Volátil
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Mais um ano se passou e como tradição, estamos com mais um amigo secreto do grupo Casa das Coelhinhas
o/o/o/o/
Eu tirei a pessoa mais deliciosa de todas!
Jess, eu queria já pedir desculpas por não ter seu querido hentai xD
Não tenho maturidade pra escrever essas coisas, mana kkkkkk
Espero que todxs tenham um bom fim de ano e o início de um novo melhor ainda.
Agradeço a todas as meninas do grupo por me fazerem sentir parte de algo bem maior.
Boa leitura!
Já faz mais de dois anos que Sasuke saiu de Konoha em busca de sua redenção. Depois de perdoado por influência de Naruto e Kakashi, ele decidiu sair em viagem para ter uma nova visão de mundo, apenas sendo Sasuke, sem vinganças e sem rancores que antes o cegavam.
Fisicamente, com expressões mais duras, cabelos mais longos, havia crescido um pouco. Ainda sem um braço, carregava sua katana de um lado e uma bolsa com utensílios do outro. Sua capa negra possuía um capuz e cobria seu corpo até os joelhos.
No momento ele estava hospedado em um povoado no país do Trovão, num hotel próximo a Vila oculta da Nuvem. Era um local tranquilo, as pessoas não ostentavam bens materiais, mas pareciam viver bem suas vidas; cada um tinha uma pequena horta em casa e todos pareciam ser jovens. Enquanto tomava o café da manhã que a hospedagem oferecia, pode ouvir o que algumas pessoas atrás dele conversavam.
— Sabem quem está chegando por aqui? – Falou uma garota.
— Quem? – Era voz de homem.
— Aquela garota que ajudou Naruto a derrotar os inimigos na guerra. – Ela respondeu.
Sasuke se virou lentamente, ficando de frente para as pessoas que falavam, prestando mais atenção.
— A discipula da Hokage de Konoha? – O outro que também estava sentado se pronunciou. Sasuke observou suas bandanas da Vila da Areia.
— Sim. Como é o nome dela mesmo? Her... Sakura! Sakura Haruno. – Respondeu o outro cara.
— Que ótimo. Ela ficou famosa. Ela e sua mestra são exemplos de força para nós. – Falou a garota.
— Mas e Temari... Ela também não é um exemplo? – Perguntou o primeiro.
— Ela também é exemplo de força, mas não é nem um pouco delicada, ela dá medo.
— Ela é muito forte e brava. Mas, você viu Sakura quebrando grandes pedras que vinham em sua direção?
— Vi, ela não parecia ser tão delicada nesse momento. – Repondeu o segundo.
— OK, admito, sou fã dela. – A garota falou novamente se rendendo à pressão dos amigos.
— E ela é muito bonita também. Fiquei sabendo que está ainda mais bonita do que quando lutou na guerra.
— Podemos tentar encontra-la. O que acham? – Os olhos da garota brilharam.
— Sim. Já acabamos a missão mesmo, só não podemos demorar muito.
— Ótimo!
Sasuke imediatamente se recordou de quando se acertaram.
Da última vez que ele se encontrou com ela, pareciam ter resolvido toda sua relação. Tinham conversado por muito tempo, conversado de verdade, não com Sakura falando por horas e ele apenas ouvindo.
— Sasuke. – Fazia um tempo que Sakura tinha decidido ir atrás dele para colocar os pingos nos “is”, então, assim que pode, foi atrás dele.
— O que faz aqui? – Sasuke não podia estar mais surpreso com a presença dela. Ela tinha acabado de entrar pelo buraco da caverna onde ele estava dormindo que ficava escondida por trás de uma cachoeira. Ela vestia uma capa preta, muito parecida com a dele que lhe cobria quase todo corpo e também tinha capuz.
— Vim resolver umas coisas contigo.
— Que coisas? Não podia mandar uma mensagem?
— Você iria em Konoha se eu tivesse mandado uma mensagem?
Ele não respondeu.
— Então. Tem acontecido algumas coisas e eu só posso tomar uma decisão quanto a elas após a sua resposta.
— Hn.
— Pretende viver comigo um dia? Casados? – Ela não estava muito para enrolação e nem papo furado nesse dia.
Mais uma vez, ele não respondeu.
— Hum... OK, — Ela suspirou — Vou considerar isso como um não. Então... – Ela deu as costas – Até outro dia!
Ele a observou dar as costas e ir embora.
Quando a noite caiu, Sasuke resolveu ir na cidade comer algo em algum lugar. Não andou muito até que encontrou um pequeno bar que servia jantar.
