Voulez-vous coucher avec moi ce soir?
15 Capítulo 16: Compras
Notas iniciais
As pequenas luzes natalinas enfeitavam ruas, casas e prédios espalhados por toda a cidade, o tempo estava cada mais frio e as pessoas vestiam roupas grossas e quentes, mas ainda assim, em sua maioria, estavam empolgadas com as compras de Natal. Passear pelas lojas bem decoradas, ganhar doces em alguns lugares, sorrir e desejar feliz natal a todos enquanto escolhia presentes para a família e amigos mais próximos… Harry não era muito do tipo que gostava de fazer isso, mas naquele ano ele estava serpenteando pelas lojas em companhia de sua irmã, comprando tudo e mais um pouco do que tinha vontade de comprar, até parar diante de uma joalheria.
— Hm… — Ouviu Gemma ao seu lado, fitando a vitrine da loja. — Para quem será a joia? Eu? Mamãe? Zoe?
— Louis. — Virou o rosto para a observar o rosto da irmã ganhar uma expressão surpresa.
— É sério isso? Isso significa que estão juntos? Quando iria nos contar? — Harry beijou a testa da irmã e adentrou a loja. Mesmo que tivessem comprado diversas coisas, ambos não carregavam sacola alguma; solicitaram que tudo fosse entregue na casa de Anne, onde sempre passavam o natal junto a alguns outros familiares e amigos.
— Boa tarde, eu quero ver as gargantilhas, de preferência as que tiverem safiras. Precisam ser discretas, é para um homem. — A vendedora concordou com um rápido aceno e logo buscou pela bandeja que continha as joias solicitadas.
— Harry, é sério, me conta logo o que está rolando entre vocês? — O olhar da garota era curioso, mas tinha uma pitada de inquisição.
— Eu pretendia contar apenas no jantar, mas… — Harry mordeu o lábio em expectativa. — Louis está grávido. — Assistiu a boca da irmã sair do sorriso e ir para uma expressão surpresa. — Eu vou ser pai! — Sorriu largamente, sentindo-se feliz e, de uma forma estranha, completo por finalmente dizer essa frase.
— Eu não acredito… — Gemma levou as mãos até o rosto, fitando o irmão com atenção, e Harry viu as lágrimas surgirem nos olhos tão similares aos seus. — Harry… Eu vou ser tia? — Sua voz estava apenas um fio de voz, repleta de emoção.
— Senhor, aqui estão as peças. — A vendedora aproveitou o silêncio entre os irmãos para colocar as joias sobre o balcão. — Como é para um homem, os fios mais longos de ouro branco são mais adequados. — Gemma ainda estava se recuperando da surpresa ao seu lado, mas Harry prestava atenção no que a mulher lhe falava. — Temos pingentes de diversas formas, pontos de luz, em formato de gota… O pingente realmente fica mais a critério da personalidade de quem vai usá-lo.
— Sim, ele é mais delicado, fisicamente falando, é vaidoso, mas… Tem um temperamento centrado, gênio forte… — A vendedora sorria conforme Harry falava, de certa forma admirada pelo jeito carinhoso com que o homem falava sobre o futuro dono do presente.
— Hazzy… Eu achei esse lindo. — Gemma, já em controle de suas emoções, mostrou um cordão “rabo de rato” mais fino. — E esse pingente. — A peça apresentada era uma safira escura com pigmentos discretos, transformando-a num pequeno pedaço do universo, era redondo e contornado por uma fina camada de ouro branco cravejados de pequenos diamantes, cerca de trinta e cinco. Era uma joia robusta, mas tinha sua delicadeza e Harry gostou dela, pedindo que fosse separada. — Eu tenho bom gosto, eu sei.
— Fica quieta. — Harry lhe mostrou a língua antes de se voltar para vendedora. — Além do redondo quero este em formato de coração também. — Indicou um pingente com uma pedra mais clara, trabalhada para ter o formato de um coração. — Agora, eu quero pulseiras infantis, para meninos.
