Vollfeit - Interativa

15 Capítulo 14: compra de festival


Notas iniciais
E aí, pessoal? c: Perdão pela demora em postar, tive semanas corridas por causa da faculdade, mas agora estou praticamente de férias o/ Esse capítulo é curtinho, pois dá continuidade direta ao anterior. Espero que, mesmo assim, gostem (tentarei postar mais cedo para compensar, hehe). Boa leitura, :3

— CAPÍTULO 14 -

Compra de festival

Fitou-a surpreso. Surpreso por se lembrar de algo e por Neri conhecer aquela frase.

— De onde isso vem...?

— Meus pais costumavam dizer isso às vezes – deu de ombros como se não lembrasse claramente. No entanto, sabia exatamente de onde ouvira isso tantas vezes: do final de período nas escolas de Vollfeit.

— Acha que vem de alguma história infantil? – pensativo, perguntou.

— É uma boa possibilidade – sorriu naturalmente através de suas experiências teatrais. – Ah! – Neri exclamou repentinamente. – Acabei esquecendo que precisamos comprar suas roupas de festival.

Ela tinha razão. Eslin também havia se esquecido da data importante de amanhã após a saída inesperada de Neri e seu consequente cochilo. Acompanhando a garota, que acariciava Prae e Gori pela última vez, levantou-se e caminhou até a entrada da simples casa de madeira. Abriu a porta e a esperou passar junto com os três lobos, fechando-a em seguida.

— Foi um prazer conhecê-los – Neri dobrou o corpo para fazer carinho na orelha de Trovoada. – Irei visitá-los quando puder – sorria.

Vendo o trio se afastar por trás das árvores grossas, atravessaram o bosque onde Neri morava até a vila. Em menos de vinte minutos, estavam nas ruas iniciais movimentadas e perfumadas por diversos odores, de lírios-do-vale até pães recém-assados. Continuaram avançando por mais quatro minutos, quando chegaram a uma viela tranquila próxima ao centro. De frente para um muro bege, com algumas plantas finas aparecendo nas rachaduras, uma construção clara com acabamento em madeira se encontrava erguida, provavelmente por décadas. Entraram na casa de três andares e logo foram recebidos por um senhor de idade, com o rosto magro e levemente rosado.

— Pequena Neri, seja bem-vinda! – disse suavemente, mostrando uma voz fraca e um tanto rouca.

— Boa tarde, senhor Simond – sorriu.

— Faz um tempo que não aparece por aqui. Você está bem? A Meli está dormindo. Queria te ver – contou com carinho.

— Estou bem, e o senhor? Virei aqui mais vezes para vê-la então – respondeu, novamente, com um sorriso.

— Ótimo, ótimo, ela vai adorar! – e olhou para Eslin, curioso. — E esse simpático rapaz?

— É um colega que precisa de ajuda. Precisa de roupas novas – respondeu gentilmente.

— Ah, para amanhã? – suas sobrancelhas se levantaram rapidamente em sinal de surpresa e, logo, de consentimento. – Vocês irão juntos?

Eslin fitou Neri sem entender, que parecia, de repente, um tanto desconfortável.

— Sem essa, vovô Simond – respondeu ironicamente, mas sorrindo em seguida. – Para amanhã também.

O homem de idade riu.

— Ela tem muitos pretendentes e não dá corda pra nenhum – voltou-se a Eslin. – Diz que prefere chocolate.

— Nina está acordada? Acho que irei conversar com ela... – retrucou em tom baixo, fazendo ambos os presentes rirem.

Neri lançou um olhar envergonhado em direção ao rapaz, que retribuiu. Com os olhos verdes, sorriu.

— Então vamos achar as vestes perfeitas para esse bonito jovem! – Simond levantou os braços com entusiasmo e começou a andar para o fundo da loja, que possuía roupas em todos os cantos.

Sobre uma estrutura larga de madeira negra, diversas roupas escuras se apresentavam milimetricamente dobradas. Puxando uma a uma, Simond apresentava cada peça aos dois clientes.

