Voulez-vous coucher avec moi ce soir?
14 Capítulo 15: Ethan
Era sexta-feira e Harry e seus amigos, que basicamente consistiam em Zayn, Niall, Liam, Gemma e Nick, decidiram curtir algumas horas em um bar qualquer enquanto jogavam conversa fora e cerveja para dentro. Para ser sincero, Harry não estava realmente interessado em sair, mas Niall e Gemma sabiam ser persuasivos e lá estava ele, sentado numa mesa retangular, cercado por Zayn e Nick, observando enquanto Gemma ganhava uma coloração rosada nas bochechas e Liam ria de alguma coisa que Niall havia falado.
— E quando diabos vamos voltar a sair? — Nick já tinha sua quarta, ou talvez quinta, cerveja em sua mão, bebendo a grandes goladas e Harry sentia cada vez mais vontade de ir embora.
— Nós estamos aqui, Nicholas, o que mais você quer? — Liam bateu sua caneca na mesa e Gemma riu, mesmo que não tivesse graça alguma naquilo.
— Não, idiotas. — Harry não estava olhando para ele, mas tinha certeza de Nick havia girado os olhos. — Vocês nunca mais apareceram numa das festas do Josh, e elas estão cada vez melhor e com cada vez mais convidados maravilhosos. — Havia um sorriso malicioso em seu rosto e Harry se levantou de forma um tanto abrupta, chamando a atenção de todos.
— Eu vou no banheiro. — Respondeu a pergunta muda de todos e seguiu em direção ao corredor mais ao fundo, mas ao invés de entrar na porta que estava escrito “Masculino”, apenas seguiu reto e passou pela porta de vidro, chegando ao local dedicado aos fumantes.
Harry não tinha o costume de fumar, mas sorriu para um grupo de garotos próximo a si e pediu um cigarro, e não pode negar um sorriso ladino ao rapaz que o cedeu um cigarro e o isqueiro para acendê-lo. E não pareceu errado, mas havia um toque de estranho ao ter os lábios colados nos do rapaz, e a sensação piorou enquanto invadiu a boca alheia com sua língua. Tinha gosto de tequila, lábios macios e experientes; e Harry envolveu sua cintura com um braço, exigindo mais do contato, colando seus corpos e ouvindo um pequeno gemido de aprovação, acompanhado de mãos emaranhadas em seus cabelos. Fora um bom beijo, e ainda assim estava frustrado. Separou-se do rapaz quase com pressa, sentindo-se mais ansioso do que antes e se dedicando enfim a sugar a nicotina para dentro de seus pulmões.
Os amigos do rapaz o chamaram para voltar para o bar e ele os acompanhou após fitar Harry por alguns instantes; o empresário não estava interessado em conhecer alguém, se o rapaz ficasse, o máximo que aconteceria seria ele lhe servir de companhia para a noite em sua cama, nada mais, e o garoto pareceu entender o que aconteceria e não se interessar, dedicando-lhe apenas um sorriso antes de seguir os amigos. Harry não se importou o bastante para esboçar qualquer reação, encostando-se na parede enquanto respirava calmamente nos intervalos em que inspirava a nicotina. Ele nem sequer era capaz de verbalizar o que estava sentindo, porque não tinha a menor ideia do que estava sentindo.
Frustração, raiva, tristeza, decepção, eram alguns dos sentimentos que chegavam perto do que sentia, mas não era nenhum deles, talvez uma junção de todos… Usou a mão livre para jogar os cabelos para trás, lembrando da última conversa que tivera com Louis, e que fora a fonte de tudo o que estava sentindo naquele instante. Ele era capaz entender o que Louis dissera, era capaz de compreender sua resistência, mas não conseguia lembrar em que momento, desde que o conhecera, lhe deu motivos para não confiar em si. Harry tinha seus defeitos, milhares deles provavelmente, mas não acreditava que um deles fosse tão grande assim a ponto de Louis ser tão categórico ao não querer conhecê-lo apropriadamente. Harry não o pedira em namoro, não propôs um relacionamento, então por que tanta retaliação? O que havia em si que o afastava tanto?
