Me encarou e implicou comigo desde que colocara os olhos em mim.

:- Eu percebi que faltava pouco para vocês dois... – parei de falar me lembrando de algo. Foi ele. – Foi ele. –disse em voz alta agora olhando para o chão por olhar, porque a lembrança de Nicole sendo tomada do carro e colocada na moto de qualquer jeito.

:- O que tem ele? Se lembrou de algo Dulce? – Poncho percebeu algo diferente.

:- Jorge tinha tatuagem Poncho, você se lembra?

:- Como posso esquecer de um inimigo? Ele tinha um escorpião tatuado no pulso.

Eu senti tanto ódio agora só de lembrar que aquele porco entrou nessa casa e disse palavras de conforto a Ceci e a mim. Ele me tocou no ombro por um momento me senti suja.

:- Foi ele que tomou Nicole, Alfonso, ele que apontou uma arma no meio da minha testa e gritou comigo para que eu me afastasse por que ele mataria a menina se eu não o fizesse, eu vi a mão dele tinha ali um escorpião tatuado. – comecei a andar pelo quarto completamente sem noção do que eu fazia ou queria fazer naquele instante – Ele foi o primeiro policial a chegar na viatura, ele prestou solidariedade, ele tocou no meu ombro.

Parei de falar por que as lembranças estavam nítidas e tudo fazia sentido e eu me sentia uma imbecil por não ter me lembrado, mas só de ter perdido Nicole minha mente bloqueou eu só conseguia pensar nela. Ainda que Jorge depois que Poncho chegou ficou distante de mim. Se eu vi a tatuagem dele foi quando ele foi embora no estacionamento. Maldito.

:- Dulce! – Senti os braços de Poncho me tomarem a força, por que eu não conseguia parar de andar. – Me escuta! – Ele me olhava de uma forma como se não me reconhecesse. Passava as mãos no meu rosto como se limpasse algo? – Não chore, tudo já passou vamos pegar eles, eu prometo a você.

:- Estou chorando? – perguntei surpresa vendo Poncho seguro, mas espantado me olhar.

:- Está. – ele limpou uma lágrima minha que escorreu calmamente, talvez por eu estar parada.

Me senti humilhada.

Por chorar na frente de Poncho, mas sequer estava sentindo as lágrimas caírem eu só conseguia sentir ódio e uma vontade incontrolável de encontrar cada um daqueles homens que fizeram mal a minha Nicole.

:- Poncho.

:- Eu vou esquecer o que acabei de presenciar, não se preocupe com isso. – ele me garantiu adivinhando meus pensamentos, não podia está assim frágil na frente dele. De ninguém.

Eu me afastei dele e limpei minhas últimas lágrimas eu mesma, certa do que eu estava sentindo, mas que eu precisava esquecer e para isso naquele instante eu passaria por cima do meu orgulho, mais uma vez. A primeira foi quando o informei do acontecido com Nicole e o chamei até aqui e a segunda seria agora, o usaria para esquecer essas lembranças.

Eu deixaria de lado a nossa última briga essa mesma que me fez passar esse tempo na casa de minha irmã.

:- Eu preciso esquecer também. Por um momento tudo, pelo menos para conseguir relaxar e dormir não vou conseguir isso sozinha.

Voltei a me aproximar dele e o beijei assim de surpresa como ele fez comigo na cozinha há algumas horas atrás, assim como eu ele demorou em corresponder o beijo, mas quando se entregou foi melhor do que eu esperava senti, eu consegui me concentrar mais em nosso beijo do que minhas lembranças.

Puxei ele para que me acompanhasse, assim caímos na cama com ele ainda me beijando, mas quando eu pensei que ele tinha entendido o que eu queria me enganei porque ele parou o beijo assim que comecei a puxar sua camisa.

:- Não Dulce. – ele puxou minha mão.

Quase revirei os olhos ele me faria ter que pedir, com palavras, eu precisava dele naquele momento eu tinha que esquecer o que eu vivi para poder conseguir dormir aquela noite e amanhã acordar melhor para poder me vingar daqueles policiais. Eu aprendi com um parceiro meu que sexo muitas vezes ajudava a esquecer e aliviar os problemas, aquele era a solução mágica masculina para muitas coisas. Eu precisava testar isso agora.