— Supus que vocês dois representarão Ihene – disse enquanto desdobrava uma capa azul-marinho para Eslin.

— É uma escolha dele – Neri olhou para o garoto tranquilamente.

— Sim, senhor – respondeu para Simond com um sorriso e aceitou a roupa, olhando-a por um tempo. Na parte frontal, um símbolo de lua prata enfeitava minimamente o único bolso existente. Listras que ziguezagueavam pelo capuz grande possuíam o mesmo brilho e, nas bordas das mangas, uma fina tira do mesmo tom dava um acabamento especial à roupa.

O dono da antiga loja continuou mostrando mais opções de mantos enquanto Neri passeava pelo local, procurando por algo aparentemente indefinido. Eslin logo a perdeu de vista enquanto tentava se concentrar nas explicações de Simond sobre os tecidos que seus antepassados costumavam usar. Tentou ouvir toda a história e escolher uma roupa ao mesmo tempo, mas aquilo pareceu complexo demais para sua mente. Terminada a explicação, aceitou a primeira capa, feita com um tecido pesado.

— E onde aquela garotinha está? – Simond perguntou mais para si mesmo enquanto guardava o novo manto de Eslin em um embrulho de papel. – Parece uma lebre, andando por aí sem entendermos! – balançava a cabeça divertidamente.

O garoto sorriu. Apesar de não conhecê-la bem, entendia o que Simond sentia. Segundos depois, um barulho de madeira estalando chegou até onde estavam e, pelo arco que dividia a frente e o fundo da loja, enxergaram Neri se aproximando após passar pela porta aberta. Ao seu lado, Meli parecia tagarelar animadamente.

— Espero que não estejam falando sobre costura novamente – Simond as encarou. – Da última vez – desviou o olhar para Eslin. – Ficaram mais de duas horas conversando.

— Acredito que seja um assunto de extrema importância, senhor – respondeu-o, sorrindo.

— Então você é o colega que precisa de ajuda? – Meli questionou gentilmente. – É um prazer conhecê-lo, sou mulher desse velho. E não tagarelamos. Você fala mais que nós, mulheres – fitou seu marido e, depois, piscou o olho para Eslin, que sorriu com diversão.

A senhora, na casa dos setenta anos assim como Simond, pegou o grande embrulho em cima do balcão e o ofereceu a Eslin. Seus olhos quase sem cor, que apresentavam fracos indícios de que foram castanhos com verde, brilhavam enquanto estudavam discretamente o rosto jovem.

— Cuide de Neri, ok? Ela é só uma criança – sorriu.

— Estou aqui, senhora Rotford – Neri pronunciou a poucos metros dali, parecendo analisar distraidamente a textura de cada peça posta em uma mesa.

A mulher riu suavemente.

— Leve, é um presente – disse após colocar o embrulho nas mãos de Eslin. – E cuidem-se, meus queridos.

— Hm, bem... – Eslin tentou contradizer, já que aceitar algo valioso sem pagar não parecia certo. Todavia não tinha dinheiro algum e não queria que Neri gastasse seu dinheiro com ele.

— Apenas não se preocupe, jovem – Simond entendeu e o tranquilizou. –Aproveitem o festival! – falou alegremente, despedindo-se.

Alcançando Neri, passou pela entrada da velha construção em direção a uma das ruas principais que cruzaram anteriormente. Enquanto andavam, percebera que Neri estava quieta. A garota não era sempre comunicativa, porém, naquele momento, algo parecia errado. Olhou-a de canto, tentando imaginar o que causara aquilo. Neri notou e, sorrindo rapidamente, retornou o olhar. Pego de surpresa e sem oportunidade de se acobertar, deixou-se observar os olhos sempre curiosos e castanhos, que pareciam, naquele momento, calmos e distantes. Percebeu, assim, que Neri estava somente refletindo sobre algo, distraída e concentrada em sua própria mente. Voltou os olhos para frente e sorriu quase imperceptivelmente. Parecia tudo bem.