O almoço de natal ainda era algo que passava pela mente de Louis, assim como o resto do dia em que ficaram no jardim assistindo Caleb e Zoe continuarem brincando com os cachorros e falavam sobre enjoos da fase inicial da gravidez e Niall parecia extremamente propenso a ficar colado a barriga de Louis, que apenas ria toda vez que o loiro colocava a mão sobre ela e dizia que não via a hora de ver a sua própria daquele tamanho. Zayn sorria a todo instante e Louis apenas podia imaginar a alegria que o amigo estava sentindo, e tinha certeza que era acima da sua própria.

Para ser sincero consigo mesmo Louis era apaixonado por Harry, não sabia em que momento aquilo aconteceu, mas sabia ser verdade e sabia que fora antes mesmo de saber da gravidez, antes de quebrarem o contrato, e por isso ficara feliz com a gravidez. Era um filho do homem por quem ele havia se apaixonado, e mesmo tendo ciência de que não ficariam juntos, era gratificante ter um filho dele. Mas com Niall e Zayn era diferente, eles estavam apaixonados.

Zayn amava Niall em segredo há anos, o admirava em silêncio e esperou pacientemente até que o rapaz o notasse, e então aconteceu. De forma totalmente fora do usual, de forma nada romântica, mas aconteceu e eles estavam juntos. Niall podia não amar Zayn a tanto tempo quanto o moreno o amava, mas havia amor em seu olhar. E era por isso que Louis sabia que eles estavam mais felizes do que ele estava, por se amarem e por estarem juntos, mas Louis não os invejava; suas realidades eram diferentes demais.

A noite de revéillon se passou com Louis e Caleb muito bem arrumados no jardim da mansão da família Styles, entre amigos e outros familiares de Harry, mas com Niall e Zayn lhes servindo de refúgio quando não sabiam onde ficar ou como agir. Louis não gostava de festas, não se sentia bem em participar delas, ainda mais quando eram tão luxuosas quanto a de Styles; festas luxuosas o lembram de Tommo, e festas em si o lembravam sua própria família. Mas, no geral, fora uma noite muito agradável e Caleb se divertiu muito com os filhos dos primos de Harry e Gemma.

Mas já estava em fevereiro e Louis se sentia mais inchado, cansado e pesado do que antes, havia chegado ao famoso momento em que desejava que Ethan nascesse logo, e Niall e Zayn apenas riam de si enquanto estava falando isso com eles entre garfadas de sua salada num restaurante perto da Styles Tecnology.

— Você, querido Niall, só está rindo assim porque está de quatro meses. — Louis apontou seu garfo para o loiro, que já estava com as madeixas um tanto desbotada. — Espere até chegar aos nove… É tão… Céus! Eu me sinto como se fosse explodir. — Descansou o talher sobre a mesa e se jogou contra o encosto da cadeira.

— Você está lindo, Louis. — Zayn comentou com um sorriso de lado. — E você também ficará lindo, álainn. — Segurou a mão do namorado e a beijou.

— Você são lindos juntos. — Sorriu para o casal que riu para ele.

— Você e Harry também, se quer saber minha opinião… — Niall tinha um olhar sugestivo e Louis suspirou, mas não respondeu. — Você não fizeram Ethan com o dedo ne…

— Álainn…

— Acontece apenas que não somos um casal, Niall. — Enrugou seu nariz de forma cômica e voltou para sua salada.

Harry estava cada vez mais próximo de si, e ao mesmo tempo em que Louis adorava tê-lo por perto, era uma verdadeira prova de resistência e sentia seu coração disparar a cada novo sorriso do empresário. Mas a prova mais difícil para Louis foi quando Harry o acompanhou numa de suas consultas de rotina com a doutora Lindsay; o homem ficara tão lindo com os olhos marejados, o sorriso largo e as covinhas à mostra enquanto fitava o monitor do ultrassom encantado e ouvia o coração de Ethan ecoando pela sala. Louis quis beijá-lo naquele momento, quis puxá-lo pela camisa e colar seus lábios nos dele, fingir que eles estavam ali como um casal. Louis não o fez.

— Não são um casal, ainda. — O loiro retrucou e Louis preferiu não estender o assunto. Havia tanta coisa em sua mente que continuar com aquele tópico apenas criaria mais uma espécie de problema para si.

