Vybor
7 Capítulo 7
Notas iniciais
POV Rose Hale
Meu corpo está dolorido, me sinto fraca e zonza. Não consigo abrir os olhos, mas consigo sentir o chão duro abaixo do meu corpo e o cheiro de ferrugem. Ouço vozes um pouco distantes, não consigo reconhecer alguma. Sinto angústia. Tento me mexer e não consigo.
[...]
— Mas que droga, Rose, acorde! — desperto com a voz irritante e irritada de Clary.
Abro os olhos lentamente, faço menção de levantar a mão até o rosto, mas não tenho sucesso. Estou amarrada.
Me sento com dificuldade e encaro a escuridão do local onde estou. O desespero toma conta de mim quando me recordo de como vim parar aqui.
Fui buscar Clary na sede pra almoçarmos. Ela estava toda animada que tinha achado o homem que tinha fugido lá de casa.
Me senti aliviada, mas isso logo passou quando o restaurante onde estávamos foi invadido. Achei que era um assalto, mas logo homens se dirigiram até nossa mesa.
Foi tudo muito rápido, não deu tempo nem mesmo de gritar e já tinha um pano no meu rosto.
— Rose? — a voz de Clary me tira de minhas lembranças.
— Clary, meu Deus, onde estamos?
Mas que pergunta idiota, é claro que não sabe. Como que...
— Pelo amor de Deus, cala a boca. Se acalma, se eles perceberem que despertamos, a coisa vai ficar feia. — ela me interrompe.
— O que...
Me calo quando a porta é aberta e uma luz entra no cômodo onde estamos, me cegando.
— As princesas acordaram! — um homem negro, alto, barbudo e muito mal encarado diz passando o olhar de mim pra Clary — Agora podemos começar a brincadeira antes do chefe chegar — ele abre um sorriso sujo.
— Quem é você e o que estamos fazendo aqui? — a calma de Clary me deixa mais desesperada ainda.
Como ela pode esta tão calma assim? Não sabemos onde e com quem estamos e ela mantem a droga dessa calma!
— Então, ruiva, suas perguntas serão respondidas ou não, logo, logo pelo meu chefe. Não posso te assegurar que gostará de conhece-lo, mas...
— Se você é apenas um pau mandado, volte de onde veio e vá chamar quem manda nessa droga.
O que ela está fazendo? Clary simplesmente enlouqueceu de vez.
— Marrenta... eu gosto — só o sorriso desse homem me deixa completamente enjoada — Vamos ver se vai ficar assim quando...
— Mo-moço, fomos sequestradas e isso é meio óbvio — respiro fundo — Quanto quer?
E se eu falar que o homem começou a gargalhar? Ele é louco? Estou nas mãos de um louco?
— Docinho... — ele se cala assim que outros quatro homens entram no cômodo. Assim que um homem baixinho, barrigudo, negro, com uma cicatriz passa por eles, todos abaixam a cabeça.
Esse é o chefe deles.
— Boa noite, garotas. Como estão sendo tratadas? — a voz dele é firme e faz meu corpo todo tremer de medo.
— Muito mal, por sinal, mas sinto que isso não lhe importa muito — eu juro que se saírmos daqui vivas, eu vou bater na Clary até o rosto dela ficar da cor de seu cabelo — Vamos direto ao assunto.
— Como não me importo? É claro que me importo! Está no meu território e quero que minhas lindas convidadas sejam muito bem tratadas. Alguma reclamação?
Eu vim parar em um manicômio.
— Vamos direito ao assunto: o que quer? — quando Clary ficou tão fria?
— Gostei de você, não é nem uma mocinha indefesa em apuros. Jace sabe escolher bem... continua na mesma linha.
— Claro... é algum acerto de conta? Pode começar com a história triste que te levou até aqui? Porque acho muito entediante.
— Não tem nem uma historia trágica, querida. Sinto muito, mas é só por conta que os irmãos estão sendo problema nos meus negócios. E através de vocês, vou deixar meu recado.
— A-através de nós? — abro a boca pela primeira vez desde que esse homem chegou aqui.
— Oh, Roselie! Perdão, querida, como fui indelicado. Boa noite. Respondendo sua pergunta: vou matar as duas, claro — ele diz como se isso não fosse nada.
— O quê?! Por que?!
