Você é minha droga
47 Alguém ainda não percebeu que recebi um tiro?
Pov Joe:
Eu estava deitado em minha cama, encarando a porra do teto e brincando com o terço de prata na mão direita. Tudo seria mais fácil se Clary simplesmente acreditasse em mim.
–Kurt? — minha mãe bateu na porta e com dificuldade sentei-me no colchão.
–Entra mãe...
–Trouxe remédios. — fechou a porta atrás de si e veio para a cama entregar-me dois comprimidos e um copo de água gelada. — Está calor você devia abandonar esse quarto.
–Sem Clary não tem motivos para eu estar curtindo. — sussurrei antes de engolir os comprimidos e beber a água.
–Kurt, essa garota é especial não é? — sentou-se ao meu lado. — Lembro de quando eu conheci seu pai, eram tempos difíceis. Quando seu irmão nasceu faltou dinheiro para tanta coisa, que a única opção que seu pai escolheu foi entrar para o crime.
–Porque ele não arranjou um emprego honesto? Talvez hoje em dia ele estaria vivo. — comentei e sua expressão se tornou alegre.
–Ora. Gostamos de correr riscos as vezes. Só quero que saiba que eu amo muito você, e se Axl estivesse vivo... Tudo seria menos complicado.
–Eu juro mãe, que depois de Kevin eu abandono essa vida.
–Kevin é como um irmão pra você. Não pode matá-lo. — argumentou. — Tudo bem, ele não pensou nisso quando pagou Yara para fazê-lo.
–Ele passou dos limites. Primeiro Yara, depois Clary e ainda isso... Descubro que Owen jamais foi meu inimigo.
–Era Owen que você queria matar? — perguntou com aqueles olhos azuis sobre mim. — Ele e Joe, eram incríveis no basquete quando estudávamos. Eu era líder de torcida acredita? Ficava cantando e pulando a cada cesta de seu pai.
–Pelo menos ele terminou o colegial. Eu não sou capaz nem disso.
–Kurt. — senti sua mão em meu ombro. — Você pode estudar, abandonar esta vida e se formar numa ótima faculdade. E casar com a... Florence, Clarence... Qual é o nome dela mesmo?
–Clarice. — respondi rindo.
–Ah... Eu ia adivinhar.
–Sei... — molhei os lábios. — Com a sua benção mãe, vou atrás dele agora.
–Vai com Deus. — ela beijou minha testa. — Ouça querido, não perca a cabeça. Violência gera violência. Conversem.
–Se tratando de Kevin não existe maneira de conversar. — levantei com a muleta em mãos, fui pulando ao guarda-roupa e peguei o que eu mais precisava naquele momento. A Uzi.
[...]
–Obrigado pela carona. — agradeci a Santiago. Ele parou o carro na frente da boate dos Romenos, "The Room". — Com essa perna estou impossível de dirigir.
–E como levou seu Torino para o sobrado? — quis saber ele.
–Chorando e praguejando o caminho inteiro. — rimos. — Pode ir embora.
–Não, irmãos não dão as costas um para o outro nessas horas. Vou com você.
– "Cê" que sabe. — abri a porta e saltei para a calçada. Seguiu-me.
–Joe Slater e Santiago Rodríguez? — perguntou o segurança nos olhando desconfiado. — Touros?
–Não vamos arrumar confusão. Tratado de paz esqueceu? — perguntei colocando a mão em seu ombro e com a outra apoiando-me a muleta. — Por favor eu preciso sentar.
–A história de que sua confiável atirou em você ronda todos os cantos da cidade. A garota é maluca. — comentou ele. Desnecessário contar-me o que eu já sei. — Podem entrar.
–Kevin esta aí? — perguntou Santiago atrás de mim.
–Sim. — o segurança riu. — Entre nós aqui, a namorada dele é gostosa demais.
–Uma vadia. — falei entrando.
Diamond não disse mais nada, eu sabia que estava atrás de mim. Como não era ainda nem sete horas da noite, o lugar estava vazio. Os funcionários limpavam a pista de dança e outros arrumavam o bar, Os Romenos sem dúvida eram a gangue mais rica.
A área VIP, era no segundo andar e sua única entrada era uma escadaria. Ótimo... Subimos a escada em silêncio, eu pulando como um idiota e Santiago rindo cada vez que eu tropeçava e quase caía. Idiota.
Os seguranças ainda não haviam chegado e a divisão estava praticamente aberta. Entramos, o espaço era grande e coberto de sofás brancos, mesas de bilhar, e algumas em que se jogava pôquer. Ao fundo da sala se encontrava o que aparentava ser a sala do chefe.
–Vamos. — chamei pulando rumo para lá.
–Eu não sei se é boa idéia. Se matarmos ele para sair daqui vai ser outro derramamento de sangue. — comentou. Revirei os olhos.
–Foda-se. — de pensar que aquele cara havia beijado Clary, a minha Clary o sangue em meu corpo ferveu. — Ele vai ver que eu não sou covarde.
–Joe...
–É Kurt porra! — gritei furioso, a dois passos de distância da porta de vidro entreaberta. — Agora vamos.
Ao passar por ela, vi Yara sentada de frente a uma mesa de madeira chorando, soluçando na verdade. Estava de costas, e a cadeira do outro lado perto da janela também.
Pulei e antes que ela se virasse para descobrir o que era aquele barulho, a Uzi estava apontada em sua nuca.
–Joe... — sussurrou e a cadeira a sua frente foi virada bruscamente revelando Kevin. Acertei em cheio seu esconderijo.
–Kurt... — disse ele sorrindo cinicamente. — Veio matar Yara? Faça-o, ninguém agüenta mais essa puta.
