Você É Meu Verdadeiro Amor!
129 Pensando em partir e... Contando sobre o bebê!
Notas iniciais
Mantendo-se calado e com a cabeça ecoando aquela novidade recém-descoberta, e o olhar fixo em sua xícara sobre a mesa, Grissom nem percebia que era observado atentamente por Any e Sara. As duas mulheres, principalmente Sara, estavam achando estranho aquele comportamento do supervisor que desde que se acomodara a mesa não dissera quase nada e sequer, olhara pra elas.
_Por acaso não está bom o café, Grissom? — Any puxou conversa com o supervisor pra acabar com aquele silencio todo que já a incomodava.
A pergunta da baba tirou Grissom do silencio em que se encontrava, fazendo-o desviar seu olhar da xícara de café, para a mulher que lhe indagara.
_Está ótimo!
_Puxa, pois não parece já que você pouco tocou nele. – Observou a babá dando um discreto sorriso, brincando com o supervisor.
_A verdade é que não estou com fome. – Justificou-se e ao fim de suas palavras, ele deu uma rápida olhada pra Sara e flagrou-a lhe encarando com certa desconfiança. Sentiu uma raiva e uma tremenda tristeza, porque a mulher sentada a sua frente, a qual ele ainda nutria fortes sentimentos mesmo não devendo... Ela estava grávida de outro... Outro!
Saber disso tinha sido igualmente desconcertante e doloroso como tê-la flagrado na cama desse mesmo outro!
_Eu preciso ir embora! – Ele anunciou rapidamente enquanto se colocava de pé. Tinha que sair dali. Não estava mais agüentando ter Sara diante de si enquanto ouvia ecoar em sua mente o que soube instantes atrás a respeito de sua ex.
_Mas você nem comeu nada. – Any protestou.
_Como eu disse antes... Não estou com fome, Any. Peço desculpas, porque você preparou essa mesa e eu não toque em nada.
_Eu desculpo se você voltar outro dia e aí toma café com a gente de novo. Pode ser?
_Tudo bem... Agora se me dão licença, vou me despedir da Liv pra ir embora.
O supervisor saiu apressadamente da cozinha despertando certa estranheza e curiosidade nas duas mulheres que se entreolharam intrigadas após a saída dele, que sequer se despediu direito delas.
_É impressão minha ou ele parece estar fugindo de algo ou alguém?
Sara apenas se limitou a dar de ombros e levantando de sua cadeira, disse a Any que iria a sala fechar a porta pra Grissom.
A morena chegou à sala bem no instante em que sua filha trocava um abraço de despedida com Grissom. Estava ali uma coisa que não conseguia entender por mais que tentasse, era aquele carinho e apego tão grande entre aqueles dois. Lembrou-se de momentos atrás, quando estava indo com Grissom para o hospital e o quão nervoso ele se mostrava durante o caminho. Ele lhe indagava sobre mais detalhes do que tinha acontecido. A preocupação dele era clara em saber se Any e principalmente Liv, haviam se machucado com alguma seriedade.
E quando ele pode constatar que nada de serio tinha acontecido, o alivio que ela viu surgir em seu semblante quando Grissom viu Liv sair da enfermaria, e a forma carinhosa como ele tratou e abraçou a menina, chegaram a lhe tocar.
Ela pensou no bebê que carregava e teve certeza que Grissom seria um excelente e amoroso pai com ele (a). Mas isso é claro, se ele acreditasse que aquele bebê era dele, algo que Sara tinha quase como certo que não aconteceria!
Mais alguns segundos observando os dois terminarem de se despedir e quando viu Grissom acomodar Liv de volta ao sofá pra logo em seguida se encaminhar pra porta, Sara o acompanhou.
_Até mais!
_Espera, Grissom!- Sara pediu detendo-o antes que saísse porta a fora com uma pressa explícita de quem parecia mesmo estar fugindo de algo ou alguém, como Any supôs na cozinha. _Eu quero te agradecer pela carona até o hospital e depois pra cá para casa. Obrigada!
Ele apenas assentiu.
_Foi bom ver que você continua se preocupando com a Liv independente da nossa separação.
_Eu entendi da pior forma que uma coisa é: você e eu! E outra coisa bem diferente é: a Liv e eu! – Ele deu uma rápida olhada na direção da menina que do sofá observava curiosa, os dois adultos conversando. Como ela queria que eles voltassem a ficar juntos de novo, mas isso parecia difícil de acontecer. Por que os adultos tinham a mania de complicar as coisas? _Já cometi o erro de misturar essas duas relações, Sara, e tentar pôr fim ao meu contato com a sua filha por causa de termos terminado. Só que isso não tornará a se repetir!... Eu sempre vou me preocupar com a sua filha, como se ela fosse minha também!
