Voulez-vous coucher avec moi ce soir?
10 Capítulo 10: Cereja
Louis estava sentado na não tão confortável cadeira da sala de espera do consultório médico há cerca de dez minutos, esperando que a médica terminasse o atendimento de outro paciente para poder atendê-lo, então decidiu que talvez já fosse hora de tentar se distrair com alguma revista; e não ficou exatamente surpreso em ver o rosto de Harry Styles numa das capas. Muito embora a matéria sim o surpreendeu. Harry estava acompanhado de Niall Horan, Louis conhecia seu rosto pelas fotos que Zayn o mostrara uma vez, e a matéria falava sobre o casamento da década. Com os dois poderosos herdeiros se casando, suas multimilionárias empresas seriam fundidas e daria origem a uma maior, mais forte e mais poderosa empresa de tecnologia. Louis deixou a revista de lado após ler sobre o benefício da junção dos negócios e passou a mão pelo rosto; precisaria ligar para Zayn, ou talvez fosse melhor passar no apartamento do amigo.
Desde a gripe de Caleb, há cerca de um mês, eles mal se falaram; Zayn estava correndo com contratos, reuniões e viagens de curtíssima duração, por outro lado Louis estava às voltas com a sua nova gravidez, planejamento financeiro e mudança de apartamento e números de telefone — decidiu o fazer depois que o advogado de Harry o contatou para confirmar que o contrato entre eles estava desfeito -. Ainda havia caixas em seu apartamento que precisavam ser arrumadas, mas o quarto de Caleb estava pronto.
— Louis Tomlinson? — A secretária o chamou, ganhando sua atenção. — Pode entrar.
Louis sorriu e se levantou, só então percebendo que o casal que estava sendo atendido antes de si estava na recepção, sorrindo amorosos para uma impressão da ultrassom. E Louis seria a última pessoa a julgá-los, ele ainda tinha algumas de Caleb e com certeza terá do seu caçula também.
— Bom dia, senhor Tomlinson. — A médica o cumprimentou com um aperto de mãos assim que Louis fechou a porta e se aproximou. — Como tem se sentido?
— Bom dia, doutora Lindsay. — Sorriu de forma educada, e um tanto nervosa. — Bem na medida do possível…
— O que quer dizer? Quais os sintomas estão mais fortes? — A mulher de cabelos ondulados e loiros fitava sua ficha não muito longa. Louis fizera o exame de sangue para confirmar a gravidez logo após os testes de farmácia, seu clínico geral recomendou a doutora Lindsay para ser sua obstetra e acompanhar sua gestação. — Preciso saber todos para pensarmos juntos na melhor forma de deixá-los mais fáceis de conviver.
— Ok… Qualquer coisa me acorda de noite, qualquer coisa mesmo, muita dor nas costas, alguns dias são piores que os outros, meu peito tem doído, tenho náuseas todos os dias pela manhã, alguns enjoos no decorrer do dia… Não vomito muito, mas algumas vezes acontece. E eu com certeza estou sempre cansado. — A médica anotava cada informações com cuidado, vez ou outra o fitando para que ele continuasse falando. — Recentemente eu me mudei e até agora não consegui terminar de arrumar as coisas. — Riu com um pouco de humor, lembrando que metade do seu aparelho de jantar ainda estava encaixotado.
— Bem… Apesar de serem desconfortáveis, são sintomas normais para o primeiro trimestre, aqui diz — indicou o exame de sangue que Louis havia levado — que você está de nove semanas de gestação, o que nos dá mais ou menos dois meses. — A médica o fitava com atenção, e Louis ouvia atentamente cada informação dada. — Você já esteve grávido antes?
— Sim, eu tenho um filho de seis anos.
— Bom, então você sabe que a alimentação saudável é imprescindível e vou te receitar o famoso ácido fólico. — Ela tinha um sorriso ladino enquanto escrevia no receituário. — O nível de vitaminas no seu sangue está dentro do padrão, então vamos acompanhar e se necessário eu receito suplementos.
