Harry não saberia dizer em que momento da noite ele e Louis caíram no sono, a última coisa que se lembrava era de mais um filme natalino passando na televisão enquanto Louis estava colado em si e Harry tinha um braço ao redor enquanto a mão descansava calmamente sobre a barriga protuberante do rapaz. Mas tanto Harry quanto Louis sabiam dizer a hora exata em que acordaram, e isso foi por volta das sete horas da manhã, quando Caleb acordou e ainda com cabelos desgrenhados e rosto marcado pelo travesseiro, apareceu na sala gritando que era hora dos presentes. Louis se assustou nos braços do mais velho, mas logo relaxou ao encontrar seu primogênito jogado aos pés da árvore de natal, rasgando um dos embrulhos.

— Feliz natal, Lou. — Louis ergueu a cabeça, deitada sobre seu peito, para fitá-lo e Harry sorriu. — E bom dia. — Completou deixando um beijo em sua testa. Ouviu quando Louis suspirou e sorriu.

— Bom dia, Harry. — Sua voz estava rouca e levou a mão até os olhos, coçando-os de forma preguiçosa. — Quer ajudá-lo a abrir os presentes enquanto eu tento despertar um pouco mais?

— Ok. — Dando outro beijo na testa do mais novo, Harry se levantou, tomando cuidado para que Louis continuasse confortável e riu brevemente quando o viu voltar a fechar os olhos. — Bom dia, Caleb. — Sentou-se ao lado dele no chão, sorrindo quando o garoto o respondeu, mas sem virar para encará-lo. — Posso abrir algum para você?

— Pode abrir os seus, e os do papai. — O garoto respondeu e Harry riu de forma divertida, estava claro que o garoto queria abrir os próprios presentes.

Concordando com o pequeno, Harry separou os presentes dele dos de Louis, e, mesmo acreditando que não haveria presente algum para si, surpreendeu-se ao encontrar duas embalagens com seu nome. Voltou seu olhar para Louis, mas ele parecia dormir e então se dedicou a abrir os embrulhos, em um havia um relógio de pulseira de couro legítimo, visor analógico de ouro branco com pequenas e discretas esmeraldas no lugar dos números; sorriu largamente para o presente, tendo plena ciência de que Louis havia pensado em seus olhos ao escolher esmeraldas, assim como ele havia pensado nos de Louis ao comprar as safiras. O outro presente era uma jaqueta preta de couro com a gola e os punhos em detalhe verde e vermelho, nos tons tão característico da marca Gucci. E Harry simplesmente amou os presentes, e assim como Caleb estava fazendo, vestiu sua jaqueta sobre o pijama e prendeu o relógio em seu pulso.

— Espero que tenha mesmo gostado dos presentes, Harry. — Ouviu a voz de Louis e se virou para encontrá-lo sentado no sofá, com as pernas cruzadas como índio e as mãos sobre a barriga; Harry ficou encantado com a visão.

— Eu gostei muito deles, obrigado. — Sorriu largamente, ciente que suas covinhas estavam à mostra.

— Eu vou tomar um banho rápido antes de preparar o café da manhã. — Louis tencionou se levantar, mas Caleb logo gritou que era hora dos presentes e que eles precisavam abrir todos eles, e que tinha presente para o Ethan também; então Louis continuou sentado enquanto Harry e Caleb lhe levaram todos os presentes que tinha o nome dele e do bebê. — Ah meu deus, que coisa mais linda! — Louis exclamou ao encontrar um macacão felpudo e branco, com touca com orelhinhas de urso e um bordado, do lado esquerdo, de cereja. Louis levou a roupa até o nariz, aspirando o cheiro de amaciante próprio para roupas de bebês. — Olha Caleb, é do seu irmãozinho. — Virou a roupa para o filho, que seguia desembrulhando os presentes.

— Tem uma cereja! — O garoto apontou e Louis riu, acompanhado por Harry.

— Sim, porque ele é nossa cerejinha.

Em meio a risadas, prova de roupas por parte de Caleb e exibição destas por parte de Louis, ele passaram a próxima hora desembrulhando todos os presentes, até Harry se prontificar a fazer o café da manhã para eles. É claro que Louis não perdeu a chance de fazer algumas piadas sobre o homem não destruir sua cozinha ou queimar tudo, além de dizer que as cascas de ovos deveriam ficar fora da receita, o que fez Harry lhe dar uma risada irônica e seguir para a cozinha. Ao terem todos os presentes fora de suas embalagens, Louis travou uma verdadeira batalha e barganhou com Caleb para que ele arrumasse a bagunça das sacolas vazias e papéis de presente rasgados, além de levar seus presentes para o próprio quarto.

