Voo 186

2 2° Gravação


– Você pode ou não fazer os favores?

– Você poderia ter nos avisado antes, não? — resmungou. — Quais são eles?

– Diga pra Helena o porquê demorei e entre na fila para comprar as passagens. A balconista disse que logo isso ai estará cheio. Ainda mais que hoje é final de semana. Pode fazer isso?

– É, acho que consigo fazer isso. — ele revirou os olhos, bufando.

– É. Ok. Obrigado filhão. E pare de ficar bufando — e desligou.

Tu tu tu tu.

– Ótimo. Tudo que eu queria, esperar mais.

Click.

– Diário de viagem. 1° da 3° gravação. Já são 5:50. Nada do sol aparecer. O tempo pareceu esfriar um pouco mais, uma fraca garoa começou a cair e eu estou sem nenhum casaco. — ele gravou voltando para o lugar em que estava Helena, sua madrasta.

Click.

– Helena, papai disse que irá demorar um pouco mais. Ele esqueceu o dinheiro em casa e voltou para pegar. Pediu para que eu esperasse na fila, pra comprar as passagens.

– Ótimo. Como ele pôde esquecer o mais importante? — ela perguntou, mas pareceu ter sido retórica. — Eu dei o dinheiro na mão dele antes de entrar no carro. — sua voz parecia em raiva, mas era estranho enquanto ela foleava uma revista de moda. — Eu tenho falado para ele, ele não está bem da cabeça.

– Não sei. Saímos tão de repente, nem as malas fizemos direito. — Fernando respondeu, tentando defender seu pai. — Ele deve está preocupado com algo.

– Mãe, estou com fome. Tem algum dinheiro ai? — perguntou Marcela.

Helena pegou a carteira da bolsa e entregou uma nota de R$50,00 para filha.

– Tó. Vá com o Fernando e compre algo para vocês. — ela os dispensou com um aceno de mão.

– Tudo bem. Vamos Zé Mané. — Marcela o puxou."

– Quer fazer uma pausa? — perguntou o policial, interrompendo-o.

– Não. Está tudo bem. — Fernando respondeu.

– Tudo bem. Aguarde uns minutos, já volto.

Ele depositou o caderninho e a caneta sobre a mesa e saiu. Fernando esperou por alguns minutos.

– Pronto. — ele voltara. — Toma. Pode continuar?

Ele sentou-se à frente do garoto e empurrou uma lata de refrigerante para ele.

Ele pegou o refrigerante, em dúvida. O abriu e deu alguns goles.

– Ótimo. Continue então, precisamos saber de todos os detalhes. Prossiga.

"- Seu pai é outro Zé Mané. Como ele pôde esquecer o principal em casa? — Marcela disse.

– Não sei. Não sei. Vai ter que perguntar para ele quando ele chegar.

Ela riu.

– Vamos. Vamos comer e depois você vai pra fila.

Em frente a lanchonete ela perguntou a ele o que queria.

– Pode ser aquele sanduíche ali. — ele apontou. — E um suco.

– Ok.

Click.

– São 6:10 da manhã. Acho que o mundo acordou agora, algumas pessoas começam a chegar no aeroporto...

– Guarde isso, Fernando. Aqui não.

Click.

Ela o interrompeu mais uma vez.

– O aeroporto está enchendo. Achei que não iria. — ele disse, ao vento.

– É a primeira vez que você viaja de avião, né? Toma seu lanche.

– Sim. Obrigado.

– Quer voltar ou sentar em alguma mesa?

– Vamos sentar ali. Daqui a pouco tenho que ir pra fila. Espero que pelo menos ele tenha reservado.

– Não tem como ele ter feito isso. Quer que eu vá com você?