Véspera De Ano Novo
1 Véspera de Ano Novo
Notas iniciais
Espero que gostem *-*
Véspera de Ano Novo
O dia está sendo uma verdadeira correria. Se você quer colocar todos os seus planos em prática –– e você quer, porque trabalha nisso há semanas ––, então precisa se esforçar para não deixar que nada e nem ninguém fiquem em seu caminho. Mas, realmente, você é Quinn Fabray. Não é como se alguém fosse louco o suficiente para fazer isso, de qualquer maneira.
Seu celular está tocando há vinte minutos, mas você não se dá ao trabalho de atendê-lo. A ligação custaria uma quantidade absurda de tempo desperdiçado, e provavelmente não é de ninguém envolvido no esquema, porque você foi inteligente o suficiente para dar "walkie talkies" para que todos se comuniquem quando necessário for. Na verdade, essa foi apenas uma maneira que você encontrou de realizar um desejo de infância –– mas, shiiii, ninguém precisa ficar sabendo sobre isso. Deixe que eles pensem que você é um gênio. E você é, a propósito. Só um para montar um plano tão foda perfeito como esse.
Obviamente, você esqueceu de levar em conta uma das variáveis. Quando você dobra à direta no corredor que leva até sua sala, você fica surpresa ao constatar que ela está ali. O semblante em seu rosto se fecha por alguns segundos –– antes que ela possa te ver ––, e você joga todos os tipos de praga que pode pensar na sua melhor amiga, Santana Lopez, por ser uma completa idiota. "Eu posso cuidar disso, Q. Você acha que aquela hobbit pode me obrigar a fazer alguma coisa? Hahahahahaha, a coleira é sua, colega, não minha", disse-lhe a latina dias atrás, quando você pediu sua ajuda.
Você não deveria ter confiado em alguém que tem uma coleira mais apertada que a sua. Porque, realmente, que moral Santana tem pra fazer alguma coisa quando é um pau mandado de sua namorada? "Lima Hights uma ova", você pensa, bufando. Aparentemente, não se faz mais gangsters como antigamente. De qualquer forma, você ajeita sua postura e deixa um sorriso iluminar seu rosto assim que sua garota percebe sua presença. Não é falso em tudo. Você realmente está feliz em vê-la, mas se ela não sair, então isso pode se tornar um empecilho de merda para o seu plano.
Talvez você não seja tão genial assim.
"Quinn!" –– exclama Rachel, andando em sua direção com as mãos na cintura e um olhar irritado no rosto.
"Hey babe, o que houve?" –– você pergunta.
"Santana está me fazendo perder a cabeça, isso é o que houve!" –– troveja a morena, apontando um dedo na direção da latina adestrada. "Ela não para de me encher o saco, e todas as vezes que eu tentei ligar para você, ela tomou meu telefone"
"Muito maduro de sua parte, Santana" –– você diz, fuzilando-a com o olhar.
"Ela é de Lima Heights!" –– grita a latina em defesa própria. "É sério, Q., sua namorada é uma traficante, ou algo assim. Não é remotamente possível que alguém fora de LH conheça golpes como esse!"
"Eu sou de um bairro nobre de Lima" –– diz Rachel, revirando os olhos. "E você não pode estar mesmo falando sério, Santana. Tudo o que eu fiz foi apontar para a porta da varanda e dizer 'Olhe, a Brittany está aqui', e você saiu correndo feito um cachorro assim que seu dono entra pela porta"
"Não sou um cachorro" –– resmunga Santana. "E isso? Chantagem emocional, cara. Totalmente injusto"
"Pelo amor de Deus, Santana, aquilo não fazia o menor sentido!" –– retruca Rachel exasperada. "Ela teria que passar primeiro pela porta de entrada para chegar até a varanda. Você pensou o que? Que ela tinha escalado o prédio, ou algo assim?"
"Qualquer que seja" –– diz Santana, emburrada. "Apenas cale a boca, hobbit, e faça o que você tiver que fazer"
"Patético" –– você diz baixinho, balançando a cabeça.