Louis também fez sua parte e levou os presentes de Ethan para o quarto que havia preparado para o filho, com ursinhos pardos colados em uma faixa branca no meio da parede amarelo claro, um berço branco posto estrategicamente próximo à janela, que pegava apenas o sol da manhã, além de um armário e duas comodas brancas; é claro que já havia uma quantidade razoável de roupas para o bebê, mas Louis estava se controlando para não comprar tudo o que via, já que imaginava que seu pequeno ainda ganharia muitos presentes. Guardou o que tinha em mãos da melhor forma que pode e deixou a pulseira na primeira gaveta da cômoda, era onde gostava de concentrar as coisas que usaria para colocar na bolsa que levaria ao hospital.

Depois de guardar as coisas de Ethan, voltou para a sala para pegar seus próprios presentes, alguns contendo o nome de Gemma no cartão — o que o fez sorrir e sentir-se acolhido -, e viu Caleb correr para a cozinha, seguiu-o em silêncio, ouvindo a pequena conversa de Harry com o filho.

— Certo, Caleb, você será meu sub-chefe. — Harry o colocou sobre o banquinho estrategicamente deixado próximo ao armário, que ele imaginou ser justamente para o pequeno conseguir alcançar o balcão.

— O que é isso? — O garoto perguntou o fitando em curiosidade.

— É o ajudante do cozinheiro. — Respondeu de forma simples, mas tendo um sorriso pequeno nos lábios.

— Ah tah, eu sou isso do papai também. — Sorriu largamente para o mais velho, que bagunçou seus cabelos e olhou ao redor.

— Certo, sub-chefe, onde fica a farinha?

E Louis resolveu que estava tudo bem deixar seu filho guiando Harry pela cozinha enquanto seguia até seu quarto com seus presentes, guardando-os em seu closet, e decidia por tomar um banho mais demorado do que o usual. Inclinou a cabeça sob o chuveiro e deixou que a água caísse diretamente sobre seu rosto por alguns segundos, apenas relaxando com o contato da água morna em sua pele, sem se preocupar com a possibilidade de Caleb estar possivelmente destruindo o apartamento — ou pintando as paredes -. Sentiu Ethan chutar em sua barriga e sorriu enquanto espalhava sabonete pela pele esticada da região.

— Você também gosta de tomar um bom banho relaxante, não é? — Riu ao ter sua resposta em forma de outro chute, um pouco mais forte dessa vez e causando uma pequena dor em suas costelas. — Você é forte demais para o meu gosto, deve ter puxado seu pai… — Mordeu o lábio ao se ouvir dizer aquelas palavras; era permitido agora, ele podia falar sobre Harry, podia se referir a ele como o pai do seu filho e podia falar para seu filho sobre ele, e isso era uma grande novidade para si.

Ao terminar o banho, uns bons dez minutos depois, espalhou hidratante por toda a pele que conseguia alcançar e tirou o excesso de água dos seus cabelos antes de sair do banheiro e seguir até seu closet, sendo que no curto caminho entre os dois locais pode ouvir a risada de Caleb ecoando pelo apartamento, acompanhada da de Harry. Vestiu uma camiseta cinza com as mangas e a gola preta acompanhada de uma calça preta mais folgada, feita especialmente para gestantes, portanto tinha uma faixa larga de tecido mais elástico na altura da barriga que ajudava a manter a peça no lugar, a barra também contava com elásticos e Louis puxou um pouco para deixar os tornozelos à mostra. Abriu a caixinha onde guardava as poucas joias que se deu ao prazer e luxo de comprar e, depois de constatar que nenhum de seus aneis entravam em seus dedos, pegou um pulseira de couro com algumas pedras preciosas cravejadas ao seu redor e prendeu no pulso; quando estava pronto para pegar seu casaco deixou o olhar cair sobre a caixa de veludo que Harry lhe dera e enquanto mordiscava o lábio inferior, pegou a corrente e colocou o pingente redondo nela, logo o prendendo em seu pescoço. Fitou seu reflexo no espelho e sorriu com o resultado, talvez ficasse melhor se não estivesse todo inchado da gravidez, mas não tinha realmente do que reclamar, por isso apenas pegou um casaco preto e grosso, um par de meias que não conseguia mais colocar sozinho e os vans clássicos que usaria, saindo logo em seguida do quarto.