–Eu não vim acabar com ela. E sim com você. – cuspi. Yara voltou a soluçar.
–Eu não quero morrer... — sussurrou. Que estranho ontem ela implorava para que eu acabasse com sua vida miserável. — Joe...
–O nome dele é Kurt porra! — gritou Kevin pegando sua arma, não reparei em qual era. Isso não faria diferença, faria? Ele apontou para trás de mim, para Santiago. — Vai Kurt, mata a vadia. E você... Diamond fica paradinho ai.
–Você não a ama? — perguntei confuso.
–Amar? — ele riu, acho que todos estavam confusos menos Kevin naquela sala. — Ela só serve para transar, e Joe... Foi ótimo transar com ela em Los Angeles, na cama em que vocês dormiam agarradinhos todas as noites...
Meu dedos estava coçando sobre o gatilho. Yara tremia, e Santiago parecia ter levado a sério demais seu papel de ficar quieto, nem respiração se ouvia dele.
–Eu vou atirar. — alertei.
–Joe... Não.
–Atire. Todos aqui querem ver ela morrer, não é Diamond? — Kevin continuou com a arma apontada para ele.
–É. — confirmou.
–Eu estou... — Yara gaguejou. — Estou... Eu estou...
–Grávida. — cuspiu Kevin. O cabo da arma afrouxou em minha mão. — Você tem coragem de matar uma garota grávida Joe? Ou melhor... Kurt?
–É mentira. — avisou Santiago.
–Cala a sua boca, ou eu te dou um tiro no meio de suas pernas naquilo que chama de pau! — gritou Kevin voltando seu olhar para trás de mim. — Kurt?
–Joe... — ela apertou um papel em suas mãos. Peguei-o e abaixei a arma.
–Como sempre covarde... — sussurrou Kevin. Sua arma disparou atingindo Santiago.
–Porra Joe. — gritou o mesmo caindo no chão. Olhei para Kevin furioso.
–Ninguém... Me chama de covarde... — inclinei-me sobre sua mesa. Sua arma apontava para mim. Eu estava em desvantagem. — E ainda atira no meu melhor amigo.
–Vai fazer o quê? Me matar usando visão a laser ou telepatia? — riu ainda com o cano sobre mim. — Leia o papel.
–Joe... – gemeu a garota. Fiquei com a postura ereta.
–Cala a boca Yara. — gritei abrindo o envelope que peguei de suas mãos. — De quem é esse maldito bebê?
–Gente... — gemeu Santiago. — Eu levei um tiro... Será que vocês perceberam isso?
–Yara responde. — falei furioso. Era um exame de gravidez em seu nome, feito em laboratório. O resultado era bem visível, Positivo. — De quem?
–Eu não sei... — sussurrou.
–Mas que porra meu ombro está sangrando caralho! Eu não fiz nada e esse veado atirou em mim! — gritava Diamond em busca de socorro, se ele esperasse só um pouco eu o ajudava a sair dali.
–Então... -Kevin afundou na cadeira abaixando sua arma. — Seremos pais Kurt. Vai me matar sabendo que eu posso ser o pai da criança?
–Não. Eu sei o que é viver sem pai. Se essa criança for minha, você morre. — ameacei. — Yara ajude Santiago até o carro.
–O que...
–Agora. — gritei furioso. Ela se levantou, ajudou Santiago a se levantar e ambos saíram da sala. Voltei meu olhar para Kevin. — Adeus Kevin.
–Espere... Você vai embora assim? Sem ao menos me bater?
–E porque eu o faria? — dei de ombros.
–Eu beijei sua garota.
–Ela não te ama. — cuspi. — E sim a mim, pouco me importo.
–Se importa sim.
–Que porra Kevin? O que quer? — perguntei furioso.
–Nada no momento. Amanhã eu e Yara vamos fugir para o México. Então... Tudo acaba aqui. Se o bebê for ou não meu, vou criá-lo mesmo assim. — disse calmamente. — Pode ficar com Clary.
–E vou. — retruquei. — Pouco me importo para onde você e aquela vadia vão. Que tal o inferno? Lá é o lugar de vocês.
Ele sorriu cinicamente e tive que revirar os olhos e ir para a porta apoiando-me a muleta.
–Adeus Joe. Tomara que sua estadia na prisão seja boa, caras como você viram putinhas lá dentro.
O que ele queria dizer com aquilo? Não perdi meu tempo perguntando, era só mais uma de suas provocações. Saí da boate e ao chegar no carro Yara fechava uma das portas do lado de fora.
–Ele esta perdendo sangue, acho melhor correr. — disse virando-se para mim.
–Eu vou levá-lo para minha mãe, ela que cuidou de mim. — respondi dando a volta no carro.
–Ouça Joe... Eu não sei de quem é a criança.
–Para seu bem e de Kevin, que essa criança seja dele. — cuspi abrindo a porta do carro. — Nada me traria mais desgosto do que ser pai de um filho seu.
–Que horror... — ela franziu a testa. — Saiba que essa criança teria azar se fosse sua.
–Ela não é minha. — voltei a bater a mesma tecla. — Se for, eu mato você e Kevin junto.
–Você não teria coragem.
–Duvida? — entrei no carro e liguei o motor. Santiago gemia ao lado. — Calma amigo, vamos chegar lá.
–Essa dor é do caralho, agora eu sei o que sentiu naquele dia. — disse pondo a mão em meu ombro.
Do lado de fora Yara ainda me encarava com os olhos brilhando, a ponto de chorar. Sabia que não a amava, sabia que eu a desprezava. Retribuí o olhar e abaixou a cabeça. Acelerei, saindo daquele quarteirão.
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