— Harry? De quantos meses o Louis está? Já sabem o sexo? — Gemma o fitava animada. — Escolheram o nome?
— Por que você não pode esperar até o jantar? Eu terei que repetir toda a história…
— Harry! — O grito esganiçado de Gemma fez com que tanto a vendedora quanto Harry rissem.
— Ele está de sete meses agora, o nome do bebê será Ethan Edward, — Gemma lhe lançou um olhar engraçado — e não fui eu quem escolheu, ok?! Não estou me auto-homenageando através da cerejinha.
— Cerejinha?
— É como o Louis o chama desde a primeira consulta. — Encolheu os ombros e deu um sorriso de lado, observando as pulseiras dispostas à sua frente.
— Você ficou todos esses meses sem nos contar? — Gemma lhe deu um soco no braço, mesmo sabendo que não faria efeito algum no irmão.
— Gemma, chega, no jantar, ok?! Eu vou contar para a família toda de uma vez, agora me ajuda aqui. Acha que uma criança de seis anos gostaria dessa? — Apontou para um pulseira de couro trançado.
— Seis anos?! — Harry lhe deu olhar que indicava que não haveria maiores explicações até o jantar. — Ok, vou anotar minhas perguntas para mais tarde. — Gemma girou os olhos antes de cravá-los na pulseira que Harry indicava. — Pelo amor de deus, não! Se ele for minimamente parecido com Louis, é melhor uma mais suave. — A mulher mexeu pelas peças dispostas na bandeja, sem gostar de nenhuma, porém. — Tem mais opções? — A vendedora concordou e guardou a primeira bandeja, buscando por outra. — Eu acho um cúmulo você não querer me contar sobre Louis, seu filho e esse garoto de seis anos e ainda assim querer que eu te ajude a escolher presentes para ele…
— Seja uma irmã boazinha, sim? — Harry lhe piscou o olho e Gemma respirou fundo antes de voltar sua atenção para a segunda bandeja de pulseiras.
— Talvez essa? — Mostrou uma pulseira com uma corrente fina e uma placa para gravação. — Ai pode colocar o nome… — Harry pegou a joia e a observou, era leve, de ouro branco também e a placa era delicada, tinha certeza que não seria bom para Caleb, mas talvez ficasse boa para Ethan.
— Tem uma igual a essa para bebês? — Questionou a vendedora que logo pegou uma bandeja com pulseiras menores, indicando uma idêntica a que ele tinha em mãos. — Quero a do bebê, o nome para gravação é Ethan. — A vendedora fez uma anotação enquanto Harry devolvia a pulseira maior para a bandeja. — É muito delicada para o Caleb… Talvez essa? — Indicou uma que tinha o fio de ouro branco ligeiramente mais grosso, trançado com uma fina tira de couro preto, também uma placa para gravação, contornada pelo couro. — É… Acho que ficará muito bonita em Caleb… — Decidido, entregou a pulseira para a vendedora, também ditando o nome para gravação.
— As gravações ficam prontas em cerca de uma hora, vamos aproveitar para limpar o cordão e os pingentes também. — A mulher os informou após Harry realizar o pagamento.
— Perfeito… São presentes separados, então, por favor, embalagens individuais. — A vendedora lhe sorriu e Harry saiu da loja, acompanhado de Gemma, que visivelmente se segurava para não disparar todas as perguntas que rondavam sua mente.
Mas Harry tinha a perfeita capacidade de ignorar a irmã enquanto voltava a andar pelo shopping, Gemma por fim acabou desistindo de conseguir respostas e voltou a se empolgar com as compras, dessa vez as dedicando totalmente à Louis, Caleb e Ethan. E todas compras envolveram roupas, brinquedos, sapatos e, definitivamente, uma bolsa maternidade azul com champanhe que Gemma insistiu que ser essencial para qualquer pai ou mãe. No meio tempo da nova onda de compras, eles voltaram para buscar as joias, que Harry fez questão de manter junto a si, já que pretendia dar aqueles presentes antes da noite de natal.