— Ótimo. — Mentalmente Louis pensava que talvez não devesse ter cedido à tentação e comprado quatro tipos diferentes de salgadinhos e chocolates no dia anterior.
— Você tem histórico familiar de alguma doença? Câncer, hipertensão, diabetes, colesterol…? — Havia uma lista de doenças que a médica ditava para ele conforme preenchia com suas respostas e Louis se sentia um tanto nervoso quanto a isso.
— Não, nenhum.
— E quanto ao outro pai? Tem histórico de alguma delas? — E ai estava, o momento crítico que ele sabia que chegaria e não tinha muito o que fazer.
— O outro pai não está na jogada e eu não sei sobre o histórico da família dele. — Curto e direto, é a melhor forma de evitar novas possíveis situações desagradáveis.
— Ok, então vamos monitorar um pouco essas questões para saber se há algo que possa afetar o bebê. — A mulher se levantou e se aproximou de Louis, capturando seu estetoscópio e o medidor de pressão, aferindo logo em seguida. — Tudo normal. — Lindsay se levantou e indicou que Louis deveria a imitar. — Depois daquela porta há um tipo de camisola, por gentileza troque suas roupas, pode manter a roupa íntima.
Essa era parte que Louis não gostava muito, sentia-se exposto com aquela roupa, mas também não tinha muito o que fazer sobre o assunto. Por isso foi breve em se trocar e voltar para onde a médica o esperava. Lindsay sorriu e indicou que Louis deveria subir sobre a balança, e ela logo registrou seu peso; Louis não estava exatamente contente por ter engordado um quilo, embora soubesse que iria engordar muito mais.
— Deite-se na maca, pode cobrir as pernas com o lençol para seu maior conforto, e exponha seu abdômen, por favor. — Enquanto falava a médica organizava seus aparelhos; Louis levou menos de cinco minutos para fazer tudo o que lhe fora dito para fazer. — Bem, vamos lá papai. — Ela sorriu largamente antes de espalhar o gel gelado por seu abdômen e pressionar o pequeno aparelho contra sua pele. — Vejamos… Cadê você pequenino? — A mulher fitava a tela fixamente, praticamente sem piscar enquanto movia o aparelho pelo abdômen ainda reto de Louis. — Ahá, aqui está. Esse pontinho — apontou para uma parte pequena na tela — é onde está seu bebê, ele tem aproximadamente o grande tamanho de dois centímetros e pesa dois gramas, ou seja, é do tamanho de uma cereja. — Louis riu da comparação, porque tinha a tendência de passar toda a gestação chamando o bebê pelo primeiro alimento ao qual ele foi comparado; em outras palavras, sua cerejinha já tinha um apelido. — Vamos ouvir os batimentos cardíacos?
— Sim, por favor. — Louis mal desviou os olhos da tela do ultrassom para fitar a médica, que sorriu e ligou o aparelho de som, deixando que o consultório fosse preenchimento pelos rápidos e fortes batimentos.
— Uau… Coraçãozinho forte. — Lindsay riu brevemente, acompanhada de Louis, que estava simplesmente apaixonado, como ele sabia que ficaria. — O feto, ou melhor, seu bebê está perfeitamente saudável para nove semanas, então é cuidar da alimentação, tomar o ácido fólico e qualquer problema me procurar. — Louis concordou enquanto aceitava as folhas de papel que a médica lhe estendeu para limpar seu abdômen, logo sendo liberado para trocar de roupa.
A consulta terminou logo em seguida e Louis saiu da sala da médica para agendar seu retorno junto à recepcionista, e sim, ele tinha uma ultrassom impressa, que pretendia mostrar para Zayn e usar para explicar para Caleb sobre seu futuro irmãozinho. Agradeceu à recepcionista e deu um sorriso educado para a garota que estava aguardando ser atendida antes de sair e voltar para seu carro, antes de dirigir mandou uma mensagem para Zayn; estava próximo do horário do almoço e gostaria de ter companhia, especialmente de alguém que era seu melhor amigo. A resposta não demorou e ele seguiu para o restaurante escolhido.