A primeira coisa que viu foi a cabeça cor de rosa sentada em uma das mesas. Ela tinha um livro, um prato de petiscos, um copo e uma garrafa de saké em sua frente. Por mais que ela parecesse beber muito, por meio de seus movimentos não se percebia se ela estava com grande quantidade de álcool em seu corpo ou não.
Sasuke pediu o que queria comer e se sentou em uma mesa afastada. Não demorou para ele perceber que ela chamava atenção ali. Passado uns cinco minutos, um homem simpático demais se aproximou dela e lhe ofereceu uma bebida. Sakura, sem hesitar, pediu que ele bebesse metade do copo primeiro, se ele bebesse, estava tudo OK, se não, ele estava querendo aprontar alguma com ela.
O homem, acidentalmente, derrubou o copo de bebida no chão quando o pegou, derramando tudo que tinha ali.
Sakura o expulsou de lá. Não era idiota.
Certo momento, um homem jovem sentou-se de frente a ela e se pôs a conversar. Para surpresa de Sasuke, Sakura engatou na conversa com toda simpatia que ela tinha e passou boa parte da noite conversando com o homem. Em uma hora os dois se levantaram e seguiram para a saída do bar.
Sasuke não se atreveu a segui-los.
Algum tempo depois, sem ter mais o que fazer no local, ele saiu de lá, voltando para a caverna onde estava “hospedado”. Quando estava a passar por uma pequena ponte que havia, reconheceu Sakura olhando em direção ao riacho no qual a ponte estava por cima.
Se colocou ao lado dela e ficou a olhar para frente.
— Pensei que tivesse voltado para Konoha. – Ela quase se surpreendeu quando o ouviu puxar conversa.
— Faria alguma diferença?
— Sim. – Ela riu com deboche, estava cansada da indecisão dele.
— E o motivo?
— Pensei se eu teria chance de esclarecer as coisas com você novamente.
— Nossa! Isso tudo é efeito do que você bebeu lá no bar? – Ele a olhou – Pensou que eu não tinha te visto? Te reconheço até no escuro – uma pausa — e debaixo d’água.
Ele quase riu.
— Eu não estava escondido.
— Claro que não. Sentado num canto, com capuz. – Ela se virou pra ele – Como se alimenta de capuz?
— A capa não estava cobrindo minha boca.
— Aham.
Passaram um tempo em silêncio. Até que Sasuke voltou a falar.
— Estive pensando na pergunta que você me fez hoje mais cedo. – Ela não se atreveu a olhar pra ele.
— Pensando até demais para meu gosto, já que eu saí de lá sem uma resposta clara.
— Você me pegou de surpresa. Definitivamente eu não esperava você hoje aqui e não te respondi justamente por estar pensando nas palavras certas.
— E as encontrou?
— Não sei. – Ele se voltou para ela – Sei que se você me fizesse essa mesma pergunta há alguns anos eu provavelmente diria não. Hoje eu sei que eu não excluo essa possibilidade da minha vida, e ainda me arriscaria a tentar.
Sakura se surpreendeu por nunca ter ouvido ele falar tanto.
— Isso é um sim?
— Hn. – E o espírito de orador se foi.
— Então... O que a gente faz?
— Não sei. Você que chegou toda decidida, pensei que tivesse um plano para quando soubesse a resposta.
— Se me conhecesse bem, saberia que as vezes faço as coisas por impulso.
— Então, faça o que seus impulsos dizem para você fazer.
Ela o puxou pela capa e colou seus lábios com os dele. Sasuke sabia que nessas horas deveria fechar os olhos, mas ela não o havia feito, assim ele também não o conseguiu fazer hipnotizado e surpreso pela atitude ela. Ele a abraçou, ela soltou sua capa e enfiou uma das mãos entre seus cabelos, finalmente fechando os olhos e entrelaçando a língua com a dele. Não soube quanto tempo passaram ali, pois rapidamente tomavam fôlego para continuar.
— Não acredito que fiz isso! – Ela parecia um pouco atarantada.
E pela primeira vez, Sasuke riu dela.
Neste momento, ele tentou se segurar para não ir atrás dela, para fazer o mesmo que ele fez quando ajudou a impedir que os fragmentos da Lua atingissem a Terra: depois de tudo, apenas ir embora e ainda fazer com que seu sensei não contasse sobre sua aparição.
Talvez fosse o período do ano em que estava. Era 17 de julho, na semana seguinte seria seu aniversário e para ele, aquele ano parecia ser o mais difícil.