Louis entortou a boca em desgosto ao encontrar Caleb com o rosto completamente sujo de chocolate no meio de uma cozinha bagunçada e ao lado de um Harry de cabelos presos num coque frouxo e pijama sujo de farinha de trigo. Ele até pensou em brigar, mas desistiu ao prestar atenção nos sorrisos e olhos brilhantes, então apenas suspirou e deixou suas coisas sobre o sofá.

— Papai! — Caleb foi o primeiro ao vê-lo ali e correu ao seu encontro, parando com à sua frente e com o queixo encosta em sua barriga. — Fizemos panquecas e o tio Harry me deu chocolate. — O garoto pulava aos seus pés e Louis sorriu para ele, limpando o canto da sua boca com o dedão.

— Eu percebi. — Riu para o pequeno que continuava dando pequenos pulinhos. — Espero que as panquecas tenham ficado boas, porque eu e Ethan estamos com fome. — Como se estivesse apenas esperando por aquela frase, o bebê voltou a chutar em sua barriga, e Caleb gritou, animado por sentir o irmãozinho.

— O que foi? Por que o grito? — Harry se aproximou preocupado, passando as mãos pela camisa do pijama, tentando limpá-lo um pouco.

— O Ethan ta chutando tio Harry! — Caleb informou empolgado, agarrado à barriga de Louis. — Eu acho que ele quer comer panquecas. — Riu animado e Louis sorriu para o filho e escovou seus cabelos bagunçados com os dedos.

— E-eu posso? — Harry se aproximou, tinha a mão um pouco levantada e Louis sorriu diante da sua pergunta.

O empresário deixou que Louis guiasse sua mão, que foi posta na lateral de sua barriga, e então sentiu um pequeno impulso que o fez sorrir mais amplamente e seus olhos marejaram. Harry se abaixou para ficar com o rosto na altura da barriga de Louis, onde ele beijou sem pensar. É claro que Harry já havia tido o prazer de sentir Ethan chutando, já beijara da barriga de Louis algumas poucas vezes, mas sempre seria especial, era seu filho ali dentro, era Louis o carregando e daquela vez havia Caleb ao seu lado, também com as mãozinhas sobre a barriga do pai, rindo sempre que sentia Ethan chutar. Harry se sentia completo como nunca antes, como se aquelas pessoas preenchessem os espaços vazios que ele nem sequer sabia existirem.

— Papai disse que você é o outro pai do Ethan, tio Harry. — Caleb comentou ao seu lado, fitando Harry com curiosidade.

— É… — Harry deu um rápido olhar para Louis antes confirmar. — Eu sou sim.

— Você deu uma sementinha pro papai? Como foi isso? Você comprou? — Harry engasgou com o ar que respirava ao ouvir as perguntas do garoto que o fitava curioso. — Papai disse que ele tem que ficar aqui dentro até ele crescer para pode sair, mas como colocou lá dentro? — Naquele momento o grande e poderoso Harry Styles estava desejando que surgisse um buraco no chão e ele fosse tragado para muito, muito longe.

— Eu te explico depois, brotinho. — Louis decidiu salvar Harry, mesmo que estivesse achando engraçado a reação do empresário. — Agora a gente vai tomar café da manhã e então você tomar um bom banho, se arrumar e então vamos para casa do tio Harry brincar com os cachorros, lembra? — Acrescentou quando o filho queria teimar em ter sua resposta naquele exato momento.

— Cachorros! — Caleb se empolgou assim que lembrou que poderia brincar com os animais e então seguiu de volta para a cozinha, logo sentando na mesa e chamando os adultos para comerem logo e então irem para a casa do tio Harry.

— Obrigado. — Harry agradeceu ao se levantar e fitar Louis, respirando fundo e rindo em seguida. — Quem diria que crianças são capazes de deixar adultos sem palavras?

— Caleb é expert nisso. — Louis se balançou levemente nos pés e sorriu.

— Ele sempre faz esse tipo de pergunta?

