Voto de Sigilo
4 A entrevista
Notas iniciais
O lugar era lindo e muito se assemelhava a um rancho. A fachada era alta e toda revestida por uma madeira escura repleta de manchas e veios. Na frente, se via uma estradinha de pedras brancas envolta por um enorme jardim. A casa da família Collins era realmente exuberante. Mas tinha um aspecto solitário. As janelas largas de vidro eram sempre cobertas por cortinas brancas de modo a esconder tudo que se passava por dentro dos cômodos. O imóvel parecia vazio, fantasma.
Lucille havia, na manhã anterior, dito o tão esperado "sim" para o plano arriscado de Garcia. Entretanto, diante do portão de ferro da moradia, sentia-se insegura com a decisão.
O delegado tinha a instruído minuciosamente, dando-lhe gravadores portáteis, equipamentos de segurança e um moderno notebook por onde as informações e gravações seriam enviadas. Além disso, carregava, ainda que a contragosto, um revólver dentro de um compartimento camuflado de sua bolsa. Contudo, permanecia temorosa. O pavor de ficar sob o mesmo teto que um possível criminoso corria-lhe pela espinha.
Com as mãos trêmulas, apertou a campainha do estabelecimento.
Recitava mentalmente as instruções de Garcia como uma oração. Tivera muito pouco tempo para treinar e se habituar com a ideia. Dois dias. Nesse período, exercitou algumas técnicas de autodefesa e aprendeu a cobrir seu corpo com coletes a prova de balas em pontos estratégicos. Foi instruída, ainda, a portar-se de forma coerente com a função que exerceria na casa. Nesse ultimo quesito, lembrava-se nitidamente do desgosto de ouvir comentários sobre a pirâmide hierárquica a qual teria de obedecer.
Quando os portões se abriram, um feixe de luz projetou-se em um pequeno e cintilante acessório de metal. Um piercing de septo.
Lucille engoliu em seco e depositou as mãos sobre a testa, vacilante. Sua pasta contendo documentos e artigos de papelaria escorregou de suas mãos, caindo sobre o gramado verde e alto da calçada. Era Gabriel. Aquele mesmo Gabriel o qual havia beijado três dias atrás por puro capricho de seus anseios sexuais. Trajava a mesma roupa do outro dia, embora revestida por folhas e areia escura. Estendeu sua mão coberta por uma luva azul em um ato de cumprimento.
— É um prazer te ver novamente, Lucille.
A mulher gaguejou um "Sim" desleixadamente e tratou de pegar as coisas que havia derrubado. No processo, acabou desequilibrando-se e caindo de joelhos no solo, sujando suas meias anteriormente brancas. Gabriel soltou um riso tímido e ajudou-a a se levantar.
— Acalme-se! Parece que viu um fantasma.
— Olha, eu não gosto de você! — Lucille falou rapidamente, atropelando as palavras do outro — Quer dizer, não amorosamente... Foi só...
— Um beijo casual. Eu sei. — curvou as sobrancelhas — Não se preocupe, eu não esperava trocar alianças após um único beijo com uma desconhecida.
A mulher sentiu a face formigar e soltou um suspiro pesado. Sentia-se ridícula.
— Sou o jardineiro da família. Como pode ver, os tijolos do outro dia realmente tiveram um bom uso! — apontou para um pequeno canteiro circular.
— Ah, sim. Fez um ótimo trabalho.
— Mas é claro que eu fiz! – falou com um olhar orgulhoso — Bom, fui encarregado de te levar até o hall de entrada. Te desejo sorte na entrevista.
Gabriel guiava a encolhida moça pelo caminho enquanto tagarelava sobre plantas e jardinagem. Em uma rápida caminhada, Lucille ficou a par de vários pontos sobre a vida do jardineiro. Descobriu que ele era vegano e vanguardista de várias causas sociais. E que sua família — uma mãe idosa e um pastor alemão — morava nas fronteiras da cidade.