Essas últimas palavras dele lhe tocaram profundamente!
_Isso é bom saber, levando em conta que ela gosta muito de você.
_E eu dela. Pode ter certeza disso!
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Cansado de rolar de um lado para o outro na cama, sem conseguir pegar direito no sono e somente dar curtos cochilos, Grissom acabou por se levantar e ir até a sala. Ligou a TV na tentativa de se distrair só que foi impossível encontrar distração, quando sua cabeça não parava de pensar em Sara e o bebê que ela esperava.
Desde que deixara a casa dela muitas horas atrás, sua mente não pensava em mais nada, além disso: a gravidez da ex! Muito provavelmente aquele bebê não era seu e isso lhe entristecia, porque era mais uma prova de que Sara lhe enganava com aquele sujeito e isso machucava muito.
E pensar que ele tinha imaginado-a grávida, mas dele e não de outro! Quanto planos tinha feito pra serem compartilhados com Sara e todos evaporaram no dia em que a flagrou na cama de Dylan, que agora devia estar muito feliz por ser pai de mais um filho de Sara.
Mesmo decepcionado e ainda guardando magoa de Sara, Grissom tinha que admitir que daria tudo só para aquela criança que a ex-mulher esperava fosse sua, porque só assim veria um novo sentia a sua vida. Só que isso parecia um sonho... Um sonho como aquele que vinha tendo com Liv e aquela garotinha linda.
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_Puxa já estava preocupada, porque não te encontrava. Cheguei a pensar que talvez tivesse ido atrás de mim e da Liv no parque. – Any parou bem ao lado de Sara que se encontrava admirando o belo pôr-do-sol daquele fim de tarde. A babá havia acabado de voltar do rápido passeio que tinha ido fazer com Liv a fim de distrair a menina. Estranhou não encontrar Sara em nenhum cômodo da casa e foi no quintal onde acabou encontrando-a. _O que faz sozinha aqui?
_Pensando numa coisa que me surgiu a cabeça e a qual eu estou cogitando seriamente seguir.
_E o que seria essa coisa?
Sara olhou de relance pra Any e depois, voltando sua atenção para frente, ela lhe respondeu:
_Ir embora dessa cidade!
Parecia-lhe uma boa decisão isso, levando em conta o fato de que Grissom não acreditaria ser o pai do seu bebê e também, todos os acontecimentos que culminaram na sua separação dele. As palavras ditas, os insultos trocados e tudo mais... Talvez o melhor fosse mesmo ir embora dali e assim, recomeçar uma nova vida em outro lugar com sua filha, o bebê que viria e que seria só seu e com Any.
Sentiria tristeza ao optar por essa decisão de partir, em virtude dos amigos que deixaria pra trás, mas parecia o certo ir. Não saberia como manter um convívio com Grissom depois que lhe contasse sobre o bebê e ele não acreditasse nela mais uma vez, rejeitando assim o próprio filho!
_Você não está falando sério, está?
_Me parece uma boa decisão isso.
_Mas é claro que não é. Essa é uma péssima decisão. Você não pode ir, nem mesmo contou ao Grissom sobre o bebê. Por acaso pretende privá-lo de saber disso?
_Obvio que não! Mais cedo estava prestes a contar pra ele, só que a sua ligação me impediu disso. Amanha mesmo, depois do turno eu conto pra ele. Pretendo fazer minha parte, mas estou certa que ele não vai acreditar muito em mim.
_Mas e se ele acreditar? Você acha mesmo que ele te deixará ir, levando o filho de vocês pra sabe lá Deus onde.
_Ele não tem que deixar, porque não vou pedir permissão. Se eu resolver mesmo ir, vou e pronto! E se, veja bem... Se ele acreditar que o filho é dele, eu vejo o que faço. Não tenho intenção de impedir o Grissom de ter contato com o nosso filho, mas isso desde que ele acredite no que eu diga. E como sei que isso não vai acontecer... Então penso que seria bom ir embora e criar o MEU filho longe do pai que o rejeito.