— Disso para pior. — Louis de um tapinha do ombro de Harry. — Você ficaria surpreso… De toda forma, não se preocupe, não é obrigação sua sanar as dúvidas do meu filho. — Lhe deu um pequeno sorriso antes de seguir o filho e se servir das panquecas recém feitas e jogar um pouco de calda nas suas, já que as de Caleb estavam cheias de calda e pedaços de frutas.

O café da manhã se passou em meio a risadas e conversas sobre super heróis, até que os três se sentiram cheios o bastante para começar o dia; o que resultou em Louis guiando Caleb para um banho em sua própria suíte e Harry seguindo até a suíte de Louis para se banhar. Menos de trinta minutos depois estavam os três prontos na sala, com Louis recebendo a ajuda de Caleb para conseguir calçar suas meias e tênis, e então seguiram para a mansão Styles, com Harry transferindo a cadeirinha de Caleb para seu carro.

Louis fingia tranquilidade, conversando e brincando com o filho durante o caminho, mas quando mais saíam do centro e mais próximos ficavam de Hampstead, mais ele se sentia prestes a vomitar, e isso em nada estava relacionado à sua gravidez, já que os enjoos passaram há meses. Mas foi Caleb quem expressou a reação de ambos quando Harry adentrou uma passagem de pedra calcária e viram a fachada da casa; toda a parte externa da casa era de tijolo vermelho, as janelas eram amplas com molduras brancas e permitiam que a luz natural entrasse e iluminasse todo o cômodo — isso encantou Louis mais do que ele próprio esperava -. Havia um jardim do lado esquerdo e uma escada que levava ao subsolo, mas Louis não se sentiu tão curioso quanto a ela naquele momento; do lado direito tinha um banco de madeira e vasos com roseiras guiavam até a porta principal. Era uma bela casa, então o “uau” que Caleb soltou era perfeitamente aceitável.

— Harry… Eles sabem quem sou? — Perguntou desviando o olhar da casa para Harry, que desligou o carro e lhe deu um olhar divertido. — Eles sabem quem eu fui na sua vida? O que eu fazia? — Louis lançou um olhar aflito para Caleb, totalmente entretido tentando soltar seu próprio cinto de segurança.

— Gemma e Liam, sim. — Harry respondeu depois de um tempo. — Meus pais não. Mas não se preocupe quanto a Liam e Gemma, eles não falarão nada que o deixe desconfortável.

— Desde… Desde quando Gemma sabe? — Louis o fitava surpreso, ele imaginava que não a mulher não podia saber há muito tempo, já que o tratava tão bem desde que eles se conheceram.

— Desde sempre, desde a festa em que nos conhecemos. — Harry tinha um olhar calmo. — Não se preocupe, e vamos descer logo porque Caleb está quase rasgando o cinto…

— To não, tio Harry! — O garoto se defendeu prontamente, o que fez os adultos rirem, especialmente pelo fato de que o garoto não parou de tentar se soltar.

Ainda sem saber o que pensar ou o que fazer, Louis saiu do carro e soltou Caleb, ajudando-o a sair do carro. Obviamente o garoto questionou sobre os cachorros e Louis teve um pouco de trabalho em convencê-lo a entrar primeiro e conhecer a família do tio Harry, mas Caleb só aceitou quando foi informado de que Zayn também estaria lá. O empresário guiou Louis pelo curto caminho até a porta principal, também pintada de branco; Harry não se percebeu na hora, mas Louis estava bem consciente de sua mão descansando na base da sua coluna enquanto caminhavam até a sala de estar, com Caleb segurando a mão do pai enquanto olhava tudo ao redor.

— Ah, Harry! Vocês chegaram! — Uma mulher de cabelos castanhos levemente ondulados se aproximou deles com um sorriso radiante, e Louis achou ver um brilho a mais em seus olhos verdes quando eles se voltaram para si. — Você deve ser o Louis.

— É, sim, sou eu. — Sorriu para a mulher que ele sabia ser a mãe de Harry, tanto por já ter visto fotos dela, quanto pela semelhança física. — E este é Caleb. — Apertou um pouco a mão do filho para que ele voltasse seu olhar para Anne, que se abaixou para cumprimentá-lo.

— Muito prazer em te conhecer, Caleb, eu sou a Anne, mãe do Harry. — A mulher tinha um sorriso carinhoso voltado para o garoto, que retribuiu o sorriso e soltou a mão de Louis para poder esticar a sua em direção a mulher, que ampliou o sorriso ao segurar a pequena mão na sua.