:- Poncho, não me faça ter que pedir.

:- Você não vai precisar. – ele me disse, então encarei aquilo como uma brecha, subi meu corpo e voltei a beijar ele com gana. Mas, novamente ele parou o beijo.

:- Poncho! – bati em seu ombro irritada com suas atitudes. E ele sequer se importou, me olhava profundamente ali deitada com ele em cima de mim.

:- Eu não vou transar com você Dulce. – me revelou totalmente seguro do que estava fazendo e dizendo eu estranhei, então ele não me ajudaria?

:- Eu preciso esquecer... – resolvi contar o que eu realmente queria, decidindo revelar minha fragilidade mais uma vez para ele naquela noite. E ele agora me cortou com o dedo me calando. Eu preferia com a boca.

:- Não se engane, nem eu e nem você temos clima para isso, não vai ser gostoso para nenhum dos dois.

:- É apenas sexo Poncho, casual rápido.

:- Não é apenas sexo Dulce.

:- Eu não estou te reconhecendo. – soltei para ele desacreditada quando que Poncho negaria sexo?

:- Eu que não estou te reconhecendo. – me falou sério e percebi que logo brigaríamos se continuássemos assim. – Não vai ser apenas sexo, é diferente, sexo é prazer entre duas pessoas e tudo é uma questão de clima, de momento, nenhum de nós dois estamos com clima para isso. Vai ser ruim tanto para você quanto para mim.

:- E o que devo fazer? – perguntei depois de um tempo calada, avaliando o que ele falou, me imaginando depois de um sexo rápido e frustrante além de não esquecer o sequestro de Nicole eu ficaria de mal humor e pior com insônia.

:- Dormir.

:- Não vou consegui.

:- Não mesmo se não tentar. – ele se afastou de mim. Subiu até onde estavam os travesseiros e puxou o lençol se colocando debaixo dele, esperando que eu fizesse o mesmo.

Quando eu me aproximei resignada a me deitar era o que me restava aquela noite ele fez diferente, me puxou fazendo com que ficasse de costas a ele e me abraçou.

:- Essa é uma noite foi diferente de tudo que já vivemos até agora como parceiros, creio que temos que esquecer diversos fatores, esse será um deles. – disse na minha orelha e eu entendi o que ele queria, faríamos algo que nunca o fizemos não assim depois de não ter feito nada. Dormiríamos abraçados.

Ficamos em silêncio eu me lembrei de quando ele chegou e tudo o que eu fiz foi abraçado e forma como ficamos entrelaçados de alguma forma muito estranha me fez sentir menos pior do que eu estava, me fez lembrar que tinha um parceiro alguém para me apoiar nos momentos difíceis.

:- Dulce? – ele voltou a me chamar.

:- Hm. — E o respondi olhando o nada, por que o quarto estava escuro e nada do meu sono chegar para finalmente ter a paz que eu queria.

:- Sobre o que aconteceu. – escutei engolindo saliva atrás de mim. – Nossa briga como eu agi com você.

Ele estava falando fazendo uma seleção das palavras, não sabia como abordar esse assunto comigo. Eu me revirei ainda em seus braços mais agitada.

:- Esquece isso, não quero me lembrar da razão de estar com raiva de você.

:- Eu só queria que soubesse que...

:- Não importa Poncho. – o cortei. – Eu já esqueci isso, se não sequer nessa cama você estaria.

:- Ok. Tudo bem.

:- Poncho? – eu perguntei depois que ficamos calados novamente, quando abri os olhos e encontrei o escuro, me sentia uma coruja.

:- Hm.

:- O que eu faço com essa vontade. – eu mordi o lábio escolhendo as palavras para falar. – Com esse instinto de morte?

:- Me explique melhor.

:- Eu nunca senti isso antes, não dessa forma com esse nível, não é como qualquer um fala quando está irritado que quer matar uma pessoa, eu realmente desejo matar cada um daqueles falsos policiais, fora o caçador. – eu suspirei forte. – Eu nunca me senti assim.

