Voodoo
2 Aquilo Que Se Faz Na Ausência da Luz
Notas iniciais
Ao levantar, notara que uma corrente de ar frio batia em suas costas. A janela estava aberta. Corallyne não lembrava se a havia fechado ou não, mas pensava que sim. Observou a paisagem serena da madrugada, buscando sentir um pouco da sensação de paz que ela a trazia, fechando a janela logo em seguida. A casa era grande, com dois andares e um porão, então Cora já se acostumara com essa sensação, mas aquilo era diferente.
Iluminando tudo com o celular, buscou em sua cômoda novas peças de roupa, deixando-as junto a uma toalha em cima da cama. Posicionou sua mão na maçaneta da porta quando ouviu dois passos vindos do corredor. Estava pronta para desligar o celular quando notou a sombra incomum e assustadora que a luz havia projetado no chão. Um par de pés que, ao julgar pelo tamanho, se assemelhavam aos de um cavalo. Seu coração disparou e suas mãos afrouxaram, deixando o celular espatifar no chão. Estava paralisada. A porta se abriu lentamente e Corallyne desmaiou sem poder ver nem fazer algo.
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Corallyne acordara com o barulho de uma goteira ao seu lado, encharcando-lhe o braço direito. Estava sentada no chão, em um local escuro e irreconhecível. Sua cabeça estava dolorida. Levantou, cambaleando, e tateou em volta para tentar descobrir alguma forma de iluminação. Estava confusa, sua mente possuía um bloqueio. Não conseguia lembrar o porquê estava ali nem como chegara ao local.
Ouviu dois estalos, só então notou que não estava sozinha. Apoiou as costas na parede, tentando não fazer um movimento muito brusco. Seus olhos iam se acostumando à escuridão. Uma silhueta esguia e desajeitada vinha em sua direção, com um andar duro que pendia para a esquerda, como se mancasse.
Corallyne soltou um leve suspiro, a tentativa de não ser notada fora falha.
Pare aí mesmo! — Corallyne disse, fazendo sua voz transmitir um eco pelo aposento.
Nada. A silhueta continuou movendo-se em sua direção. Cada passo seu fazia um ruído diferente. Corallyne bufou, em um gesto de impaciência.
Está me ouvindo? Qual o seu nome? Qualquer coisa... por favor. — Uma sensação de desespero a inundou. Estava fora de casa. Precisava de ajuda para se localizar e sua única esperança estava depositada ali, àquela pessoa, sendo ela uma ameaça ou não.
Cain. — respondeu sem dificuldade alguma para quem estava naquele estado deplorável.
Havia algo de estranho nele. Talvez fosse por algumas mechas que faltavam em seu cabelo, ou por não encará-la de frente, ou pelo traje que seria adequado... ao século XIX. Mas não era apenas isso.
O rapaz parou e despencou de joelhos no chão, fazendo um barulho alto demais para uma queda. Corallyne correu até Cain, com uma preocupação que se limitava apenas à "irei perder a chance de voltar para casa".
Você está bem? — disse desesperada, ajoelhando-se de frente a ele.
Quando Cain levantou a cabeça mostrando seu rosto, Corallyne caiu para trás assustada, soltando um palavrão em alto e bom som. O rapaz não era humano. Talvez já tivesse sido um dia, mas isso ficara no passado. Era agora um boneco. Que não estava ligado à cordas ou algo do tipo. Era um boneco com vida própria.
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