— Bom dia, senhor. — O manobrista sorriu educadamente enquanto esperava Louis descer do carro.
— Bom dia. — Seguiu até a hosts do restaurante, sorrindo assim que ganhou sua atenção. — Bom dia, preciso de uma mesa para dois, tenho preferência por uma mais discreta.
— Bom dia, senhor, temos uma ótima que dá visão da varanda, mas não chama atenção dos outros clientes. Queira me acompanhar por gentileza. — A moça, que não deveria ter mais do que vinte anos, seguiu pelo saguão que, devido ao horário, ainda estava parcialmente vazio, e Louis a seguiu a alguns poucos passos de distância. — Essa está de seu agrado? — Indicou uma mesa que fica ao canto, no final da vidraça transparente, que exatamente como ela dissera, eles poderiam ver a varanda, mas dificilmente prestariam atenção neles.
— Está perfeito, obrigado. — A moça lhe sorriu e já estava para se retirar antes que Louis a chamasse de volta. — Eu sou Louis e estou aguardando meu amigo Zayn, pode guiá-lo quando ele chegar?
— Perfeitamente senhor. — Ela sorriu e se afastou e então Louis sentou-se, ficando de frente para a porta principal para facilitar sua identificação quando Zayn chegasse.
E esperava que ele aparecesse logo, estava ansioso e nervoso, querendo contar as novidades, mas também com certo receio. Zayn era seu melhor amigo, era praticamente seu único amigo se fosse sincero, mas o moreno também era amigo de Harry e Louis estava ciente de que dificilmente o amigo concordaria com sua decisão de não contar ao empresário sobre a gestação.
Louis contaria, ele iria até o apartamento do homem e contaria sobre a gravidez não planejada, diria que o homem não precisava se envolver em nada, nem nome no registro nem pensão, apenas Louis seria pai; ele faria isso se o homem não fosse Harry Styles. Já tivera diversos clientes importantes, sempre homens com muito dinheiro e pouco tempo para emoções, mas nenhum era tão presente na mídia ou famoso no meio empresarial quanto Harry, e esse era o motivo de não querer contar a ele. Harry poderia querer que ele fizesse um aborto ou, no melhor dos cenários, ficar com a criança depois que nascesse, e Louis não permitiria nenhum dos dois.
— Hey Lou. — Foi tirado de seus pensamentos por Zayn se sentando à sua frente. — É ótimo ter um tempo decente para almoçar com você, tem sido uma correria sem fim…
— Eu imagino. Como você está? — Perguntou enquanto observava o amigo correr os olhos pelo cardápio.
— Estou bem e você? — Respondeu sem sequer desviar a atenção do menu.
— Não, Zayn… — Forçou o amigo a abaixar o cardápio e fitá-lo. — Como você está? Como você realmente está? — O amigo o fitou de forma confusa, como se não estivesse conseguindo entender do que se tratava. — Eu li a matéria na revista, sobre o casamento.
— Como acha que estou? — Zayn deixou um sorriso irônico surgir em seus lábios, deixando o cardápio de lado por fim e se encostando na cadeira. — Eu to um lixo. O cara que eu sou apaixonado desde sei lá eu quando está de casamento marcado com um dos meus amigos mais próximos… — Deixou os olhos presos no guardanapo ainda sobre a mesa, mordiscando o lábio distraidamente. — Se eles estivessem apaixonados eu nem me importaria de verdade, quero dizer… Se eles se amassem, tudo bem. O que eu poderia fazer? — Zayn o fitou rapidamente antes de voltar a olhar para lugar algum em específico. — Mas eles não se amam, é tudo comercial, é tudo pelos negócios… É… Decepcionante. — Sorriu mais uma vez sem humor algum, sentindo-se vazio, nem mesmo lágrimas havia lhe restado; já havia chorado vezes demais desde que soubera do casamento.
— Eu sinto muito Zayn. — Louis não sabia exatamente o que deveria falar ou fazer naquele momento, o que era ridículo; não sabia como consolar seu próprio amigo. — Você… Você pensou em conversar com o Niall? Em se declarar?