As coisas entre Harry e Louis não estavam perfeitas como ele gostaria que estivessem, mas estavam muito melhores do que seria capaz de ao menos imaginar. A cada novo dia Harry descobria algo sobre o rapaz de olhos azuis, e mais do que conhecer Louis, ele era capaz de conhecer Caleb; e Harry entendeu porque Zayn se apaixonou pelo garoto sorridente. Caleb era cativante, muito bem educado, brincalhão e muito amoroso e carinho, onde Louis ia, Caleb estaria por perto e beijava a barriga do pai a cada nova oportunidade; seria ridículo Harry dizer que não se encantou com o garoto.
Ainda havia assuntos não tocados, como a família de Louis, e intimidades ainda não permitidas, como Harry tocar a barriga dele sempre que sentisse vontade, mas estava trabalhando para conquistar isso, mesmo que sentisse ciúmes toda vez que Zayn chegava no apartamento do amigo e já beijava a barriga saliente. Caleb também o trocava sempre que o moreno estava por perto, e Harry tentava convencer a si mesmo que isso acontecia porque ele e Caleb estavam juntos quase todos os dias — e talvez ele estivesse exagerando com sua presença frequente, mas não podia evitar. Ele se pegava pensando em Louis mesmo quando havia acabado de falar com o rapaz, via um macacãozinho e imaginava Ethan o vestindo, via um carrinho de controle remoto e já pensava que Caleb iria adorar… Estava mais do que apaixonado por aquela pequena família, e não podia negar a si mesmo que estava desesperado para realmente fazer parte dela, mas também tentava não estragar tudo.
— Quer comprar mais alguma coisa? — Ouviu Gemma perguntar ao seu lado e ele riu, lembrando de tudo o que haviam comprado.
— Acho que já compramos mais do que deveríamos! — Lhe lançou um olhar divertido e a mulher girou os olhos enquanto entrelaçava seus braços.
— Eu não vi o meu presente… — Cantarolou ao seu lado e Harry apenas riu, ralhando algo sobre ela ser interesseira.
— Tio Harry! — Os dois pararam ao ouvir uma voz infantil e Harry foi o primeiro a encontrar o garoto correndo pelo corredor em sua direção, quando a criança estava perto o bastante Harry se abaixou para pegá-lo no colo. — Eu sabia que era você! Papai disse que não era, mas eu sabia!
— Caleb! — A voz de Louis soou alta e rígida enquanto o grávido se aproximava o mais rápido que podia. — O que eu disse sobre correr no shopping?
— Mas é o tio Harry… — O menino tinha um bico se formando nos lábios e Harry lhe mordiscou a bochecha, o fazendo rir.
— Não importa quem seja, você não podia correr. — Louis não afrouxou sua bronca, sequer desviando o olhar do filho para os adultos próximos. — Você está de castigo, vai ficar sem doces por hoje.
— Ah papai… — O garoto fez birra e reclamou enquanto se jogava no colo de Harry, que o segurava da melhor forma para evitar uma queda.
— Se continuar com a birra vai ficar sem doces amanhã também. — Quase como um truque de mágica, Caleb ficou quieto no colo de Harry, mas encostou a cabeça no seu ombro, fitando o pai com olhos chorosos. — Tínhamos um combinado antes de sair de casa, lembra qual era?
— Hm… — O garoto tentou esconder ainda mais o rosto de Harry, o que não adiantou já que Louis perguntou novamente. — Não correr. — Caleb finalmente respondeu.