Santana lança um olhar de aviso em sua direção, como se ainda te lembrando que há um plano em ação, e que se você não calar a boca em dois segundos, ela vai revelar absolutamente tudo. Falando em chantagem emocional...
"Huh, babe, não que eu não fique feliz em te ver, mas... O que você está fazendo aqui?"
"Ora, Quinn, não é óbvio?" –– pergunta Rachel. "Você está trabalhando no último dia do ano. E nem ao menos há trabalho para se fazer. Então, querida, será que podemos, por favor, ir pra casa? Eu quero passar um tempo de qualidade com a minha namorada"
"Eu realmente não posso agora, Rach" –– você se desculpa, tentando pensar em uma história para justificar sua permanência.
"Eu estava dizendo a ela que você precisa dar umas lidas em uns contratos para as garotas" –– comenta Santana em tom casual. "Sabe, para a participação especial naquela série que é um musical, ou algo assim"
"Glee?" –– pergunta Rachel, confusa. "Não é a série escrita pelo Artie?"
"Huh... Bem, é isso" –– diz Quinn, abrindo um pequeno sorriso. "Artie queria que as meninas... Hum... Fizessem uma participação especial, sabe, como... Hum... Como estudantes de intercâmbio"
"Estudantes de intercâmbio?" –– pergunta Rachel, arqueando a sobrancelha. "Elas são americanas"
"Não na série" –– diz Santana, querendo ajudar.
"Isso não faz o menor sentido" –– resmunga Rachel.
"Alguma coisa dali faz?" –– indaga Santana, revirando os olhos.
"Você tem um ponto" –– concorda Rachel. "Amo o Artie, mas ele é péssimo em continuidade. Como, tipo, quando aquela garota sofreu um acidente de carro e ficou paraplégica em um episódio. E, no outro, ninguém sequer parecia se lembrar que ela existia"
"Eu vivo dizendo que isso tudo não passa de um verdadeiro lixo" –– resmunga Santana. "Porque, sério, pessoas cantando nos banheiros e corredores? Meio que patético"
"Nós fazíamos isso no Glee" –– você argumenta, franzindo o cenho. "Acho que Artie mencionou certa vez que os personagens são baseados nas nossas histórias"
"Nesse caso, aquela garota loira capitã das líderes de torcida seria você?" –– pergunta Santana, maliciosamente. "Ora, ora, ora, Quinn, realmente me comoveu uma menina do clube do celibato ficando grávida do melhor amigo do namorado"
"Por favor" –– zomba Rachel. "Isso não pode ser baseado em nossas vidas. Nós estamos juntas desde o segundo ano, e aquelas garotas andam em linha reta"
"Não teria tanta certeza" –– diz Santana. "Pra mim, tem muita tensão sexual entre a loirinha e a louca capitã do glee"
"Qualquer que seja" –– você diz, revirando os olhos. "Olha, Rach, não dá agora, sinto muito. Será que podemos nos ver depois? Juro que não vou mais demorar tanto assim. Estarei logo em casa"
"Tudo bem" –– diz ela, soltando um suspiro derrotado. "Eu te amo, Quinn"
"Também te amo, babe"
Quando Santana passa por você, é apenas um simples acidente quando seu cotovelo encontra as costelas dela. Claro. Porque você nunca faria isso de propósito. Mas você tem certeza de que as ameaças que Santana solta em voz baixa não são tão acidentais assim. Bem, quem se importa? De qualquer forma, você corre até sua sala e pega seu walkie talkie para acertar os últimos detalhes com Sam. Ele garante a você de que, apesar de Rachel ter surgido do nada, tudo corre perfeitamente bem, e ela ainda não faz ideia do que está acontecendo. Ótimo. Você não quer perder o olhar surpreso em seu rosto quando ela descobrir.
––
Houve momentos em sua vida em que você se sentiu assustada. Como, por exemplo, a primeira vez que você admitiu que não odiava Rachel Berry, embora tenha passando um ano inteiro tentando se convencer disso. Ou, também, quando você entrou no clube do coral –– frequentado apenas por perdedores –– para ficar mais perto da baixinha; e, até mesmo, quando você admitiu seus sentimentos na frente de todas as pessoas que você considerava seus amigos.
