Vodoo
3 Capítulo 3
Notas iniciais
_Vou acabar ficando com bolhas — resmunguei comigo mesma. — Se for uma menina, vai se chamar M... A... Amy. E se for menino, vai ser André. — suspirei. Estou ficando paranóica mesmo, pra falar sozinha. Melhor desistir de achar essa loja...
E dei de cara com uma porta.
A Bigórna
É, se não for essa loja, desisto completamente. Abri a porta e me atendeu um cara de uns 40, gordo e com cara de alemão.
_Boa noite, pequena! O que quer? Temos uma promoção nos livros do setor 4, se quiser conferir...
_A Amélia me mandou.
Sua cara de felicidade virou uma de espanto. Olhou ao redor.
_Me acompanhe.
Andei. O chão, notei que estava velho e com um leve cheiro de mofo. Ele rangia alto e escandalosamente.
_No final desde corredor, empurre aquele quadro. Daqui, não posso mais te acompanhar mas vai conseguir.
Demorei uns segundos para perceber do que ele estava falando. Havia um quadro pequeno, sem moldura aparente, de uma bigorna igual ao do símbolo na entrada. Empurrei. E gritei.
Estava caindo. Caindo. Deslizando, na verdade, por um longo escorregador. Não dava para ver o fim. Mal dava para ver os castiçais com velas prestes a apagar. E que, de verdade, apagavam enquanto eu passava. Estremeci. Poderia muito bem ser uma pegadinha daquela cigana e desse cara. Seria muito estranho cair eternamente, mas, desde que eu descobri que a Velha está meio-viva, não duvido de nada.
Caí. Finalmente. Completamente cega, saí tateando as paredes em busca de um interruptor. De fato, achei.
Me sentia completamente num desses filmes do Harry Potter que eu nunca entendi. Vi muitas poções, jóias, livros de feitiços mas duas coisas me chamaram a atenção;
Um vira-tempo, igualzinho ao da Hermione e um livro de feitiços disfarçado de diário. Coloquei numa bolsa velha com algumas coisinhas que poderiam ser úteis e meu celular.
Achei também uma saída — mais fácil que subir pelo escorregador, pelamordedeus né?
_Tudo bem... -pus o vira-tempo no pescoço- Me mostre a perturbação da Velha.
E girei. Girei. Girei. Não sabia onde estava. Deve ter dado errad...
E a vi. Em uma cama de hospital. Um flash de luz e ela acorda. Na mão dela, a miserável da moedinha de 5 centavos. Ela a olhou e, para minha surpresa, pos na boca.
Seus olhos flamejavam. Entrei em uma lembrança dela.
15 anos atrás, ela estava conversando com — minha mãe?
Ela estava pedindo esmolas, e minha mãe lhe entregou uma moeda de 5 centavos. Correndo, passou — seu filho?
Ele empurrou minha mãe. A chamou de vagabunda, miserável, pobre. Deu alguns tapas na Velha, roubou alguma coisa dela e foi embora correndo. Ela carregava alguma coisa. Alguém. Eu. Aaaah eu era tão fofa. A velha olhou em meus olhos e eles começaram a queimar.
Ela foi levada ao pronto socorro para uma cirurgia de emergência. Desde então viveu num asilo, e tudo por culpa do seu filho.
Falando sério, não entendi nada. Voltei um pouco mais no tempo.
Vi o garoto com 6 anos, com uma mente invejosa e ambiciosa fora do comum. Ele nasceu, sem motivo nenhum, cheinho de ódio. A mãe nunca produziu leite para alimentá-lo e ele era fraco com leite de vaca. Até achar o poço dos desejos. Desejou a ruína da mãe e ser o homem mais rico do mundo.
E realizou. Mas o excesso prejudica a todos.
Descobri o que eu tenho que fazer. Tenho que matar aquele garoto.
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