Voulez-vous coucher avec moi ce soir?
5 Capítulo 05: Rotina
Harry estava sentado de costas para a porta de sua sala, observando a paisagem privilegiada que sua janela lhe dava; a tarde se estendia por toda a Londres com um sol atípico para a época. Seu celular estava apoiado sobre sua coxa enquanto esperava por mais mensagens, e ele apitou por fim, lhe causando um riso ao verificar a última mensagem. Era uma foto de Louis sujo de chocolate, o rapaz estava falando sobre o motivo de não tomar sorvete de casquinha em público; Harry não pode se conter e perguntou com quem ele estava, era curioso por natureza. Sua resposta fora um simples “um amigo”. Se fosse sincero consigo mesmo, devolveria a mensagem com uma pergunta acerca do nome do tal amigo, mas sabia que Louis não responderia e parte da graça era justamente essa.
Apesar da resposta, ou ausência dela, Harry não se abalou. Ainda tinha um certo gosto de vitória simplesmente saber o nome do garoto, mesmo que já houvesse se passado cerca de quatro meses desde que Tommo aceitara assinar o contrato de exclusividade. Harry estava satisfeito; não tinha mais informações sobre a vida, ou família, de Louis, mesmo sabendo que poderia obtê-las facilmente, apenas não era tão importante assim afinal. Louis estava em seu apartamento sempre que ele o chamava, de segunda a sexta, nunca havia a chance dele estar ocupado demais para não aparecer, e isso era o mais importante.
Minha casa às 19h?
Quatro meses de um relacionamento não oficial, mas onde aprendiam sobre as manias um do outro. Harry gostava de cada pequeno detalhe que descobria sobre o garoto, era divertido contar-lhe o que havia observado e vê-lo confuso por não ter verbalizado nada daquilo, ao passo em que Harry quase lhe contava tudo, ou quase tudo. Louis sabia seus horários, sua rotina, o nome de seus amigos; havia um lado positivo em Louis não conhecê-los, Harry se sentia mais à vontade para falar sobre cada um deles.
— Harry, você assinou o contrato? — Liam invadiu o escritório de Harry sem cerimônia alguma, assustando o homem que ainda estava distraído em sua troca de mensagens com Louis.
— Sim, sim, assinei. — Harry girou a cadeira para encontrar Liam e deixou o celular de lado. — Aqui está. — Estendeu uma pasta preta para o amigo, logo buscando o celular ao ouvi-lo apitar novamente.
— Quem é? — Liam se esticou por cima, tentando ler o nome na tela, o que era praticamente impossível. — Qual é Harry? — O homem se jogou na cadeira diante do amigo. — Já faz um tempo que você está todo ausente, todo distraído, vidrado no celular… Está saindo com quem, hein?
— Liam…
— Eu sou seu melhor amigo! Tenho o direito de saber.
— Quando houver algo para você saber, você ficará sabendo, Lyun… — Harry se recostou à sua cadeira e fitou a expressão não muito bem humorada do amigo.
— Quando foi que deixamos de contar um para o outro qualquer coisa que nos acontecia? — Liam estreitou os olhos enquanto encarava Harry.
— Chega de drama! — O homem de olhos verdes se ergueu. — E eu tenho que ir. — Puxou seu terno do mancebo ao canto da sala.
— Harry, você vai no jantar do George. — Zayn adentrou a sala tão sem cerimônia quanto Liam antes de si. — E onde você vai? Preciso que aprove o orçamento!
— O orçamento pode esperar, e George tem os eventos mais enfadonhos que conheço… — Girou os olhos enquanto vestia o terno.
— George é um fornecedor importante, deve comparecer ao jantar dele! — Zayn bateu em seu peito com a pasta de relatórios que tinha em mãos. — E não, a droga não orçamento não pode esperar por sua boa vontade! — O árabe tinha a expressão fechada e o olhar raivoso. — Vamos Harry! Preciso do orçamento para montar a estratégia para o próximo ano.