— Exato, e você correu, por isso está de castigo. — Louis esfregou o topo de sua barriga, finalmente dando atenção aos adultos presentes. — Desculpem por isso. — Sorriu um tanto forçado. — Oi Harry…
— Oi Louis. — Harry tinha um sorriso calmo enquanto fitava o rapaz, que fitou Gemma antes de lhe lançar um olhar inquisidor. Era óbvio que Louis sabia quem era a mulher, ele vira fotos dela antes, e, para ser sincero, mesmo se não tivesse visto seria possível chegar a essa conclusão, a mulher era a versão feminina do irmão. — Essa é Gemma, minha irmã, Gemma, esses são Louis, Caleb — Harry agitou o garoto em seus braços, que lançou um sorriso um tanto tímido para Gemma — e o Ethan está na barriga ainda.
— É um prazer conhecer você pequeno. — Gemma fez cosquinhas no tronco de Caleb, que se contorceu em meio a risadas. — E é um prazer maior ainda finalmente te conhecer Louis. — Estendeu a mão para o grávido, que a apertou com um sorriso cálido. — Você tem olhos lindos! Iguais safiras… Oh! — Gemma exclamou e fitou Harry, que fez seu melhor para fingir que não entendeu qual era o problema da irmã.
— Também é um prazer te conhecer, Gemma. Harry fala bastante sobre você e Zoe, talvez um pouco mais de Zoe do que de você… — Brincou um pouco e se sentiu bem quando a mulher riu para si.
— Ele te mostrou as milhares de fotos que ele tem da Zoe no celular? — Gemma prendeu o braço de Louis com o seu, logo o fazendo caminhar pelo shopping, com Harry os seguindo enquanto conversava com Caleb sobre sua semana. — Ele não perde a chance de fotografar minha filha, parece um paparazzi! — Harry girou os olhos e fez uma carta para a irmã, fazendo Caleb rir e a mulher virar o rosto para fitá-lo. — Estou mentindo?
— Para o seu governo, não está, mas acrescento que agora tem fotos do Louis grávido, do Caleb e imagens do último ultrassom. — Louis sorriu de forma envergonhada, ainda sem saber como reagir com um Harry carinhoso e atencioso consigo e com as crianças.
Não havia a menor necessidade de acrescentar que, sim, Harry chorou ao ver a imagem do filho no aparelho de ultrassom, e suas lágrimas só aumentaram quando os batimentos cardíacos do bebê preencheram a sala. Ele nunca havia se visto naquela situação, e isso não significava que ele não queria ter filhos, porque esse sempre fora um desejo seu, apenas não havia de fato pensado em como seria quando isso acontecesse; não planejou um relacionamento, casamento, filhos… Harry apenas vivia, e nos últimos anos tudo ao seu redor era sobre trabalhar, então envolver-se romanticamente com alguém estava fora de cogitação; ele não tinha tempo para dar a atenção que um relacionamento exigia. Mas a vida nem sempre segue seus planos.
— Tio Harry, o que vocês estavam fazendo? — Caleb perguntou em seus braços, que por sinal já estavam cansando com o peso do garoto.
— Comprando presentes para nossa família e amigos. Um montão de presentes de natal. — Inflou as bochechas para o garoto, que as apertou entre suas mãos enquanto ria do barulho que Harry fez ao soltar o ar.
— Para mim também tio Harry? — Perguntou com os olhos grudados no de Harry.
— Para você também, mas é segredo. Ta junto com o do papai. — Sussurrou as últimas para apenas o garoto ouvir.
— Do Ethan também? — Inclinou a cabeça para o lado e quando Harry confirmou o garoto ergueu as mãos e soltou um gritinho de empolgação, que obviamente chamou a atenção de Louis e, por consequência, de Gemma.
— Sem doces! — Louis tinha o dedo acusador apontando para Harry, que o fitou com o maior ar de inocência possível. — Eu te conheço Harry, não faça essa cara!
