Vollfeit - Interativa

16 Capítulo 15: caçadores de Diellor


Notas iniciais
Tarde, pessoal ^^ O capítulo de hoje também será curtinho, mas o usei para introduzir uma nova personagem (e uma nova bagunça em Vollfeit também, cof). É isso. Espero que gostem e boa leitura.

— CAPÍTULO 15 –

Caçadores de Diellor

A floresta estaria totalmente silenciosa se não fossem os ruídos das folhas dançando com o vento e as respirações humanas nela. Um grupo de caçadores estava agachado atrás de arbustos médios, que os separavam de um trio de palanca absorta em beber do rio Norathan. Equipados com arcos, flechas e Oro, o cão da equipe, aguardavam pelo melhor momento para abater os alvos.

Dunno, o líder da caçada, olhou para seus três subalternos antes de soltar Oro, que correu para a esquerda dos animais, antes distraídos, fazendo-os fugir pelo lado oposto. Uma flecha disparada em direção ao fêmur do primeiro animal o fez tombar, sendo abandonado rapidamente pelos outros. Um segundo tiro atingiu mais um, caindo a poucos centímetros do primeiro.

— Mais um pouco... – Carolina sussurrava enquanto prendia firmemente a corda flexionada de seu arco. – E... Isso!

Mirando na palanca restante, soltou a corda, vendo a flecha assoviar até passar a milímetros de distância do animal.

— Ah, eu não acredito! – exclamou enquanto via seu alvo correr, intacto, para o meio das árvores.

Levantou-se, segurando com determinação seu arco, e disparou atrás dele. Em suas costas, Dunno questionava em voz alta.

— O que está fazendo?! Espere a próxima caçada, Lina!

— Eu me recuso! Vou pegar aquele bicho, primo! – gritou de volta.

Tentando apresentar a mesma velocidade do animal, seguiu-o até uma área mais densa da floresta. Os sons das águas calmas do Norathan e da corrida da palanca desapareceram em meio ao barulho intensificado das folhas. Parecia ventar mais ali. Sem perder o ânimo, escolheu uma árvore de tronco forte e altura razoável para escalar. Em pouco tempo, conseguia aproveitar a vista de parte do bosque no topo quase sem folhas. Com o canto do olho, localizou sua presa, que continuava correndo assustada até um local que Lina conhecia bem. Desceu da árvore, deslizando com facilidade como se fosse água, e correu paralelamente à trajetória do animal. Chegando a uma queda d’água, localizada no bosque, descansou as pernas atrás de uma árvore nova. Mesmo com sua calça de couro escuro, sentia os galhos secos cutucando-a nos tornozelos. Sorriu, familiarizada com a sensação, e observou a palanca fugitiva olhando desconfiadamente para os lados. Mais uma vez, puxou seu arco para frente e mirou, respirando com calma até que suas mãos não tremessem. Estava prestes a disparar quando o choro do animal invadiu a floresta. Caindo de lado, fez com que Carolina visualizasse uma flecha alheia presa no dorso do animal. Irritada, levantou-se rapidamente, prestes a brigar com os outros caçadores.

— Parece que não perdeu a mira, Freyord! – uma voz masculina se elevou acima do barulho das águas.

— Ora, acha que tenho quantos anos?! – alguém respondeu divertidamente.

Na esquerda da garota, acima da pequena cachoeira, duas figuras altas e encapuzadas saíram. Usavam uniformes marrons e laranjas, simbolizando a casa do Sol. Mergulharam até o lago escondido pelas árvores e andaram felizes em direção ao alvo abatido. Antes de chamá-los, congelou. “Caçadores não falam alto...”.

— Na minha época, as armas eram muito mais funcionais... – o segundo homem disse amargamente após retirar a flecha quebrada do corpo inerte.

— Você sabe por que... – o outro assentiu com a cabeça.

Sem nenhum obstáculo em sua frente para ocultá-la, agachou-se lentamente enquanto a dupla desconhecida passava por si, em direção aos limites da floresta, deixando um rastro molhado. Seu rosto se contorceu silenciosamente em raiva. “Roubam meu alvo, e agora o deixam jogado no meio da floresta sem a menor honra”, pensou. Longe o bastante para perdê-los de vista, aproximou-se da palanca. Sentou-se e recolheu a flecha quebrada do chão, vendo uma pequena fita amarela envolta em seu fim. Guardou-a em seu bolso preso à cintura e, passando a mão na barriga do animal, agradeceu-o e se levantou.

“Preciso mostrar isso a eles”.