Notas iniciais
Rachel p.d.v

Olhei no relógio do carro e ainda faltavam alguns minutos para que meu turno começasse, daria tempo para eu chegar a La Push e me ajeitar por lá. Nem café da manhã eu havia tomado direito e fiquei realmente feliz quando Michelle me contou sobre o carro que ela havia alugado para nós, o que será que Liza vê de tão errado nela? Parece tão simpática. A rodovia estava tranqüila, para minha felicidade, parece que ninguém a usava muito, afinal quem perderia seu tempo viajando até Forks? Assim que fui me aproximando do mar eu respirava aliviada por poder abrir um pouco o vidro e sentir a maresia e o clima seco que existia ali, dirigi até a aldeia e logo se pode enxergar o hospital grande para as proporções daquele local. Depois de alguns minutos eu já estava lá dentro me identificando com a recepcionista.

- Olá, bem vinda ao hospital de La Push.

- Ah obrigada. Eu sou Megan a nova enfermeira.

- Claro, Dr. Carlisle me falou de você. Bom...

- Pode deixar que eu a conduzo até seus afazeres Cindy.

Um homem alto de cabelos dourados, os olhos na cor topázio e uma beleza, que chegava a ser sobrenatural, chegou ao recinto. Tinha um sorriso estampado naquele belo rosto e um olhar convidativo e ao mesmo tempo, desconfiado, não pude deixar de notar isso.

- Venha comigo Megan.

Ele seguiu em direção ao interior do hospital e eu o segui em silêncio até entrarmos em uma sala de paredes azuis, aonde eu imaginei que seria o lugar de encontro dos médicos.

- Bem, você irá me auxiliar com o que eu precisar, além de dar remédios, observar os pacientes que ficam internados aqui.

Ok, ser enfermeira era mais do que fazer curativo? Porque eu simplesmente não escolhi ser frentista de um posto? Talvez fosse mais fácil.

- Claro.

- Perdão eu não me apresentei. Sou Carlisle e você é Megan, não é?

- Sim, isso mesmo.

Eu sorri e tentei demonstrar que estava à vontade com ele. Mas não era bem isso que eu sentia, ele era extremamente branco e algo nele não me deixava totalmente bem, ele me lembrava aqueles vampiros que nós perseguíamos e queimávamos os pedaços que eram dilacerados.

- Aqui está seu crachá e o jaleco. Bom, eu acredito que seja apenas isso. Fique a vontade está bem? Seja bem vinda.

Ele me entregou um crachá com meu nome e minha profissão e um jaleco branco que por um acaso do destino serviu muito bem em mim. Sorri e agradeci pela gentileza e logo ele se retirou e eu fui procurar algo que pudesse fazer. Claro... Rezando por um garoto com o joelho machucado para que eu só pudesse fazer curativo.

Carlisle dava alguns pontos em um homem que havia sofrido um acidente de moto e eu o observava tentando descobrir o nome de cada instrumento que eu via em uma bandeja.

- Então senhor Watson, é bom diminuir a velocidade.

Ele sorriu para o homem que apenas retribuiu, o humano qualquer que estava deitado naquela maca se sentia tão a vontade que por um segundo eu me senti culpada por sentir algo estranho naquele médico. Todos gostavam dele, o que poderia haver de errado?

- Megan, o bisturi, por favor?

Ahá, esse eu sabia! Peguei o bisturi na bandeja, só que sua mão veio primeiro e a encostou-se à minha retirando-a logo depois. Fiquei observando-o por um tempo e repassei todo o momento várias vezes em minha mente, sua mão era extremamente fria. Como a dos vampiros que matávamos. Mas que diabos um vampiro está fazendo em um hospital, sendo médico ainda? Assim que ele terminou seus olhos se encontraram aos meus e eu o encarei por alguns segundos, me lembrando de ser discreta depois e passei a olhar o chão.

- Precisa de mim Dr. Carlisle?

- Não pode ir, está na hora do almoço Megan.

- Com licença.

Retirei-me rapidamente e segui para a recepção decidida a perguntar algumas coisas.

- Cindy?

- Sim? Olá Megan.

- Olá. Bem, posso te perguntar uma coisa?

- Claro.

- Olha, eu observei o Dr. Carlisle e bem ele é um médico muito querido.

- Sim, ele chegou aqui agora. Mas tem muitos anos de carreira é um médico muito competente.

- Hum. E ele não vai almoçar agora com a gente?

- Não, ele nunca almoça com a gente. Acho que come alguma coisa no seu consultório mesmo.

- Ah claro. Será que você podia almoçar comigo?

- Claro Megan.

Ela arrumou alguns papéis e a segui em direção a um restaurante que dizendo ela era muito bom. Se ela havia falado alguma coisa, eu perdi porque minha cabeça estava longe. Ele era frio, muito frio. Um vampiro não podia ser médico, ainda mais, com tantos anos como dizia Cindy, a não ser que... Ele fosse um vampiro vegetariano. Mas ah, isso é bastante impossível, precisa de muito preparo. Ele não comia não na presença de todos, mas eu ainda precisava confirmar se ele se alimentava.

- Megan, Megan!

- Ah oi?

- Bem, o que quer pedir?

Dei uma olhada rápida no cardápio e pedi um sanduíche qualquer e passei a observar as pessoas que andavam do lado de fora.

- Cindy...

- Sim?

- Aqui também tem ouvido falar sobre mortes causadas por animais?

- Não, aqui não acontece disso. Forks é uma cidade estranha, acontecem tantas coisas por lá.

- É mesmo?

- É. Aqui não existem animais que matam pessoas, aqui é muito seguro.

Então lá não havia problemas como esse. O vampiro idiota matou alguém de Forks, porque uma cidade tão próxima não aconteceu à mesma coisa? Havia algo que guardava aquele lugar? Ta... Esse lugar está me saindo muito interessante.