Vozes do Medo

9 Revelações


Notas iniciais
pequeno, mas necessário! hehe

O silêncio tomou conta por um bom tempo. Acho que perguntei algo que toquei numa antiga ferida da vida de Marcos... Vida? Agora eu acho que ele está vivo? Quantas vezes vou ter que dizer que...

\"Era primavera.\" disse Marcos e parei com minha discussão interna. \"Estava tudo perfeito. Aliás, minha vida era perfeita. Eu tinha tudo que queria, amigos e a maioria gostava de mim. Eu sempre tirava notas boas, enquanto outras crianças eram burras eu era o queridinho da professora. No natal, recebia mais de 10 presentes. Acha exagero? Pra mim não era, sempre fui muito mimado pela minha família. Minha mãe comprava todos os doces e guloseimas que eu pedisse, por isso era invejado por certas crianças. Mas eu nem ligava, pra que estragar minha vida perfeita com essas coisas? E eu era uma criança. Não pensava em mais nada, a não ser brincar, comer e estudar.\"

Houve uma pausa e achei que ele começaria a contar o que realmente importava. Mas não sei por que eu quero tanto saber disso.

\"Enfim, continuando. Dia 2 de outubro. Estava tão quente que resolvi sair pra brincar com meus amigos na rua. Já não fazíamos aquilo a tanto tempo que desde a chegada da primavera estava ansioso pra brincar. Peguei minha bola e ainda alguns outros brinquedos e depois de chamá-los, fomos brincar. Eles gostavam quando eu trazia carrinhos, bonecos e animais, pois não tinham nada disso. Se fosse mais velho diria que eram meus amigos apenas por interesse.\"

Já não via mais seu reflexo, como se não estivesse mais atrás de mim. E pra falar a verdade, prefiro ouvir somente sua voz. Não é nada agradável ver um espírito ao seu lado.

\"Por enquanto estava tudo ótimo. Ficamos brincando por horas, a tarde inteira. Minha mãe normalmente ia trazer biscoitos na hora do lanche, então lá estava ela carregando uma bandeja cheia de Cookies. Atravessei a rua sem olhar para os lado, já que nunca passavam carros por ali. Mas quando já tinha me enchido de biscoitos e ia voltar a brincar, aconteceu. Não sei bem como foi, mas senti uma forte dor e acordei na cama de um hospital. Ninguém nunca soube que eu acordei, pois ao abrir os olhos vi meus pais chorando. Minha avó tentava acalmá-los, mas ninguém faria minha mãe parar de chorar naquele momento. Os passos do médico se aproximavam ele ia ver se eu acordara. Mas não aguentei. Uma última lágrima caiu sobre minha face, fechei os olhos e nunca mais os abri.\"

Estava um pouco emocionada. É difícil uma história trágica me emocionar. Mas Marcos contou tão bem. Talvez seja porque já morreu e não é todo dia que você ouve uma história narrada por um morto.

\"E então?\" ele perguntou, já que eu não tinha dito nada.

- Achei bem... Triste. — foi o que consegui dizer.

\"Triste?\" ele disse, como se fosse engraçado. \"Eu te conto minha história e você diz que ela é triste?\" Marcos parecia irritado, esperando que eu me desculpasse. Mas não tinha motivos. Não fiz nada.

Só não sabia que fazer pouco caso de um espírito foi um grande erro.

- Ai! O que eu te fiz? — eu disse enquanto olhava a palma de minha mão, cheia de sangue. Mas estava tentando parecer forte então não podia deixá-lo se achar por vencido.

\"Você não fez nada! Mas acontece que sua vida é perfeita! Tão perfeita quanto a minha, se isso for possível.\" ele disse e desejei poder pelo menos vê-lo, para poder saber onde estava e qual seria seu próximo ataque.

- Chega! — eu disse, minha coragem estava imensa. — Estou indo jantar.

Desci as escadas sentindo que ele poderia me machucar a qualquer momento. Mas ainda não tinha certeza do por que.

E se ele acha minha vida perfeita? Pois eu não acho, existem outras bem melhores!

Comi meu almoço o mais rápido possível para não precisar dar satisfações aos meus pais. Será que eles ainda não me ouviram falar \"sozinha\" ?

Na verdade estava louca pra ir pra escola. E isso é raro.

Notas finais
e ai? reviews, por favorzinho...
bjin
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.