Notas iniciais
Oi a todos.
Esta fic está totalmente pronta à tempos, mas só agora me lembrei que a podia postar aqui. Neste caso, os capítulos serão postados todos os domingos, exceto se não conseguir vir aqui.
De momento está livre, mas, conforme for postado é provavel que se torne +16.
Boas leituras.

Com um olhar frio, Sasuke Uchiha observava as pessoas que assistiam ao enterro de Jiraiya Haruno. Procurava algo, incansavelmente…até que por fim encontrou.

Com o seu longo cabelo rosado, olhos verdes e elegantemente vestida, Sakura, a filha de Jiraiya, destacava-se entre os presentes como se de uma ave exótica se tratasse.

Ele cerrou o queixo ao ver as lágrimas no rosto de Sakura e rejeitou a compaixão que se apoderava dele contra a sua vontade. Também afastou as recordações. Por muito inocente que fosse o ar de Sakura, não conseguia esquecer que a sua antiga noiva era a nova diretora-geral do decadente império de pérolas da sua família. Era, principal e primordialmente, uma Haruno. Descendentes de uma outrora muito rica família, os Haruno eram famosos por duas coisas: pela beleza radiante e pela capacidade de se concentrarem no que importava de cada assunto.

Naquele caso, o que importava era o assunto que levara Sasuke até ali.

_Diz-me que não vais enfrentá-la agora.

Itachi, o irmão de Sasuke, que ainda sofria dos efeitos do longo voo que o levara de Roma a Sydney, saiu do Audi que Sasuke usara para recolher os seus dois irmãos no aeroporto.

Itachi já estava há dois dias em Sydney por causa do trabalho e ia elegantemente vestido, embora há muito que eliminara o blazer e a gravata. Naruto, que já tinha saído do carro e estava a observar os presentes no funeral, ia vestido com umas calças de ganga pretas e uma camisa da mesma cor. Os seus óculos de sol davam-lhe um ar ainda mais distante.

Itachi era muito bonito, tanto que a imprensa o assediava sem piedade. Naruto era, na verdade, meio-irmão dos outros dois Uchiha. Passara algum tempo nas ruas de Los Angeles na sua adolescência até o pai o encontrar e, agora, tinha um ar simplesmente arrebatador. Aspeto físico à parte, Sasuke esperava que os irmãos se comportassem como se esperava no momento de proteger os interesses da família.

Com certa tristeza, pensou que a atração física que o afastara dos escritórios principais do Grupo Uchiha estava a turvar-lhe o julgamento.

Dois anos antes, Sasuke aprendera por fim a separar o desejo sexual dos negócios. Desta vez, se se desse o caso de Sakura Haruno acabar na sua cama, seria sob as suas condições e não sob as dela.

_Não vim aqui para pôr flores no caixão de Jiraiya.

_Nem permitir-lhe a ela que chore o seu pai. Já pensaste deixar tudo para amanhã? – perguntou-lhe Itachi enquanto punha o blazer e batia a porta do Audi.

Sasuke fez um gesto de dor ao ver como Itachi tratava o veículo. O seu irmão era mais novo que ele e não recordava os dias de necessidade, quando a família Uchiha era tão pobre que nem sequer se podia permitir ter um carro. O facto de o seu pai ter descoberto uma rica mina de ouro na ilha de Medinos, no Mediterrâneo, não alterara nenhuma das suas recordações de infância. Nunca esqueceria o que se sentia quando não se tinha nada.

_No que se refere à família Haruno, amanhã é demasiado tarde – ripostou ele. Então, olhou com resignação para os repórteres, que rodeavam os convidados como se fossem abutres à espera de um banquete. – Além disso, parece que já corre a notícia. Apesar de não ser o momento adequado, preciso de respostas.

E recuperar o dinheiro que Jiraiya Haruno tirara ao seu moribundo pai, com base em mentiras, enquanto Sasuke estava fora.

Tornaria pública a burla que descobrira há pouco mais de uma semana. Depois de não atenderem os seus telefonemas durante muitos dias e de passar horas à frente da residência da família Haruno, que parecia vazia, perdera por completo a paciência e o desejo de resolver discretamente o assunto.

Itachi começou a caminhar junto ao irmão. Sasuke deu-se conta de que a atenção de Itachi se centrava em Ino, a mais nova das filhas de Haruno.

_Tens a certeza de que Sakura estava implicada?

Sasuke não se deu ao trabalho de esconder a sua incredulidade. Quais eram as hipóteses de que a mulher que aceitara casar com ele há dois anos, sabendo que o seu pai estava a ultimar um acordo secreto com o dele, desconhecesse a derradeira burla de Jiraiya?

_Claro que estava.

_Sabes bem como era o Jiraiya…

_Um homem mais do que disposto a aproveitar-se de um moribundo.

Sasuke estabeleceu um breve contacto visual com os dois guarda-costas que os tinham acompanhado noutro veículo. Não desejava ter escoltas, mas ser diretor-geral de uma empresa multimilionária significava ter que enfrentar mais ameaças do que aquelas que gostaria.

Enquanto se aproximavam, deu-se conta da ausência dos membros masculinos da família e dos guarda-costas. A rica e poderosa família Haruno, para a qual o seu avo trabalhara como jardineiro, era agora formada apenas por Tsunade, a viúva de Jiraiya; Sakura e Ino, as duas filhas; e uma série de tias idosas e primas afastadas.

Quando parou junto ao caixão, as nuvens que tinhas estado a cobrir o sol afastaram-se. O esmeraldino olhar de Sakura cruzou-se com o dele. Nesse instante, algo parecido com uma alegria pareceu surgir, como se ela se tivesse esquecido de que, dois anos antes, quando tivera que escolher entre ele ou o dinheiro, se inclinara para o vil metal.

Durante um longo instante, Sasuke teve a estranha sensação de já ter vivido aquele momento, uma poderosa união que pensara nunca mais voltar a sentir.

Experimento uma sensação no peito, uma pulsação errante de emoção e, em vez de afastar o olhar, permitiu-se ver-se encurralado, enredado…

Um segundo mais tarde, o vento remexeu as folhas que tinham caído no chão. No pouco tempo que Sakura demorou a pôr o cabelo por trás de uma orelha, o devaneio que se apoderara dele e o enganara tão completamente dois anos atrás desapareceu por completo, substituído por uma total incredulidade.

Apesar de tudo o que acontecera estivera quase a perder-se de novo. Depressa a ira se viu substituída pelo alívio. Estivera quase a cair novamente na teia dela.

Afastou o olhar dela e centrou a sua atenção no caixão, que naquele momento se encontrava coberto por belas coroas de flores. Aquilo reafirmou os seus propósitos e recordou-lhe o que tinha ido ali fazer.

Jiraiya Haruno fora um mentiroso, um ladrão e um vigarista, mas Sasuke iria acabar por dar-lhe o que merecia. Ele soubera escolher o momento de escapar-se.

Sakura, pelo contrário, não tinha qualquer possibilidade de fazê-lo.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Reviews? Ser que sim?
Bijocas, SaKaEternalLover.