— Ah não… — Deixou escapar ao fitar o visor de seu celular e verificar que era uma ligação do colégio novo onde Caleb estava estudando. — Alô? — Atendeu já aflito, a adaptação de seu filho à nova rotina não estava tão fácil quanto Louis acreditou que seria. — Sim, entendi, eu estou à caminho. — Desligou instantes depois de ouvir as palavras da mulher do outro lado da linha e fitou os amigos. — Preciso buscar o Caleb. — Respondeu as perguntas mudas dos rapazes diante de si. — A adaptação está bem difícil. — Coçou a testa e tentou um sorriso, mas falhou. — Eu tenho que ir.

— Eu vou com você. — Zayn se prontificou assim que Louis se levantou.

— Não, você tem que voltar para a empresa, e eu vou apenas pegá-lo e ir para casa, não precisa. — Negou imediatamente, logo saindo do restaurante, ignorando os chamados de Zayn e Niall.

Ele sabia que seria difícil para Caleb, e estava tentando seu melhor para tornar tudo mais fácil, mas não tinha mais tanta energia para brincar com ele, ou ser mais ativo em ajudá-lo a solucionar seus pequenos dilemas; talvez Louis devesse buscar por uma ajuda profissional, fazer terapia por um tempo poderia ajudá-los. Ele apenas não sabia mais. Passou a mão pelos fios castanhos, pensando no que poderia ter acontecido naquele dia.

Já fora chamado para uma reunião por Caleb não responder as perguntas da professora, por não querer guardar suas coisas no final da aula ou não fazer a lição de casa — que ele havia dito ao Louis que não existia -. O problema real era que Louis estava se sentindo esgotado com tudo aquilo, e ele sabia que a tensão, a preocupação e a pressão para ser um pai atencioso e suficiente seria muito maior quando Ethan nascesse, e ele estava cada vez mais duvidando de sua capacidade.

Chegou ao colégio poucos minutos depois e desceu do táxi com o máximo que pressa que conseguiu devido à sua barriga, caminhou direto para a sala da diretora — já sabia onde era, afinal estivera ali antes -. Caleb e um outro garoto estavam sentados no banco do lado de fora da sala, Caleb balançava os pés de forma distraída enquanto mantia a cabeça baixa; Louis não sabia o que havia acontecido, não sabia o que seu pequeno havia aprontado daquela vez, mas assim que viu o filho sentiu vontade de chorar. Ele estava fracassando e não tinha ideia do que fazer.

— Caleb. — Chamou em um fio de voz, tentando sorrir quando o olhar assustado do filho se voltou para ele. — Você está bem? — O garoto não falou, apenas balançou a cabeça concordando.

— Senhor Tomlinson. — Uma mulher de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo alto o cumprimentou assim que o viu. — A senhora Adams o está esperando. — Louis concordou e esticou a mão para Caleb, que a aceitou e seguiram juntos para a sala da diretora.

— Olá Louis. — A mulher de cabelos grisalhos sorriu ao vê-lo. — Nossa… Cada vez maior. — Comentou indicando sua barriga e Louis sorriu da melhor forma que pode antes de se sentar à frente de sua mesa. — Quando ele nasce?

— No final do mês. — Respondeu tentando disfarçar seu nervosismo. — Eu… Me desculpe, mas o que aconteceu?

— Caleb… Brigou com outro coleguinha durante o intervalo. — A diretora tentava manter um olhar calmo, não querendo agitar Louis mais do que o necessário. — Ele deu um tapa no rosto do outro garoto e o chutou, ele não quis me explicar o que aconteceu, mas já pediu desculpas ao coleguinha. Estou esperando os pais de Joshua para conversar com eles também.

— Acha necessário que eu os aguarde também? — Perguntou depois de dar um rápido olhar para o filho, que não o fitava.

— Não acho que seja necessário, apesar de ser uma situação grave, ele não se machucaram seriamente. — A mulher respirou fundo e olhou de Louis para Caleb, e logo voltou para o pai. — Não vou suspender Caleb dessa vez, mas se o episódio se repetir precisarei tomar medidas mais severas.

