Voz, Pureza e Sangue
2 Uma pena de anjo
Brincava com minha irmã, Carlota nos jardins da nossa casa. Rolávamos na e riamos juntas. Era bom ter momentos divertidos com ela, de vez enquanto era tão tímida que se fechava para todos. Foi em um dia ensolarado como esse que salvei minha primeira vida.
Carlota e eu corríamos pelo jardim enquanto duas criadas ficavam de sentinela olhando pelas portas da mansão. As vezes, nós duas nos escondíamos só para ver elas enlouquecerem, mas acabava a graça quando nos achavam por causa de nossos risos.
Enquanto meu vestido voava entre as flores. Olhei para um canto e vi minha primeira missão de caridade. Havia aos pés de uma árvore um passarinho, parecia ferido, devia ter caído do ninho da árvore. Corri para socorre-lo, deixando Carlota brincando sozinha.
—Ei, passarinho, você está bem? -tentei segura-lo, mas ele bicou meu dedo me fazendo dar um grito que alarmou as criadas e a Carlota que correram em minha direção.
—Você está bem?
—O que aconteceu?
—Eu estou bem... mas é que o passarinho parece ferido... -falei- acho que o papai vai saber como ajudar.
—Por que acha isso? -perguntou Carlota
—Não se lembra quando eu caí e ralei o joelho, eu comecei a chorar e corri para o papai, ele pediu para lavarem e curarem e ficou bom rapidinho.
—Mas, Catarina, querida, pássaros não choram. -disse a criada
—Pode não chorar como eu, mas eu sinto que ele está chorando. Só tem medo de mostrar, medo que vão fazer algo com ele, por isso ele me bicou.
As três me olhavam como se eu tivesse ficado louca. Ignorei e coloquei minhas mãos em concha e corri para dentro de casa.
—Papai! Papai!
Entrei no escritório dele, estava conversando com um negociante local, mas aquilo não podia esperar. A vida de um passarinho estava em risco.
—Filha, o que foi? Estou no meio de uma reu...
—Papai, é urgente! Olha! -mostrei o passarinho para ele
Ele arfou e se virou para o negociante pedindo uns minutos e me levou para fora do escritório.
—Minha filha, o papai não pode ficar muito tempo, mas vamos ver o que podemos fazer.
Fomos para a sala onde ele chamou as criadas para me ajudarem a cuidar do passarinho ferido. Carlota tinha ficado no canto da sala estava olhando para nós e se negava a chegar perto... devia ser que não queria ver aquela cena. Pobrezinha...
Quando ele estava devidamente bem, as criadas me ajudaram a coloca-lo de volta no ninho que descobrimos que estava em um galho baixo da árvore.
Estando no lugar, me enchi alegria e comecei a correr pelo jardim cantarolando o quanto estava feliz do passarinho estar bem. Puxei Carlota para cantarolar comigo, pois estava sentada na escada da mansão, apenas me observando.
Minha primeira missão, a primeira vida dada a mim, minha primeira responsabilidade, agora cantava para mim toda vez que abria a janela do meu quarto.
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