Vozes

9 Welcome to the new age


Notas iniciais
Olás...
Estou meio sem inspiração, e me desculpem se estiver ruim demais...
Mas mesmo assim, eu voltei!
Boa leitura!
Dorrit Division.

Após me limpar e tirar a essência de vômito, tomei mais um copo d'água, ao lado de Dean.

- Obrigada de novo. — Disse à ele.

Arqueei as sobrancelhas quando percebi, a partir do momento que minha visão se clareava, que o mesmo usava luvas, ao me entregar o copo.

- Disponha. — Disse, e sentou ao meu lado.

- Por que você me ajudou? — Disparei, em seguida. — Achei que você me odiasse.

- Não odeio.

Dei um gole do líquido fresco que purificava minha garganta. Ficamos em silêncio, mas não daquele jeito desconfortável. Eu não sentia a necessidade de preencher o espaço com palavras, discursos vagos. Eu sentia que nossas mentes estavam cheias. De uma maneira estranha.

Comecei a ouvir alguns murmúrios distantes, por mais que apenas tivesse apenas o outro bar-man lavando a louça. Acidentalmente, esbarrei a ponta do meu dedo indicador em seu antebraço, e acabei levando um choque. Náuseas e o mal estar invadiram meu corpo, e percebi que minha visão se tornava turva. Mas eu não ouvia as vozes comuns, eu ouvia murmúrios, como se esses murmúrios dialogassem na minha cabeça.

- Ah, me desculpe! Você está bem? — Dean me segurou, para eu não cair da cadeira.

Dei outro gole. Aham, pensei.

Tudo voltou, subitamente, ao normal. Bebi meio copo. Respirei fundo por mais alguns minutos. Chet Baker tocava ao fundo, um pouco desapropriado para música de bar, mas mesmo assim... Estava consciente, e melhor. Ele não desviava o olhar de mim.

Como se eu respondesse a alguma pergunta, falei:

- Fiz muita merda hoje.

Ele assentiu.

- Eu sempre faço merda.

Rimos juntos. Agora, era Funny Valentine que tocava do rádio. Aproximamos os rostos, e eu sentia seu hálito de menta, quente. Meu coração acelerou. E então, o rádio começou a desmanchar o som, e falhar e chiar, e gritar, tão agudo que quase desmaiei. Tapei meus ouvidos, mas o som não parecia cessar!

- Desliga isso! Dean, pede pra ele desligar isso!

- O quê? — Gritou ele, sem me escutar, aflito com os chiados.

- Desliga o rádio! Agora!

- Bruce! Bruce! Desliga isso! — Ele berrou.

Bruce, o bar-man, apareceu, indiferente, como se fosse surdo e não escutasse a frequência torturante.

- O que vocês estão fazendo?

- Deliga agora!!! — Eu gritei o mais alto que podia.

- Desligar o quê?

Ele devia ser imbecil.

- O rádio, seu patife!!! — Dean liberou, escandaloso.

- Mas não tem nenhum rádio ligado aqui. — Bruce disse, fitando-nos como se fôssemos dois alucinados.

Notamos que o rádio parou. Nos entreolhamos, sincronizados. O que teria acontecido?

- Vocês estão loucos. — Murmurou o bar-man.

Engoli seco. Estranho, muito estranho.

Bruce voltou a lavar a louça calmamente, como se esperasse pelos primeiros raios de sol.

Continuei chocada, assim como ele.

- Eu...

- Oi?

- Eu... devia ir.

- Mas como você vai embora? Aqui é a Zona Norte.

- Sim. Eu vou pegar um táxi, chego em casa em cinco minutos. É uma cidade pequena.

- Bom, se você quiser...

- Obrigada por tudo, Dean.

Saí do Joe's Shack com uma sensação estranha. Boa, mas aflitiva, por conta do "rádio". Bruce devia estar brincando, um sádico. Ou... será que não? Meu corpo parecia ter absorvido uma série de correntes elétricas, eu me sentia disposta, e completamente enérgica.

Logo avistei um táxi, que, por sorte, era dirigido por uma mulher. Antes de entrar no veículo, pisei em um folheto peculiar. Era cheio de glitter e símbolos místicos, letras de alfabetos desconhecidos, códigos.

Sorajah Ganchen, cartomante, adivinha e vidente

Seu futuro, presente e passado nas suas mãos.

Rua das Andorinhas, número 18.

- Para onde? — Resmungou a taxista.

Hesitei. Chega de aventuras.

- Helius Street, número 431, por favor.

- Cinco minutos e estaremos lá.

Notas finais
Bom, saiu melhor do que eu esperava. A propósito, gostaria de mandar todo o meu amor para aquelas/aqueles que favoritaram minha história ♥ seus fofos!
Espero que tenham gostado deste capítulo tanto quanto eu.
Beijos e abraços,
Dorrit.