Dentro de sua sala, Grissom já estava perdendo a paciência com Teri que tinha lhe procurado após o turno dela terminar, pra tentar convencê-lo a desculpá-la pelo que tinha feito. Só que para infelicidade da loira o supervisor se mostrava irredutível em sua decisão de não desculpá-la.

_Teri, eu já disse que não.

_Eu sei que foi um erro enorme o que fiz, mas não poder me desculpar?

_O que fez foi inadmissível e impertinente. Agora se me der licença, saia, por favor, porque ainda tenho esses papeis pra revisar antes do meu turno começar.

A loira saiu a muito contragosto dali. Ainda não havia se dado por vencida mesmo com tudo o que Grissom havia dito e com a forma como ele lhe tratara.

Na sala de descanso, Sara tentava distrair sua mente e esquecer o que tinha visto instantes atrás, conversando com os amigos que estavam mais aliviados de verem-na aparentemente bem e não mais tão pálida como ontem quando viera trabalhar.

_Você nos deu um susto ontem Sara. Não faça mais isso, mocinha! Greg disse em um falso tom sério somente pra provocar a amiga.

_Ah claro papai Greg! Vou tentar não desmaiar mais. A morena retrucou em tom irônico arrancando risada de todos.

A conversa entre a morena e os amigos seguiu em clima descontraído por mais alguns minutos até que foi interrompida por Judy. A recepcionista apareceu na porta da sala segurando um bonito buque de flores que um entregador havia deixado na recepção do laboratório pra que fosse entregue a Sara.

_A mim?? Tem certeza?? A morena indagou surpresa ao ouvir da recepcionista que aquilo era pra ela. Quem lhe mandaria flores já? E por quê?

_Sim! Judy confirmou estendendo o buque a perita.

Ainda surpresa e meio desconfiada com aquele fato, Sara pegou as flores sob o olhar curioso dos amigos.

_Obrigada Judy! Agradeceu a perita com as flores já em mãos.

A recepcionista assentiu e pedindo licença, deixou a sala pra retornar para seu posto.

_Belas flores! Catherine comentou olhando o buque de lírios que sua amiga segurava.

Sara fitava as flores ainda com desconfiança. Não tinha idéia de quem havia lhe mandado aquele buque.

_De quem são, Sara? Greg fez a pergunta que todos queriam fazer, mas não tinham cara de pau suficiente pra fazê-la.

_É o que pretendo descobrir agora.

A morena pegou o cartão do meio das flores, o abriu e surpreendeu-se ao ver nele que era de Ernest.

Pra alegrar sua noite. Espero que esteja passando muito melhor hoje, depois do susto de ontem!

Um abraço...

Ernest!

_E então, Sara?

_São do Ernest!

_Ernest?

Sorrindo, Nick apressou-se em esclarecer aos amigos quem era Ernest. Logo que ele fez isso, os outros se recordaram do policial.

_Vocês tinham que ver a cara de abobalhado que ele tinha ontem quando a reencontrou. E a preocupação que ele ficou enquanto aguardávamos na sala de espera do hospital.

_Nick para!! Sara o repreendeu por ficar dizendo aquilo.

_Pelo jeito esse Ernest não te esqueceu mesmo, Sara.

Nesse mesmo momento em que Greg dizia isso sorrindo, Grissom entrou na sala pegando a todos de surpresa. Imediatamente o pessoal parou de rir e os olhares deles se prenderam no supervisor, enquanto o olhar dele fixou-se nas flores que Sara agora segurava novamente, enquanto sua mente processava as palavras que escutara de seu subordinado mais jovem.

_Boa noite!!

Grissom conseguiu dizer quebrando o silencio da sala e desviando o olhar das flores nas mãos da ex-mulher para os papeis dos casos da noite que havia trazido consigo.

Que flores eram aquelas?? E por que Greg mencionou Ernest? Seria aquele policial o mandante daquelas flores?

Incapaz de encontrar as respostas ou talvez não querendo encontrá-las, Grissom sem dar brecha pra que seus subordinados lhe respondessem ao cumprimento ou fizessem qualquer comentário a respeito do que Greg havia dito, foi logo formando as duplas e distribuindo os casos.

...

Pelo jeito esse Ernest não te esqueceu mesmo, Sara.

Pela qüinquagésima vez naquela quase uma hora e meia, essas malditas palavras vinham atormentar sua mente e lhe desviar do trabalho que tinha que fazer. Sem se dar conta ele via-se corroendo de ciúmes da ex. Perguntava-se por que carga dágua aquele policial mandava flores pra ela. Aquilo mais parecia coisa do pai de Liv e não daquele policial metido.