— Você está de péssimo humor hoje, o que houve? — Harry finalmente aceitou a pasta que Zayn mantinha contra seu peito, sentando-se de volta à sua cadeira.
Os números e informações, como sempre, estavam condizentes com o histórico da empresa, assim como com a realidade do último ano; Harry raramente discordava de algo que Zayn fizesse ou dissesse, era por isso que formavam um bom time. Concentrou-se nos números e dados apresentados e mal percebeu a pequena conversa que Liam e Zayn tinham enquanto esperavam que ele assinasse o orçamento, mas ouviu a última fala do cunhado.
— O merdinha está de caso com alguém e não quer me dizer! O que você sabe sobre isso Zayn?
— Nada…
— Por que vocês não param de especular sobre a minha vida e cuidam um pouco da de vocês? — Harry assinou por fim o relatório e o estendeu de volta para Zayn. — Tipo, por que minha irmã me ligou toda estressada há duas noites Liam, ou por que você está tão estressado Zayn?
— Eu tenho o direito de não contar porra alguma para vocês. — O árabe segurou a pasta e se dirigiu para a porta. — E nós vamos para ao jantar do George, Styles. É bom que esteja aqui quando eu voltar! — Apontou um dedo para o amigo antes de sair por fim.
— Falei para Gemma que queria outro filho e ela surtou. — Liam lhe contou, desviando sua atenção da porta que Zayn fechara de forma um tanto bruta para Harry. — Algo sobre eu sequer dar atenção suficiente para Zoe, ela estar cansada e não disposta a carregar um barrigão outra vez… — Encolheu os ombros em derrota. — Na mente dela conversar com você a distrai e ela se acalma.
— É porque ela julga tudo da minha vida e age como se eu fosse um grande inconsequente. — Seguiu até o bar que tinha em sua sala, servindo-se de uma dose de uísque.
— Ela se preocupa demais, só isso. — Liam passou a mão pelos cabelos escuros. — E Zayn brigou com o amigo que ele nunca apresenta para nós… Cada vez mais convencido de que se trata de um namorado que por algum motivo sombrio nós não podemos conhecer…
— Ele deve ter vergonha de você.
— Pois eu acho que o problema é você Styles. — Liam o olhou de cima a baixo, como se deixasse claro que ele inteiro era um problema. — Eu sou muito bem casado e não sei tantos podres assim do Zayn… Estou convencido de que ele não quer te apresentar.
— Pode ser… Não sei se eu gostaria de apresentar alguém para vocês. — Harry encolheu os ombros enquanto sorvia de forma calma sua bebida. — O que vocês vão fazer no fim de semana? Eu estava pensando em sequestrar Zoe…
— Por céus, pode levar! — Liam jogou as mãos para o ar, demonstrando o alívio que seria se Harry estivesse com a pequena naqueles dois dias. — Na verdade será perfeito se você ficar com ela. Posso levar Gemma para jantar, ou para uma viagem curta para a fazenda, ou praia… Ela precisa desestressar.
— Então amanhã eu almoço com vocês e levo a Zoe para casa.
— Teremos que cozinhar para você?
— Cala a boca, você não sabe sequer fritar um ovo!
— Hey, vamos? — Zayn voltou para a sala devidamente vestido com seu terno, a gravata já não estava presa ao seu pescoço e os dois primeiros botões da camisa branca que usava estavam abertos, deixando-o mais confortável.
— Eu tinha um compromisso hoje… — Harry resmungou ao deixar o copo de volta ao bar e passar a mão pelos cabelos.
— Remarque, estou certo que não seja nada tão importante assim… — O árabe guardou as mãos no bolso enquanto esperava Harry se dar por satisfeito com seus fios rebeldes. — Você sabe que também deveria ir, não sabe Liam?
— Sei sim, mas também sei que Harry e você serão completamente capazes de fazerem tudo sozinho, ademais, já fui em muitos eventos que nenhum de vocês deram as caras, portanto… — Liam se levantou da cadeira e seguiu até a porta. — Bom jantar para vocês.