— Eu entendo, e agradeço por mais essa chance. — Louis se levantou e depois de se despedir da mulher, saiu da sala acompanhado de Caleb.

Pegou a mochila dos ombros do filho e passou a carregá-la com uma mão enquanto a outra segurava a mão de Caleb. Estavam em silêncio, Louis por não saber o que falar naquele momento, e Caleb, provavelmente, por estar com medo das consequências. O garoto nunca fora violento antes, sempre fora amoroso e carinhoso, os professores do antigo colégio o adoravam, ele tinha muitos amigos lá e, por mais assustador que pudesse ser mudar de colégio, Louis jamais imaginou que seria tão difícil. Mordeu o lábio inferior com certa força, tentando controlar as lágrimas que insistiam em surgir nos seus olhos e querer escorrer pelo seu rosto. Fez um carinho sutil na mão do filho com o dedão e lhe sorriu quando ele ergueu os olhos para si.

— Ta bravo papai? — Sua voz estava baixa e um tanto trêmula, e Louis respirou fundo antes de falar qualquer coisa.

— Vamos conversar em casa, está bem? — Caleb voltou a baixar a cabeça e eles saíram do colégio.

Louis pensou em chamar um táxi, mas seus olhos pararam no carro preto estacionado na porta do prédio, com Harry encostado no capô e os esperando; o empresário se afastou do carro e caminhou para encontrá-los no meio do caminho, logo tirando a mochila de Caleb da mão de Louis.

— Hey, como estão? — Deu um beijo no rosto de Louis e se abaixou para olhar para Caleb. — Você está bem pequeno? — O garoto apenas concordou com a cabeça e Harry pretendia insistir, mas Louis o interrompeu.

— Vamos conversar em casa, ok? — Harry o fitou e concordou, logo se levantando.

— Eu levo vocês.

— Como sabia que eu estava aqui? — Questionou enquanto seguia até o carro do empresário.

— Zayn me ligou assim que você saiu do restaurante e eu vim o mais rápido que pude. — Destravou o carro e abriu a porta traseira para Caleb entrar, logo o ajudando a sentar na cadeirinha e prender o cinto. — Achei melhor não entrar…

— Obrigado, por ter vindo. — Tentou um sorriso, mas logo desistiu e apenas assumiu o lugar na frente.

O caminho até o apartamento de Louis foi feito em silêncio, cada um dos três com seus próprios pensamentos e sentimentos. Harry não sabia como deveria agir naquele momento, não sabia se ao menos tinha o direito de ter ido encontrá-los, mas não pode se impedir de pegar o carro e ir encontrá-los no colégio. Ele queria saber o que havia acontecido com Caleb, queria saber porque Louis teve que ir até o colégio daquela vez, e queria saber como e se poderia ajudar a resolver o problema, fosse qual fosse. Além disso, não conseguia se sentir calmo ao saber que Louis estava andando pela cidade sozinho; sabia que o rapaz era perfeitamente capaz de fazer o que quer se propusesse a fazer, mas estava grávido de nove meses e qualquer coisa poderia acontecer a qualquer momento.

Entrou na garagem do prédio de Louis e estacionou ao lado do carro dele, e em poucos instantes já estavam dentro do apartamento. Caleb tirou seus sapatos e se sentou no sofá, esperando por Louis, que se sentou ao seu lado e respirou fundo.

— Quer me contar o que aconteceu? — Perguntou com a voz branda, esperando o momento em que Caleb decidisse falar.

— Eu não gosto de lá. — O garoto não estava olhando para o pai quando falou. — Quero voltar o colégio antigo. — Caleb tinha a voz embargada e Louis precisou respirar fundo mais uma vez.

— Mas no outro colégio você não vê o papai todo dia… — Louis sentia seu peito doer com a possibilidade de seu filho preferir continuar vendo-o apenas nos finais de semana a estudar onde estava matriculado. Caleb não o respondeu, mantendo a cabeça baixa. — Está com fome? — Perguntou por fim, decidindo que precisavam de um tempo. Louis não queria brigar com Caleb sem motivo, por mais que o filho ter batido em um colega fosse motivo o bastante para tanto, mas lhe parecia gratuito demais se não soubesse o real motivo do garoto ter feito o que fez. — Eu vou te preparar um lanche.