Em seu olhos, o céu estava mais azul, a brisa parecia saber a hora de soprar mais forte e os pássaros o tratavam como se ele fosse um deles, não como uma ameaça. Faltava alguma coisa pra tudo ficar perfeito.
Os anos em que passou viajando o tornou mais sensível, mais ser da natureza. Tudo em sua mente estava em sincronia com o ambiente.
Caminhando para fora do estabelecimento com suas coisas só pensou uma coisa.
“Talvez não seja uma má ideia encontrá-la, não é?”
Depois de ajustar esses pensamentos em sua cabeça, percebeu que essa era a primeira vez em que ele estava tomando uma atitude na relação com Sakura, e que provavelmente, se ele fizesse alguma besteira, ela sairia magoada.
E após tantos anos fazendo as coisas só pensando em si mesmo, ele percebeu no quanto esse tempo fora o mudou. Antes ele tinha noção de que tinha magoado muitas pessoas, mas passou a pensar em como seria se ela o dissesse agora que não o queria mais.
Teve medo, seria doloroso.
Notou que passou a andar mais devagar que o normal e se irritou com isso.
Ninguém diria que o Uchiha que botou medo em tantas pessoas, o mais conhecido por ser o último de seu clã, estaria com medo de ser rejeitado por uma garota.
Mesmo devagar, não demorou muito para que ele a encontrasse.
Os rumores do local que ela estava chegou até ele rapidamente, encontrou os mesmos ninjas que tinha visto mais cedo no café da manhã conversando empolgados sobre como foi bom conversar com Sakura e como ela tinha sido simpática com eles.
Na hospedagem, as luzes do quarto que ela alugou estavam apagadas, mas ele sabia que ela estava acordada, ainda era muito cedo.
Como um felino, rápido e silencioso, ele entrou em seu quarto pela janela e a encontrou se olhando no espelho que havia numa cômoda enquanto mexia nos cabelos, agora mais longos que da última vez que tinha visto.
— Pensei que não fosse subir nunca. – Ela falou sorrindo sem olhar pra ele, ainda mexendo nos cabelos.
— Vim assim que soube que estava aqui.
— E ficou lá fora pensando na vida? – Ele não a respondeu — A que devo a honra de sua visita?
Ele nada respondeu novamente, apenas caminhou e se sentou na cama do quarto.
— Veio pra ficar me olhando? Que romântico.
Ele continuou em silêncio.
— Sério que você veio aqui pra me ignorar?
— Pensei em só aproveitar sua companhia.
— Desse jeito? – Ele fez uma careta de dúvida – Você quer aproveitar minha companhia com uma bolsa de viagem do lado, espada enfiada na cintura e com essa capa enorme ao redor?
Ele bufou, se levantou e retirou cada um dos itens que ela mencionou e por fim tirou os sapatos já indo em direção ao banheiro para tomar banho.
Ao acabar, vestiu uma roupa limpa e saiu do banheiro, encontrando-a encostada ao espelho da cama do hotel enquanto mexia em algumas coisas que estavam em sua bolsa de viagem. Ele sentou-se ao seu lado e olhou de suas kunais estavam amoladas.
— Você está bem? – ela lhe perguntou.
— Sim. E você?
— Bem, só muito ocupada.
— O que vai fazer agora?
— Algumas coisas rápidas na vila da nuvem, burocracia que não tinha outra pessoa livre para tratar dela.
— Então você vai ter tempo livre.
— Na verdade, devo voltar o mais rápido para Konoha.
— Já mandou mensagem para o Hokage dizendo que me encontrou?
— Sim.
— Então ele sabe que você irá demorar um pouco mais a voltar pra casa.
— Na verdade, não vou. – Sasuke não estava entendendo. Ela não queria passar mais tempo com ele?
— O que está acontecendo?
— Tem certeza que não sabe? – Ela olhou para ele, irritada.
Sasuke procurou em todos os arquivos de sua mente se ele tinha feito algo que pudesse causar tanta irritação a ela. Não encontrou.
— Não lembro de nada que possa ter feito.
— Nada, Uchiha? Sério? Que tal aparecer em Konoha, mas ir embora sem falar comigo, sem me dar uma explicação? Bastava um “Oi, vim te ver” e ir embora logo depois, mas deveria ter falado comigo.
Como ela tinha descoberto?
— Como descobriu?
— Acha que eu sou idiota? Quem mais teria poder para fazer o que você fez?
— Naruto.
— Eu estava com ele, ele não podia estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Ela nada mais falou, apenas acabou de guardar suas coisas e se virou de costas para ele ao se deitar na cama, pronta para dormir.
