Voz da Paz
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“O seu quintal era tão grande, tinha muito espaço pra brincar!” Este era o pensamento único na cabeça daquela criança. David era um menino normal de 12 anos quando tudo aconteceu, estava, naquele dia, brincando com amigos em seu grande quintal. A casa de seus pais era o que é considerado uma grande mansão, seu pai era um bem sucedido homem de negócios, o que os deixou muito bem financeiramente. Tinha vizinhos também ricos e vivia em um bairro de classe alta no centro de Los Angeles.
Sua mãe era uma famosa estilista, o único porem desta historia feliz era o fato dos dois quase nunca estarem em casa, deixando David com sua baba estrangeira, Emanuelle, que tinha, naquela época, 17 anos, e ganhava um dinheiro como um trabalho de meio período. Ela era muito amável com ele, mas também era rígida.
Tirando as apresentações de lado, o fato é que era um dia muito ensolarado. Em dias assim, David ia para seu quintal brincar de toda e qualquer coisa que lhe desse na mente. Adorava tudo aquilo, se sentia abençoado e às vezes, superior. Mas havia bondade em seu coração, claro, não reconhecida.
— David, Venha para dentro!—Gritou Emanuelle—O almoço está pronto, depois você volta a brincar.
Ele foi como era de costume. Estava em plenas férias de verão, mas ao que parecia, seus pais viajaram juntos para Nova York. Estava preocupado, o tempo em que vivia pareciam perturbados. Anúncios de bombas que nunca havia ouvido falar, mas que causam grandes catástrofes estavam sendo explodidas por ali e aqui em todo seu país, e seu pai, James, estava sendo acusado pela detonação delas. Sua família estava passando por problemas internos, seus pais brigavam o tempo todo. Claro que não gostava disso, como qualquer outro menino queria a união deles, porem, a vida era mais difícil do que a vontade dele. Isso ele entendia muito bem.
Ele sentou-se a mesa esperando Emanuelle servi-lo, um ritual diário. Hoje por alguma razão serviriam seu prato predileto: espaguete com almondegas suculentas. Apesar das dificuldades, vivia a vida feliz como um garoto comum.
Preparando-se para dar a primeira garfada, algo o impedira.
—Fique calmo, tranquilo... —David ouvira um homem, com uma voz doce e que dizia sua frase bem lentamente—Fique calmo, tranquilo...
—Emanuelle, você que está falando?—ele ficara confuso.
Emanuelle acenou que não com a cabeça, deixando o garoto desconfiado. A voz sussurrante parou, deixando David um pouco mais tranquilo, pensando que tudo não passara de uma alucinação.
Seus dias se passaram sem grandes surpresas, a voz continuava ecoando em sua cabeça, como um mistério inacabado. Porem tudo mudou uma semana depois da primeira vez em que a ouvira.
David estava com seu amigo Peter, um pouco mais alto que ele e com roupas sujas de terra, no quintal de sua casa, brincando em montes de areia, quando a voz retornara. Parecia ser o próprio vento o precursor, mas percebera logo que Peter não estava ouvindo nada.
—O que você quer?—David desde criança não foi um menino impressionável, sempre muito calmo, tentou achar um motivo pra tudo aquilo.
—Fique calmo, tranquilo... —uma longa pausa se seguiu, quase tão longa que fizera David acreditar que não ouviria mais nada naquele dia—Seu pai...
—O que há com meu pai! —exclamou, fazendo Peter se assustar. Como o menino não poderia ouvir o mesmo que ele, David se afastara — O que há com o meu pai?— Pensou, com o objetivo de ser ouvido.
—Sua mãe... Mortos... —David ficou pálido no mesmo instante, correra pra dentro de casa sem ao menos se despedir—TV...
Ligou a TV quase que no mesmo instante, sintonizando o canal dos noticiários, uma noticia sobre nova York estava sendo transmitida:
“Averiguando as acusações contra a HFL, descobrimos galpões e laboratórios subterrâneos, longe da fiscalização governamental!” HFL... David logo a identificou como uma grande empresa que gerencia uma rede de hospitais “O corpo de James e Alexia foram agora identificados, logo voltaremos com mais noticias”.
Essas são partes do noticiário daquele dia de que David ainda consegue se lembrar; James e Alexia eram seus pais, e de alguma forma, aquela voz estava envolvida com suas mortes. Estava em choque. Lagrimas rolaram de seus olhos e agora se sentia a pessoa mais desprotegida do mundo.
Logo depois da noticia, correu a casa de Emanuelle, que era perto, chorando e tropeçando. Sua mente estava em branco demais para se acalmar e ser como sempre, esperava encontrar um ombro amigo nesta hora.
— Avisei... Tudo vai dar certo... —A voz continuava a acalentá-lo.
Chegando a casa de Emanuelle, agora um pouco mais calmo, conseguira raciocinar e ver que estava sendo seguido. Homens de preto, com rostos quadrados e corpos musculosos, caminhavam em direção ao garoto como se fossem mata-lo. Ele correu mais depressa ainda até a porta de sua babá. Emanuelle abriu a porta e o pegou no colo, o tirando dali tão rapidamente que o deixou surpreso.
—Vou levar você a um lugar seguro—ela o segurou e falou em uma entonação diferente do normal... Mesmo sendo estranho tudo aquilo, pelo menos agora estava seguro.
—Não... Se preocupe... Tudo dará certo!—A voz gentil porem vazia continuava a lhe sussurrar coisas.
Quando ela irá parar?
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