— Posso ir pro meu quarto?

— Pode. — Algumas lágrimas escaparam de seus olhos assim que o garoto fechou a porta de seu quarto, e Harry se sentou ao lado de Louis, abraçando-o de forma protetora. — Eu… Eu não achei que seria tão… Eu não… Eu não vou conseguir… Eu não vou…? — Suas lágrimas ficaram mais constantes e os soluços cortavam sua fala; Harry lhe pediu calma enquanto o abalava em seus braços. Ficaram dessa forma até Louis se sentir bem o bastante para se afastar e secar o rosto. — Eu… Vou fazer alguma coisa para ele comer, ou… Qualquer coisa que me distraia um pouco.

— Posso falar com ele? — Indicou o quarto de Caleb com um gesto. — Tinha muita coisa que eu aprontava e não queria que meus pais soubessem, ou não me sentia bem em contar para eles, mas contava para a babá… — Encolheu os ombros e Louis lhe deu um sorriso, logo concordando com Harry e seguindo para a cozinha.

Harry mordeu o canto da boca enquanto seguia até a porta fechada do quarto de Caleb, batendo antes de entrar e encontrar o garoto sentado na cama, com um boneco do Homem-Aranha nas mãos. O empresário fechou a porta depois de entrar e sentou ao lado da criança, sorrindo quando ganhou sua atenção.

— Papai ta bravo comigo tio Harry? — O pequeno perguntou por fim.

— Não, pequeno, seu pai só está preocupado com o que aconteceu… Pode me contar? — Harry se abaixou para deixar o rosto perto do de Caleb. — Ou pode contar para o Homem-Aranha? Alguém precisa saber o que aconteceu na escola hoje…

— Eu bati no Joshua. — O garoto respondeu com os olhos voltados para o brinquedo. — Eu sei que é errado e eu pedi desculpa, tio Harry. — Voltou seu rosto para o homem. — Eu… Eu prometo não bater mais nele.

— Você não pode bater em ninguém, pequeno. — Completou com um sorriso de lado, mas Caleb encolheu os ombros e voltou a prestar atenção no boneco, mexendo em seus braços de forma aleatória. — Por que você bateu nele? — O garoto continuou em silêncio, muito interessado em testar as articulações do brinquedo. — Ele falou alguma coisa que te chateou?

— Ele ficou falando que eu não tenho pai… — Sua voz foi quase um sussurro e Harry se sentiu péssimo ao entender suas palavras. — Eu disse que o meu pai foi embora e ele falou que é porque eu sou feio e chato. — Voltou sua atenção para o empresário, que o fitava sem saber como reagir. — Eu pedi para ele parar, mas ele ficou rindo e dizendo que o meu pai não gosta de mim e por isso foi embora, então eu bati nele.

— Eu… — Harry não sabia o que falar naquele momento, mas sabia que precisava falar alguma coisa. — Eu sei que ouvir isso não é legal, e Joshua não deveria falar essas coisas ruins, mas você não pode bater em qualquer pessoa que falar coisas assim para você. — Puxou o garoto para se sentar em seu colo. — O Joshua foi quem foi o errado, mas você bateu nele e agora a sua professora e a diretora acham que você é o errado e vão querer que você fique de castigo…

— Eu não quero ficar de castigo. — Retrucou com as feições enrugadas e um bico nos lábios.

— Eu sei que não, por isso da próxima vez que o Joshua, ou qualquer outro coleguinha, falar algo que te deixe triste ou com raiva você tem que contar para a professora e não bater neles, está bem? — O menino concordou depois de pensar por alguns instantes. — E tem que contar para o papai e para mim também.

— Ta bom. — Harry sorriu e o abraçou, deixando um beijo em sua cabeça. — Tio Harry… — Afastou-se um pouco para poder encontrar os olhos curiosos de Caleb. — É verdade? Meu pai foi embora por não gostar de mim? É culpa minha?

— Não, pequeno, a culpa não é sua. — Respondeu com convicção. — Seu pai… Ele não sabia como ser pai, ai ele ficou com medo e fugiu, mas isso não é culpa sua, e nem do seu papai Louis, é só… É culpa do seu outro pai mesmo.

— Lucas.