— É um prazer conhecer a senhora, senhora Anne. — Harry riu ao lado de Louis e Caleb levantou o rosto para fitá-lo, ganhando uma piscadela do mais velho.

— Não precisa me chamar de senhora, amor, pode me chamar só de Anne. — A mulher se levantou depois de ouvir um pequeno ‘ok’ do garoto e voltou sua atenção para Louis novamente. — E eu estava muito ansiosa para conhecer vocês. — Seu sorriso largo era contagiante e Louis logo estava sorrindo também. — Deus… Você está com uma barriga linda! Posso tocar? — Louis engasgou um pouco com toda a espontaneidade de Anne, mas logo concordou e abriu o casaco para dar mais acesso à mulher.

E Anne estava maravilhada com o momento. Ela já tinha uma neta, é claro, uma que ela amava com todo seu coração, mas um neto vindo de Harry era um feito e tanto, especialmente quando já estava preparada para Harry nunca ter uma esposa, ou esposo, e então ele surge com a notícia de que teria um filho, que nasceria em cerca de dois meses. Ela ficou preocupada sim, era um neto que ela não sabia que teria, e saber que Harry por pouco também não saberia de sua existência a angustiava, mas ali estavam eles; e Louis ainda tinha Caleb, tão educado e bonito.

— Oh… Ele… Ele anda se mexendo demais nos últimos dias. — Louis comentou quando sentiu Ethan distribuir alguns chutes e possíveis cotoveladas por sua barriga.

— Eram os meus momentos preferidos. — Comentou com um sorriso radiante, ainda com as mãos sobre seu abdômen inchado.

— Mamãe, pare de monopolizar esses dois, ou três. — Gemma se aproximou com um sorriso divertido. — Estou falando do Ethan, Harry, você pode ir. — Acrescentou para o irmão que a fitou indignado. — Você está lindo Louis! E você também Caleb! O que fez no cabelo? Ficou tão bonito. — Caleb estava com os fios castanhos penteados para trás com gel, deixando um topete grande.

— Papai que fez, para eu ficar bonito. — Sorriu para a mulher, que lhe beijou as bochechas sonoramente.

— Você é lindo, garoto!

— Quem é lindo? — Liam escolheu aquele momento para voltar da cozinha, com Zoe o seguindo de perto, segurando em sua calça para evitar qualquer tombo; o homem abraçou a esposa de lado, deixando um beijo em seu pescoço e fitando por fim os recém-chegados. — Hey, oi Tom… Louis! — Mudou assim que Gemma lhe deu uma cotovelada nada discreta, mas que Anne não percebeu já que estava conversando com Caleb e Zoe. — Isso doeu. — Completou aos sussurros para Gemma, que deu de ombros com um sorriso um tanto forçado.

— Oi Liam, é um prazer revê-lo. — Havia um sorriso nervoso em seu rosto quando estendeu a mão para o homem, que apenas a apertou com um sorriso educado.

— E o tio Zayn, papai? — Caleb questionou ao olhar ao redor mais uma vez e não encontrar o homem.

— Oh, ele e Niall vão chegar mais tarde. — Anne o respondeu, abaixada mais uma vez para segurar Zoe, que fitava o garoto com muita curiosidade e timidez.

— Então… Eu posso brincar com os cachorros agora? — Perguntou com olhar ansioso, Louis respirou fundo, pensando no que responderia.

— Chorro, papa, chorro! — Zoe concordou imediatamente e Liam riu, logo pegando a pequena em seus braços e a colocando sentada sobre seus ombros.

— Certo, eu fico com as crianças e os cachorros. — Estendeu a mão para Caleb, que fitou o pai em busca de aprovação antes de aceitar e segurar a mão de Liam. — Bistequinha e Costelinha que se cuidem, hoje a gente acaba com eles. — Liam comentou de forma divertida enquanto seguia por um corredor, que Louis imaginou que os levaria a parte externa nos fundos.

Anne convidou a todos para sentar nos sofás amplos e cinza-claro dispostos na sala de estar, e mais uma vez Louis se encantou com a decoração; e é claro que ele reparou na prateleira repleta de porta-retratos mais fundo e sua curiosidade o pedia para ir até lá e espiar as fotos, tendo a ciência de que provavelmente encontraria fotos de Harry criança, mas sua educação o fez se sentar, e isso seria ao lado de Harry se Gemma não tivesse sido mais rápida em empurrar o irmão para outro estofado; Anne se sentou ao outro lado de Louis.