— Acalme-se, querida, vai ser rápido, afinal, não tenho nada contra vocês e as duas tem a idade das minhas meninas, então não quero prologar isso — ele se vira pro homem que estava aqui antes dele entrar — Tudo preparado?
— Sim, senhor — responde ainda de cabeça baixa.
— Leve-as — ele se volta pra nós novamente — Vamos até um quarto aqui do lado e, por favor, queridas, sem escândalo.
O homem puxa Clary pelo braço pra ficar em pé e faz o mesmo comigo. Caminhamos por um corredor pouco iluminado até um quarto bem iluminado com duas cadeiras no meio e uma câmera em frente à elas.
— Se acomodem, por favor — o baixinho assustador diz.
Somos levadas até as cadeiras, nos sentamos e somos amarradas.
— Vamos gravar tudo pra mandar pros irmão, certo? Vou deixar as duas se despedirem. Vou atirar na cabeça pra ser rápido e indolor.
— Hey! Por...
— Rose, nem ouse se humilhar. Ele não vai mudar de ideia e só vai me irritar mais, então, por favor cala a sua boca — minha irmã me interrompeu.
— Isso só pode ser brincadeira, Clary, nós nem tivemos tempo! — começo a chorar.
— Eu sei — ela suspira e olha pra cima, impedindo que as lagrimas caiam — Não tivemos.
— Me desculpa! Se não fosse por minha culpa, você não teria vindo atrás de mim e não estaria nessa. Me desculpa.
— Você é minha irmã, eu iria até o inferno atrás de você. Eu te amo — uma lagrima cai.
— Eu te amo — digo.
Ficamos nos encarando, até que nos chamam nossa atenção.
— Muito bem, já se despediram. Vamos começar logo com isso — ele caminha e fica atrás de nós, de frente pra câmera — Agora.
Um dos seguranças liga a câmera.
Eu não tive tempo. Tempo pra viver minha nova vida. Eu não escolhi ela, mas a amo tanto. Amo o Emmett e não tive tempo o suficiente. Eu quero tempo. Tempo. Eu o amo. Minha nossa, eu o amo!
— Boa noite, garotos. Se lembram mim, certo? Bom, não preciso ficar de ladainha pois os dois sabem o que me levou à isto. Até que fui com a cara das duas, foram boas escolhas, são diferentes. Parabéns, é uma pena mesmo... — ele fala com a câmera como se falasse com Emmett e Jace — Vamos lá, meninas, quem será a primeira? — o olho assustada quando ele se vira para nós — Calma, querida, ainda não é isso. Mas vamos logo, você pode começar a se despedir.
— Emmett, é terrível que a primeira vez que essas palavras vão sair da minha boca pra você seja nessas circunstâncias — fecho os olhos e respiro fundo antes de pronunciar as seguintes palavras: — Eu te amo — abro os olhos e foco na câmera a minha frente — Meu Deus, eu realmente amo você. Eu escolhi isso, eu escolhi amar você. E amar você foi a melhor escolha que já fiz na minha vida... mesmo que tenha sido por um período tão curto de tempo. Mas esse tempo... — suspiro — esse tempo que passamos juntos foi melhor que uma vida inteira que tinha imaginado antes de colocar os olhos em você. Eu te amo e sinto muito por não termos tempo. Adeus.
Não controlo o soluço que sai e acabo por desabar de vez. As lagrimas que já caiam embaçam minha visão.
— Comovente... realmente comovente, querida. Mas, vamos continuar, é sua vez, ruivinha.
— Vá se ferrar! — Clary mal fecha a boca e o homem leva a mão ao seu rosto, lhe dando um tapa.
— Se ousar tocar na minha mulher novamente, não vou esperar que você se despeça de sua família como ia ter a bondade de fazer conosco, Asani.
Levanto meu olhar no instante que Emmett e Jace entram na sala, cercados por homens que reconheço alguns dos rostos... são seus homens! Eles vão nos tirar daqui.
Não tempo de formular uma palavra sequer. Tudo acontece muito rápido. Clary toma a arma das mãos do nosso "carrasco" e atira nele. Depois disso, ela se joga em cima de mim e caímos no chão ouvindo em seguida tiros.
A troca de tiros continua até o ultimo homem de Asani esteja no chão.
Clary me desamarra e nos levantamos. Mas se eu pensei que o pior tinha passado, tinha me iludido e feio. E tive essa certeza assim que vi o Emmett no chão sangrando desacordado.
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