E ainda assim. Harry também não conseguia entender o motivo disso afetá-lo tanto. Ele sentia falta de Louis, é verdade, tanto que o procurara, o convenceu a ir num almoço e conversou com ele o quanto pode, e então fora dispensado. Louis não queria sua amizade, não queria contato algum, apenas se dedicar aos filhos, e Harry deveria apenas se conformar e seguir sua vida. Mas ali estava ele, em um bar, com seus amigos, sem conseguir se divertir, fumando e pensando no rapaz de límpidos olhos azuis.
— Heeeyy! — Zayn tinha os olhos doces e caídos, resultado de toda a bebida que ingeriu. — Você tem cigarros? — Encostou-se ao lado do amigo, e Harry imaginou que ele estava se apoiando totalmente para evitar uma possível queda. Não havia reparado na quantidade de bebida que Zayn havia ingerido, mas pelo jeito fora muito.
— Sinto muito, mate, mas eu peguei esse com uns rapazes que estavam aqui. — Respondeu com um olhar calmo, mostrando o cigarro já no fim.
— Ahn… Tudo bem… — O moreno balançou a cabeça de forma lenta, deixando que um sorriso largo surgisse em seus lábios. — Eu e o Niall, sabe o Niall, o cara que estou apaixonado, e que ia casar com você. — Apontou um dedo acusador em direção a Harry, que tentou segurar a risada, mas acabou cedendo, e Zayn riu junto consigo. — Para! Não ri! — Mesmo pedindo que o amigo parasse, Zayn já estava gargalhando. — Para! Eu… Eu esqueci o que ia falar. — O moreno tropeçou para frente, dando um passo e tentando ficar parado diante de Harry, que gentilmente o fez encostar outra vez na parede. — Lembrei! — Gritou e Harry olhou ao redor, rindo ao constatar que ninguém realmente se importou com o barulho. — Você! Como você se sente sabendo que vai ser papai? — Zayn tinha um sorriso frouxo nos lábios, os olhos preguiçosos e cambaleava enquanto tentava se manter em pé, mas quem sentiu-se tonto como nunca antes fora Harry.
Ele ouvira as palavras de Zayn, sabia o que cada uma delas significava, mas o conjunto delas não lhe fazia sentido. Pai? O que o moreno queria dizer com aquilo de ser pai? Harry não sabia de filho algum, a não ser que o amigo estivesse falando sobre Louis, mas o rapaz estava grávido de apenas quatro meses, cronologicamente não tinha como o bebê ser seu.
— Do que está falando Zayn? Que filho? — A confusão em sua mente estava cedendo espaço para a ansiedade e tudo o que Harry queria era que Zayn falasse de forma clara e rápida, mas é claro que o amigo resolveu que seria melhor rir mais uma vez. — Zayn. Zayn! Que filho?
— A cerejinha… — A confusão se Harry apenas aumentou, mas já estava se convencendo a desistir de entender a fala bêbada do amigo. — Loueh não contou? — Suas faces se distorceram em confusão, quase fechando os olhos bêbados. — Eu não acredito que ele não contou… Não é justo… A cerejinha… Você...
— Zayn, nada do que está falando faz sentido. — Passou a mão de forma nervosa pelo rosto. — Louis me disse que está grávido de quatro meses e nós deixamos de nos ver há cerca de cinco meses.
— Quatro? — A palavra, ou pergunta, saiu esganiçada. — Que mentirosinho… A cerejinha tem seis meses… Nasce em fevereiro… Final de fevereiro… — Zayn bateu no nariz de Harry com o indicador, o que o fez agarrar seu pulso.
— Você está me dizendo que o filho que o Louis está esperando é meu? — A respiração de Harry estava engatando, sua mente trabalhava a uma velocidade anormal, repassando cada palavra que já havia conversado com Louis, especialmente a do almoço.