_Sinceramente... Eu te escuto e não consigo acreditar no que sai da sua boca. – Any estava estupefata com o que ouvia. _Por acaso enquanto Liv e eu estávamos fora, você escorregou em algum lugar e bateu com a cabeça no chão? Porque essa é a única justificativa que vejo pra te ouvir dizer tanto absurdo junto.
_Any, eu estou falando sério!
_Eu também!... Olha Sara... Isso de ir embora é uma decisão muito séria e que deve ser muito bem pensada.
_Eu sei disso!
_Que ótimo que saiba! Porque você precisa ver que no meio disso tudo tem a Liv. Sua filha gosta daqui e se apegou demais ao Grissom. Não acha que afastá-la dele vai fazê-la sofrer?
_No começo talvez sim, mas depois ela acaba se acostumando com a ausência dele.
Any duvidava seriamente disso, mas não ousou dizer nada a esse respeito.
_E caso você realmente se decida a ir mesmo embora daqui... Já tem idéia de pra onde vai? Não me diga que é pra Chicago, né?
_Deus me livre! Amo a cidade, mas nem pensar em ter o Dylan perto de mim de novo!... Eu ainda vou pensar bem num lugar ou talvez nem precise pensar tanto assim.
Ela se recordou de São Francisco onde morou na época da Faculdade. Talvez fosse seu destino, caso realmente fosse embora como cogitava!
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Reunidos na sala de descanso a espera do chefe, Greg e Nick conversavam enquanto Sara os observava e vez ou outra, ela respondia pra eles quando a indagavam. Se realmente fosse embora dali, ela sentiria uma enorme saudade daqueles dois malucos, assim como também sentiria de Catherine, Jim e até mesmo de Warrick, que se afastara um pouco dela.
Ela tinha formado uma família ali que lhe faria muita falta!
_Hellooo!!... Planeta Terra chamando Sara!
A morena prontamente despertou de seus pensamentos ao ouvir a fala de Greg que estalava os dedos diante do rosto dela pra chamar sua atenção.
_O que foi Greg?
_Nick e eu estávamos te chamando e nada de responder.
_Desculpa é que me distrai pensando numa coisa.
_Hum... Ih, acabou-se a nossa mordomia e vai começar o... Trabalhooo!- Greg cantarolou ao enxergar Grissom vindo lá do fim do corredor.
_Catherine e o Warrick ainda não chegaram do tribunal então se supõe que um de nós três vai trabalhar com o Grissom.
_Bom, eu sei que EU é que não serei. Então resta um de vocês, meninos.
Os dois torceram a boca e fizeram uma careta que fez Sara rir deles. No instante seguinte, Grissom entrava na sala pra dar inicio ao trabalho.
_Hoje seremos apenas nós quatro já que Catherine me ligou ainda pouco avisando que Warrick e ela, ainda estavam presos no tribunal. – Dito isso, ele tratou de formar as duplas para trabalharem. E contrariando o desejo velado de Greg, coube a ele ser o que trabalharia com o chefe.
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Logo que saiu de seu carro, Sara enxergou Ernest mais adiante falando com outro policial. Ela resolveu ir lá rápido com ele e se desculpar pelo comportamento grosseiro de Grissom na porta do hospital.
_Nick, eu preciso dar uma palavrinha rápida com o Ernest. Tudo bem?
_Resolveu dar uma chance ao seu fã apaixonado? – Ele provocou a amiga.
_Muito engraçado, Nick... Muito engraçado, viu?
Ele sorriu enquanto sua amiga seguiu na direção de Ernest. Logo depois foi a vez de Nick seguir o seu destino que era: para a casa onde eles trabalhariam.
_Ernest??
O policial imediatamente reconheceu a voz de Sara e virou-se pra olhar para a morena.
_Sara... Oi!
_Será que eu posso trocar duas palavrinhas com você?
_Claro!
O outro policial resolveu deixar os dois sozinhos para conversarem.
_Ernest, eu queria te pedir desculpa pelo jeito um tanto grosseiro do Grissom na saída do hospital. Ele foi mal-educado com você.
_Ele ficou irritado com a minha total falta de atenção. Eu realmente não percebi a presença do senhor Grissom atrás de você. Então eu é que peço desculpas por isso.
_Eu não tenho que desculpá-lo em nada, Ernest.
_Realmente você não tem que me desculpar. Quem deve fazer isso é o seu marido e que bom que vocês estão juntos de novo.
_Ernest... Grissom e eu não estamos juntos.
Ouvir essas palavras fez imediatamente as esperanças do policial ressurgir. Ela e o supervisor não tinham reatado!
