Notas iniciais
Tomara que gostem.

Realmente foram poucos minutos. Taemin sabia exatamente onde encontrar o médico, e se encaminhara direto para lá.

A cafeteria.

– Momentos difíceis? – perguntou baixinho assim que se aproximou da mesa afastada. Em suas mãos, duas canecas.

Dois capuccinos decorados, os que Kibum gostava.

Dessa vez não havia nada escrito, apenas o que parecia um livro desenhado em calda negra.

– Às vezes apenas virar a página não é suficiente. Rasgue-a, por medo de sentir vontade de lê-la novamente. Recomece – Taemin falou calmamente, observando Kibum arquear uma das sobrancelhas, confuso. Visivelmente não entendera as sábias palavras do outro.

Ambos passaram alguns minutos observando o capuccino, o médico tentava assimilar as palavras do pequeno ao desenho do livro, que continuava praticamente intacto sobre o café fumegante.

– Talvez, você tenha apenas que recomeçar – explicou. Taemin tinha os olhinhos quase fechados, devia estar morrendo de sono.

– Mais uma vez? – foi a resposta em forma de questionamento que recebeu.

– Sim.

– Como farei isso? – Kibum parecia ainda mais confuso – Não quero me mudar, não quero me acostumar com a vida em outro país – deixou o corpo afundar na cadeira onde estava sentado.

– Não precisa se mudar – Taemin deu uma risada baixa, achando o outro bobo – Tudo que você tem que fazer é pensar em algo.

– Pensar em quê? Ele está sem memória, não há o que fazer – suspirou tristonho.

– Faça ele recuperar a memória, tenho certeza que achará um jeito eficaz – encorajou.

Kibum passou alguns segundos imerso em pensamentos, até que um sorriso tímido brotou em seu rosto. Pensara em algo, mas tinha certeza de que não daria certo. Nem ao menos faria da maneira certa, apenas faria.

Se despediu brevemente de um Taemin ainda sonolento. Ele por sua vez sorriu, era incrível como sorria em qualquer situação que fosse. Haviam vários sorrisos em seu ser, sorrisos alegres, reconfortantes, simpáticos, contidos. Existia um sorriso ideal para cada momento. E isso era bom, com certeza bom.

~~

Fez novamente o caminho do quarto quinhentos e noventa, entrando silenciosamente. Jonghyun dormira mais uma vez, e seu peito respirava com a mesma calma que minutos antes.

Se aproximou, segurando uma das mãos do outro delicadamente, tomando cuidado para não acordá-lo. Respirou fundo e reuniu um pouco de coragem, talvez precisasse, melhor, precisaria da maior quantidade possível. Seus olhos marejaram e escolheu a lembrança mais antiga que vivera com Jonghyun, a mais importante em seu ver. Foi como se conheceram, como tudo começou.

– Hoje lhe contarei a primeira história, sobre como nos conhecemos – Kibum sorriu com o filme que se formou rapidamente defronte sua visão – É o momento mais importante pra mim, porque foi quando conheci o grande amor da minha vida.

