Voo 186

5 3° Gravação 2.0


– Sou bom com a memória quando preciso. Me mijei de medo duas vezes. – Fernando respondeu.

– Acontece. – o policial disse, sério. – Pelo que você disse, esse BR, no começo ele parecia assustado, não querendo fazer o que fez. Por curiosidade, por que você acha que ele teve essa mudança repentina?

Fernando demorou um pouco para responder.

– Acho que ele teve medo do que poderia acontecer a ele caso aquela mulher fugisse. E depois que ele atirou, ele ficou assustado por saber que não teria mais volta e teria que ir até o fim com o que faria...

– Mas você acha que ele poderia desistir, não?

– Sim. Mas o outro parceiro não aceitaria. – respondeu. – Eu quero ir embora. – disse querendo se levantar.

O policial o segurou pela mão.

– Ainda não. Ainda preciso saber de mais. Continue. Logo você poderá ir embora. – ele disse, então Fernando voltou a se sentar.

"A chuva havia apertado mais, e o vendaval batia contra o teto de vidro.

Fernando estava congelado de frio e a urina em sua calça não o ajudava muito. O cara chamado BR andava de um lado para o outro com a arma na mão, tremendo. Ele apontava toda hora para alguém e a ameaçava.

Fernando não sentiu seu celular vibrou, ,mas a sua música preencheu todo o local. BR olhou diretamente para ele e correu em sua direção.

– O que é isso pivete? – ele gritou, cuspindo nele.

Fernando não conseguiu responder. Ele o puxou pela gola da camisa e o olhou com raiva. O telefone não parava de tocar.

– Atenda essa bosta. – ele gritou.

O hálito de café já havia desaparecido.

– Alô. – disse, com a voz trêmula.

– Se abrir a boca pra dizer o que está acontecendo aqui, enfio uma bala na tua cabeça, pivete. – ele sussurrou.

Fernando só sabia tremer. As palavras pareciam ter sumido de seu conhecimento.

– Alô? Fernando? – alguém o perguntou do outro lado da linda. Ele não reconheceu a voz.

– Sim. – respondeu, sua voz tremia de medo. As lágrimas desciam por seu rosto.

– Está tudo bem ai? Parece está com dificuldades para responder.

BR pressionou a arma em sua cabeça com mais força.

– Sim. Sim. Só estou com frio. – respondeu depois de respirar fundo. – Quem é?

– Sou Marieta, sou do Hospital Sírio-Libanês. Tentamos contatar sua madrasta, mas ela não atende.

– O que aconteceu?

– Seu pai. Seu pai sofreu um acidente de carro. – ela disse.

Tudo que estava acontecendo parecia estar travando algo em sua cabeça. Sua vida por um fio, seu pai em um hospital e nenhum sinal de Helena e Marcela."

– Está bem? Quer um copo d'água? – perguntou o policial interrompendo-o.

– Eu...

– Santos. – ele gritou. – Traz um copo d'água pro garoto aqui.

Depois de alguns minutos em silêncio, o mesmo cara que o levou ao banheiro entrou com uma garrafa de água e a jogou para ele.

– Então, continue. – incentivou o policial.

Dei uns goles.

"O brutamonte, BR sussurrou para ele não dizer nada novamente.

– Como ele está? – Fernando perguntara, mesmo tendo em mente uma resposta.

– O acidente foi feio. Ele capotou na estrada logo depois do carro ter sido atingido por um raio. É o que parece. Foi um milagre, ele estar vivo, mas o estado dele não está muito bom. Ele teve 5 paradas cardíacas. Ele acabou entrando em coma.

– O quê?

Fernando queria gritar, mas o cara podia explodir sua cabeça ali mesmo.

– Não devia ter contar tudo isso. Diga pra sua madrasta o que aconteceu. Precisamos de vocês aqui.

Então ela desligou o telefone.