— E de que adiantaria? Eu sou apenas o diretor financeiro, não o dono… Que vantagem eu tenho a oferecer?
— Você tem você mesmo, cheio de amor, carinho e beleza árabe. — Sorriu de lado e piscou um olho, ganhando uma risada fraca do amigo.
— Eu… Estou conformado com esse casamento, se quer saber… — Encolheu os ombros. — A tristeza vai passar...Um dia ou outro, vai passar…
O garçom se aproximou poucos instantes depois, anotando os pedidos e se retirando logo em seguida. Louis estava em dúvida quanto a contar sobre sua gravidez naquele momento ou esperar um pouco mais, não sabia se faria bem ao amigo saber daquela pequena novidade. E enquanto pensava sobre contar ou não, decidiu contar sobre a nova pequena obsessão que Caleb adquirira.
— Sapos, Zayn! Sapos!
— Eu acho sapos bonitinhos. — O moreno sorriu enquanto sorvia um pouco de uma bebida, servida há pouco, junto com suas refeições. Louis se deu por satisfeito com água com gás e muito gelo.
— Sim, os de pelúcia, os desenhos, não os vivos! E definitivamente não foi divertido encontrar um monte de girinos no aquário dele! Era para ter apenas um peixinho beta!
— Você pediu para ele ser responsável, ele será com os girinos…
— São sapos!
— Podem ser bichinhos de estimação legais…
— Zayn! — Exasperou-se com o amigo, batendo as mãos sem força alguma na mesa, o que ocasionou numa risada baixa do moreno. — Bichinhos de estimação são gatos e cachorros, talvez um hamster, não sapo!
— Tem gente que tem cobra. — Zayn cortou um pedaço de seu filé e o saboreou, observando com diversão a expressão facial de Louis, que era simplesmente uma de indignação.
— Você é absurdo, Zayn, eu nunca mais vou deixar o Caleb sozinho com você. — Louis se concentrou em comer seus legumes com filé de salmão e ignorou os chamados do amigo, que tentava ter sua atenção de volta e continuava com as questões sobre sapos, cobras e outros anfíbios e répteis. — Chega Zayn. — Louis descansou os talheres ao lado do prato. — Não terá sapos na minha casa, fim de jogo.
— Que pai chato…
— Vou falar para ele deixar os próximos girinos com você. — Louis mal deu atenção à Zayn enquanto falava, chamando pelo garçom e pedindo o cardápio de sobremesa.
— Você comeu todo saudável e agora vai pedir doces?
— É tudo uma questão de equilíbrio. — Ignorou por completo o olhar irônico de Zayn enquanto perscrutava as diversas opções em busca de uma que enchesse sua boca de água. — E minha dieta oficial só começa amanhã…
— É sempre amanhã, ne?!
Louis lhe mostrou a língua rapidamente, arrancando outra risada, antes de chamar novamente o garçom e pedir por uma fatia de bolo de chocolate, recheada de brigadeiro e uma bola adicional de sorvete de flocos com chantilly extra, o que, obviamente, fez com que Zayn o fitasse de forma cômica. Louis não estava preocupado, por mais que soubesse que não deveria comer tantos doces, sua alimentação normal era bastante equilibrada; e se for minimamente parecido com a gestação de Caleb, ele colocará tudo para fora em questão de minutos. Não era bem o que estava em sua mente naquele momento, porém, tudo o que sentia era vontade de comer o bolo com sorvete e chantilly.
Zayn se conformou com apenas um café, bebendo-o lentamente enquanto observando seu amigo devorando o pedaço de bolo, sem nem ao menos se importar com os cantos da boca sujos, o que o divertia. Caleb era absurdamente semelhante ao pai, e era em momentos assim que Zayn percebia que a semelhança ia além da física. Era poucas as vezes que Zayn conseguia tempo, e autorização de Louis, para passar o dia com Caleb, mas quando conseguia suas alimentações eram baseadas em chocolates, salgadinhos, refrigerante e balas, e é claro que o garoto terminava com a boca toda suja.
