Voodoo

1 O começo de uma nova garota


Sou Sabrina Neville, moro em Brighton, uma cidade na costa da Inglaterra. Sou uma simples garota de 20 anos, mas... minha vida não é tão simples quanto a mim.

Segunda, 04 de Agosto, dia de colégio. Acordo meio mal-humorada quando o sol passa por uma fresta da minha cortina e acertando em cheio os meus olhos, levando-me e começo a me arrumar para ir a aula. Sento num banco de madeira velha em frente à penteadeira e começo a e pentear meu cabelo negro e ondulado, quase tão negro quanto meus olhos.

-Mais um dia... – Digo em quanto continuo olhando meu reflexo no espelho.

Visto uma saia preta com uma camisa da mesma cor com detalhes vermelhos. Desço as escadas sem vontade de dar mais nenhum passo, quando chego a sala vejo meu pai dormindo na sala rodeado por garrafas de cerveja.

-De novo?? – Coloco uma coberta sobre ele. – Não sei porque ele tem um quarto ainda...

Mais uma vez meu pai chega bêbado pra casa, mais uma vez tomo café da manha sozinha... Vou fazer o meu café quando eu olho meu celular: “Quando terminar de comer, me espere do lado de fora da sua casa. Ass.: Kelly”, ao ler isso comi somente um pão e fui para fora.

-É... parece que você recebeu a minha mensagem. – Falava sorrindo a Kelly, me esperando pronta pra ir pro colégio.

A Kelly era uma boa amiga... a única que eu tinha. Ela tinha um cabelo curto e branco, é um pouco mais morena que eu, e vestia um vestido verde musgo com um coturno preto. Apesar da aparência incomum, ela é muito importante pra mim.

-Recebi sim... só você mesmo para eu ter paciência de ir pra aula. – Digo trancando a porta da casa.

Kelly riu um pouco – Verdade, vamos agora?

Fiz um ‘sim’ com a cabeça e fomos andando. O colégio não ficava muito longe da onde eu morava, ficava a uma quadra. Eu e Kelly fomos conversando animadamente, ate chegarmos na escola., infestado de patricinhas e jogadores de futebol americano, todos nos olhando torto. Isso nunca me incomodou, muito menos a Kelly, passamos reto e fomos direto para nossa sala.

Colocamos nossas coisas na carteira e ficamos sentadas conversando... isso é... ate vir dois jogadores na nossa direção.

-O que duas garotas lindas fazem sozinhas?

-Sozinha? Quem aqui ta sozinha? Estou com a minha amiga.

-Não prefere estar com um cara como eu?

-O que? Um otário com você em vez da minha amiga? Deve estar louco se pensa que vou aceitar uma proposta como essa.

-Sua vadia! – O cara puxou meu braço, fazendo com que eu levantasse.

-O que esta havendo? – A professora disse ao entrar na sala.

-Nada Sra. Barker... Só estávamos conversando. – Disse com calma.

-Então pode soltar o braço da Srta. Neville para que eu possa começar a aula Sr. Cooper?

-Claro. –Me soltou no mesmo instante. — Nos resolvemos mais tarde. –Disse sussurrando para mim.

-Tá bem Brina? –Kelly disse meio preocupada. –O que ele disse pra você?

-To bem... não se preocupe com que ele disse. –Dei um sorriso para disfarçar.

Passaram as 4 horas infernais de aula, e quando ouvi o sinal de saída eu agradeci a Deus. Eu e Kelly fomos andando ate a saída do colégio, onde paramos por um momento.

-Onde você vai almoçar Brina?

-Não sei... Por que? Tem alguma idéia?

-Podemos almoçar no píer. Tem um restaurante ótimo lá. –Deu um sorriso.

-Boa idéia. Vamos lá então.

Fomos andando ate o píer. Comemos um hambúrguer e depois Kelly me pediu pra ler o futuro dela no tarot, tinha falado não, falei que o futuro era pra vim como uma \"surpresa\", mas ela ficou me insistindo tanto que eu aceite.

-Ok... mas já vou avisando... as cartas nunca erram.

-Ok, ok...

Comecei a embaralhar as cartas, ela só teria direito a uma carta, nenhuma a mais. Kelly poderia ate negar, mas estava um pouco nervosa quando escolheu sua única carta, estava com a mão tremendo quando pegou-a.

-Sua carta é a ‘Morte’.

Nessa mesma hora apareceu um carro, olhei para ver quem estava dentro, e vi os mesmos dois rapazes que estavam nos incomodando no colégio. Eles estacionaram o carro, saíram dele e os dois nos puxaram e nos seguraram.

-Nos larguem!

-Não... eu falei que íamos nos resolver? –Falou cochichando no meu ouvido.

O outro garoto que estava segurando a Kelly estava segurando ela de ponta-cabeça em cima da água.

-NÃO FASSA ISSO!!

-Só queremos vê-la nadar um pouquinho. –Nesse ultimo instante ele a soltou.

-NÃO!! ELA NÃO SABE NADAR!!! – Dei uma cotovelada e fui ate a borda do píer.

Os dois foram embora no seu carro, enquanto eu via minha única amiga de debatendo para conseguir sobreviver, estava angustiada, sem saber o que fazer... O pior, era o fato de eu não fazer nada para ajudá-la, afinal não sabia nadar também.

-EU TE JURO KELLY!! EU VOU FAZER ESSES DOIS SOFREREM POR ISSO!!

Logo depois de eu ter falado isso, não vi mais nada na água. Perdi minha melhor amiga... Mas isso não ficaria assim!

Depois desse trauma eu fiquei perturbada. Passo os dias trancada no meu quarto, pensando como irei fazer-los sofrerem. Meu pai, com medo de que eu fizesse algo que pudesse prejudicar-lo, me mandou pra um manicômio. Fiquei sozinha num quarto branco e meio almofadado, não me colocaram na camisa-de-força, mas me deixaram numa sala isolada das outras.