Não havia pensado muito no assunto, não achou que fosse relevante para ser sincero, mas a forma como Louis usou roupas pretas e largas no dia, para disfarçar as curvas, de fato lhe chamou a atenção; para ser honesto, Harry havia percebido que ele queria disfarçar algo em seu corpo, a princípio acreditou ser apenas alguns quilos a mais, depois que descobriu que ele estava grávido imaginou que sua vontade de esconder a barriga devia-se exclusivamente ao fato de enxergar Harry como um cliente que não precisava saber sobre sua vida particular, mas naquela noite, com Zayn o fitando com olhos embriagados, ele entendeu que não era esse o problema. A recusa tão veemente de Louis não querer lhe falar, não querer lhe ver, e quando cedeu aparecer com roupas escuras e largas, era puramente por ele não querer que Harry soubesse de sua gravidez, não por se tratar de sua vida particular, e sim por que não querer que Harry soubesse da criança, por seu desejo de manter Harry alheio à existência de seu próprio filho.
— Eu… Vou pedir Niall em namoro no fim de semana… — Zayn voltou a falar, totalmente esquecido da relevância do que dissera antes e da confusão que se instaurara na mente e no coração de Harry. — Mas você não pode contar… É surpresa! — Zayn deixou um sorriso torto surgir em sua lábios. — Vai ter velas… E flores… E vinho… E…
— Zayn você tem certeza? — Cortou totalmente o devaneio que mal lhe fazia sentido, fazendo com que o amigo o fitasse confuso.
— É claro que sim. — Respondeu com uma grande convicção. — Eu amo o Niall! Quero que ele seja meu namorado, talvez meu marido um dia… Quero ter dois filhos, não três… Ou talvez quatro…
— Sobre o Louis! — Harry segurou o amigo pelos ombros, apertando um pouco para ganhar sua atenção. — Sobre o filho do Louis. — Zayn o fitava com um sorriso pequeno, os olhos ainda embriagados. — O filho é mesmo meu?
— Ethan Edward Tomlinson. — Foi a resposta que Zayn lhe deu. — Edward de Edward! — O moreno achou muito engraçado suas próprias palavras, gargalhando logo em seguida.
Harry, por outro lado, ainda estava tentando entender; parte de si queria acreditar que Zayn estava apenas bêbado demais e falava coisas sem sentido, mas a outra parte — a maior — sabia que Zayn falara a verdade, e isso o deixava feliz, mais do que imaginou que poderia ficar, mas havia um problema, e era expressivamente significativo. Louis não lhe contara sobre o bebê, nem mesmo quando estiveram frente a frente, sentados em um restaurante, conversando, ele mentiu quando Harry perguntou! E a raiva que estava sentindo naquele momento estava cobrindo toda e qualquer felicidade pela notícia de ter um filho.
— Blasta, o que está fazendo aqui? — Niall escolheu aquele momento para sair para o espaço aberto do lado de fora do bar, encontrando Zayn e Harry em silêncio. Talvez se não tivesse bebido tantas cervejas, ele pudesse perceber a exasperação de Harry. — Vamos entrar, Nick pediu uma nova rodada para gente! — Sorrindo, Niall puxou Zayn pelo braço, que cedeu facilmente, tanto pela embriaguez quanto por se Niall o puxando. — Vem Harry!
— Eu.. Preciso ir embora. — Niall não entendeu a urgência do amigo, mas Harry não se deu ao trabalho de ao menos tentar explicar, voltou para o grupo de amigos apenas para se despedir, dando pouca importância aos pedidos bêbados para continuar a fazê-los companhia; Harry tinha muito o que pensar.
O dia o encontrou sentado em seu sofá, com a camisa aberta pela metade, cabelos desgrenhados e olhos cansados, mas sem sono algum. Todas as informações, palavras, até mesmo as expressões faciais de Louis eram repassadas em sua mente; o sorriso fácil que ele sempre tinha, o jeito calmo, por vezes controlado… Harry não estava realmente surpreso por Louis não contar sobre a gravidez, o rapaz nunca falava sobre sua vida particular, não havia margem para Harry saber coisa alguma; e apesar de Harry evitar tratá-lo como um simples garoto de programa, ele tinha plena ciência de que isso nunca saiu da cabeça de Louis. Portanto, a única explicação plausível para Louis não lhe contar era exatamente o fato dele ser um garoto de programa e Harry ser seu cliente; o filho não deveria existir.
