Véspera de Natal
3 Capítulo 2- Coincidências
"Quando olho nos olhos dela, é como se me lembrasse de como me sentia quando era visto. O som da sua risada ecoava e então tudo se resumia a aquela figura, que me cativou tanto ao ponto de ser impossível de se esquecer."
Era tarde da noite quando a chuva foi se acalmando, Satoru mal se recordou de como havia acabado dormido no sofá após chegar em casa. Se não fosse por um peso em sua barriga, sua consciência teria demorado para voltar.
Era óbvio que aquele pequeno encontro estava deixando sua mente desperta.
— ...ah essa pequena coisinha.- murmurou acariciando a cabeça do gato, que pulou de seu colo um momento depois.
Ele apenas o olhou ainda se sentindo meio sonolento, sua postura conscientemente se ajeitando no pequeno espaço fez com que ele soltasse um resmungo por conta de uma pequena dor nas costas.
— Espero que não venham me perseguir depois por sua conta, hm?- voltou a dar atenção para o gato que não parecia muito interessado nele naquela hora, Gojo se levantou após um suspiro, caminhando até o banheiro para molhar o rosto.
Quando havia terminado de se secar, ele viu um deslumbre do gato andando até a porta da frente pelo espelho.
— Quer ir embora?- pensou em voz alta sentindo as sobrancelhas se arquearem enquanto caminhava até onde a pequena criatura se encontrava. inconscientemente o homem abriu a porta, fazendo com que o animalzinho saísse correndo sem pensar duas vezes.
— Ei...!..mas que…?!- ele o observou ir, antes de se mover a passos rápidos atrás do animal. Se algo acontecesse não seria muito bom ser o responsável.
O gato estava prestes a virar a esquerda do corredor quando parou os passos, uma sombra masculina parando próxima a ele.
Satoru inconscientemente se aproximou deles, pegando o gato.
—..desculpe por..- como se tivesse sido petrificado naquele instante, ele encontrou um olhar levemente agitado de preocupação.
"O que esse cara tá fazendo aqui?" Pensou consigo mesmo, o Atendente parecia um pouco desajeitado agora.
—...É meu.- suas palavras o fizeram arquear as sobrancelhas, deixando o silêncio pairar por uns segundos, o olhar do moreno parecia deixar a tensão escapar, quase aliviado.
— ...?
— O gato..ele é meu.- repetiu parecendo um pouco mais sério agora.
Se não fosse pelo fato de que o gato parecia familiarizado com sua presença, estando ronronando só por vê-lo, Gojo teria negado com facilidade. Mas ainda sim, ele não cedeu tão rapidamente.
—..como posso ter certeza?- segurou o animal com mais precisão, o encarando com desconfiança. Aquilo fez homem o encarar por um momento como se considerasse algo, ele disse naturalmente:
— Olhe.- num olhar de relance Satoru poderia jurar que viu o homem ficar finalmente relaxado, ele pegou o celular e mostrou uma foto de sua galeria para Gojo. Essa foto mostrava um animal idêntico ao que ele segurava agora.
O homem de cabelos brancos olhou para a foto com precisão até que percebeu a coleira que o animal usava.
—..hm? Espere…- ele checou o gato apenas para ter a certeza de que era realmente o mesmo. “….aí que merda.” Pensou segurando um suspiro antes de levantar o olhar e dar um sorriso desconcertante.
— Ah..eu vejo.- O moreno poderia dizer que essa cena era intrigante, ele tentou reprimir um sorriso suave ao escutar essas palavras.
“Esse cara tá zombando de mim?” Satoru se segurou para não voar no pescoço dele naquele momento, entregando apenas o animalzinho após aquela encarada que recebeu.
Podia jurar que ouviu um “obrigado” quando devolveu o gato, mas sem dar mais importância se virou para sair, aquela noite não poderia piorar.
…
“Por que estou escutando passos me seguindo?”
Ele parou de andar, virando o olhar para trás.
— …o que tá fazendo?- disse encarando o homem que agora carregava o gato consigo.
—….- o mesmo arqueou as sobrancelhas com essa pergunta, acariciando o gato sutilmente antes de ganhar uma noção do que sua ação poderia estar causando.
— ..não é o que está pensand-
— Ei..- Gojo sentiu vontade de revirar os olhos quando o interrompeu, aquele cara era realmente inacreditável, ele deu alguns passos até o ‘Atendente’. Não sabia porquê, mas só dele se parecer exatamente como seu velho conhecido já lhe dava nos nervos, seu sono devia estar ainda com um leve efeito sob ele também. Era como se aquilo pudesse o desmontar por inteiro, e ter a consciência do quão ridículo ele poderia soar agora, piorava tudo.
O de cabelos brancos supriu os pensamentos agindo pela lógica, ou seja lá o que seus instintos fizeram. Ele andou até o moreno ficando um pouco a sua frente.
Sua postura poderia deixar qualquer um intimidado, mas…o que há de errado com esse cara? Por que ele parece tão intocável ainda nesse momento?
Ele o observou por um tempo antes de abrir um sorriso, colocando as mãos no bolso.
— Está tentando tramar alguma coisa aqui?..parece que nos vimos bastante hoje.- Há um leve tom de sarcasmo, ele o olha nos olhos, notando quão profundos e melancólicos seus olhar soava. O moreno apesar disso, devolveu no mesmo tom:
— Eu acredito em coincidências, você não?- era levemente cínico.
—..não fode.- murmurou bufando de leve, que tipo de joguinho isso seria?
O atendente o olhou em silêncio, e era desconfortável, além de se sentir meramente patético, não sentia essa sensação já fazia uns anos quando…
— Não estou seguindo você, se é o que quer me dizer.- disse finalmente, quebrando aquele olhar e o silêncio junto. Os dedos descansando sutilmente na cabeça do gato. Ele deu um leve sorriso.
— Não vejo porquê fazer isso também.
Isso soou como uma leve alfinetada, ele disse essas palavras enquanto não disfarçava seu olhar sobre minha aparência. Eu dei um sorriso sutilmente distorcido.
“..esse cara sabe me tirar do sério.”
Antes que pudesse retrucar algo, o moreno deu uns tapinhas em meu ombro.
— De qualquer forma então, até mais~
Eu o observei passar por mim, e indo há uma porta..ao lado do meu apartamento.
…ele era meu novo vizinho?!?!
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