— Escute. — Lucille o interrompeu durante a interessante conversa acerca de Krampus, seu cachorro — O senhor Leonard é um homem difícil?
Gabriel pareceu surpreso com a pergunta. Depois de alguma reflexão, pronunciou-se.
— Não diria difícil...Complexo, talvez. Ele é certamente um cara legal, mas ligeiramente introvertido e...problemático.
— Problemático? — a mulher assustou-se — Do tipo que...
Lucille interrompeu a própria fala, pensativa. O que diria a seguir? "Do tipo que sequestra ou do tipo que mata?". Certamente não poderia proferir tais palavras. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia excluir esses pensamentos de sua cabeça. Estava aturdida e sentia sua respiração acelerada demais.
— Não se preocupe com isso, você vai se sair bem. Confie em mim, dentre todas as que vieram fazer essa entrevista, você é a que parece mais confiável.
Lucille esboçou uma expressão afável e posicionou-se frente a porta de madeira imbuia que dava acesso ao imóvel. Armou-se de confiança e limpou os resquícios de areia presentes em seu joelho. Observou que a meia havia rasgado e que uma escoriação se formava no local. Tinha um aspecto horrível.
Ao entrar no ambiente, abriu sua visão para um estreito hall de entrada todo branco e coberto por espelhos. Gabriel encaminhou-a até uma poltrona escura e saiu de lá.
E então ela ouviu passos. O cômodo estava em um silêncio tão absurdo que qualquer mínimo ruído tornava-se uma trilha sonora de terror amedrontadora. Os passos iam ficando cada vez mais altos e rápidos juntamente com as batidas do coração de Lucille. O ar parecia rarefeito e a visão da estagiária nublava-se. Estava nervosa e não conseguia conter tal sentimento. Imaginava a face do criminoso totalmente distorcida, borrada. Só conseguia projetar o sangue em suas mãos e roupas, como um açougueiro.
Um estrondo se seguiu. Um barulho alto de coisas caindo seguido por um grito de dor. Lucille sentiu seu estômago revirar e ameaçou vomitar. Não conseguia definir se o som era real ou mais uma de suas tantas confusões mentais.
Com as pernas trêmulas, seguiu em direção ao grito. Ancorava-se nas paredes de gesso com dificuldade até que sentiu algo quente espirrar sobre seus tornozelos e manchar seus sapatos brancos. Algo de um vermelho vivo.
Assustada, soltou um grito e tampou a face em completo terror.
— Você está bem? — uma voz grave soou.
Lucille abriu os olhos forçosamente e contemplou um belo homem de fios castanhos muito claros. Tinha olhos cinzentos e vestia-se desleixadamente com uma camisa social branca entreaberta e uma calça de moletom cinza erguida até parte de sua panturrilha. Segurava um par de óculos preto de formato quadrado em uma mão e, na outra, uma enorme faca de cabo azul.
Lucille, sobressaltada, ameaçou correr. O homem segurou-a pelo braço com uma expressão confusa.
— O que há de errado? — perguntou novamente — Não se sente bem?
A mulher, consternada, deu um tapa em seu braço e ouviu-o soltar um grunhido enquanto depositava uma das mãos em sua pele com uma expressão extrema de dor.
Lucille, então, observou que o homem estava com uma queimadura enorme na região do antebraço. Respirou fundo e passou a avaliar a situação com mais frieza. Reparou que se encontrava em uma enorme e luxuosa cozinha. Averiguando o líquido quente, se deu conta de que era proveniente de uma enorme panela de inox caída sobre o chão.
"Molho de tomate...maldição."
A situação era autoexplicativa. E Lucille via-se como uma completa incompetente, deixando-se ser cega por seus medos e precipitações.
Gabriel apareceu no cômodo logo em seguida, arfando.
— O que aconteceu aqui, Leo? — indagou, desesperado.
O outro homem soltou a faca no chão e respondeu, acanhado.