Mas, realmente, eles têm sido muito mais do que isso. Você foi a típica capitã das líderes de torcida no primeiro ano, mas tudo mudou desde que você começou um relacionamento com Rachel; as raspadinhas foram banidas do McKinley, e embora os garotos populares ainda fosse donos do colégio –– ninguém ousava desrespeitá-los, claro ––, o bullying foi reduzido drasticamente, acontecendo em apenas alguns casos isolados. O glee club parou de ser motivos de piadas, e seus integrantes não eram mais jogados dentro de lixeiras quase que diariamente.
É engraçado, porque se você parar e pensar sobre isso, Artie podia mesmo ter se inspirado no clube para escrever a série. Claro, você não engravidou na adolescência, nem nunca ficou na cadeira de rodas; Rachel nunca esteve prestes a casar com o quaterback do time de futebol, e Santana sempre foi completamente aberta sobre sua sexualidade... Mas, ainda assim, se voltasse no tempo e tomasse algumas decisões erradas, aquele poderia ter mesmo sido seu futuro. O de todos eles, para falar a verdade.
Felizmente, você não era uma covarde como a capitã das líderes de torcida na série; você estava com Rachel; você entrou em Yale, e ficou perto de sua namorada durante todo o período universitário. Agora, vocês já estavam completando nove anos juntas. O casamento nunca foi cogitado antes porque vocês ainda estavam tentando se estabelecer; mas, agora, você era empresaria de artistas e cantores famosos, sua namorada era uma das maiores estrelas de Hollywood; Santana era uma incrível advogada –– quem diria que todos aqueles anos procurando podres dos outros e manipulando todos ao seu redor fosse ser útil algum dia ––, e Brittany virara presidente dos Estados Unidos... Brincadeirinha! Ou, bem, nem tanto. Ela realmente era presidente dos Estados Unidos... Na série televisiva da qual ela fazia parte. E é uma de comédia, caso alguém esteja se perguntando (e, não, Brittany não fez nenhum esteriótipo de loira burra, caso alguém também tenha se perguntando algo sobre isso).
Em suma, vocês todas se saíram muito bem na vida. Só que você quer algo mais. Por isso, contando com a ajuda da família construída durante o colegial –– cujos principais membros fizeram um dia parte do New Directions ––, você resolveu que finalmente era hora de pedir sua namorada em casamento. Você estava pronta para esse passo; o casamento gay era, inclusive, permitido em Nova Iorque; sua vida financeira não poderia estar melhor e, recentemente, vocês já estavam até mesmo procurando casas –– embora Rachel ainda não entendesse o motivo pelo qual você quer se livrar do apartamento. É apenas pequeno demais para começar uma família.
Outra coisa que você quer. Um filho. Não importa realmente quem vai carregá-lo na barriga, ou qual dos seus amigos será o doador –– você e Rachel já tiveram uma longa conversa sobre isso, e decidiram que o pai de seus filhos não seria um completo estranho ––, ou se será uma menina ou menino. Você só quer sua família completa, e ter mais alguém para olhar para Rachel com adoração, para perceber quão grande é seu brilho e como ela é simplesmente magnífica. Você acha que apenas o seu amor não é o suficiente. Ela precisa de mais; ela precisa de tudo o que você pode dar.
"Águia, na escuta?" –– chama Sam no comunicador. Você toma um susto, porque não estava esperando.
"Sim, texugo, estou escutando. Fale"
"F.A.L.E ou falar, no sentindo de falar?"
"Puta merda, Sam, apenas diga o que você tem a dizer" –– você diz, bufando impaciente. Você não deveria ter concordado em usar códigos com referências à Harry Potter. Mas, novamente, é o seu sonho de infância, e provavelmente a sua única chance de realizá-lo. Até seus filhos nascerem. Outro motivo para construir uma família; seria realmente legal ter outro potterhead no mundo. Talvez você e Rachel discutam sobre a qual casa ele ou ela deveria pertencer (você ainda acha que Corvinal é a melhor, embora Rachel tenha uma queda inexplicável pela Sonserina), mas nada que um chapéu pensante não possa resolver.
