Notas iniciais
Para quem lê, para quem favorita, para quem acompanha, para quem comenta e, principalmente, para quem gosta, aqui está mais um capítulo de "Volta para a minha cama". Boas leituras.

O coração de Sakura começou a bater com força quando Sasuke reduziu a distância que os separava. Durante uns instantes, exausta pela tristeza e esgotada pela luta que fora para ela sentir-se aliviada por não ter que voltar a enfrenar o vício de jogo do seu pai, esquecera-se que estava no cemitério.

Tinha-se preparado para pensar sempre positivo mas aquele devaneio fora demasiado. Uma reinvenção do passado, onde o amor vinha primeiro em vez de ser só mais um item na longa e complexa lista de bens e agendas. Então, voltara-se e, durante um instante, o passado, que ainda parecia pertencer-lhe e que tanto desejara que continuasse a acompanhá-la, voltara a ganhar vida: Sasuke.

A realidade dos seus traços poderosos e masculinos, do cabelo negro, dos largos ombros e do aroma que sempre lhe acelerava o bater do coração devolvera-a subitamente ao presente.

_Que estás aqui a fazer? – perguntou-lhe ela secamente. Desde o que se passara dois anos antes, os Haruno e os Uchiha mantinham uma gélida distância. Sasuke era a última pessoa que esperava ver no enterro do pai e, além disso, a pessoa menos bem-vinda.

Sasuke agarrou-lhe a mão. Aquele caloroso contacto provocou-lhe um vibrante formigueiro por todo o corpo. Respirou fundo e sentiu o aroma da colónia que, segundos atrás, a transportara ao passado. Desta feita, provocou-lhe um nó no estômago. Sasuke continuava a ser um homem bonito e impressionante. Tinha-a fascinado ao ponto de ela ser capaz de romper a norma que regia a sua vida. Deixar de pensar para sentir. Grave erro.

Sasuke tinha estado muito acima dela. Não tinha mais que dizer. Era demasiado rico e poderoso, estava demasiado centrado em proteger o império empresarial da sua família.

Com amargura, deu-se conta de que a imprensa sensacionalista tivera razão. Cruel nos negócios, igual na cama. O diretor-geral do Grupo Uchiha era um bom partido, mas não se podia esperar chegar ao altar com ele.

Sasuke inclinou-se para a frente, o suficiente para que o seu rosto perfeitamente barbeado quase roçasse no tosto de Sakura. Durante um instante, ela pensou que Sasuke ia beijá-la, mas quando viu a expressão distante do seu rosto apagou por completo aquele pensamento.

_Temos que falar – disse-lhe ele com voz profunda e seca. – Espero-te dentro de cinco minutos no estacionamento.

Sakura soltou-lhe a mão e deu um passo atrás. Reunir-se com o homem que a pedira em casamento e que, na semana seguinte, a descartara porque achava que ela não passava de uma caça-fortunas? Só quando o Inferno gelasse.

_Não temos nada para falar.

_Cinco minutos. Assegura-te de que estarás lá.

Com um nó no estômago, Sakura observou como se afastava por entre as campas. Apercebeu-se também da presença de Itachi e Naruto, os irmãos de Sasuke. Os dois guarda-costas mantinham os jornalistas e os curiosos à distância.

Sentiu que alguém lhe tocava no braço. Era a sua irmã Ino. Com grande força de vontade, Sakura espantou a surpresa que lhe causara a presença de Sasuke e a sua própria reação. A repentina morte do pai e a delicada situação financeira subsequente consumia cada instante da sua vida há uns dias. Apesar disso, bastara-lhe um olhar de Sasuke para esquecer onde estava e que fazia ali.

Ino franziu o sobrolho.

_Estás muito pálida. Sentes-te bem?

Desesperada por recuperar o equilíbrio, Sakura meteu a mão na mala e tirou a caixa de pó de arroz para olhar-se ao espelho. Após as lágrimas e o húmido calor, a leve maquilhagem que aplicara de manhã desaparecera. Tinha o cabelo desalinhado e os olhos vermelhos, precisamente o contrário da sua habitual fria e sofisticada fachada.

Ino, que tinha um aspeto mais mediterrânico do que ela, com um brilhante cabelo loiro e uns maravilhosos olhos azuis, observava os irmãos Uchiha com uma estranha expressão no rosto.

_Que estão aqui a fazer? Por favor, não me vais dizer que voltaste a sair com Sasuke.

Sakura fechou a caixa de pó de arroz e voltou a metê-la na mala.

_Não te preocupes. Não estou louca.

_Então, que queria?

Pelo bem da sua família e da sua empresa, tinha que manter-se controlada, fria, apesar de sentir-se assaz preocupada.

Recordou o que Sasuke lhe tinha dito e o seu cérebro começou a funcionar. Tinha que pensar e depressa.

Nos últimos três dias, passara longas horas a rever os papéis e a contabilidade do pai. Descobrira vários grandes depósitos que não conseguia relacionar com a empresa. O dinheiro ia entrando durante um período de dois meses. O dinheiro fora usado para engordar as magras finanças da Pérolas Haruno e cobrir as recorrentes dívidas de jogo do pai, mas desconhecia a fonte de tais rendimentos. Ao princípio, pensou que tinham que ser lucros, mas a semelhança das quantias confundia-a. Jiraiya Haruno ganhara grandes somas de dinheiro no passado, mas as quantias diferiam muito.

E Sasuke queria uma conversa.

Desesperada por negar a conclusão a que estava a chegar e para distrair Ino, que ainda observava os irmãos Uchiha, olhou em volta em busca da mãe.

_A mamã precisa de ajuda.

Ino também tinha visto o jornalista que estava a conversar com Tsunade Haruno. A viúva estava esgotada e ainda algo aturdida pelos sedativos que o médico lhe prescrevera para poder dormir.

_Vou ter com ela. Além disso, já é altura de nos irmos embora. Era suposto estarmos em casa da tia Konan para almoçarmos há já dez minutos.

Sakura tinha decidido que um almoço privado para a família no apartamento da tia Konan, irmã do seu pai, era melhor que uma receção mais formal, algo que ela considerava um luxo desnecessário.

Os quatro dias passados desde que o pai morrera de ataque cardíaco tinham sido uma montanha-russa, mas isso não mudava a realidade. Os dias de glória da Pérolas Haruno, quando o seu avô transferira a empresa da zona catastrófica em que Medinos se transformara durante a Segunda Guerra Mundial para Sydney, tinham passado à história há muito tempo. Sakura tinha que apoiar o negócio dando a impressão de riqueza e estabilidade, apesar de estarem a operar com um orçamento muito apertado. Por sorte, o pai tinha um pequeno seguro que fora suficiente para cobrir as despesas básicas do enterro, e ela tinha a desculpa da má saúde da mãe para evitar ter que socializar com os presentes no enterro.

_Diz a Hana que não vou poder ir almoçar. Vemo-nos em casa mais tarde.

Notas finais
Espero, muito sinceramente, que tenham gostado. Ficarei a espera de comentários positivos mas também de críticas para melhoras. Bijocas, SaKaEternalLover