— Ouviu, filhote, sem doces para você. — Caleb fez beicinho, mais um vez, e se Harry de fato tivesse algum doce consigo, com certeza já o teria contrabandeado para o bolso da jaqueta que o pequeno vestia. — Agora você vai para o chão, você está crescendo demais. O que anda comendo tanto? Legumes? — Louis tinha o discurso de que comer legumes deixaria o filho grande e forte, e Harry, que não era muito fã de legumes, foi impedido de quebrar essa sentença, então ele fingia concordar. Caleb concordou com cabeça e segurou a mão de Harry enquanto olhava de um lado para o outro do movimentado shopping. — O que vocês vieram fazer aqui afinal?
— O mesmo que todos fazem no shopping dois dias antes de natal. — Louis sorria bem humorado. — Compras de última hora. — Ergueu as sobrancelhas de forma cômica e Harry riu, bem como Gemma. — Falta o presente de quem, brotinho? — Questionou o filho, que lhe fez uma careta antes de responder que faltava o de Zayn. — Ah, ótimo… O exigente Zayn… O devemos comprar para seu padrinho, hein? Um pente? Um xampu? Talvez um perfume? — Caleb riu de todas as opções. — Acho que essa risada significa um não… — Projetou o lábio inferior para frente, segurando a barriga de forma casual e olhando ao redor.
— Roupas, papai, tio Zayn gosta de roupa. — Caleb falou como se fosse a coisa mais natural e lógica e ele estivesse cansado de repetir a mesma informação.
— Ah! É verdade! Roupas. — Louis lançou um olhar divertido para Gemma, que sorria amorosa para a cena entre pai e filho. — Bem… Então vamos para a loja de roupas. — Chamou Caleb para segurar sua mão. — Foi ótimo te encontrar Harry, e te conhecer Gemma.
— Está nos dispensando? — A mulher perguntou desmanchando o sorriso que tinha.
— Ele definitivamente está nos dispensando. — Harry concordou, cruzando os braços ao lado da irmã.
— Por que está dispensando eles papai? — Caleb perguntou ao seu lado, erguendo o rosto para poder fitar o pai. — E o que isso quer dizer?
— Quer dizer que o seu papai quer que a gente vá embora. — Harry se abaixou para ficar na altura de Caleb, que franziu o rosto ao ouvi-lo e exclamou um choroso não para o pai.
— Céus…! — Olhou para o teto como se pedisse paciência, mas havia um sorriso carinhoso nos lábios. — É só que vocês devem ter suas próprias compras a fazer, devem estar ocupados.
— Na verdade não. — Gemma foi a primeira a responder. — Terminamos nossas compras e os meus planos eram simplesmente ir para casa ficar infernizando Harry para ele falar mais sobre vocês, mas posso perguntar diretamente para você, o que acho mais divertido. — A mulher tinha um olhar e um sorriso sereno, como uma criança que havia se comportado muito bem e esperava pela recompensa prometida.
— Além disso, você disse que só falta o presente de Zayn, então não vejo porque não acompanhá-los… — Harry se levantando, segurando a mão de Caleb para manter o garoto próximo a si.
— É papai! Vai ser divertido! — O garoto deu um pulo ao lado de Harry e Louis cedeu com um aceno.
— Ai meu deus! Vamos às compras! — Gemma segurou o braço de Louis e voltou a caminhar pelo corredor. — Em que loja vamos hein? Calvin Klein? Dolce & Gabbana?
Louis não concordou nem discordou de nenhuma das opções dadas, portanto entraram nelas e em algumas mais, e talvez Louis tenha comprado mais peças para si, para Caleb e para Ethan. E Gemma também comprou mais algumas coisas para sua família, e ao terminar de pagar estendeu uma das sacolas em direção à Louis, que a fitou de forma confusa antes de aceitar.
— É um presente para meu sobrinho. — A mulher tinha um sorriso empolgado e Louis segurou a respiração por alguns instantes, surpreso com a fala tão simples e sincera. — Abre logo, quero saber se gostou do que escolhi!