— Eddie volta hoje do acampamento e eu queria fazer um banquete de boas-vindas...Você sabe como ele ama macarronada, não é mesmo? — deu uma pausa — Mas sou muito impaciente...O molho estava demorando para ferver, então resolvi descascar algumas batatas para passar o tempo e quando me dei conta, já estava sentindo um odor leve de queimado. Corri para desligar o fogo e acabei batendo meu braço na panela...Bom, ela caiu e fez essa bagunça toda. E ainda me queimou, como pode ver.
Aquele era Leonard Collins. Possuía um olhar constrangido e mantinha a cabeça baixa.
— É isso o que quis dizer com complicado, Lucille. — Gabriel balançou a cabeça em negação — Ele é um completo desastre em tudo o que faz.
Leonard soltou um olhar exclamatório e tentou erguer-se em uma postura cordial.
— Então você é a famosa Lucille? — Sorriu, mostrando tímidas covinhas em suas bochechas — Gostaria de ter me apresentado de uma forma mais profissional.
— Famosa? — indagou, confusa.
— Você me enviou um currículo com foto, lembra? Gabriel a reconheceu de imediato.
— É?! — ficou nervosa novamente, preocupada. Se perguntava até onde Gabriel havia ido sobre o encontro dos dois.
— Sim. Eu agradeço pela troca de pneu. Se não fosse por sua eficiência, eu ficaria horas e horas plantado na espera de Gabriel.
Lucille sorriu aliviada. Em seguida, passou a estruturar formas de melhorar sua primeira impressão. Havia se comportado como uma louca psicótica e, ainda, agredido seu possível empregador. Precisava do emprego para seguir com o plano.
— Deixe-me te ajudar com seu braço. Se não tratar agora, vai ficar muito pior.
Leonard olhou-a, pensativo, assentindo em seguida.
— Você tem alguma pomada para queimaduras? Gaze e ataduras?
O homem moveu a cabeça em negação. Gabriel logo se propôs a comprar o necessário com a maior agilidade possível. Lucille seguiu-o com o olhar e passou a recordar-se dos procedimentos necessários para tratar de queimaduras.
— Sei que pode parecer um pouco invasivo, mas poderia me levar até seu chuveiro? Preciso lavar a região queimada de seu braço com água corrente em temperatura ambiente. Vai ser mais confortável no chuveiro, já que o controle da intensidade da água é melhor e o espaço, maior.
Leonard concordou e a guiou até um enorme banheiro de suíte. Antes, subiram algumas escadas e ela pode contemplar o quarto simpático do rapaz. Era grande e de decoração minimalista, predominantemente branco com móveis retos e lisos em tons de cinza e preto. O mesmo se dava ao banheiro, todo de mármore claro contrastado com louças negras. Atentou-se, sobretudo, aos detalhes. Havia uma cuba dupla e uma banheira gigante ao fundo. As torneiras e o chuveiro eram de um cobre brilhante e espelhado. Estava boquiaberta.
Antes que se encontrasse totalmente absorta na beleza do local, beliscou-se moderadamente, se atentando ao silencioso Leonard que esperava pacientemente de pé sobre a banheira. Lucille preparou-se para subir a camisa do homem e o viu morder os lábios em dor na medida em que o pulso da roupa ia passando por sua queimadura.
— Vai ser melhor que a tire. — suspirou — Como o braço da camisa é mais largo, vai doer menos.
Leonard era muito quieto e isso a incomodava um pouco. Respondia quase tudo através de sinais e mantinha uma expressão curiosa na face. Parecia avaliar cada movimento da mulher com tamanha precisão e crítica.
Lucille segurou-se para não observar tão avidamente os músculos de seu possível chefe. Não queria repetir o equívoco vivido com Gabriel. Dobrou a roupa do rapaz e passou a lavar a área queimada com delicadeza. Olhou para um enorme relógio disposto curiosamente na parede do banheiro e marcou mentalmente dez minutos. Corrido o tempo, cobriu a queimadura com uma toalha e deixou Leonard secar-se enquanto admirava mais um pouco o quarto pela porta do banheiro.
