Voz, Pureza e Sangue
5 Um olhar de paz
—Catarina, venha logo. Seu chá está esfriando.
Estava um dia lindo. O céu estava limpo, o sol forte, os pássaros estavam cantando... um ótimo dia para um chá. Carlota e eu resolvemos tomar chá para podermos conversar um pouco. Ela estava sempre preocupada com algo. Sem dúvida que para um garota de apenas 14 anos, ela era bem madura, parecia entender de coisas no nível de alta nobreza.
—Estou indo, Carlota.
Sentei-me na mesa, sob a sombra feita pelas sombrinhas de nossas criadas, Sra. Laney e Sra. Irma. Sra. Irma me serviu com um pouco de chá. Após medir a temperatura com os lábios, tomei. Carlota estava quieta, conhecendo-a, estava esperando a hora certa de falar.
—O que está achando dos preparativos para nosso baile de décimo quinto aniversário? -começou Carlota
—Não sei disser.
—Deveria se interessar mais pelo assunto. Além do mais, não serei a única que irei fazer aniversário. -disse bebendo mais um gole de seu chá. -Várias famílias importantes, especialmente seus filhos, vem aqui, então, eu espero mesmo que mantenha sua compostura.
—Você parece nossa mãe falando. -fiquei de cabeça baixa.
Uma forte rajada de vento nos acertou desequilibrando um pouco Sra. Laney com sua sombrinha. Carlota olhando meu estado, suspirou.
—Convidarei Cassiano. -disse ela.
—Cassiano... -aquele nome sempre me deixava sem graça, eu só não entendia o por quê.
—Catarina, por obséquio, preciso de sua ajuda! -disse ela percebendo meu olhar perdido.
—Mas... Carlota...
—Está pensando que Cassiano se sentirá infeliz aqui com todas as famílias nobres e ricas, sendo apenas "filho de uma tecelã", estou certa?
—É... como sabe?
—Catarina, querida, você é muito fácil de se ler. -disse ela- Além do mais, eu já havia pensado nisso. Por isso preciso de sua ajuda, preciso que dê um jeito para que Cassiano não se sinta deslocado nesse baile.
—Mas por que eu? -perguntei com espanto.
Carlota suspirou e tomou mais um gole de seu chá. Passou a mão por seu olhos como se tivesse se livrando de algum pensamento ruim.
—Você é a mais apta para esse trabalho.
—Mas, Carlota... eu...
—Sem conversa. É isso e ponto final. Sei que você vai arrumar um jeito.
Abaixei minha cabeça. Minha irmã estava me confiando em mim para isso, não podia negar isso a ela.
—Já enviou o convite? -perguntei tomando o chá que agora começava a esfriar.
—Ainda não. Estava esperando sua confirmação. Laney, por gentileza.
Sra. Laney abaixou sua sombrinha voltando-se para dentro de casa. Carlota bebia vagarosamente o resto de seu chá. Logo sua criada voltou trazendo um pedaço de papel.
—Escreverei tudo que precisa ser dito para um convite formal e nós duas assinaremos. -disse ela escrevendo rapidamente e depois empurrando a carta para mim. Li cuidadosamente cada palavra e logo após assinei meu nome. Dobrei-a e entreguei a Carlota- Boa menina. Mandem entregar a Cassiano o mais rápido possível.
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