Voice
1 único
Numa cidade havia uma rua com um edifício, nesse edifício tinha moradores suspeitos assim como também tinha famílias. Estava longe de ser um lugar confortável, muito menos luxuoso. E em um dos apartamentos morava um rapaz que cursava gastronomia, ele não tinha um lugar melhor para alugar, portanto, era meio que obrigado pôr sua vida em risco quando no seu próprio apartamento houvera um assassinato com um dos moradores antigos.
A sala era escura se não fosse a luz da televisão que exibia um filme estúpido, embora Sanji ter tido a oportunidade de escolher por ser de um aplicativo de streaming. Ele se deitava de lado no sofá, com uma mão segurando a cabeça e a outra um cigarro, que ficava próximo ao cinzeiro perto de sua barriga desnuda, usava apenas uma bermuda.
Sentia tédio e não se importava de algumas mechas loiras tamparem seu campo de visão, porque o filme era ruim e pensava em cancelar a assinatura quando o catálogo deixava a desejar. No entanto, levou um grande susto com as batidas fortes na porta de seu apartamento, e arqueou sua sobrancelha enrolada por soarem bem desesperadas. Por um momento pensou se não seria um assassino de aluguel batendo na porta errada, mas ele sabia no fundo que era aquela pessoa...
Desligou a televisão e ligou a luz da sala quando esteve de pé, pedia para parar com o barulho à medida que se aproximava da porta. Sempre evitou arrumar confusão com os vizinhos e não seria aquele idiota que arruinaria todo o seu esforço por não saber esperar. Finalmente abriu a porta e, se tivesse que morrer por engano, morreria, porque já estava morto mesmo. O trabalho, o curso, a falta de sexo, aquela cidade, tudo era muito difícil! Mas acabou encontrando um amigo coberto de sangue e arfando o ar.
— Marimo. — Constatou, no final estava certo de quem poderia ser.
O rapaz não disse nada, apenas relaxou o corpo que tombou para cima de Sanji. Ele o pegou, mas era muito pesado e teve que se agachar até ficar no chão. Grunhiu por Zoro ter muitos músculos e agora o idiota dormia, usando seu colo de travesseiro.
— Acorda, porra!!! — Batia no rosto do amigo e nada. — Você some e aparece assim justo na noite da virada de ano?
Passou na sua mente que aquela situação parecia uma cena de filmes estúpidos. Sanji bufou e tirou suas pernas, que serviram de colo para o marimo, para se levantar e arrastar aquele corpo ensanguentado até onde pudesse conseguir fechar a porta. Depois foi atrás de seu kit de primeiros socorros, essa não era a primeira vez que Zoro aparecia machucado ou precisando de ajuda, então sempre mantinha um kit por perto.
Colocou sobre a ferida do nariz o último curativo, Zoro se manteve quieto enquanto Sanji estava bastante concentrado e sério. O marimo sentia às vezes que ele se aproximava muito a ponto de sentir o seu hálito que fedia a tabaco. Mas era engraçado que nessas horas o cheiro não o irritava, na verdade, parecia o atrair. Uma atração estranha que sentia pela boca do amigo.
— De onde arrumou esses machucados? — Enfim, perguntou.
— Aconteceu uma briga no bar que estava bebendo e tentei apartar, mas aconteceu isso... — Respondeu, desviando seu olhar dos lábios rosados de Sanji.
Sanji riu. Não conhecia Zoro por muito tempo, mas ele percebeu que era uma pessoa boa e que nunca seria um isentão. — Por que não vira vigilante dessa cidade doida?
— Como num filme estúpido?
Voltou a rir, às vezes achava que conhecia aquele universitário de educação física desde a infância. — Bem, continue sentado no sofá, vou pegar algo para bebermos. — Esticou as pernas, pois estava agachado para ficar na altura dos olhos do marimo, e foi para a cozinha pegar bebidas.
Zoro ficou no sofá como pediu, agradecendo mentalmente por seu amigo ter se afastado, e feliz por saber que continuaria a beber. Se fosse uma pessoa normal, Sanji mandaria dormir, mas como Zoro não ficava bêbado, então não havia problema em continuar a beber.
E Sanji queria beber, até porque era virada de ano. Seria esquisito beber e Zoro ficar apenas olhando. Ligou a televisão e colocou num canal que exibisse a queima de fogos, depois se sentou no sofá ao lado de Zoro. Cada um tinha uma lata de cerveja.
— Faltam 10 segundos. — Quis informar ao amigo, assim que se sentou depois de olhar para o relógio da televisão.
Zoro assentiu e mirou a televisão, mas algo passou na sua mente. — Esse ano foi bom para você?
Sanji sorriu com a pergunta e segurou a cabeça com o cotovelo apoiado numa de suas coxas. — Foi difícil, até chorei, mas tô vivo. Acho que isso pode ser um “sim”. — Deu mais um gole na bebida.
Ele pensou que deveria ter sido igualmente difícil para Zoro, porque eles vieram de cidades pequenas e tiveram que lidar com uma vida independente.
— Eu conheci uma pessoa legal, então foi bom.
— Você está se referindo a mim, né?
— Quê?! — Zoro estava corado e Sanji gargalhou. — Você é muito convencido!!!
— Não sou convencido, idiota, é que quando está em apuros, vem sempre aqui. — Recostou-se no encosto do sofá, meio emburrado. — Vem pra cá, mesmo desaparecido por 2 meses... sabe, eu pensava em convidar você pra passar a virada contigo, mas pensei que tinha arrumado outros amigos e deixei pra lá.
Zoro se sentiu culpado, faltavam 5 segundos para meia-noite.
— Não há outros amigos... eu não estava bem... — Ele estava "apenas" o evitando. — Mas sinto como se você fosse minha família por aqui... por isso te peço ajuda.
— Você não tá dizendo isso só por que cozinho às vezes pra você como sua mãe, certo?
— Claro que não!!! — Fazia um gesto incessante de negação com a mão. — Só sinto que você faz parte da minha infância... — Coçou a orelha e seus brincos passaram a tilintar. — Digo, você me remete a minha infância.
— Engraçado, eu penso o mesmo. Sinto que temos uma ligação.
3 segundos para meia-noite.
— O que deseja para o ano que vem? — Perguntou Sanji, e Zoro engoliu em seco porque ele já havia pensado nisso. Até mesmo escreveu a lápis num papel todas as suas metas e uma era primordial.
Ele olhou a televisão e viu a queima de fogos acontecendo, já era outro ano e talvez podia realizá-la. Voltou o olhar para Sanji, que ainda o observava com um olhar afetuoso. Podia apostar que aquele idiota nem imaginava o que pretendia fazer.
Envolveu seus braços no corpo franzino dele e o beijou. Sanji ficou surpreso no início, mas se entregou.
Fale com o autor