— O que foi pequeno? — O fitou com atenção e confusão.

— Lucas. — Encolheu os ombros. — É o nome do meu outro pai. Papai que me disse.

— Entendi… Então, o Lucas é o culpado dessa história toda, sabe por que? — O garoto balançou a cabeça em negação. — Porque ele ficou com medo, e está tudo bem ficar com medo, mas não é bom fugir sempre. Às vezes, mesmo com medo, a gente tem que tentar.

— Como… Dormir sozinho quando ta chovendo muito? — O garoto buscou por uma analogia para conseguir entender o que Harry estava falando, e o homem riu de seu exemplo.

— Sim, é isso mesmo. — Jogou os cabelos de Caleb para trás com a mão. — Mas quando estiver chovendo muito, muito mesmo, com raio e trovão e tudo o mais, você pode ir para cama do papai. — Fez algumas cócegas no garoto e o acompanhou nas risadas. — Vamos conversar com o papai? Ele ficou triste por você querer voltar para a antiga escola, ele acha que você não quer ficar com ele todo dia.

— Mas eu quero tio Harry! Eu quero muito! — O garoto se exasperou com as palavras do homem.

— Então corre, fala isso para ele! — Colocou Caleb no chão, que logo saiu correndo pelo apartamento gritando pelo pai.

Harry ficou no quarto de Caleb por alguns minutos, permitindo que Louis e o filho tivessem seu próprio momento, e quando achou que já era a hora certa de sair, encontrou Louis sentado no sofá tendo a cabeça de Caleb sobre sua barriga. O empresário parou na entrada da sala e se deixou admirar aquela cena, registrando-a com o celular enquanto desejava ainda carregar sua câmera profissional para todos os lados, como fazia quando fotografia era um hobby ativo em sua vida. Louis o flagrou os observando e sorriu, chamando-o para se sentar ao seu lado.

— E então? Qual o castigo do Caleb? — Perguntou divertido quando o garoto o fitou inicialmente sorrindo, mas mudando a feição para uma aborrecida.

— Tio Harry…!

— Bem, nós conversamos, Caleb me explicou o que o coleguinha disse, eu reforcei sua fala sobre violência não ser a resposta e decidimos, juntos, que ele vai passar essa semana sem doces e sem o Homem-Aranha. — O garoto resmungou algo ininteligível, e Louis riu, puxando-o para mais perto de si. — Você sabe que mereceu. Combinamos que era um castigo justo.

— Uma semana vai passar rapidinho, pequeno, você vai ver. — Harry apertou seu nariz e o garoto girou os olhos antes de deitar novamente sobre a barriga do pai. — Ele é igualzinho você, senhor…

— Eu sempre levo isso como um elogio, esteja ciente. — Louis sorriu ao deitar a cabeça no sofá. — Obrigado por conversar com ele. Às vezes é muito difícil…

— Pode contar comigo sempre que precisar, Louis, achei que já havia entendido isso. — Louis lhe fez um careta engraçada e Harry ao se ajeitar no sofá e deixar a cabeça do outro lado da barriga dele, sorrindo para Caleb que o fitava calmamente.

E Louis se deixou ficar daquele jeito, com os dois homens da sua vida ouvindo o terceiro enquanto ele fazia carinho em seus cabelos. Era óbvio que ele e Harry não eram nada um do outro, além de, agora, amigos que teriam um filho em comum para criar; mas Louis estava cansado. Física, emocional e psicologicamente cansado. Não se sentia capaz de ser um bom pai para Caleb e Ethan, não sabia se estava sendo um bom amigo para Zayn e Niall e definitivamente não se via capaz de ter uma vida amorosa, mas ele amava Harry, e continuar negando isso para si mesmo o estava deixando exausto.

Eles perderam a conta de quanto tempo ficaram ali, mas logo Caleb adormeceu e Louis pediu para que Harry o levasse para o quarto. O empresário voltou poucos minutos depois, e voltou a se sentar ao lado de Louis, deixando suas mãos passearem pela barriga avantajada.

— Niall não para de falar sobre ter um barriga grande desse jeito. — Comentou com um sorriso.

— É por que ele nunca teve uma antes. — Brincou antes de deixar um bocejo escapar. — Quando chega o último mês, a única coisa que eu quero é que o bebê nasça.

