Vulnerável
6 "Perdão"
– Viu? Não foi tão difícil falar para a polícia sobre tudo. — Tyna fala já largando sua bolsa no sofá.
– Não foi difícil? Senti meu estômago comendo o resto dos meus órgãos quando vi o retrato-falado daquele homem.
– O nome disso é fome, e daqui 15 minutos nós resolveremos isso. — Ela coloca uma mecha minha atrás da orelha e olha nos meus olhos. — Vai tudo ficar bem, okay?
– Eu espero. — Segurei os punhos dela e me apoiei na sua mão, sentira muita confiança vindo dela, me senti segura. Finalmente, segura. — O Patrick dorme cedo? Eu teria que falar com ele.
– Hmmm, você prefere Parlotte ou Charick? — Ela para e olha para mim com um sorriso malicioso.
– Esse é o shipp dos nossos nomes? Você enlouqueceu, mulher? Eu vou pedir desculpas para ele! — Eu coloco as palmas das mãos viradas para o céu e se minha expressão facial pudesse dizer algo, ela provavelmente diria "??????"
– Eu to brincando, boba. — Ela aponta a colher pra mim e ri. Não achei graça, não. — Ele ta lá no quarto dele, é o do lado do seu.
Subo as escadas um pouco encabulada, não apenas pelo fato de Tyna achar que eu vejo o Patrick de uma maneira que eu não o vejo, mas por ter que pedir desculpas. Mal o conheço, não sei sua história e acabei de saber que ele tem um filho. Tudo bem, é apenas meu segundo dia aqui, mas onde estão as fotos desse filho? Ele realmente tem 30 anos? Ele aparenta ser maduro, sim, provavelmente por culpa da barba por fazer e a cara de homem trabalhador, mas 10 anos mais que eu? Eu nunca acertaria.
Dou três batidinhas com a dobradiça do dedo na porta onde ele supostamente está e chamo seu nome.
– Patrick? Está acordado?
– Charlotte? Pode entrar. — Abri a porta e Patrick estava deitado na cama de casal, com um braço atrás da cabeça e o outro segurando o controle da televisão.
– Posso falar com você por um minutinho? — Ele vestia uma camisa cinza escura, um pouco apertada. O bíceps dele parecia que iria explodir aquela manga.
– Claro, fique a vontade.
– Bem... — Me sento na beira da cama dele, e entrelaço meus dedos. — Eu... eu só vim aqui pedir desculpas por hoje mais cedo.
– Charlotte, você não precisa...
– Sim, eu preciso. Eu não conheço você, não sei de sua história de vida nem nada. Não podia julgá-lo daquela maneira, principalmente em questão do seu... pai.
– Não foi nada grave, Charlotte. Eu tenho uma irmã mais nova, sei como é lidar com surtos femininos. — Ele ri.
– Só fiquei com peso na consciência, você sabe, ainda temos bastantes para conhecer um do outro. Eu nem sabia da existência do seu fil....- Merda, merda, merda. Como faço para apagar o que eu disse?
– Como?
– Nada.
– Meu filho? Como sabe sobre Phillip? — Ele me olha assustado, mas nem um pouco brabo.
– Ai, eu me senti mal e desabafei para Tyna e ela acabou me falando sobre isso. Desculpa. — Franzi as sobrancelhas de um jeito que talvez fizesse eu parecer fofa.
– Tudo bem, só não fala mais dele, okay? — Eu só estrago as coisas, como isso é possível? — Vem cá, me da um abraço.
Eu o abracei, me senti um pouco constrangida abraçando ele, já que não temos tanta intimidade, mas o perfume que ele estava usando me eliminou todos os pensamentos. Não sei como decifrar o cheiro, mas não queria ficar cafungando no pescoço do homem. Ele me abraçou forte, conseguiu contar quantas costelas eu tinha do tanto que ele esfregava as mãos nas minhas costas.
Ele me largou e ficamos nos olhando, acabo de perceber que Patrick não é feio, aliás, é bem bonito. Minhas mãos estavam nas suas clavículas e as deles nas minhas costelas, quase nos meus peitos, o que me deixou um pouco assustada e tinha certeza que estava vermelha. Eu precisava puxar um assunto constrangedor ou nojento pra acabar com aquele clima. O que estava acontecendo? Não sentia atração em uma pessoa há um tempão.
– Bem... — Largo ele e pulo pra fora da cama, precisava falar algo que quebrasse o clima dele. — Eu preciso ir agora, estou toda suada e preciso de um banho, né?! — Sorrio disfarçadamente e me viro para sair do quarto, bato minha coxa na porcaria do armarinho que ele tinha do lado da porta e solto um gemido.
– Ei, espera. — Ele pula da cama, eu me viro e ele está vindo na minha direção.
– O que fo...- Antes de terminar a fala ele me empurra até a porta, que não estava tão longe de mim, e me da um beijo. Saí do mundo por alguns instantes, seu corpo pressionado contra o meu estava me esquentando, mas o que porra estava acontecendo? Estava sem reação alguma, apenas estava voltando da transe que ele me pusera. Quando voltei completamente, me situei que estava beijando Patrick, minhas mãos estavam sobre seu peitoral mas ele estava com as mãos na minha mandíbula, me prendendo naquele beijo que, convenhamos, não estava nada ruim. Mas não podia deixar aquilo acontecer, não mesmo. O empurrei de volta e cortei nosso beijo. — Patrick, não.
– Não gostou? — Ele sorri maliciosamente.
– Não é isso. Eu só.... — Titubeio. — Eu preciso ir, agora. — Abro a porta dele e vou direto para meu quarto.
Mas o que acabou de acontecer?
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