— Quanto você quer para me libertar disso, Zayne?
— Vamos logo. — O homem de cabelos negros seguiu para fora da sala, logo sendo acompanhado por Harry.
— O que está acontecendo com você afinal? Brigou com o namorado?
— Eu não tenho namorado…
— Talvez o problema seja então? Você quer namorar e a pessoa não? — Harry especulou enquanto aguardavam que o elevador chegasse. — Qual o nome dele? Você fez o pedido de forma romântica? Talvez…
— Harry. — Zayn adentrou o elevador e apertou para irem ao subsolo. — Eu briguei com um amigo importante para mim porque ele está tomando decisões que eu não acho corretas. — Fitou o amigo de forma séria. — Você não o conhece, um dia talvez eu os apresente, mas ele não é um pretendente e nem será porque sou apaixonado por outra pessoa. — Coçou o rosto de forma um tanto nervosa. — Só estou cansado de tudo isso, especialmente de quem complica a vida ao invés de facilitar.
— Deu conselhos ao seu amigo?
— Sim, e ele não quer ouvi-los. Mas está tudo bem, eventualmente a gente faz as pazes. É sempre assim.
Harry ficou em silêncio pelo resto do caminho até o carro de Zayn. Ele não tinha, afinal, conselhos a dar; seus amigos mais próximos eram Zayn, Liam e Niall, sem mencionar sua irmã. As brigas eram constantes, algumas mais sérias que as outras, mas sempre acabavam se resolvendo de forma rápida e sem grandes consequências. Zayn também não havia lhe dado detalhes o bastante para conseguir eximir uma opinião imparcial, o que indicava que era exatamente o que o homem não queria. Quando o veículo saiu pelas ruas frias de Londres foi que ele se lembrou de outra informação dada pelo amigo.
— Por quem está apaixonado Zayn?
— O quê? — O amigo exasperou-se com a pergunta repentina.
— Por quem está apaixonado? Você disse que seu amigo não era um pretendente porque está apaixonado por outra pessoa, quem é essa pessoa? Eu conheço? — Estava curioso quanto aos sentimentos do amigo.
Zayn não era muito de falar sobre si mesmo, a não ser que fosse para desabafar sobre seu embates com a família. Harry o vira namorar apenas duas vezes, a primeira era um cantor em ascensão e não durou muito depois que ele alçou sucesso, o segundo era um modelo muito bonito e durou tempo o bastante para Harry acreditar no casamento deles, mas então, sem mais nem menos, o relacionamento não existia mais; Zayn nunca explicou o motivo do término e desde então o homem seguia solteiro, isso já tinha dois, quase três, anos.
— Eu não quero falar sobre isso…
— Qual é Zayn? — Harry se indignou com a reação do amigo, virando como pode para fitá-lo. — É sério isso seu merdinha?
— Temos o direito de manter alguns segredos, Harry, eu não estou interessado em falar sobre a pessoa por quem me apaixonei…
— Por que não? Ela é uma pessoa ruim e você está com vergonha por ter se apaixonado por ela? É feia? Acho que vou fazer ou falar algo ruim? — Harry tinha um olhar indignado. — Somos amigos, porra!
— Não precisa ficar nervosinho… Eu só não quero falar quem é. — Encolheu os ombros, concentrando-se no caminho e sequer dando um segundo olhar ao amigo.
— Eu conheço?
— Sim, Harry, você o conhece e é por isso que não quero falar sobre ele.
Harry ficou em silêncio, apenas observando o amigo dirigir, até voltar a se arrumar no banco e observar as construções que passavam ao lado de sua janela conforme avançavam. Eles não tinham um círculo de amizades grande, mas com certeza conheciam muitas pessoas, pessoas que Harry não se lembrava mais do nome, mas que poderiam perfeitamente estar na vida de Zayn.
