Vozes mentirosas - Uma fria conexão

5 “Não acredite em tudo que ouve, não acredite em tudo que vê”


Notas iniciais
Antes de mais nada, quero agradecer as pessoas que estou acompanhando essa história, me senti muito, muito feliz por todo o carinhos e pelos conselhos que vcs me deram pelos reviews, obrigada por estarem acompanhando

Sentadas no sofá, se aquecendo em frente à lareira, as duas irmãs ainda não conversavam. Era possível ouvir o som do fogo queimando a madeira, o som da respiração das garotas e o barulho dos carros na rua de trás, até que o silêncio foi quebrado pelo toque do telefone, o qual Olivia levantou para atender e, por curiosidade, Susan começou a observá-la falar ao telefone, tentando identificar com quem conversava. Não demorou muito para perceber que era o pai, pois a garota abriu um enorme sorriso e falava com entusiasmo, o que a irritava um pouco. A garota desligou o telefone, e olhou diretamente para Susan, com uma feição preocupada, logo dizendo:

—O papai disse que vem nos buscar. — A garota disse, já imaginando o que a irmã diria.

— Você sabe muito bem o que eu penso sobre isso. — Susan direcionou o olhar para Olivia.

— Você devia deixar de odiar tanto o nosso pai. O que ele fez para você?

— hm…. Deixa-me pensar…. Ele foi embora e desde então acha que pode substituir amor por dinheiro? — Disse sarcasticamente.

— A única coisa de que você se lembra, é que ele foi embora. Mas eu tenho lembranças, Susan…. Lembranças boas que eu não apaguei por causa de ódio. — Afirmou Olivia, com a voz alterada, já irritada.

— Isso não importa, eu não vou morar com ele! — Disse Susan, cruzando os braços como uma criança mimada.

— Olha — Ela suspirou. — Ele deu muitos motivos…. Com certeza cometeu muitos erros, mas por que não dá uma chance?

— E-Eu vou sair um pouco — Susan se levantou.

— Quem é a covarde agora? —Disse, com um sorriso sarcástico.

Susan a ignorou e continuou andando até a porta, deixando novamente, seu orgulho falar mais alto. Mesmo sabendo o que deveria fazer, saiu sem destino, decidida. Mas ao longo do caminho, decidiu ir até a biblioteca, que ficava a alguns quarteirões, para procurar algo que a fizesse ter uma pista do que eram aquelas vozes. Por sorte estaria vazia naquele dia, por conta de um encontro de leitores no outro lado da cidade.

A garota conhecia cada centímetro do enorme lugar, o qual visitou várias e várias vezes para ler e escapar do resto do mundo. Logo entrou e viu a atendente, morena, com os cabelos presos com uma fita azul, dormindo na recepção, enquanto a baba molhava um documento que parecia não ser muito importante, e então andou rapidamente até o balcão, acordando a mulher, que se arrumou na cadeira, e logo que a viu, disse:

— Hoje não estamos funcionando senhorita Gallet. — Arrumou os óculos.

— Eu não vim pegar nada. Vocês tem algo sobre seres místicos ou demônios?

— Hm, acho que temos algo sim. Eu vou verificar aqui. — A mulher começou a olhar no computador.

— Mitologia, com certeza achará algo lá.

— Okay, obrigada. — Susan sorriu gentilmente e foi para a estante dos livros de mitologia.

Analisando a enorme estante, cheia de livros de mitologia e lendas, começou a andar ao longo desta, olhando cada título que pudesse ser o que procurava. Pegou então seis livros de uma vez, e levou-os quase derrubando tudo até uma das várias mesas. Começou a procurar algo sobre demônios, e assim ficou lendo. Já era praticamente especialista em demônios, como combatê-los e invocá-los.

O sol já se punha, e seus olhos cansados já doíam, até que ouviu a voz da atendente da biblioteca:

— Uau, está se empenhando tanto em saber o que eu sou, me sinto até lisonjeado.

Susan imediatamente parou de ler, voltando sua atenção para a mulher, que se aproximava. Era possível ver seus olhos negros, e seu irritante sorriso. Ao perceber que aquela não era a atendente, a garota sentiu seu corpo arrepiar e seu coração acelerar pelo medo, era incapaz de dizer algo, e a mulher continuou, parou na sua frente:

— Mas não me confunda com demônios, eu sou muito melhor, eu não sigo ordens de um anjinho perdedor. — Ela gargalhou. — Você não vai encontrar nada sobre mim.