— Você deixa o Caleb ficar comigo esse fim de semana? — Perguntou depois de algum tempo, tentando lembrar se havia algum compromisso importante nesses dias.
— Por que você quer roubar meu filho de mim esse fim de semana?
— Meu deus, quanta possessividade… — Zayn riu, tanto por causa da pergunta de Louis quanto por sua boca suja de doce. — Eu estou com saudades dele, posso pegá-lo no sábado, por volta da hora do almoço, ai vamos ao parque, cinema e dormimos, levo ele de volta depois do almoço no domingo.
— Por que eu não posso participar dessa programação? — Louis limpou com o guardanapo, deixando o tecido ao lado de seu prato.
— Porque você é chato. — Zayn fingiu descaso, e Louis o teria respondido se o enjoo que sentiu não o tivesse forçado a sair da mesa em disparada para o banheiro.
Louis mal teve tempo de se debruçar no vaso sanitário antes de colocar para fora todo o seu almoço. E ele definitivamente odiava essa parte da gestação; comer como se sua vida dependesse disso e vomitar como se tudo o que havia comido estivesse estragado, acionou a descarga quando constatou que estava melhor e se levantou, encontrando Zayn parado no meio do banheiro o olhando com um misto de nojo e preocupação.
— Ahn… E ai? — Perguntar se estava tudo bem parecia estúpido demais no cenário em que acabara de ouvi-lo colocar tudo o que havia ingerido para fora.
— Tudo bem, é normal. — Foi a única resposta que deu enquanto lavava a mão e logo em seguida a boca e o rosto, e agradeceu por ter enxaguante bucal disponível.
— Normal…? Nós realmente temos visões bem diferentes do que é normal Lou… — Zayn continuava com a mesma expressão facial e Louis queria rir, mas ainda se sentia um pouco tonto e achava que risse o tanto que gostaria de rir, acabaria passando mal de novo.
— É que… Eu estou grávido Zayne. — Assistiu com certo deleite a expressão de Zayn mudar para uma mais confusa enquanto o amigo desviava o olhar de seu rosto para sua barriga. — Nove semanas. — Mordeu os lábios, balançando a cabeça de leve. — Isso é dois meses…
— Você…? Uau… Harry? — Não estava se sentindo com real capacidade de formular frases completas, então palavras-chaves pareceram algo bom.
— É do Harry, e ele não sabe. — Louis o observou por um tempo, sem obter nenhuma outra resposta. — E eu quero que permaneça dessa forma.
— Louis…
— Vamos voltar a mesa? Continuar conversando de lá? — Deu um sorriso nervoso, esperando que Zayn ao menos o ouvisse antes de sair e procurar por Harry.
Depois de lavarem as mãos, mais uma vez no caso de Louis, ambos voltaram para mesa, e logo foram abordados pelo gerente perguntando se houve algum problema com a refeição deles ou se necessitavam de algum tipo de auxílio. Louis lhe explicou sobre a gravidez e pediu que lhe servissem uma salada de frutas e outra água, sendo prontamente atendido.
— Então… Harry vai ter um filho sem saber? — Havia certa ironia em sua voz e Louis irritou-se levemente com isso, e tentou relaxar pensando que boa parte disso eram seus hormônios gritando.
— Harry não vai ter filho algum, eu vou ter. — Bebeu parte de sua água antes de voltar a falar, tendo a total atenção do amigo. — Harry tem dinheiro e terá um ótimo casamento comercial, já que você não quer fazer nada sobre isso.
— Saber sobre essa gravidez poderia fazê-lo cancelar o casamento… — Apontou como se isso fosse o bastante para tirar sua responsabilidade.