"Está tudo pronto, estressadinha. Você só precisa arrastar ela para nossa festa de confraternização e, bum, você terá sua surpresa"
"Obrigada" –– você agradece, sentindo o sorriso se espalhar pelo seu rosto.
"Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar. Onde seus soldados são justos e leais. Pacientes, sinceros, e sem medo da dor..."
Você desliga o walkie talkie antes que corra atrás do seu melhor amigo apenas para atirá-lo em sua cabeça. Porque, sério, Samuel Evans pode ser extremamente irritante quando quer. Mas nada disso importa agora. Dentro de algumas horas, você fará o maior pedido de sua vida. E, de coração, tudo o que você pode esperar é que ela diga sim.
––
"Quinn, o que estamos fazendo aqui?" –– pergunta Rachel, franzindo o cenho.
"Nós estamos em uma festa de confraternização de fim de ano" –– você responde, escondendo o sorriso.
"Não me diga" –– resmunga a morena, revirando os olhos. "Eu quis dizer: o que estamos fazendo indo até o telhado do prédio?"
"Apenas confie em mim, ok, querida?" –– você pergunta, entrelaçando suas mãos e a guiando até o telhado.
Ao chegar lá, até mesmo você, que tinha tinha visto tudo, fica atordoada. À noite, tudo parece ficar ainda mais especial; os pisca-pisca que estão pendurados em todo o jardim que foi feito no telhado –– por isso o plano levou tantas semanas para ser colocado em prática ––, a música suave que toca através do alto falante, a lua e as estrelas brilhando no céu, a brisa noturna tocando seus rostos como uma carícia. O corpo de Rachel institivamente aproxima-se do seu, e você pode absorver o seu calor. Você passa o braço pelo seus ombros –– sem soltar sua mão –– e a guia em direção ao "sofá do amor", sentando-se e convidando-a a fazer o mesmo.
"Bem, eu estou certa de que isso não estava aqui há algumas semanas" –– brinca Rachel, beijando seu rosto. "É lindo, Quinn"
"Então é você" –– você diz, sorrindo. "Mas não importa o quão bonito tudo isso seja. Nada aqui jamais poderia ser comparado a você"
"Eu te amo" –– sussurra ela, abraçando você pela cintura e descansando a cabeça em seu ombro. "Eu te amo tanto, meu anjo"
"Veja" –– você diz, apontando para o céu. "Faltam apenas dois minutos para o ano novo"
E pelos próximos dois minutos, nenhuma de vocês diz absolutamente nada. Você apenas sente o corpo de Rachel junto ao seu; a sua respiração batendo em seu pescoço, as carícias que ela faz em sua cintura; o seu cheiro que invade seu olfato. Há uma bolha de felicidade dentro de seu peito, e ela está lá há nove anos, desde que você permitiu que Rachel Berry entrasse em sua vida.
"Dez, nove, oito, sete... " –– ela sussurra, contando os segundos. Seus olhos se enchem de lágrimas e seu coração começa a bater mais rápido no peito. Você a ama tanto! Sem Rachel, sua vida não teria o menor sentido; sem ela, você provavelmente nunca teria chegado onde chegou.
"Seis, cinco, quatro, três, dois..."
Você fecha os olhos por um segundo e permite que tudo tome conta de você. Todo o amor que você sente. Toda a felicidade. E tudo o que você quer é continuar sentindo isso pelo resto de sua vida, com a mulher que você ama.
"Um..."
Os fogos de artifício começam, e você abre seus olhos, observando eles queimarem no céu. E, então, você olha para Rachel e vê seus olhos se alargarem comicamente, enquanto sua boca escancara alguns centímetros. Você ri. Ela olha para você ainda perplexa, e você apenas dá de ombros.
Porque agora está escrito no alto, para todos verem, a pergunta que você deseja fazer há nove anos.
RACHEL BERRY, VOCÊ ACEITA SE CASAR COMIGO?
E tudo o que Rachel dá como resposta antes de se jogar em seus braços é um bonito, sincero e amoroso "sim".
Notas finais
Então, pessoal, feliz ano novo pra vocês, e que 2013 seja o melhor ano de suas vidas *-*
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