Voo
1 Voo
Notas iniciais
Você continua falando de coisas das quais não sabe nada. Eu sou cruel? Louca? Má? Eu não entendo vocês? Você que é incapaz de me entender, não o contrário, afinal ainda lembro com clareza as vidas que tive sendo uma de vocês.
Sabe, dizem que voar é uma sensação incrível. Geralmente dizem que é algo que te dá a impressão de completa liberdade, mas isso é uma mentira. Por que é uma mentira? Porque o chão ainda está lá para te dar as boas vindas, as nuvens ainda estão lá para dizer que você continua em um lugar que existe.
Esse tipo de voo é como a felicidade de um cachorro que sai para passear, ele fica tão feliz em experimentar a liberdade de estar fora da casa, de descobrir coisas novas, que ele se esquece que ainda está preso por uma coleira. Mas, no fim das contas, talvez seja melhor que ele tenha a coleira. O que aconteceria se a coleira desaparecesse? Se o dono desaparecesse? Será que o cachorro seria capaz de continuar o passeio normalmente?
E se a terra simplesmente desaparecesse debaixo de você? Você estava voando tão feliz, mas agora não há mais para onde você voltar. De repente você está tão longe de qualquer coisa que você já não mais sabe se está caindo ou subindo, todo o senso de direção deixou você.
De repente, você vê uma luz! Que sorte! Algum tipo de guia nesse vasto espaço vazio, onde você não tinha ideia de o que fazer. Mas como você sabe se essa luz é real? Se ela está te guiando pelo caminho certo? Você não sabe, afinal ninguém está do seu lado, ninguém pode te dizer se ela é apenas uma alucinação ou não, mas isso realmente importa? Para você ela parece tão real... Tão... Bela...
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Ela parecia quase uma pessoa normal, com uma mão para o alto, como se estivesse tentando pegar alguma coisa. Seu sorriso demonstrava uma tristeza imensurável. – E você espera que eu simpatize com você, simplesmente diga “Vá em frente, mate todas essas pessoas, sua história é tão emocionante!” e não faça mais nada? Você é doente. – Ele podia até dizer isso, mas a verdade era que ele não tinha a capacidade de Pará-la. O quão frustrante era isso, depois de tantos companheiros já terem morrido.
– Ora, por favor, quem você acha que eu sou? E apenas precisava desabafar, é isso. – E com um gesto, uma estranha esfera preta apareceu na frente dele, logo depois causando uma estranha pressão que o lançou para a parede.
Ele tinha certeza que tinha quebrado alguns ossos. – É isso então? Uma dessas história onde alguma criatura imortal quer levar o mundo inteiro consigo para conseguir morrer. – Se ele pelo menos conseguisse convencê-la a não apertar o botão.
Ela hesitou por um momento. – Sabe, realmente morrer... seria tão bom... – Então ela apertou. Em inúmeras estações espaciais, do lado daquela na qual eles haviam lutado, comportas abriram e mísseis começaram a voar em direção ao planeta que orbitavam. – Mas a questão não é só essa, tudo que eu quero é desmaiar, e sonhar um pouco, da forma mais bela o possível, antes de acordar novamente nesse voo que nunca acaba. Tenho tanta inveja de vocês que caem, esquecem quem são, e depois constroem novos aviões... – E tudo acabou numa grande bola de fogo.
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