Vozes do Medo
3 Injustiçada
Notas iniciais
Depois daquele susto fiquei o dia inteiro no meu quarto, saindo apenas pra ir no banheiro e comer.
Desde pequena meus pais me acostumaram a não acreditar em coisas anormais. Mas não dava mais pra fingir que estava louca; não depois de eu ter conversado com Marcos pelo telefone.
No dia seguinte fui pra escola com um péssimo humor. Prefiro ficar em casa sem fazer nada, do que ir pra escola.
Mas uma surpresa me aguardava lá. E não era nada boa.
No começo da aula vi Sue me encarando, ela parecia realmente brava. Ótimo, o que eu mais precisava era brigar com a minha melhor amiga mesmo.
No recreio ela não quis nem falar comigo, lanchamos em silêncio sem nem olhar uma pra outra. Mas não dava pra ficar assim. E só de pensar que tudo isso é culpa do Marcos...
- Sue, eu faço qualquer coisa pra você voltar a falar comigo.
Esperei uma resposta, mas ao invés disso ganhei um grande silêncio. Teria que explicar tudo pra ela.
- Tudo bem. Se você quer saber, eu te conto. É que... Aquele espírito que você, sentiu... Eu tenho quase certeza que sei quem é. — eu disse.
Ela me olhou parecendo curiosa, e não deixou de perguntar quem era. Contei toda história pra ela, dês do primeiro dia, até a tarde de ontem.
Sue parecia achar aquilo totalmente normal.
- É melhor você tomar cuidado. Mas por que não me contou ontem? Bom, vai precisar de uma companhia essa noite. Se quiser, eu durmo na sua casa. — disse ela, e já não estava mais brava comigo.
Aquela proposta me deixou muito feliz, pois eu ainda tinha medo do que Marcos podia fazer. Mas também tinha medo que alguma coisa acontecesse com Sue, e a culpa seria toda minha.
- Você não pode ir. Bem que eu queria, mas e se acontecer alguma coisa com você? — eu disse.
- Não vai acontecer nada comigo. E estou preocupada com você! Eu sou espírita, posso lidar com isso. — ela disse, e depois daquilo, sabia que nada a impediria de ir.
Bateu o sinal e fiquei um pouco triste de não poder conversar mais com ela. Me atrasei um pouco, porque fui no banheiro, mas quando pisei na classe me deparei com uma cena horrível.
- Pode me explicar o que é isso Elizabeth? — dizia o professor que eu mais odeio no mundo, e sei que ele sente o mesmo ódio por mim. Ele segurava um papel e acreditava que eu havia escrito.
- Eu é que te pergunto. O que é isso? E-eu não fiz nada, juro! — eu disse.
- Desculpe, mas não posso acreditar em você. Essa parece ser a sua letra, e ainda assinou com seu nome! Vá agora mesmo pra diretoria. E leve esse papel.
Notei que toda classe olhava pra mim, inclusive Sue. Ela sabia que eu não era culpada, então se meteu na conversa.
- Professor! Não foi a Lizzie, ela estava comigo no recreio inteiro! Pode perguntar pra qualquer outra pessoa, aposto que alguém viu a gente lanchando! — ela disse, mas ninguém respondeu. Eu faria o mesmo.
- Desculpe Suzana, mas não quero te levar junto com Elizabeth. Já temos provas do que ela fez, por favor não se meta! — ele se virou pra mim e continuou. — Enquanto você, ande logo! Não vou mais perder um minuto da aula com esse problema.
Saí da sala rápido, pois todos ainda olhavam diretamente pra mim. Mas antes de ir pra diretoria, tinha que ler aquele papel. De uma coisa eu tinha certeza, alguém estava armando contra mim.
O papel era velho, tinha uma cor amarelada, e as palavras pareciam escritas com uma pena.
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Depois desse texto vi um borrão vermelho que me lembrava... Sangue. Dobrei o papel e uma dor veio de meu dedo. Tinha um corte nele. O sangue do papel era meu.
Notas finais
E ja da pra imaginar quem escreveu o papel, né? Muito óbvio!
Comentem, por favoooor, deixem uma criança feliz!
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