Enfrentando o medo, a garota se levantou, chegando perto o bastante para tocá-la. — Eu vou descobrir o que você é, e eu juro, eu vou te matar.

A mulher gargalhou novamente, virando-se para Susan. — Quer mesmo saber o que eu sou? — Ela sorriu, colocando a mão direita no ombro da garota, aproximando os lábios de seu ouvido. — Eu sou a sua morte. — Ao dizer isso, se afastou, rindo como se não houvesse amanhã. Mas Susan mal podia se mexer e talvez essa fosse à graça.

Pensando no quanto estava ferrada naquele momento, se afastou devagar da mulher aparentemente possuída. — Eu não v…. — Foi interrompida.

— Não tenha medo, minha querida, você não morrerá hoje. — Ela se afastou de Susan. — Mas logo desejará estar morta. Vocês são meus brinquedinhos. — Seu corpo começou a se contorcer, e uma fumaça negra saía de sua boca, enquanto a garota apenas assistia a cena, sem mexer se quer um músculo. A fumaça sumiu e o corpo foi ao chão, palavras se formavam com o que parecia ser tinta preta nos braços da mulher caída. “Não acredite em tudo que ouve, não acredite em tudo que vê” era o que estava escrito, a garota leu rapidamente e sem nem mesmo verificar se a atendente ainda estava viva, correu dali, sem olhar para trás, ofegante, enquanto tudo o que aquele ser disse ecoava e fazia de sua mente uma tempestade que parecia não ter fim.

Já na rua, ainda correndo, distraída por seus pensamentos, mal notava o que estava a sua frente. Se chocou com alguém, que logo percebeu ser Daniel.

Segurando os ombros de Susan, que parou, ofegando, disse:

— O que houve? Por que está tão nervosa? — Ele olhava nos olhos da garota, que ainda não acreditava no que tinha visto. — Fique calma, respira fundo — Gritava, olhando nos olhos da jovem;

Susan tentava se recompor, respirando fundo, se apoiou nos braços do garoto e então pôde falar. — Saber a verdade, é assustador. Eu achei que depois de saber, eu ia me sentir melhor. — Mais calma, ela soltou os braços do garoto.

— Por que acha que existem pessoas que fogem da verdade? É mais fácil fugir. — Afirmou o garoto.

— É, acho que sim, eu deveria ter fugido, como a Olivia pediu.

Daniel a abraçou fortemente. — O que quer que seja, vai ficar tudo bem, não se preocupe. — Sorriu, soltando a garota.

Aquilo a deixou mais tranquila, aquele garoto a deixava tranquila, mas ainda que estivesse ao lado de seu melhor amigo, as palavras daquela coisa não deixavam sua mente. A palavra morte se repetia, e se repetia, sem parar, mas foi capaz de mostrar tranquilidade.

Preocupado com Susan, o garoto resolveu a acompanhar até sua casa, enquanto conversavam sobre Tim Burton, fazendo a garota quase esquecer do que havia acontecido, até que chegaram ao portão da casa, a menina sentiu seu coração acelerar novamente. Com Daniel ao seu lado, abriu o portão de madeira lentamente, logo depois entrou na casa. A porta estava aberta e os dois apenas entraram, e acendendo a luz da sala, Susan pode ver uma folha do diário de Olivia preenchido com as letras da garota, se agachou, tendo um mau pressentimento, começou a ler a carta.

“Querida irmã, eu deveria ter feito isso antes, eu disse a verdade por tantos anos, mas ninguém parece se importar, eu não sou um monstro, eu não sou louca. Eu estive sozinha desde o começo, acho que, dessa vez eu não vou voltar pra casa, mas eu não me importo, por favor não chore e não me procure.”

Lágrimas desceram no rosto de Susan, enquanto lia o que entendeu ser uma despedida, mas não podia e não queria acreditar. Correu até o quarto da irmã, ignorando as perguntas de Daniel, abriu o armário, que ainda estava preenchido por roupas. A mente da garota não podia criar uma boa teoria, nada que explicasse o porquê de tudo aquilo, mas tinha certeza de que tudo aquilo tinha a ver com aquela coisa de olhos negros. As duas garotas eram os brinquedos favoritos dele, dos quais ele não enjoaria tão cedo.

Notas finais
Obrigada por ler u-u
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.