E a partir disso Harry questionou-se sobre o que passou pela mente de Louis; o que ele acreditou que Harry falaria ao contar sobre o bebê… Aborto? Deixar para adoção? Pagar para ele sumir? Curvou o corpo para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos e mãos esfregando o rosto e logo depois o couro cabeludo. O que deveria fazer? Ele ainda tinha duas opções: nada e falar com Louis; falar com Louis implicaria em assumir o filho, dar um nome, uma pensão, passeios de finais de semana… Fazer nada significava fingir que Zayn não lhe dissera coisa alguma e, mesmo que Louis jamais soubesse disso, seria assumir a imagem de cretino que sempre lhe atribuíram.
Harry sempre fora péssimo com relacionamentos, nunca conseguiu manter um por mais de alguns poucos meses, jamais chegou a um ano, e agora teria um para a vida inteira. Jogou contra o estofado e fitou o teto, rindo logo em seguida, mesmo que sem humor. Ele já tinha sua decisão, sempre tivera. O que precisava naquele momento era descobrir como fazer Louis aceitá-la, mas com certeza não seria ficando sentado no sofá pensando e repensando, por isso se levantou e seguiu até seu quarto, tomando uma ducha morna e ensaiando em sussurros as palavras que usaria para falar com Louis.
Quando saiu do banho o relógio já apresentava os ponteiros na posição de sete horas, deixou a cafeteira ligada e alcançou seu celular. Era cedo, ele sabia, mas não tinha certeza se conseguiria aguentar até o dia alcançar um horário mais propício. Por isso, mesmo sem ter tomado seu café e ainda sentir o peso do cansaço, ligou para o número de Louis, esperando pacientemente que fosse atendido.
— Alô? — A voz de Louis estava rouca e sonolenta e Harry quase se arrependeu de ter ligado, mas o que tinha a falar era mais importante do que o possível sono do rapaz. — Quem… Harry? — Ele provavelmente havia visto seu nome apenas naquele instante, e de certa forma Harry se sentiu satisfeito em saber que Louis havia salvo seu número. — O que aconteceu? Por que está me ligando?
— Oi, Louis. — Respondeu por fim, soltando o ar que sequer havia percebido ter prendido. — Eu preciso falar com você.
— Harry, já falamos tudo o que tínhamos para falar. — Sua voz estava mais desperta, mas em compensação soava frustrada. — Eu deixei claro que não quero mais falar com você, que não tem como sermos amigos…
— Mas teremos que ser, Louis. — O interrompeu, não interessado em ouvir aquelas palavras outra vez. — Vamos ter que aprender a ser amigos, ou ao menos a conviver minimamente, se quisermos que Ethan Edward cresça em um bom ambiente.
— O… O que você disse? — Ouviu a respiração de Louis se suspender por alguns segundos. — E-eu não sei… Não sei do que está falando… O que…? Como…?
— Da próxima vez que quiser manter uma mentira, avisa o Zayn. — Riu de forma irônica, não sabia precisar o que sentindo, mas Louis continuar negando não o ajudava a manter-se calmo. — Assim, quem sabe, ele não fala demais quando bêbado.
— Ele não… Eu não sei do que você está falando, Harry. — Louis limpou a garganta, recuperando sua voz normal. — E eu preciso ir, preciso buscar o Caleb. Não me ligue mais, não quero você na minha vida.
— Se você desligar eu vou acionar meus advogados, polícia e quem mais eu precisar acionar, vou conseguir um exame de DNA e muito mais. — Ameaçou para mantê-lo na linha, sabia que teria algum efeito nele; Louis era protetor. — Se você fugir ou continuar negando, eu vou fazer tudo o que você provavelmente pensou que eu faria quando descobriu estar grávido. — Ouviu a respiração dele, e não sabia o que ele estava pensando, mas ele o estava ouvindo, então para Harry isso era algo positivo. — Mas nós podemos conversar e chegar a qualquer tipo de acordo ou relação sem envolver nenhum recurso judicial.