_GRISSOM!!

O supervisor olhou assustado pra Catherine que havia literalmente berrado seu nome já que ele não havia respondido seus três chamados anteriores, por conta de seus pensamentos conflituosos acerca das flores... Ernest... Sara... E algo mais que ele não conseguia encontrar sentido naquela historia toda.

_O que foi?

_Eu é que te pergunto isso. O que tem? Parece aéreo.

_Não é nada.

_Tem certeza? Catherine o olhava com desconfiança.

_Sim. Por que me chamava?

Ela ficou lhe encarando em silencio. Ele não parecia bem e isso já acontecia desde que se separara de Sara. Sempre ele parecia ter algo de errado. Era aquele olhar vago, a falta de atenção, a distração durante o trabalho e o pior de tudo... Seu bom humor havia sumido completamente! Ele não era mais o mesmo. Havia se tornado um limão azedo literalmente!

_Catherine?

_Eu encontrei pegadas aqui. Provavelmente de alguém que calça quarenta e dois, talvez. A loira contou encarando seu amigo que havia se agachado pra ver as pegadas que sua amiga tinha encontrado.

_Parecem...

_Aí estão vocês. Jim anunciou cortando Grissom que se pôs de pé novamente. _Acabei de ouvir alguns vizinhos que disseram ter visto um homem de estatura mediana, saindo em atitude suspeita, pelos fundos da casa.

_Provavelmente essas pegadas que Catherine encontrou são dele então.

_Vou tentar buscar mais informações sobre a descrição desse sujeito. Depois repasso pra vocês.

_Ok!

_Ah, a propósito, Catherine... Como está Sara? Soube que ela passou mal ontem.

Jim pouco se importando com a presença de Grissom ali indagou à loira acerca de Sara, pois não tinha conseguido falar com a morena pra saber dela mesma como estava.

_Ela já está bem, Jim. Segundo ela foi só um susto.

_Que bom que não foi nada sério. Deixe-me ir agora, depois nos falamos mais.

Os dois peritos retomaram o serviço logo após a saída do capitão. E em meio as foto que tirava da pegada que encontrou, Catherine resolveu bancar a animiga do amigo supervisor, ao comentar despretensiosamente sobre as flores que Sara recebera no começo do turno.

_Você viu as flores que Sara recebeu, não viu? É claro que viu já que chegou instante depois que Judy tinha vindo trazê-las. Nossa, as flores eram lindas, não achou?

A loira tagarelava sem ao menos olhar para o amigo pra parecer que seu comentário não era com fins provocativos.

_Nem ao menos reparei, Catherine!

_Pois eu podia jurar que reparou.

_Já terminou aí pra irmos embora daqui?

Ele demonstrou total irritação e impaciência. Isso rendeu a sua velha amiga um discreto sorriso que não foi visto pelo supervisor que se encontrava de pé enquanto Catherine estava agachada e de cabeça baixa.

Cath podia apostar seu braço direito e também o esquerdo que Grissom estava se corroendo de ciúmes por conta das flores. Será que ele fazia idéia de quem tinha sido o mandante delas? Se não fizesse, ela mesma se encarregaria de fazê-lo saber nesse exato momento apenas pra irritá-lo mais ainda do que sabia que já irritava.

_Sabe quem mandou as flores pra ela?

Ele tinha a vaga idéia só pelas ultimas palavras que ouviu de Greg quando entrou na sala de descanso.

_Não me interessa saber.

_Mas eu vou te contar mesmo assim. Foi o Ernest! Aquele policial que na festa do laboratório chamou a Sara pra dançar. Lembra?- Ela contou, levantando a cabeça e olhando pra Grissom como se não tivesse dito nada de mais.

_Qual o seu propósito em ficar me contando isso?

Ele estava espumando de raiva e ela lhe contando aquelas coisas só fazia piorar sua ira.

Pondo-se de pé com toda a calma do mundo, Catherine lhe respondeu:

_Nada, apenas estava comentando!

_Pois não comente nada comigo que diga respeito a Sara, porque a vida dela não me interessa mais.

_Por que tenho a ligeira impressão de que nem mesmo você acredita no que acabou de dizer?

_Qual é o seu problema?

_O meu nenhum. Já o seu... Acho que são certas flores que o Ernest mandou a sua ex. Sabe que eu acho que ele gosta dela e...