Quando voltaram para o andar de baixo, Gabriel estava a espera com uma sacola de farmácia nas mãos. Lucille tratou de passar a pomada e seguir com os procedimentos até, enfim, enfaixar o braço de Leonard com extremo cuidado e concentração.
— Você me salvou novamente... — O homem acertou os fios castanhos que caiam por seus olhos — Estou em dívida.
Gabriel sorriu descontraidamente ao observar Leonard pensativo.
— É só dar o emprego a ela e tenho certeza que vocês vão ficar quites!
Lucille achava graça na forma extrovertida e leve de Gabriel levar a situação. Agradecia-o mentalmente pela ideia.
Leonard, entretanto, não parecia muito convicto. Algo o preocupava. Levantou-se e andou em círculos, projetando-se pelos espelhos dispostos nas paredes do hall de entrada. Parecia confuso e estressado.
— Não é tão simples assim. — suspirou.
— Por qual razão? — Lucille ergueu-se da poltrona, irritada — Nem ao menos conversou comigo para saber se sou apta ou não!
Estava fazendo o exato oposto de tudo o que Garcia havia a instruído. Deveria agir de forma passiva e educada, mantendo sempre um tom cortes. Mas sua personalidade conturbada não a permitia agir de tal forma. Não conseguia filtrar corretamente as palavras e muito menos controlar sua entonação.
— É exatamente por isso. — Leonard pareceu desconfortável — Não posso simplesmente te colocar em minha casa sem qualquer informação só por ter me ajudado. Antes, preciso saber mais sobre você. Em momento algum disse que não iria entrevistá-la.
Havia sido precipitada mais uma vez. Não sabia ao certo se era a pressão subindo-lhe a cabeça, mas atormentava-se com os inúmeros erros que estava cometendo. Parecia uma novata boba e incapaz. Agia exatamente da forma que todos os seus colegas de trabalho imaginavam que ela agiria. E, por isso, passou a assumir um semblante triste, totalmente tomada por inseguranças. Só queria desistir de tudo e voltar para casa.
— Não fique deprimida...- Leonard tocou-lhe nos ombros carinhosamente — Entendo que esteja nervosa, acredito ser a sua primeira entrevista iniciada por um teste de enfermagem. — sorriu — Não é culpa sua, apenas tenho que ser criterioso para colocar alguém dentro dessa casa. Já se perguntou o motivo por eu estar em busca de uma governanta? — sentou-se em um sofá de frente para Lucille e recostou o cotovelo numa mesa lateral.
Sim, ela já havia se perguntado. E até mesmo formulado inúmeras respostas sobre isso. Mas não poderia dizer todos os seus pensamentos em voz alta. Não poderia externar que via-o como um possível monstro e que pretendia detê-lo. Que queria vê-lo atrás das grades se fosse, de fato, culpado. Que pretendia bisbilhotar cada canto de seu lar na busca por um calabouço ou marcas de sangue. Que era uma inimiga.
— Por causa de seus péssimos dons culinários? — respondeu em um tom brincalhão.
Gabriel sorriu logo atrás. O moreno, vendo o clima do ambiente se tornar mais leve, saiu do cômodo e voltou para seus afazeres na área externa.
Leonard, entretanto, permaneceu em completo silêncio por alguns minutos.
— Em parte, você está certa. Mas meu principal motivo diz respeito ao meu irmão mais novo, Eddie.
Nos relatórios de Garcia sobre a família Collins, pouco constava sobre o membro mais novo, exceto seu nome: Eduard Collins. Poucas vezes haviam visto sua aparência. Sabia-se, apenas, que era loiro e sardento por conta de descrições feitas por taxistas que tiveram o prazer de levar a família para algum lugar.