— Por que não posso saber quem é? Eu não vou te forçar a nada, sabe disso, certo? — Questionou depois de chegar numa quantidade relativamente grande de possíveis pretendentes do Zayn.
— H, por favor… Tem coisas na sua vida que você não me conta e está tudo bem, e tem coisas na minha que eu também não quero contar.
— O compromisso que eu tinha hoje era com o Louis, sabe? — Zayn o fitou com uma sobrancelha erguida e Harry interpretou que ele não se lembrava de quem se tratava. — O garoto de programa, Tommo. — Deu de ombros. — Eu não o chamo mais assim, não desde que assinamos o contrato de exclusividade. Ele é divertido, não fala coisa alguma sobre a vida pessoal e é engraçado tentar desvendá-lo. É mais ainda quando ele comenta algo banal como não gostar de abacates e eu mencionar isso em algum outro momento e ele ficar com cara de “como você sabe disso”? — Riu por breves instantes, lembrando de quando aquela situação realmente aconteceu. — Se fosse em outra situação eu os apresentaria, tenho certeza que vocês se dariam bem.
— O que quer dizer com isso? Outra situação?
— É, sabe… Apesar de termos um contrato, ele continua sendo um garoto de programa, — Zayn lhe lançou um olhar debochado — não estou menosprezando ele, é que ele é um personagem. Eu o conheço da forma que ele quer que eu conheça, então não sei dizer se ele é realmente esse cara legal, mas se ele for, vocês se dariam bem. — Harry observou os manobristas se aproximarem quando Zayn deu a seta para parar diante do restaurante de alto nível. — Niall com certeza o adoraria.
— E de quem Niall não gosta?
Desceram do carro assim que Zayn parou o carro e seguiram para o salão principal; George estava à postos para cumprimentar cada convidado que chegava e abriu um largo sorriso ao ver o presidente e o diretor financeiro da Styles Tecnology se aproximarem; cumprimentou-os com apertos de mão fortes e risadas exageradas, apresentando pela terceira ou quarta vezes sua jovem esposa e seu filho, que Harry tinha certeza ter um caso com a madrasta. Quando libertos de George, devido a chegada de mais pessoas, Harry e Zayn se dividiram para cumprimentar outras pessoas; era um evento de negócios, era importante ter contatos.
Você vai demorar?
Era a mensagem que brilhava no visor do seu celular quando finalmente lembrara da sua existência, horas depois da sua chegada ao restaurante, e se amaldiçoou por não ter lembrado de avisar o rapaz sobre o compromisso que fora obrigado a participar. A bem da verdade pretendia ficar pouco tempo, talvez nem mesmo esperar pelo jantar em si, mas perdeu-se entre conversas enfadonhas e divertidas.
Desculpe, precisei vir a um jantar de negócios. Já estou saindo daqui, me espere.
A resposta que obtivera foi apenas um sticker divertido dando a entender que o rapaz o aguardaria.
Eu vou assaltar sua cozinha. Só estou te avisando, não pedindo permissão.
Não respondeu a mensagem, ao invés disso tratou de procurar por Zayn pelo salão; após o jantar cheio de pompas, os participantes foram convidados a ir até o salão mais ao fundo do restaurante, onde lhe foram servidos diversos drinks enquanto poderiam circular de um grupo para outro. Encontrou o amigo trocando sorrisos fáceis com uma garota de no máximo vinte anos e, se Harry não soubesse que Zayn é gay, acreditaria que ela acordaria em sua cama na manhã seguinte, e para ser sincero, se Louis não estivesse em seu apartamento, Harry com certeza tentaria levá-la para a sua.
Harry se aproximou do amigo, cumprimentando a garota com um largo sorriso e um beijo no rosto; observou com certo deleite ela ficar sem jeito e desconcentrada. Zayn, ao seu lado, apenas riu sem humor algum, atitude que Harry não entendeu e o fez erguer uma sobrancelha para o amigo.
— Aconteceu alguma coisa H?
— Eu que te pergunto…
— Você que veio até aqui. — Zayn o fitava de forma quase incisiva.