— Claro que não, as únicas coisas que aconteceriam seria Harry me pedindo, ou melhor, mandando eu fazer um aborto ou ele exigindo a guarda legal do meu filho depois que ele nascesse. — Louis deixou seus olhos voltados para a varanda, sem de fato observar coisa alguma. — Eu não vou deixar que ele tire meu filho de mim…
— Harry não faria isso, e mesmo que fizesse, acha mesmo que perderia a guarda para ele? — Zayn o fitava como se apenas a ideia de um juíz tirando a guarda de uma criança de menos de um ano do pai que a gerou fosse a mais absurda da história.
— Não só acho como tenho certeza. — Fixou o olhar nos olhos âmbar do amigo. — Eu sou um ex-garoto de programa, que sequer tem um emprego fixo no momento, enquanto Harry é dono da Styles Tecnology, ele compra o mundo se ele quiser.
— Louis, não é assim…
— É assim, sim, você sabe disso. — Engoliu o nó que se formou em sua garganta, empurrando-o com um pouco de água. — E eu perderia o Caleb também. — Mesmo lutando contra, algumas lágrimas surgiram em seus olhos. — Esse bebê, com sorte, viveria uma vida de principezinho, mas e Caleb? Um orfanato? Eu não vou deixar que isso aconteça.
— Louis não é justo. — Zayn tentava manter sua voz calma, tentava fazer com que o amigo o entendesse. — Harry merece saber que vai ter um filho, e mais do que o Harry merecer, essa criança merece conhecer o pai.
— Sim, ele merece, e o Caleb também, e eles vão conhecer, ou pelo menos saber quem são seus outros pais, quando tiverem idade suficiente para conseguirem lidar com tudo o que isso vier a causar nas vidas deles. — Zayn não o respondeu, fitando tudo e qualquer coisa, menos o rapaz sentado diante de si. E Louis sabia que seria daquela forma, sabia que seria difícil o amigo entender seu ponto de vista, porque nunca foi a realidade dele, era fora da bolha na qual crescera. — Zayn, por favor, tenta entender, eu…
— Eu não entendo Louis, eu não consigo, e duvido que eu entenda amanhã ou depois, porque para mim apenas não faz sentido. — O moreno o fitou com um vinco entre as sobrancelhas. — Eu conheço você, e tão bem quanto eu conheço você, eu também conheço o Harry. Então essa história de aborto, pegar a guarda ou qualquer outra coisa do tipo simplesmente não faz sentido para mim.
— Eu sei… Eu sei… — Louis passou pelo rosto, secando as lágrimas que ele sequer havia notado saírem de seus olhos. — Mas eu não posso correr o risco… Não consigo sequer pensar na possibilidade de perder qualquer um dos meus filhos, Zayn… Por favor…
— Lou, isso não vai acontecer. — O moreno se inclinou sobre a mesa, esticando as mãos em direção ao amigo, pedindo para que ele colocasse as suas sobre elas. — Você não vai perder seus filhos, para ninguém, para nada…
— Eu não posso arriscar… — Louis tinha as mãos frias e trêmulas. — Eu não posso contar, Zayn, por favor.
— Eu não entendo Louis…
— Apenas respeite, por favor.
— Tudo bem, e isso significa que não vou contar ao Harry, mas não significa que vou desistir de te convencer a contar para o Harry. — Zayn acariciava as costas das mãos de Louis com os polegares, tentando mantê-lo calmo.
— Não seria você se desistisse, não é?
Zayn lhe deu um sorriso vago, pois ambos sabiam que o moreno já havia desistido de mais coisas do que gostaria de admitir, mas sempre fora sobre si mesmo, sobre seus desejos e sonhos, jamais sobre seus amigos. Ele não tinha certeza sobre os sentimentos de seus amigos, nenhum dos dois admitiu coisa alguma, mas ele via o mal humor de Harry, que usava o casamento como desculpa, e também via como a energia e alegria, sempre tão características de Louis, haviam praticamente sumido desde que o contrato deles foi desfeito. Havia uma faísca ali, e enquanto Harry e Niall não assinassem seu próprio contrato, dessa vez de casamento, ele não desistiria de fazer com que Louis tivesse uma conversa decente com Harry, uma que eles nunca tiveram.
Fale com o autor