— Eu não vou deixar você tirar o meu filho de mim. — Sua voz estava baixa e fraca, e Harry se sentiu péssimo ao constatar que ele estava chorando. — Não vou…
— Louis, essa é a última coisa que eu faria. — Harry passou a mão pelos cabelos. — Eu só quero te ver, conversar com você, e eu quero fazer parte da vida do meu filho. Porque ele é meu filho, certo? Você não daria meu nome para ele a toa, daria? — Harry queria ouvir a confirmação, ele precisava que Louis dissesse; apenas não tinha noção dessa necessidade até aquele momento. — Louis, por favor…
— Eu…
— Vamos conversar, por favor. — A voz de Harry agora não passava de um sussurro, praticamente implorando por uma chance.
— Pode ser na segunda? — Harry soltou um suspiro e uma risada sem graça, e Louis suspirou. — Eu não quero envolver o Caleb nisso, Harry.
— E eu não quero te dar uma chance de fugir.
O silêncio que se seguiu após as palavras de Harry era quase palpável, Harry esperava com uma paciência que não estava sentindo pelas próximas palavras de Louis, e este parecia estar escolhendo-as com cuidado.
— Tudo bem. — Louis fungou do outro lado da linha, e Harry fechou os olhos, sentindo-se, mais uma vez, culpado. — Eu… Eu vou buscar o Caleb no colégio, podemos… Podemos nos encontrar lá perto, tem um parque… O Caleb fica brincando enquanto a gente conversa, pode ser assim?
— Pode, é claro que sim. — Louis pareceu aliviado com Harry concordando, provavelmente por ser um lugar público, o que deixava Harry decepcionado. Louis não precisava ter medo dele daquela forma. — Me manda o endereço e a hora, eu te encontro lá.
— Ok. — Louis desligou segundos depois, e Harry ficou observando a tela de seu celular, até o aparelho apitar com uma mensagem com um endereço não muito longe e marcando para dali a uma hora.
E o tempo concentrado entre o encerramento da ligação e Harry chegar ao parque passou lento e pesado, mesmo que Harry tenha o usado para comer, se vestir e dirigir até o local. Encontrou o playground e olhou ao redor, não encontrando Louis pelo local, decidiu sentar-se num dos bancos vazios e esperar. Tudo o que poderia fazer era desejar que o rapaz chegasse, que aquilo não fosse uma forma de distração para ganhar tempo ou qualquer coisa desse estilo. Mas suas preocupações foram varridas para debaixo do tapete quando viu Louis chegar, segurando um garoto de cabelos castanhos pela mão; ergueu a mão quando o rapaz o olhou e esperou que ele falasse com o filho antes do garoto correr até um dos balanços e se sentar no que estava vazio, aparentemente já conversando com a criança do lado.
— Oi. — Louis o cumprimentou ao se aproximar, fazendo com que Harry se levantasse para fitá-lo. — Hm… Podemos sentar? — O rapaz perguntou depois de alguns instantes de puro silêncio. — Minhas costas doem.
— Claro. — Sorriu de forma contida, esperando que Louis se sentasse para então se sentar ao seu lado. — Como você está? Seja sincero.
— Assustado. — Louis não tinha os olhos voltados para si, os braços estavam em torno da barriga de forma protetora. — O que você… O que você vai fazer?
— Eu não sei Louis. — Respondeu também de forma sincera. — Vamos decidir juntos, o que acha? — Encostou as costas no banco, deixando seu olhar seguir até o garoto que tentava se balançar cada vez mais alto. — Ele se parece muito com você. — Louis o fitou rapidamente antes de voltar atenção para Caleb.
— É a minha pequena cópia, como Zayn gosta de brincar. — Dedilhou a barriga com carinho, e Harry não conteve um sorriso.
— Como você e Zayn se conheceram afinal? — Apesar de estar desesperado por falar sobre o bebê, ele podia sentir o nervosismo de Louis, então lhe pareceu melhor conversar sobre um outro assunto.
— Ele não te contou? — O fitou com curiosidade. — Não estava no dossiê? — Havia um toque de acusação em sua voz, e Harry suspirou.
— Eu não li todo o dossiê, Zayn o jogou fora a pedido meu. — Esclareceu e se ajeitou no banco para poder fitar melhor o rapaz ao seu lado. — E essa semana foi tão… Confusa e cheia de compromissos que não tive oportunidade de ter uma conversa decente com Zayn. — O observou em silêncio e Louis parecia ponderar sobre o que dizer. — Eu sei que ele não foi seu cliente, se tivesse sido ele não seria padrinho do Caleb… Ele te conhece de antes…?