— Eu já vou embora, vim apenas avisar. — Voltou sua atenção para a garota. — É uma pena conhecê-la já quando estou de saída, mas talvez possamos nos encontrar em outro momento?
— Se você quiser meu número para agilizarmos esse possível encontro… — Ela sorriu de lado e Harry lhe estendeu o aparelho, aguardando enquanto a garota anotava seu telefone. — Foi um prazer conhecê-lo, Harry.
— Nos veremos de novo, Becky. — Guardou o celular e despediu-se rapidamente de Zayn, que ainda tinha um olhar estranho.
Mas Harry se preocuparia com o amigo em outro momento. Naquele ele apenas queria ir para casa encontrar Louis; praguejou por ter ido no carro de Zayn ao invés de pegar o seu quando o vento frio lhe atingiu fora do restaurante, por sorte o estabelecimento estava com o contato de uma companhia de táxi e logo estava novamente aquecido dentro do veículo. Pediu que o motorista parasse por um tempo em frente à padaria próxima a seu prédio, onde comprou o bolo de frutas vermelhas que tanto gostava; minutos depois estava subindo pelo elevador até seu apartamento.
Assim que adentrou o apartamento foi recebido pelo cheiro maravilhoso de salmão assado, com passos silenciosos se aproximou da cozinha e observou enquanto Louis mexia alguma coisa no fogão. Harry mordeu o canto da boca ao observar que o rapaz vestia apenas uma boxer e uma camiseta antiga de Harry com a estampa de uma banda qualquer que sequer sabia se ainda existia; era estranho vê-lo assim, mas também era tão caseiro.
— Eu trouxe a sobremesa.
— HARRY! — Louis jogou a colher que tinha na mão na direção do maior, que ria de seu susto. — Qual o seu problema? Pra que me assustar assim?
— Foi sem querer, doce. — Buscou a colher jazida no chão, em meio ao purê de batata que espalhou pelo chão, e a deixou na pia. — Você que estava tão distraído, ou melhor, concentrado no purê de batatas… — Pinçou os lábios de Louis com os próprios, em um beijo rápido. — E eu só disse que trouxe sobremesa, bolo de frutas vermelhas.
— Certo… — Louis se desvencilhou de Harry e lavou a colher na pia para voltar a mexer o purê. — Que tal você limpar o chão que você me fez sujar?
— Sério isso?
— Vai deixar sujo o fim de semana inteiro? A Jenny não vem só na segunda?
Harry girou os olhos, mas se deixou ser vencido; tirou o terno e o deixou sobre o encosto de uma cadeira antes de dobrar as mangas da camisa enquanto seguia até a lavanderia em busca de um esfregão. Riu com a ironia de ser o “poderoso” presidente da Styles Tecnology e estar limpando o chão enquanto seu amante preparava um purê de batatas. Guardou o esfregão no lugar depois de limpar a pequena bagunça e observou Louis passar o purê da panela para uma travessa de vidro, poucos instantes depois fazendo o mesmo com salmão que assara.
— O que está fazendo? — Perguntou ao vê-lo guardar as comidas na geladeira. — Não vai jantar?
— Bem… Você não está com fome, então…
— Mas você está, então deve comer. — Harry abriu a geladeira e tirou as travessas de volta, deixando-as sobre a ilha que havia na cozinha. Pegou também o jogo americano e preparou dois lugares, deixando o purê e o salmão entre eles. — Eu já jantei, é verdade, mas o cheiro está tão bom que vou comer um pouco para provar. — Lançou um olhar calmo para Louis, com um sorriso mínimo. — Me faça companhia, por favor.
Louis pegou a taça de vinho branco da qual estava bebericando enquanto cozinhava e sentou-se diante de Harry. Serviu os dois pratos e esperou que Harry provasse primeiro, repentinamente ansioso por saber a opinião do mais velho sobre o prato que preparou. Harry sorriu largamente depois de comer.