— Não são para o natal? — Sorriu divertido para a mulher, lançando um olhar rápido em direção a Caleb, que provava uma jaqueta com ajuda de Harry.
— Ethan não nasceu ainda, podemos adiantar um pouquinho… — Ela piscou um olho e Louis sorriu.
Abriu a sacola e vasculhou entre as folha de papel seda até alcançar a peça de roupa que ali estava, retirando-a com cuidado e sorrindo largo ao perceber que tinha uma jaqueta multicolorida com capuz; a base das cores era o azul, mas tinha o desenho de um inseto dourado no centro, assim como flores e coroas espalhados pelo restante da peça em cores azuis, amarelas, verdes e vermelho. Não havia nada de discreto na roupa, mas era linda e Louis só sabia sorrir e agradecer pelo presente.
— Sendo filho de Harry Styles, não tem muito como ser um bebê discreto… — A mulher sorriu e Louis a acompanhando, lembrando das peças nada discretas, e que provavelmente só ficavam bem no empresário, que Harry usava para ir à sua casa.
De tudo o que Louis imaginou que poderia acontecer, nada o preparou para ser aceito. Ele não fazia ideia do quanto Gemma sabia sobre si, se era tudo ou nada, mas naquele instante isso não fazia diferença. A mulher estava ali, falando sobre Ethan como um membro da família, comprando roupas que sabia que Harry daria para o filho, respeitando Louis como ele não pensou que seria; era tudo o que importava e Louis se apegava a isso. E quem o julgaria por estar emotivo e com os olhos cheios de lágrimas quando a abraçou, sendo correspondido com tanto carinho que só teve mais vontade de chorar? E obviamente as lágrimas correram pelo rosto quando se afastaram e Louis viu Caleb sentado sobre o balcão do caixa, vestindo uma jaqueta idêntica a que Gemma comprara para Ethan enquanto Harry pagava pela peça.
Saíram da loja com Harry levando Caleb sentado em seus ombros e contando as histórias mais engraçadas sobre o natal dos Styles, a que mais fez o garoto rir foi que a história em que um Harry de cinco anos montou no cachorro da família, um pitbull terrier americano, e fez com que o cachorro saísse correndo por todo o jardim da mansão, obviamente, que a Gemma, de sete anos de idade apenas ria até chorar enquanto apontava para o irmão e os pais de ambos corriam atrás do cachorro animado e da criança risonha. E Caleb agora queria uma cachorro igual.
— Não podemos ter um pitbull, brotinho. — Louis tentava explicar ao filho. — Eles são grandes e precisam de bastante espaço para gastar toda a energia deles…
— Acredite em nós, Louis. — Gemma tomou a fala para si. — Duas crianças são perfeitamente capazes de acabarem com a energia de qualquer bichinho.
— Gemma… — Sua voz e seu olhar eram de súplica, ele não precisava que ajudasse Caleb em seus argumentos para ter um cachorro. Louis não tinha como lidar com um recém-nascido e um filhote, talvez quando Ethan fosse mais velho, mas definitivamente não naquele momento.
— De qualquer maneira, enquanto o papai não te dá um, tem dois deles na casa dos meus pais. — Harry comentou, segurando as pernas de Caleb para evitar uma queda. — Você pode ir lá brincar com eles.
— Verdade? — O garoto deixou sua animação transparecer em sua voz e Harry sorriu, concordando com ele. — Vamos papai! Vamos ver os cachorros!
— Hoje não podemos brotinho, o tio Zayn vai lá em casa com o tio Niall, lembra? — Teve que olhar para cima para encontrar o rosto do filho, que concordou com seriedade, lembrando que havia prometido ao tio Zayn que estaria em casa.
— Vocês… Vocês podiam passar o natal com a gente. — Harry convidou com um sorriso pequeno, fitando Louis em expectativa.
