XXXVI-Voz

E minha voz anuncia, então,

Que é triste, complicado e desanimador

As palavras que me dizem não.

A facilidade que antes era dádiva,

Hoje me parece inveja,

Sinto as lágrimas caírem.

A verdade é muito cruel,

Mas a voz que a diz é mais.

Coisas tolas que só provam

Como o mundo de hoje faz

As virtudes que renovam

Nada além de sais

Que salgam seus lábios

Com a maldade de criticar.

Ah! As impostações não se sucedem,

E toda a sua felicidade de nada me adianta.

Mas também, é assim para quem canta,

As vozes que ecoam para mim,

Não são as mesmas que correm para ti,

E se isto a deixa feliz,

De nada me serve afim.

A confiança é o que se tem,

Nada além de ali estar.

Quem confia em quem te ensina,

Jamais deve errar,

Pois palavras machucam,

Machucam de mais.

Deveria uma voz tão bela,

Também me machucar?

É falsa como capela,

Só serve, de tudo, pra rezar.

Rezar para que tudo passe,

E que a voz volte a cantar,

Assim que ânimo lhe falta,

Sem tons e vocalizes em alta,

Somente por falta de ar.

Quem omite a verdade

Nos olhos se esconde

Toda a realidade.

Quem humilha e quem rebate,

Quem machuca e quem desiste,

Nada mais se consiste

Em saber solenidade.

A voz que acaba agora,

Foi grandiosa em outrora.

Hoje é somente mais uma,

Nem tão bela, nem tão pura,

Das que eu já conheci.

Pra mim a dona da voz,

Foi alguém que eu já vivi.

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