Um passo para frente e dez para trás.
Ele permaneceu sentado imóvel por um tempo, até que viu que a respiração dela normalizou e se tornou estável. Ele se deitou ao seu lado e passou seu braço pela cintura dela com muito cuidado para que não acordasse e, em seguida, dormiu sentindo o cheiro dos cabelos cor-de-rosa.
Ao acordar, Sakura se deu conta do braço de Sasuke em sua cintura. Sem cerimônia alguma, ela retirou o braço, acordando-o. Sasuke permaneceu deitado, nunca gostou de acordar cedo. Ela rapidamente organizou suas coisas e partiu para a Vila Oculta da Nuvem.
Ela definitivamente, não queria conversa com ele, mas ele foi paciente por tantos anos, não seria agora que isso mudaria.
Sakura não quis se demorar na vila depois de ter feito seu serviço, então assim que acabou a reunião com o conselho da vila da Nuvem, ela foi embora.
O clima estava tenso na saída da vila, ela não entendia o motivo até que viu quem estava na entrada.
Sasuke a esperava em frente ao portão da vila. Pelo menos ela acreditava que ele estava esperando por ela, a cara dele de nada não ajudava.
Ela passou direto e foi seguida por ele. O Uchiha sabia que não seria tão fácil.
— Sakura.
Ela não respondeu, continuou seu caminho normalmente, pararia na mesma pousada de mais cedo para descansar novamente e continuaria a viagem no dia seguinte.
— Eu não podia te ver. Estava sendo seguido. – Ele continuou a falar enquanto olhava pra ela caminhando ao seu lado. – Eu quis te ver, mas não podia arriscar. Você sabe que desde que eu voltei tenho sido alvo de vários tipos de ninjas: caçadores de recompensa, vingadores, alguns reis querem me tornar seu escravo...
— Fala como se eu não soubesse me defender.
— Se eu achasse que você não sabia se defender, eu teria ficado na vila para garantir isso.
— Quer que eu caia nessa conversa fiada? Por favor, Uchiha!
Ele pegou a mão dela e entrelaçou com a sua.
— Você é tudo que eu ainda tenho.
— Você tem tudo em Konoha.
— Sim, você. – Ela revirou os olhos – Se está falando das posses e dinheiro que meu clã me deixou, não me interessam de nada. São só coisas vazias. De que adianta tudo aquilo se nada me preenche?
— Sinceramente, eu não sei. Não sei se quero continuar com isso sabendo que a qualquer momento você pode decidir um rumo para a sua vida sem nem se importar com o que eu penso. Você não me conta nada. Quer que eu acate suas decisões sempre? Sem nem pensar?
— Acha que eu vou embora de novo?
— Acho que você pode ir embora a qualquer momento e se esquecer de me avisar. Você é muito volátil, sabe?
— Volátil?
— É. Como um gás. Tanto faz estar num recipiente ou alguém chegar e retirar a tampa do seu frasco e fazer você se dispersar no ar.
Ele não conseguiu segurar o riso.
— Do que está rindo?
— Ninguém nunca me comparou com um gás antes.
— Não se gabe, não foi um elogio.
— Foi original. Bem a sua cara.
— Eu sou original?
Nesse momento eles chegaram na pousada onde passaram a noite e foram direto para o quarto, já que ela não havia fechado a conta.
— Mais alguém tem o cabelo rosa por aqui? Você conhece mais alguém de cabelo rosa? – Ela negou – Mais alguém que tem os olhos nesse verde e desse tamanho? Dá pra colocar uma xícara em cima deles.
— Hey!
— E conhece mais alguém que consegue fazer um Uchiha quase implorar para ser perdoado?
Ela suspirou.
— Promete que não vai fazer isso de novo?
— É uma promessa.
Ela o abraçou forte e se separou tão rápido quanto pode.
— Então. Quanto tempo vamos passar juntos? Seu aniversário é semana que vem, não é? Só vou embora depois do seu aniversário. O que acha?
— Mas vamos ficar aqui?
— E pra onde vamos?
— Faz algum tempo que eu vi uns lugares que ficam a dois dias daqui, numa cidade pequena, queria que você visse.
Sakura nunca esteve tão empolgada. Sasuke estava chamando para viajar com ele.
— Vamos agora? – Ela perguntou, ansiosa.
— Na verdade, — ele se aproximou dela – estava pensando em partir amanhã cedo, sabe? – beijou-lhe a bochecha – Queria passar mais tempo com você aqui.
— Como queira!
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