_Já basta, Catherine! Ele perdeu a paciência. _Estamos aqui pra trabalhar e não pra você ficar com seus achismos que nada tem a ver com o caso. Pra que fique claro pra você... Se aquele policial mandou flores a Sara, pra mim tanto faz!... E se ele gosta dela, que fique com ela, mas alguém precisa avisá-lo antes pra tomar cuidado pra não ser o próximo enganado por Sara com pai da filha dela!... Agora vamos embora!

Ele apanhou a maleta de Catherine do chão e saiu de perto da amiga que estava estupefata com aquela reação dele.

_Nossa! Eu acho que ele se irritou além da conta!

...

Com o passar do tempo ao longo daquele turno, Catherine chegou a se arrepender de ter cutucado seu amigo, pois Grissom após o ocorrido passou a mal olhar pra ela e falar o mínimo com ela durante o caso que estavam trabalhando.

Com aquele comportamento dele, ela concluiu que talvez tenha passado um pouco da conta com o que tinha feito. Tudo bem que queria provocá-lo, mas algo lhe dizia que tinha exagerado um tantinho. E em virtude disso, ela resolveu se desculpar com ele no fim do turno quando fosse levar seus relatórios do caso.

_Posso entrar?

Ele levantou a cabeça e olhou pra porta onde sua amiga estava parada. Com leve balançar de cabeça consentiu sua entrada na sala dele.

_Trouxe meus relatórios.

Sem dizer nada, o supervisor pegou os papeis da mão da loira e os colocou em cima de uma pilha de outros relatórios.

_Grissom eu também queria te pedir desculpas. Creio que fui bastante inconveniente dizendo aquelas coisas mais cedo.

_Foi mesmo!

_Mas é que eu queria que você soubesse que tem alguém interessado nela. Sei que apesar de achar que ela te enganou...

_Eu não acho... Eu sei que ela me enganou. Ela mesma me confirmou isso.

_Aposto que ela confirmou isso em um momento de raiva, porque pra mim ela disse o oposto.

_Então ela mentiu pra você.

_Não, eu sei que não. Ela jamais teria coragem de fazer algo assim com você e isso eu vi nos olhos quando nós conversamos logo após o ocorrido. Ela te ama!

Ele também acreditava nisso, mas depois do que houve tinha sérias duvidas quanto aos sentimentos que a ex tinha ou dizia ter por ele.

_Tenho certeza que a Sara é tão vitima quanto você nessa historia toda. Ela só não tem como te provar isso, mas ela não te traiu.

Como ele queria lá no fundo acreditar nisso, mas a situação toda não era favorável a isso e ele já estava farto de falar ou ouvir falar nesse assunto. Era tanto disse isso, disse aquilo, que ele já não acreditava em nada, apenas no que seus olhos viram aquele dia e nas ultimas palavras e desagradáveis palavras que Sara lhe disse na casa dela. Essas ele não esqueceria jamais!

_Catherine, eu não quero mais falar sobre esse assunto. Se eu pudesse apagar da minha cabeça tudo o que houve, desde o momento em que conheci Sara até aquele dia em que tudo terminou entre a gente, eu apagaria. Só que infelizmente isso é impossível, então eu quero apenas seguir minha vida sem falar mais em Sara ou no que houve, porque já me magoei demais com isso. Gostaria que respeitasse isso e não tocasse mais nesse assunto comigo.

Ele já estava cansado de tanto ouvir o mesmo ao longo desse tempo que se encontrava separado de Sara. Quando não era Catherine tentando lhe meter na cabeça que Sara era inocente e fazê-lo reconsiderar sua decisão e voltar com a ex, era Jim. Os dois amigos sempre que tinham oportunidade, conversavam com Grissom a esse respeito, pareciam dispostos a bancar os advogados de Sara, mas o supervisor estava irredutível e cego de raiva e magoa que não estava disposto a voltar com a ex.

Sendo assim, Catherine resolveu jogar a toalha, mesmo desconfiando que lá no fundo nem tudo estava perdido. Ela tinha quase certeza que nada estava definitivamente decidido entre aqueles dois. Eles se amavam e era nítido isso. Talvez pra tudo se resolver entre eles, fosse preciso mais um pouco de tempo, ou melhor, ainda que a verdade aparecesse algo que a loira não via como possível.

_Se você quer assim... Eu não vou mais falar sobre isso.

_Obrigado!

_Só espero que quando a verdade aparecer, porque ela sempre aparece... Não seja tarde demais pra você reparar a injustiça que está cometendo com a Sara, porque eu sei que ela é inocente nisso tudo!