— Está delicioso, doce. Onde aprendeu a cozinhar tão bem assim?
— Minha avó me ensinou antes de falecer. — Respondeu antes mesmo de pensar sobre o assunto, logo se sentindo desconfortável e desviando o olhar de Harry.
— Sinto muito pela sua avó, mas ela deve estar orgulhosa por você conseguir reproduzir tão bem o prato. — Apesar do visível desconforto de Louis por ter compartilhado algo tão íntimo consigo, Harry não conseguia negar que se sentiu feliz por ter uma resposta de verdade, assim como sentia vontade de perguntar mais coisas. Não o fez, porém, sabia que Louis apenas lhe daria respostas evasivas e isso poderia arruinar suas noites. — O que você está bebendo?
— O Cabernet que você abriu há algumas noites. — Louis sorriu contido, e ambos sabiam o significado daquele sorriso.
O rapaz estava aliviado de Harry não insistir em querer saber mais sobre sua vida, e Harry estava contente com a pequena descoberta que tivera. O pequeno jantar deles transcorreu com o mais velho reclamando sobre ter sido obrigado por Zayn a ir no jantar, onde apesar de tudo até se divertira, também comentou sobre passar o fim de semana com a sobrinha e Louis pareceu empolgado ao falar sobre a pequena, o bastante para pularem da cozinha para o confortável sofá da sala com Harry lhe mostrando fotos de Zoe em seu celular.
— Esse é o Zayn! — Apontou para o árabe que segurava Zoe no colo e sorria abertamente para a câmera.
— Hm, ele é bonito… — Louis comentou sem muito interesse, logo passando para outra foto, onde havia uma mulher mais velha e muito bonita.
— Essa é dona Anne Styles, minha mãe.
— Ela é muito bonita, Harry. Quantos anos ela tem? Parece tão jovem. — O rapaz estava de fato encantando com a aparência tão jovial da mulher.
— Ela é linda mesmo, e ela já tinha vinte e sete anos quando eu nasci. — Harry mexia de forma distraída no fios castanhos de Louis, parcialmente deitado em seu colo. — Essa é Gemma, minha irmã.
— A mãe da Zoe...
— Exatamente. — Harry puxou Louis para seu colo, deixando-o deitar a cabeça em seu ombro. — Ela é a minha pedra no sapato.
— É mentira. Você com certeza é doido por ela e faria qualquer coisa para protegê-la. — Deixou um beijo no pescoço de Harry, logo encaixando seu rosto para ficar aspirando seu cheiro. — Se continuar mexendo assim no meu cabelo eu vou dormir…
— Pode dormir, doce.
— Mas eu não vim aqui para dormir…
— Mas ainda temos muito tempo.
Louis adormeceu poucos instantes depois e Harry se deixou relaxar no sofá mesmo, com o rapaz entre seus braços e sua respiração batendo em seu pescoço. Harry nunca foi adepto à ideia de ter um relacionamento, de ter alguém fixo em sua vida, mas não podia negar que gostava da companhia de Louis, gostava de chegar e ou ele já estar lá ou chegar pouco tempo depois. Mas também não se iludia.
Harry não conhecia coisa alguma sobre Louis, mas ele sabia um pouco sobre Tommo; e saber o nome de verdade do rapaz não mudava em nada o fato de que era apenas um personagem quando estava com Harry. E Harry gostava disso. Porque apesar da sua curiosidade sobre a vida do outro, ele não precisava saber tudo, não precisava adivinhar desejos, não precisava conviver com a família alheia, ele tinha apenas o lado bom de um relacionamento. E era isso que ele gostava.
Quando se encontravam, nunca tinha brigas; Louis estava sempre disposto, fosse para transarem ou para ficarem conversando sobre nada importante; Louis sempre atendia quando o ligava, sempre ia ao seu apartamento quando o chamava… E Harry gostava que fosse sempre ele, mas duvidava que queria um relacionamento com ele, ou com qualquer outra pessoa.
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