— Bem… Para ser sincero eu também, afinal de contas estou super ansioso para conhecê-lo. — Deixou um beijo em sua barriga e se levantou, sentando direito ao lado de Louis. — Espero, de verdade, que ele tenha alguma característica minha e não seja mais uma cópia sua como Caleb. — Louis o fitou de forma falsamente indignada. — Não me leve a mal, você é lindo e tudo o mais, Caleb é perfeito, mas não precisamos de um segundo clone. — Louis não respondeu, se limitou a apenas rir. — Além disso, eu estava pensando que talvez você e Caleb podiam se mudar para o meu apartamento por um tempo.

— Por quê? — Ergueu uma sobrancelha em curiosidade.

— Porque você está de nove meses, Louis! — Indicou o ponto óbvio da situação. — Eu fico preocupado com você ficando aqui sozinho, e se acontece alguma coisa? Se a sua bolsa rompe? Se você passar mal? Eu quero estar por perto para te ajudar.

— Entendo e agradeço a preocupação, mas não vou para seu apartamento, Harry. — Gesticulava enquanto falava, tentando se levantar do sofá. — As minhas coisas estão aqui, Caleb acabou de mudar de colégio e, por acaso, ele não está se adaptando bem, mais uma mudança, mesmo que temporária, pode não ser bom para ele. — Seguiu até a cozinha, e ouviu Harry se levantar e o seguir. — Eu teria que fazer uma mala para mim, outra para o Caleb, a do Ethan… — Pontuou enquanto pegava a jarra de suco da geladeira.

— A do Ethan está pronta, que eu sei, afinal eu te ajudei a fazê-la.

— Harry… — Louis o olhou com tédio fingido. — Não acho que seja uma boa ideia mais uma mudança para o Caleb, já basta o nascimento do Ethan.

— E se eu me mudar para cá? — Louis o fitou enquanto bebia seu copo de suco. — Vou para meu apartamento, faço as malas e logo estou de volta. — Harry tentou seu sorriso sedutor e Louis riu. — Estou falando sério, não gosto de ter você aqui sozinho.

— Está bem, Harry, mas onde você vai dormir? — Deixou o copo na pia e, diante do silêncio do empresário, o encarou.

— Sua cama não está disponível? Já fizemos isso antes. — Ergueu uma sobrancelha e desceu o olhar até a barriga de Louis, que riu divertido.

— O sofá será ótimo para você! Ele é bem confortável, te garanto.

Harry riu e concordou com um aceno, rendendo-se às vontades de Louis como ele sabia que faria. Poucos minutos depois, Harry saiu do apartamento de Louis com a intenção de ir até o seu próprio arrumar suas coisas, como havia dito que faria; ligou para Zayn e Liam avisando que não voltaria para a empresa naquele dia, além de explicar o que havia acontecido com Caleb. Ele e Zayn tiveram uma longa conversa sobre o que o moreno sabia sobre o tal de Lucas e o que Caleb já havia comentado com o padrinho sobre o outro pai; não descobriu muita coisa, porém. Caleb sabia aquilo que Louis o havia contado, o nome do pai e que ele fora embora, mas até então o garoto não tinha muita curiosidade sobre Lucas ou sobre ter outro pai.

E é claro que a conversa que tivera com Gemma tempos antes lhe voltara à memória e o questionamento que ele não respondeu ficou rondando sua mente, mas não por muito tempo já que ele tinha a resposta. Chegou em seu apartamento e logo arrumou suas coisas, como Louis não morava tão longe de si, pegou apenas o que julgou ser importante, se precisasse de mais, buscaria em outro momento. Quando voltou ao seu carro se permitiu rir daquela pequena situação. Há um ano ele jamais se imaginava apaixonado, prestes a ter um filho e se mudando do apartamento que pagara uma pequena fortuna para deixar do jeito que sempre sonhara para morar, ao menos por algum tempo, no sofá do apartamento do pai de seu filho, e muito menos se achava capaz de ter um filho de seis anos de idade. Mas a vida pregava peças, e essa era a graça.

Notas finais
Preciso informar que chegamos na reta final da história, e por final quero dizer que tem apenas o próximo capítulo mais o epílogo.