— Não, não exatamente. — Respirou fundo e resgatou uma garrafa de água da mochila que tinha junto a si. — Eu e o Zayn fazíamos academia juntos, e então começamos a conversar, a princípio era só para reclamar do treino, e então foi conversa atrás de conversa… — Encolheu os ombros e deixou um sorriso ladino surgir nos lábios, com a lembrança. — Caleb tinha dois anos, e então, com a nossa amizade crescendo, Zayn o conheceu eventualmente, e ele se apaixonou pelo meu filho. — Harry riu da informação, imaginando Zayn se balançando junto com Caleb, ou talvez indo no escorregador. — Não ria! Eu o flagrei uma vez apresentando o Caleb como filho dele! E disse que eu era o babá! — Apesar de soar um tanto indignado, Louis riu ao falar. Aquele dia havia rendido uma briga entre os amigos, Louis não gostou do que ouviu, e foi pior ainda quando Zayn disse que estava tentando conseguir o telefone do rapaz com quem conversava. — Mas eu acabei o chamando para ser padrinho do Caleb… Às vezes eu me arrependo.
— Zayn sempre foi muito bom com crianças, Zoe o adora. — Comentou com um sorriso pequeno. — Ele… Ele concordou com a história de não me contar sobre o bebê?
— Não. — Louis o encarou. — Desde que eu contei para ele que estava grávido ele vive para me convencer a te contar. — Lhe deu um sorriso rápido, sem mostrar os dentes.
— O que achou que eu faria, Louis? — Ouviu-se perguntar antes mesmo de ter pensado sobre as palavras; era uma dúvida que apesar de ter chegado à resposta sozinho durante sua noite insone, ele ainda queria ouvi-la vindo de Louis.
— Eu… Harry você é um homem poderoso, milionário, seu noivado com Niall estampou revistas até mesmo quando terminou, e eu… Eu não sou ninguém. — Os braços voltaram a abraçar sua barriga. — Um garoto de programa grávido de um influente empresário, não soa bem. — Os olhos azuis de Louis encontraram os verdes de Harry, ambos se estudando e procurando respostas. — Eu pensei em aborto, me mandar sumir, pegar a guarda quando ele nascer… — Louis desviou o olhar com a última alternativa. — Eu preferi ficar com a segunda opção e ter meus filhos só para mim, perto de mim.
— Eu jamais faria as duas primeiras e a terceira sequer está em cogitação, Louis.
— Mas eu não sabia disso, e eu não tenho certeza do que você quer ou o que vai fazer… Eu só… Eu não quis correr riscos, Harry. — Sua voz era firme e clara. — Eu sei que Ethan estaria melhor com você do que comigo, mas podem me culpar por querê-lo junto a mim? — Louis passou a mão pelo rosto, evitando que as lágrimas que surgiram em seus olhos lhe escapassem. — Além disso… Se você pedisse a guarda… Se você fizer isso, eu terei que ceder, não posso brigar porque… — Sua mãos passeavam pela barriga de forma agitada. — Brigar pela guarda de Ethan faria minha vida ser exposta e então iriam tirar o Caleb de mim… E o que seria dele? O que vai ser dele Harry? — O fitou em aflição, assustado com todas as probabilidades.
— Louis, por favor, respire. — Harry segurou sua mão, apertando-a entre as suas. — Eu não vou fazer nada, não há risco de você perder Ethan ou Caleb. — O empresário continuou a acariciar sua mão, atento à respiração de Louis que se acalmava. — Eu entendo porque pensou em tudo isso, e não tiro sua razão, se fosse… Se fosse com outras pessoas talvez tudo isso tivesse de fato acontecido, mas somos nós dois. Nós podemos dar um jeito.
— Harry, eu ainda não entendo… O que você realmente quer com isso tudo? — Harry lhe sorriu de forma um tanto nervosa, respirando fundo antes de responder.