— Onde está nosso pai, Gemma? — Harry perguntou ao fim, completamente relaxado no sofá e observando as mulheres da família cercando um Louis grávido e não totalmente confortável ainda.

— No escritório, como sempre. — Gemma lhe deu um olhar tedioso, logo voltando sua atenção para Louis ao seu lado.

Os próximos minutos foram passados entre perguntas e respostas sobre Louis, mas nada muito íntimo para não deixá-lo desconfortável, sobre Caleb e sobre o pequeno Ethan que ainda não havia nascido. E enquanto Louis contava histórias e situações engraçadas em que Caleb era o grande protagonista, Zayn e Niall chegaram para completar a mesa do almoço de natal, considerando que este ainda não estava pronto, todos acabaram migrando para o jardim, onde Liam estava sentado no meio da grama com Zoe entre suas pernas e Caleb correndo por todo o gramado com dois pitbulls enormes que fizeram Louis congelar no lugar e segurar o braço mais próximo de si, que por acaso era o de Harry.

— Você está brincando que esses são seus cachorros? — Sua pergunta saiu um tanto esganiçada, já que ele quase gritou com a visão de seu filho sendo perseguido por dois pequenos monstros. — Eles… Eles são seguros, Harry?! — Sua perceptível preocupação chamou a atenção de Anne e Gemma e a mais nova, na tentativa de acalmá-lo, chamou um dos cachorros para perto. E Louis foi incentivado a acariciá-lo. — Styles, eu to falando sério, se o meu filho for machucado por um desses… Eu acabo com você! — Ameaçou de uma forma um tanto vazia, já que sua mão logo estava afagando a cabeça do cachorro sentado aos seus pés.

— Louis, os nomes deles são Costelinha e Bistequinha! — Harry riu ao seu lado. — Acha mesmo que eles são capazes de fazer alguma coisa de ruim?! Temos eles porque eu e Gemma somos apaixonados por essa raça injustiçada, mas esses dois são uns bobões! — Para dar ênfase ao que disse, o homem se agachou e começou a brincar com o cão, esfregando seu fucinho e rosto e puxando de leve suas orelhas, e Louis sorriu ao observar um quase sorriso na expressão do animal.

A risada de Zoe logo os contagiou e todos se sentaram na grama, inclusive Louis, que precisou de ajuda para se sentar e com certeza precisaria para se levantar novamente, mas naquele momento ele apenas estava sorrindo calmamente enquanto Caleb se distraía com os cães, vez ou outra se aproximando de Zoe, que gargalhava sempre que um dos animais lambia sua mão. Poucos minutos depois Zayn e Niall chegaram e o moreno se juntou ao afilhado e corria pelo jardim, e é claro que Harry logo cedeu e estava junto a eles instantes depois.

— Você fez um ótimo trabalho com Caleb. — Anne elogiou ao seu lado, sorrindo de forma branda. — Ele é muito gracioso.

— Obrigado… Mas o mérito não é todo meu. — Falou antes que pudesse pensar em suas palavras, logo encontrando o olhar confuso da mulher para si. — É… Caleb ficou muito tempo em um colégio interno, ele só ficava comigo durante os finais de semana… — Desviou o olhar de Anne para o filho. — Eu não tinha com quem deixá-lo enquanto trabalhava, mas… Eu não trabalho mais com o que eu fazia antes, então agora ele vai para um colégio normal e ficará mais comigo, e com o Ethan. — Tinha as mãos sobre a barriga e sorriu um pouco, tentando imaginar como seria sua vida depois que sua cerejinha nascesse.

— Olá. — Louis virou o rosto para encontrar um homem corpulento, vestido com uma camisa branca sob um cardigã preto, acompanhada de calças e sapatos sociais; extremamente formal para um almoço em família. — Não esperava encontrar Harry e Zayn dessa forma… — O homem tinha os olhos voltados para os outros dois, e Louis viu Harry correr e agarrar Caleb pela cintura, prendendo-o ao lado do seu corpo, carregando-o como se fosse um saco de batatas enquanto corria entre os cães e tentava evitar que Zayn pegasse o garoto.

— Desmond, finalmente resolveu sair do escritório. — Anne se levantou e sorriu para o marido.