_Não? Eu achei que vocês tivessem voltado. Ele estava junto com você e...
_Grissom gosta muito da minha filha e ela dele. Quando ele soube que ela tinha ido parar no hospital, quis ir junto comigo pra ver a Liv, por isso a presença dele conosco e não porque tenhamos voltado.
Essa explicação dela soou como musica aos ouvidos de Ernest. Ele ainda podia almejar conquistá-la.
_Agora, eu preciso ir, Nick deve está me esperando pra começar o trabalho. Só vim mesmo pra pedir desculpas.
_Não se preocupe com isso. Está tudo bem.
_Até mais então!
_Até, Sara!
Ele ficou observando-a se afastar e não conseguia esconder o sorriso por saber que não precisaria mais desistir dela, ainda podia sonhar em conquistá-la.
Já dentro da casa, a morena encontrou Nick dando inicio ao serviço.
_Sem perguntas! – A perita disparou prontamente ao amigo quando ele fez menção de lhe perguntar algo.
_Puxa, você sabe como acabar com a alegria alheia! – Nick deu um sorriso após falar.
_O que deixou pra mim?- Sara ignorou seu comentário.
_Andar de cima, primeiro quarto.
Ela seguiu pra onde seu amigo disse.
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Talvez fosse impressão sua ou somente o seu desejo velado de que aquele turno demorasse a chegar ao seu fim, porque foi o que aconteceu! O turno pareceu ter bem mais horas que o habitual e com isso, Sara teve tempo suficiente para se preparar emocionalmente pra conversar que pretendia ter com Grissom. Sabia que tinha tudo para essa conversar não acabar bem e lhe render novos insultos vindos de seu ex. Entretanto, faria sua parte que era: contar ao pai de seu bebê sobre essa criança que viria. Se ele acreditaria ou não nela ficava por conta dele, apenas faria sua obrigação de lhe comunicar a novidade.
_Quer que eu leve o seu relatório, Sara? Tô indo levar o meu! – Nick anunciou se espreguiçando e logo em seguida levantou-se de sua cadeira com seus papeis m mãos pra levá-los ao chefe.
_Não precisa, Nick. Eu mesma levo o meu e o seu.
_Sério?
_Sim! Vou aproveitar logo a oportunidade pra contar ao Grissom sobre... O bebê! – Ela murmurou a última palavra, tomando o devido cuidado de ver se não tinha ninguém por perto pra ouvir o que disse.
_Mas pretende contar isso a ele aqui?
_E onde mais eu faria?... Me dá aqui esse seu relatório.
Ela puxou o papel da mão dele e seguiu pra fora da sala em que estavam. No meio do caminho esbarrou com Greg.
_Grissom está na sala dele?
_Tá, acabei de vir de lá.
_Obrigada!
Sem deixar margem para que Greg fizesse qualquer pergunta, Sara seguiu rumo à sala de Grissom. Diante da porta entreaberta, ela o viu sentado atrás de sua mesa com um olhar distante e uma expressão indecifrável.
Não podia negar que ainda possuía sentimentos fortes por ele, mas na mesma proporção que o amava também o desprezava por suas palavras. Talvez demorasse muito pra chegar o dia em que o perdoaria, caso ele se arrependesse pelo que lhe disse aquele dia na casa dele. Ou talvez esse dia nem ao menos chegasse de tão forte que era a sua magoada e ressentimento pelo supervisor.
_Grissom?? – Ela o chamou dando uma leve batida na porta e imediatamente ele lhe olhou. _Posso entrar?
Um movimento lento com a cabeça foi o sim dele pra perguntar dela.
_Vim te trazer o meu relatório e o do Nick. – Ela estendeu os papeis a ele. _E também dizer que preciso falar com você sobre um assunto importante.
Ele pegou os papeis da mão dela, lhe apontou a cadeira e para não olhar pra ela enquanto fala o que quer lhe falar, ele fingiu ler os relatórios que acabara de receber dela.
_O que quer me falar?
Ela teve vontade de lhe dizer que olhasse pra ela enquanto fala, mas desistiu. Talvez fosse mais fácil contar a ele sem que tivesse lhe olhando.
_Eu sei que vou perder o meu tempo te contando isso, mas se estou fazendo é pra que depois não venha me acusar de te omitir algo importante assim.
_Do que é que está falando Sara? – Ele resolveu olhar pra ela.
Se era pra falar então seria de uma vez só.
_Eu estou grávida e esse bebê é seu, Grissom!
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