— Nossa mãe está desaparecida, como você deve saber. — falou rapidamente, com uma expressão curiosa de desalento. — E Otto não mora conosco faz anos, por conta de seus afazeres políticos. Assim, somos apenas Eddie, Gabriel e eu nesta casa. Eddie tem apenas onze anos e, ainda assim, a vida é muito mais difícil para ele. — seu olhar parecia vago — Não consigo alimentá-lo direito, sei que as monstruosidades que faço na cozinha são horríveis. E tem sido difícil mantê-lo sob meus cuidados por conta de meu trabalho. Sem nossos pais, preciso sustentar essa casa sozinho. E, por isso, me vejo cada vez mais ausente na vida de Eddie. Ele precisa de alguém para guiar ele, cuidar, conversar. Ele precisa de uma família que não sou capaz de ser.
Leonard parecia incomodado, seus olhos estavam vermelhos e inchados. Mesmo com a ameaça de entrar em prantos, respirou fundo e continuou. Lucille, por sua vez, sentia-se estranha. O conceito que tinha de Leonard como criminoso parecia abalado. Via honestidade e dor em seu olhar. Via amor para com seu irmão.
— Eu preciso de uma pessoa que esteja disposta a ser tudo o que não sou...Mas Eddie não é uma pessoa simples. O que irei dizer agora precisa ser mantido em extremo sigilo. Caso não venha a ser contratada, me prometa que irá guardar minhas palavras para si.
Lucille fez a promessa com certo aperto no coração. Obviamente, tudo o que fosse dito ali seria encaminhado para a delegacia. Penosamente posicionou os dedos sobre o bolso de seu casaco, ligando um gravador portátil.
— Eddie é cego desde os sete anos de idade. Ele sofreu um acidente e, por conta de fraturas, teve sua retina descolada, perdendo sua visão permanentemente. Por conta disso, o levamos para uma escola especial fora da região.
— Acidente? Nunca li nada sobre isso... — Lucille estava curiosa e, ao mesmo tempo, surpresa.
— É óbvio que não. Você acha mesmo que Otto Collins deixaria que a cidade soubesse sobre todos os problemas e atrocidades que ocorrem dentro dessa miserável família? — Leonard soava estressado, com os punhos fechados em uma demonstração de ódio — Otto nos vê como imperfeitos e, por isso, não somos dignos de ir ao público.
A estagiária observou, perplexa, a raiva que o homem tinha por seus parentes e, sobretudo, que ele evitava dirigir-se ao prefeito como pai. Se perguntava de onde vinha todo aquele ódio e sobre quais outras atrocidades o maior se referia. Passou a sentir-se tensa novamente.
Antes que algum dos dois pudesse continuar a conversa, o rangido da enorme porta se abrindo os alertou. Uma criança loira e de olhos extremamente claros e inexpressivos adentrou no ambiente. Vestia um conjunto social de shorts e blusa. Retirou os sapatos apoiando-se na parede e passou a dar passos lentos deslizando as meias três quartos pretas pelo assoalho. Segurava um bastão guia estilizando. Trombava entre um móvel e outro sem esboçar qualquer expressão de dor, como se já estivesse acostumado com a situação. Leonard levantou-se rapidamente e passou a guiar o pequeno — Eduard. Com um sorriso cheio de aparelhos metálicos, anunciou sua chegada.
— Olá, irmão! Acho que ficar fora por um mês acabou me fazendo esquecer onde alguns móveis estavam. Mas é questão de tempo até que eu me habitue novamente, então não precisa ficar me carregando como se eu fosse um bebê. Acredite, vai ser mais fácil me acostumar assim.
O mais velho acatou ao pedido do menor um tanto contrariado. Eddie, enquanto andava lentamente, torceu o nariz. Com uma expressão de desconforto, passou a fungar.
— Tem mais alguém aqui, certo? Uma mulher.
— Ah, eu iria me apresentar agora mesmo. – Lucille aproximou-se e pegou nas mãos delicadas do garoto – Me chamo Lucille, sou uma das candidatas a governanta que seu irmão está entrevistando.
O pequeno bufou e afastou a mão da mulher, apático.
— Que desagradável! – exclamou, em completo ar de desgosto.
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