— As risadas e os latidos me chamaram a atenção, então imaginei… — Desmond fez um gesto indicando Louis, que já havia se levantado com a ajuda de Niall. — É um prazer conhecê-lo, Louis.

— Eu digo o mesmo senhor Styles. — Apertaram-se as mãos e Louis assistiu o olhar do homem cair sobre sua barriga e o leve entortar da boca, que seria imperceptível para qualquer pessoa que não estivessem prestando atenção.

— Des! — Zayn se aproximou rapidamente, com um cães o seguindo e parando sentado ao seu lado. — Como vai?

— Eu estou bem, garoto, e você? — Apertou a mão de Zayn com um sorriso discreto. — Soube que vocês dois estão namorando. — Comentou indicando o moreno e Niall, que logo estava ao seu lado. — Eu fazia muito gosto do casamento de Harry e Niall, mas também fico feliz com a união de vocês dois. — Anne soltou uma pequena exclamação de reprovação pelas palavras do marido, e Louis, mesmo fingindo muito bem que não, sentiu-se abalado com a reprovação não tão velada assim de Desmond.

Louis não fora ali em busca de aprovação, pelo menos era o que ele tinha em mente desde que concordara em participar daquele almoço, mas a rejeição de Desmond poderia afetar seu filho e ele não sabia como lidaria com aquilo. Caleb não ser aceito ou convidado para eventos da família Styles era esperado, Louis estava preparado para isso, afinal o garoto não fazia parte da família, mas Ethan era filho de Harry, ele deveria ser acolhido e bem tratado. E o que mais angustiava Louis era que ele não estaria sempre por perto, talvez nem mesmo Harry estivesse sempre por perto para garantir que o filho fosse bem cuidado; o simples pensamento de seu filho ser tratado como não merecedor, como um intruso ali, o fazia querer desaparecer junto aos pequenos.

— Oi pai. — Harry se aproximou, ainda segurando Caleb preso em sua cintura. — Esse é o Caleb, filho mais velho do Louis. — Levantou o garoto, mas ainda o manteve no colo.

— Me põe no chão tio Harry. — O menino pediu com as bochechas coradas de vergonha.

— Por quê? Você é meu bebezão! — Harry brincou com o garoto, que ficou mais vermelho ainda e fez um bico com os lábios.

— Eu não sou um bebê… — A voz de Caleb soara baixa e apenas Harry ouvira, mas Louis tinha os olhos colados no filho e pode imaginar o que ele falou.

— Tudo bem, desculpe, senhor adulto. — Harry deixou o garoto no chão, que se voltou, ainda com vergonha, para Desmond e estendeu a mão em sua direção.

— É um prazer conhecê-lo, senhor Desmond. — O homem riu e apertou a pequena mão.

— Pode me chamar apenas de Des, querido. — Louis se sentiu melhor com a mudança de humor do homem ao falar com Caleb.

O almoço foi servido poucos minutos depois, e Louis teve que repetir algumas informações sobre sua vida, mas Desmond foi mais incisivo em saber sobre sua profissão; e Louis não mentiu, ele apenas não mencionou que ainda não a exercia. Concluiu seu curso de economia há poucos meses e a única vez que teve uma experiência empresarial foi quando participou de um programa voluntário na própria universidade para auxiliar micro-empresários; foi quando Louis desistiu de ter a própria empresa.

Anne conseguiu mudar de assunto um tempo depois, concentrando-o em Zayn e Niall, que sorriu graciosamente e deu uma rápida piscada para Louis quando entrou no assunto sobre a fusão entre a Iriran e a Styles Tecnology. Niall não trabalhava ativamente na empresa da família, mas estava muito bem informado sobre o assunto, assim como Zayn, Harry e Liam. Anne, Gemma e Louis entraram em seu próprio assunto sobre bebês e como crescem rápido; Caleb e Zoe brincavam com a comida entre garfadas e risadas.

— Mas, afora toda essa história da fusão e da filial em Atlanta, eu tenho uma novidade para contar. — Niall tinha um sorriso largo ao chamar a atenção de toda a mesa, e Zayn o fitou com carinho e admiração. Antes de falar o rapaz fitou cada rosto voltado para si, inclusive Caleb, que percebeu que todos estavam olhando para Niall e imitou. E com o sorriso mais largo do que antes, deixou as palavras escaparem por sua boca. — Estou grávido.