Estávamos no segundo ano do ensino médio. O verão estava próximo, indicando o momento esperado por todos os alunos, as férias. Faltavam poucas semanas para o festival que encerraria tudo. Era um festival conhecido, tradição do colégio. Durava dois dias, o correspondente a um final de semana. No sábado, havia a encenação de uma peça conhecida por todos, por ser apresentada em todas as edições. Era a versão moderna de Romeu e Julieta, adaptada para o que diziam ser os dias de hoje. Dois meninos se apaixonavam e suas famílias não aprovavam, por ser uma relação homossexual. O resto todos conhecem, é aquela baboseira toda de morte e coisas do tipo. No segundo dia, havia algo parecido com um baile, organizado pelos próprios alunos. O fato é que quem participava ativamente das organizações do festival, tinha direito a nota extra em matérias a escolher. Eu sempre fui um aluno exemplar, não precisava de notas extras, ajudava apenas por ser presidente do comitê de organização do festival. Você, Kim Jonghyun, fazia o tipo de aluno popular. Por ser bonito e ter uma boa condição financeira, era conhecido e adorado por todos. Não estudava e nem fazia parte de comitê algum, apenas do time de futebol, famoso por integrantes de físico perfeito e rostinhos bonitos. Mas então fiquei sabendo que você se inscrevera na parte teatral do festival, como figurante da peça. Tudo certo, nós nunca nos falamos e continuaria assim, você com seu grupinho e eu com o meu. Mas houve um problema que não esperávamos. Os atores principais desistiram, e não havia ninguém que quisesse interpretar os protagonistas. Fui convidado e por gostar de fazer boas ações, aceitei ser um dos garotos apaixonados. Confesso que estava ansioso para saber com quem atuaria, e fiquei surpreso ao ouvir seu nome. Não achava que você daria conta do recado. Começamos a ensaiar e enquanto tinha todo o roteiro decorado, você esquecia e trocava falas constantemente. Aquilo tornava tudo um verdadeiro saco, você era convencido. Mas então, por alguma ironia do destino, um ensaio foi cancelado e fomos os únicos a não sermos avisados, de forma que ficamos sozinhos no teatro. Eu estava sentado numa das pontas do lugar, com os braços cruzados e um bico adornado os lábios, estava com raiva. Não vi você se aproximar e quando me dei conta, estávamos sentados lado a lado, no piso revestido em madeira que cobria todo o teatro. Rolei os olhos e por algum motivo que desconheço, comecei uma conversa. Talvez porque aquele silêncio estava se tornando incômodo demais, para ambos. Questionei sobre sua dificuldade em aprender o roteiro, e você sorriu, dizendo que nunca fora bom em decorar coisas, principalmente coisas relacionadas a estudos e escola. Conversamos durante algum tempo, e ao contrário do que pensava, você até era um carinha legal. Me ofereci para ensaiarmos as falas e não vimos o tempo passar, foi tudo realmente muito rápido, quase como um piscar de olhos. Quando finalmente decidimos parar, a lua brilhava no céu e as estrelas enfeitavam tudo a sua volta. Você me levou até em casa e me desejou um bom sono, me dando um beijo no topo da cabeça logo em seguida. Não entendi o porque daquilo, mas passei muitas horas deitado em minha cama, observando o entediante teto branco do quarto enquanto recordava o tempo que passamos juntos. Tudo bem, foi exatamente nesse ponto em que minha opinião se mostrou estupidamente errada. Mas sabe, acho que a culpa é do maldito padrão que insistem em criar, um cara bonito e popular não pode ser legal, e provavelmente pensa apenas com a cabeça inferior, aquela que nós guardamos dentro dos jeans. Bom, descobri que não é verdade. Pelo menos não no seu caso, porque você sabia conversar, e também sabia fazer piadas, piadas que me fizeram rir.

– Uma forma simples e encantadora de conhecer alguém, não? – Kibum indagou ao terminar. Estava falando consigo próprio, mesmo que sua voz tenha soado em tom alto.

Jonghyun nem ao menos se movera durante a história, seus olhos continuavam cerrados e sua respiração calma. Era uma pena não se lembrar de um momento tão bonito. Mas para Kibum, era quase uma sorte o outro não ter ouvido nada. Talvez porque ele provavelmente ficaria assustado se soubesse que já conhecia o médico responsável por sua melhora e recuperação.

Colocou a mão de Jonghyun novamente em seu lugar e beijou de forma carinhosa o topo de sua testa, deixando o quarto em seguida. Voltaria na noite seguinte, estava decidido.

Notas finais
Então, lembra que falei de um novo rumo? Pois é. Só pra constar, o Jjong não ouviu nada. Por isso o Kibum sabia que não daria certo, porque ele não ouviria as histórias. Daqui a pouco tem um capítulo que explica direitinho isso. E só pra constar também, a parte em italico, é justamente o Kibum contando pra ele, em voz alta. Falando nisso, essa primeira lembrança é baseada no livro Um Amor Pra Recordar, eu tava lendo quando escrevi.
Muito obrigada a Taeminnie, alicianime, maknae, SarangNheYo e Mayh Santos. Vocês fizeram minha felicidade ♥
Então, todo mundo amando o comeback do B1A4? E quanto ao do Teen Top, todo mundo surtando junto comigo?
As notas finais ficaram maiores que o capítulo ~acho que falo demais.
Enfim, gostaram? Críticas, opiniões e sugestões, qualquer coisa é só me falar.
See ya :*