:- Vivemos tanto tempo em cárcere convivendo com pessoas de diversas índoles que chega um momento que nos transformamos, o que antes era surreal hoje passa a ser até uma vontade. Digo isso a respeito da sua vontade de matar. Você no tempo da faculdade talvez, não sentisse assim agora é quase uma necessidade.

Ele descreveu o que eu sentia exatamente, como se soubesse o que eu vivia.

:- Você já se sentiu assim?

:- Como?

:- Com essa vontade.

:- Com Felipe.

:- Não, com ele até eu. O que eu quero saber se você já matou alguma pessoa ou sentiu tanta vontade de fazer isso.

Ele demorou a me responder, mas eu esperei minha resposta com paciência.

:- Eu já senti essa vontade diversas vezes, ainda mais quando saímos em liberdade. – essa foi à vez dele suspirar. – Eu já vi a morte de inimigos meus, Dulce, tenho certos negócios. E tudo o que eu senti ao ver eles mortos foi paz e alegria. – Me revelou. – Mas, me senti muito estranho assim.

:- Por quê?

:- Eu falo com relação a esse desejo de morte, é como se eu desse ouvidos ao me instinto. Meu lado animal, que todo o ser humano tem, mas que nega ou tenta fielmente numa sociedade hipócrita.

:- Meu lado animal está gritando na minha cabeça.

:- Eu já passei por isso. Não tenho nenhum conselho a te dar, também não vou impedir qualquer atitude que você tome, estamos num jogo onde é tudo ou nada. Talvez seja necessário que haja mortes.

Entendi o que ele falou, era mais uma prova de que ele estava do meu lado e não me julgaria caso eu realmente escutasse meu lado animal.

:- Eu nunca matei ninguém. – ele soltou depois de um tempo, e eu me lembrei de que essa pergunta ele não tinha respondido. – Quer dizer, não diretamente por que existem formas de morrer. Mas, fisicamente eu nunca matei ninguém nunca dei muita razão a essa gana de violência, por que de forma ou de outra eu me perderia totalmente.

:- O que você está querendo me dizer exatamente?

:- Que quando você tirar a vida de uma pessoa perderá totalmente sua humanidade e hoje eu percebi que você ainda a tem e persiste graças a sua família. Sua irmã e sua sobrinha.

:- Qual é o seu traço de humanidade que a prisão não levou?

:- Não sei. Acho que crianças, eu sempre gostei muito de crianças por que sempre quis ser pai. – ele se remexeu, me apertando mais.

Me lembrei do Poncho quando viu Enzo pela primeira vez ou de quando viu Nicole dormir, ele mudava totalmente quando está perto de uma criança.

:- Porém, se for preciso que eu mate alguém para que eu possa sobreviver. Eu o faço, mesmo que me perca.

Eu concordava com ele era algo muito complicado tudo, pensando friamente, mas estamos num jogo de tudo ou nada desde o começo. Se tudo começa com um assassinato não é de se esperar que mais mortes possam acontecer, por isso eu precisava me certificar da segurança de Ceci e Nicole.

Sentindo que eu não conseguia dormir Poncho desfazendo o abraço apertado começou tocar meu braço, de uma forma diferente do que antes ele fazia, de uma forma suave e calma.

:- Se você não quer que aconteça nada entre nós essa noite, não me toque assim. – eu disse para desviar da sensação que o toque dele me causava, foi bobagem minha por que o que eu disse o fez rir contra minha nuca e isso me arrepiou.

:- Eu só estou fazendo você dormir tivemos uma noite pesada. – me disse.

Depois disso ele começou a contar o que ele fez esses dias que eu não o vi, sua rotina mesmo ou a do nosso cotidiano seja no hotel e na agência, não sei como ele conseguiu, mas cada vez que ele me contava alguma história sua voz ficava mais longe e meus olhos pesados estavam cedendo ao meu cansaço físico.

Conseguiu fazer com que eu esquecesse o que eu queria, eu só me lembro antes de finalmente fechar os olhos e conseguir dormir foi que Poncho para me fazer esquecer e dormir estava me fazendo carinho?

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