— Eu quero ser pai, Louis. — Deixou um sorriso calmo lhe surgir. — Eu quero aprender a ser um bom pai.
Louis não o respondeu. Muita coisa em sua vida mudou drasticamente e mesmo que o rapaz quisesse lhe falar alguma coisa, nada sairia com coerência. Ele estava certo em sua decisão de não contar para Harry sobre a cerejinha, mas agora que o empresário sabia, não havia meios de tirá-lo de sua vida, ou da de seus filhos; Harry estava disposto a tentar ser o pai de Ethan, prometeu não pegar a guarda dele — mesmo que Louis não estivesse certo se poderia acreditar -. Mesmo se Louis tivesse como, não parecia mais tão correta assim sua decisão de manter Harry longe, de manter Ethan apenas para si.
— Papai! — Ouviram o grito estridente do garoto e Louis imediatamente se pôs em alerta, relaxando apenas ao identificar o sorriso de Caleb, que corria em sua direção com algo nas mãos. — Papai, olha. — O pequeno se encostou na perna de Louis, deixando a lateral do corpo totalmente colada na barriga de Louis, abrindo as mãos de forma delicada para mostrar um pequeno trevo verde com quatro folhinhas. — A Betty disse que dá sorte. — Sorriu largo para o pai, que escovou seus cabelos para trás com os dedos.
— E ela está certa, dizem que o trevo de quatro folha dá sorte para quem o encontrar. — Louis concordou com um sorriso sereno, alcançando a garrafa de água e a abrindo para que Caleb tomasse um pouco.
— Sabe por que ele te dá sorte? — Harry se inclinou um pouco para deixar o rosto mais próximo do garoto, observando com certa admiração a incrível semelhança entre pai e filho; Caleb era a perfeita cópia de Louis. — Ele é muito raro e difícil de encontrar. — Respondeu quando o garoto negou com a cabeça. — Mas quando você encontra ele te dará sorte para sua vida inteira. — Harry segurou a mão de Caleb e apontou para cada folha enquanto falava. — Na infância, na juventude, na maturidade e na velhice. — Sorriu para o garoto que o fitava com os olhos bem abertos e um sorriso nas faces. — É melhor guardar esse trevo. — Piscou um olho e o garoto concordou.
— Papai, tem que guardar! — Entregou a pequena planta para Louis, que sorria terno para o filho. — É pro Ethan.
— Pro Ethan? Não quer guardar para você, brotinho?
— Não, papai, é do Ethan. — O garoto deu um beijo na barriga de Louis, sorrindo logo em seguida, e Louis, da forma que pode, se abaixou para esfregar a ponta do seu nariz no de Caleb.
Harry assistiu a cena com um sorriso tranquilo nos lábios, parte sua se sentia intruso e parte se sentia acolhido, mesmo que não passasse de um mero telespectador. Louis o fitou depois do gesto de carinho com o filho e respirou fundo antes de chamar a atenção de Caleb para si.
— Eu quero te apresentar uma pessoa. — Manteve um sorriso discreto enquanto puxava Caleb para mais perto de si. — Esse é o Harry, ele é um amigo do papai, e do tio Zayn também. — Era parte da verdade, e mesmo que Harry tenha feito uma expressão ligeiramente confusa, nenhum dos dois ousou acrescentar palavra alguma. Louis precisava de tempo para explicar a Caleb sobre o outro pai de Ethan, ele tinha certeza que voltariam ao tópico do outro pai do primogênito e não havia a menor necessidade de iniciar o assunto naquele local.
— É muito bom te conhecer, Caleb. — Harry esticou a mão, que foi segurada pela pequenina do garoto que o fitava em confusão e curiosidade.
Mesmo com a curiosidade, Caleb foi vencido pela vontade de voltar a brincar e então poucos minutos depois, ele já havia corrido de volta para os brinquedos e seus novos amigos. Enquanto isso, Louis e Harry se distraiam com conversas amenas e sem assuntos específicos, tentando conhecer um pouco mais de detalhes da vida um do outro, sem segredos, sem meias palavras, mas ao mesmo tempo sem assuntos tristes ou pesados. Eles ainda estavam no início, havia muita água para correr por debaixo da ponte que acabaram de construir.
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