Ensaiava há dias sobre fazer o convite para Louis e Caleb se juntarem a ele e sua família no natal, mesmo sabendo que havia poucas chances de Louis concordar. Harry queria apresentá-lo a todos, queria que conhecessem o pai de seu filho, queria que conhecessem Caleb.
— Eu agradeço o convite, mas não acho uma boa ideia. — Louis respondeu com um sorriso educado.
— Por que? Você já tem planos? — Harry genuinamente confuso; Louis não havia comentado coisa alguma sobre o feriado, por isso imaginou que não tinha plano algum.
— Bem… Ficar em casa assistindo filmes natalinos enquanto comemos é um bom plano. — Louis encolheu os ombros e Gemma sorriu. — Mas é que… Eu não conheço ninguém da sua família, e não parece uma boa ideia conhecê-los justamente no natal…
— Olha… — Gemma interrompeu Harry, que estava pronto para argumentar. — Por mais que a nossa família seria incrível e tudo o mais, eu também acharia assustador conhecer todos de uma única vez. — O empresário ficou em silêncio, pensando nas palavras da irmã e concluindo que se estivesse no lugar de Louis, provavelmente também rejeitaria o convite. — Aceitamos que você não vá passar a noite de natal com a gente se você concordar em almoçar com a gente no dia vinte e cinco. — Sorriu docemente para ele. — Zayn e Niall também estarão lá.
— Bom… Parece que não tenho opção… — Brincou com eles e cutucou a cintura de Caleb, ainda nos ombros de Harry. — O que acha, brotinho? Vai poder brincar com os cachorros.
— Yay! — O garoto ergueu os braços e Harry subiu as mãos para suas coxas, já que o pequeno se jogou um pouco para trás.
Despediram-se pouco tempo depois, com Gemma fazendo questão de pegar seu número de telefone, acariciar e beijar sua barriga e bagunçar os cabelos de Caleb — já posto no chão por Harry -, que apenas riu e lhe deu um beijo na bochecha quando a mulher virou o rosto. E Harry acariciou sua barriga também, mas Louis percebeu sua dúvida e receio de fazer qualquer carícia mais íntima, como beijar a pele bem esticada coberta pelo cardigã roxo que Louis usava, e foi quando a mão de Harry quebrou o contato foi que Louis sentiu um chute forte no canto da barriga, buscando de volta a mão do empresário e a deixando sobre o local, até que o bebê chutou outra vez.
— Hey… — Harry se abaixou e deixou o rosto próximo à barriga. — Você está bem acordado, hm? Que chute forte! — Gemma ficou ao lado do irmão, com a mão também sobre a barriga de Louis. — Ta sentindo a mão da tia Gemma? Seu irmãozão também está aqui. — Caleb estava parado ao lado de Harry, sem entender muito bem porque todos estavam com a mão na barriga do seu pai; ele já tinha sentido Ethan chutar diversas vezes. — Você vai ficar mais um tempinho ai dentro, mas estamos muito ansiosos para ver seu rostinho, cerejinha. — Sem se controlar ou ao menos pensar sobre isso, Harry plantou um beijo no lugar, sendo prontamente imitado por Caleb.
Harry encontrou os olhos marejados de Louis quando se ergueu de volta, que sorriu de forma um tanto acanhada e disse algo sobre hormônios e época natalina que apenas fez com que Gemma e ele sorrissem, e Harry não se importou com o que pudesse vir a parecer ou o que Louis poderia pensar sobre o fato, apenas lhe deu um beijo da testa e o abraçou com carinho, dizendo que depois iria até seu apartamento, sussurrando a parte sobre os presentes de Caleb. Jogou o garoto nos braços mais uma vez o enchendo de beijos e se despedindo de uma vez. Poucos instantes depois Louis e Caleb já estavam longe o bastante para não ouvi-los mais, mas Harry continuava a observá-los.
— Você está caidinho por ele…
Harry não respondeu. Não havia como refutar a verdade.
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