Voz, Pureza e Sangue

3 Uma artéria do coração


As ruas da cidade eram sempre miseráveis. Sujeira por toda cidade. Enquanto a carruagem sacolejava pelas estradas irregulares, eu olhava pra que povo martirizado pela escassez e pela vida dura de trabalho. Sustentar uma família grande sendo apenas um negociante era um trabalho complicado. Via pessoas na flor da idade se deteriorando muito rapidamente. E nada se pode fazer...

Desci da carruagem com a ajuda de minha criadas e bati na porta da loja. Quem atendeu foi um mulher já nos seus quarenta e poucos anos que sempre insistia em bajular a Catarina e a mim por sermos filhas de quem somos.

—Senhorita De Gaulle, como vai? O que lhe traz aqui?

—Eu gostaria de dar uma palavra com Cassiano -a sugestão a deixou estupefata e estranhamente contente.

—Cassiano! Larga esse livro e vem me ajudar aqui no balcão! -gritou ela para os fundos da loja.

Pouco tempo depois, Cassiano aparece segurando um pequeno caderno de bolso. Ele era dotado de uma beleza esplendida e atualmente aos 14 anos essa beleza era cada vez mais vista por causa de sua aparência jovial.

—Olá, Carlota. O que deseja?

—Carlota? Sinto muito, senhorita, mas é que meu filho não tem respeito! -ralhou sua mãe.

—Se engana, senhora Nowak, Cassiano é meu amigo e entre amigos não tem formalidades. Aliás, pode libera-lo por hoje para dar uma volta comigo? -disse eu para o espanto dos dois.

—Ah... sim... claro.

Já do lado de fora, pedi para Cassiano entrar na carruagem. Parecia meio incomodado com o convite, mas ainda assim entrou. Ele parecia desconfortável, mantive a compostura o resto da viagem. Ele pegou seu pequeno caderno e começou a escrever rapidamente.

Ao chegar nas docas, pedi para descermos. Fiz com que as criadas ficassem na carruagem enquanto ia apenas eu e Cassiano para a beirada das docas. O vento, que cheirava a água salgada e peixe, batia em nossos cabelos.

—Por que me trouxe aqui, Carlota?

—Você vive enfurnado naquele lugar, achei que fosse querer ver algo além de clientes egoístas. -ele se calou enquanto olhava para o horizonte como se procurasse algo no final de algo que parecia infinito. -Bem, foi só uma ideia.

—Obrigado por me trazer aqui, acho que eu precisava disso.

—Isso me alegra. -foi quando olhei para um enorme navio que carregava vinho chegar nas docas mais distantes dali. -Vem comigo.

Ao chegar perto do barco, ofereci uma quantia ao capitão do barco para poder entrar em seu navio.

—Só não toquem em nada!

Subimos no barco até a parte mais alta. Ao chegarmos lá, apreciamos a vista, mas Cassiano parecia estar mais interessado em seu caderno.

—Perdoe-me a intromissão, mas o que é esse caderno que está sempre com você? -disse eu já perdendo a paciência

-Ah... bem, veja você mesma. -disse ele me entregando o caderno na maior cautela

O caderno estava todo rabiscado e trechos escritos em uma caligrafia quase impecável. Mesmo com todos os rabiscos, aqueles trechos formavam...

—Poesia?

Meneou a cabeça positivamente.

—Vir aqui me deu inspiração para escrever. Conhecer e visitar esses lugares me trazem muito inspiração. Por isso... -andou até o leme e o segurou- eu espero algum dia sair daqui e conhecer todo o tipo de lugares novos.

—Parece emocionante.

—Ei, vocês dois, acabou a festinha! É hora de zarpar de novo, o tempo nas docas não para. -gritou o capitão do navio, nos expulsando do barco

Descemos do barco e caminhamos de volta para a carruagem para o alivio tremendo de minha criadas. Deixei Cassiano em frente sua casa.

—Quando terminar essa poesia, mostre-me, por favor.

—Pode crer de irei. -disse pouco antes de fechar a porta