Você É Meu Verdadeiro Amor!

150 "... Amar é, acima de tudo, querer ver a pessoa que amamos feliz."


Chicago

Sozinho na sala do escritório da casa onde mora com os pais, Dylan ainda custava a ‘’digerir’’ direito o que tinha ouvido de sua adorável filha momentos atrás, quando ligou pra saber como ela estava. A menina sem querer deixou escapar para o pai sobre Grissom estar morando novamente com ela e a mãe, e mais ainda, sobre o bebê que Sara esperava.

Se ele não estivesse sentado no momento em que soube daquelas coisas, certamente, teria ido ao chão de decepção pelo que ouviu. Ele não sabia o que era pior naquilo tudo, se era o fato de Sara estar de novo com aquele homem ou, ela estar grávida do mesmo. Mas uma coisa Dylan sabia, os dois fatos estavam dilacerando seu coração. E ainda havia um agravante, sentir na voz da própria filha a alegria dela por aquelas coisas. Sua borboleta parecia gostar de verdade daquele tal Grissom, e Sara nem se fale!

No fim das contas aquela armação toda que tramou com Teri para separar a mãe de sua filha do tal Grissom, não serviu de nada já que os dois estão juntos novamente!

Dylan queria entender o que sua ex tinha visto naquele homem mais velho que ela. O agente sabia que se Sara estava com outro e não mais com ele, que era o pai de sua filha, era por culpa única e exclusivamente dele mesmo. Quem mandou tê-la traído quando ainda eram casados! Se não tivesse sido infiel possivelmente, eles talvez ainda estivessem juntos. Mas o passado não se muda e agora, Dylan via tudo àquilo como um ‘’castigo’’ que estava recebendo pelo erro que cometeu com Sara.

No entanto esse castigo estava sendo duro demais. Ver a mulher que ama com outro e saber que ela está formando uma família com esse mesmo outro, era tudo que Dylan não queria ver. Ainda tinha a remota esperança de que sua ex ‘’caísse na real’’ e voltasse pra ele. Todavia, diante desses fatos que soube, Dylan teve de reconhecer que a chance de Sara voltar com ele, era zero.

Dando um longo suspiro, Dylan observou sobre a mesa do escritório, o retrato que trazia a fotografia de: Sara, Liv e ele. Os três estavam juntos num piquenique que fizeram há três anos. Ali estava à família que ele tinha e perdeu! A família dele que agora era de outro!

Por que cometeu a besteira de enganar a mulher mais incrível que já conheceu? Idiota! Isso era o que ele era. Um perfeito idiota!

—Daria tudo pra voltar no tempo e não ter te perdido, meu bem!

Uma pequena lágrima escorreu do canto de seu olho direito, enquanto segurava o retrato e fitava aquela fotografia onde estava feliz com a mulher que amava e a filha deles.

Uma batida na porta do escritório fez o agente imediatamente enxugar a lágrima e devolver o retrato ao seu devido lugar. Pela porta, ele viu entrar no instante seguinte, seu pai que queria saber se havia conseguido falar com Lívia.

—Consegui! Ela está bem, pai. Mandou beijos a você e a mãe.

Oswald imediatamente sentiu pelo tom de voz do filho, que ele não parecia bem, parecia triste.

—O que houve Dylan?

—Nada, pai!

Mentiu o agente tentando disfarçar sua tristeza, mas não se saiu muito bem. Estava impossível disfarçar aquilo! O que soube lhe deixou arrasado.

—Aconteceu alguma coisa com minha neta e não está querendo contar? – Indagou preocupado.

—Já disse que ela está bem!

—Então porque essa cara de quem está triste e sofrendo?

Levou um par de segundos até Oswald ter sua pergunta respondida pelo filho.

—Soube pela Liv que a Sara voltou com aquele sujeito chamado Grissom e está grávida dele, pai!

Oswald sentiu pena de seu filho ao ver a dor estampada em seu rosto ao lhe contar aquilo. Dylan ainda amava demais Sara e sem dúvida alguma, saber daquelas coisas pela filha o deixou devastado.

—Ah, Dylan, meu filho! – Oswald deu a volta na mesa e apertou os ombros do filho numa tentativa de confortá-lo.

—Eu ainda tinha esperanças dela voltar pra mim. De sermos a família que éramos, pai.

—Mas Sara nunca lhe deu esperanças disso, Dylan. Pelo contrário, ela sempre deixou claro que entre vocês não cabia mais volta e por uma razão que você sabe bem.

—Ela diz que não me ama mais! Só que eu não acredito nisso. Ela ainda me ama, pai, eu sei. — Ele teimou em afirmar isso.

Oswald sabia bem que isso não procedia, mas como fazer seu filho entender isso?

—Dylan... Você acha que se a Sara ainda te amasse, ela estaria com outro homem e começando a formar uma família com ele? Raciocine, meu filho!... Eu tive a oportunidade de ver Sara com aquele homem e quer saber? Ela o ama muito e era feliz com ele.

—Não! Claro que não! – Dylan disse alto assustando ao pai. Depois se pondo de pé, ele se afastou de Oswald indo até a janela que dava vista para o jardim da casa.

—Eu imagino que seja difícil pra você aceitar isso, Dylan, mas essa é a verdade. Meu filho, eu vi isso nos olhos dela e na maneira como ela olhava para aquele homem. E se você a ama de verdade como eu sei que ama, então vai deixá-la ser feliz com quem ela quer. Entenda uma coisa, meu filho... Amar é, acima de tudo, querer ver a pessoa que amamos feliz. E você sabe que Sara é feliz com aquele homem.

Ele sabia, lá no fundo sabia disso, mas não conseguia aceitar que ela fosse feliz com outro que não fosse ELE.

—Ela não vai ficar com aquele sujeito! — O agente resmungou com uma convicção que desagradou seu pai.

Oswald não ia permitir que dessa vez, Dylan destruísse a felicidade de Sara. Mesmo não tendo provas ou ao menos, a confirmação do filho de que tinha alguma coisa haver com a separação de Sara e o homem com quem ela estava, Oswald sabia que Dylan estava envolvido naquilo. Mas só que dessa vez, ele não ia deixar que aquilo se repetisse.

—Dylan!! – Seguindo até o filho, o homem mais velho o chamou em tom sério e segurando no braço dele o fez virar-se pra olhá-lo. _Ouça muito bem o que vou lhe dizer!... Não quero que interfira novamente na vida de Sara. Se você fizer alguma coisa pra separá-la novamente desse homem, eu juro pelo que há de mais sagrado, que vou lhe dar uma surra como nunca lhe dei.

—Eu não sou mais criança pra isso.

—Então não haja como uma, pombas!... – Retrucou o bom senhor perdendo a compostura. Logo depois, refazendo-se e abrandando mais o tom de voz, ele prosseguiu:_Por Deus, meu filho, deixe a Sara seguir a vida dela e siga a sua. Já passou da hora de você fazer o mesmo que ela está fazendo. Ponha na sua cabeça e aceite que a história de vocês já acabou! Não tem mais volta!

—Não é a minha cabeça que não consegue aceitar isso, meu pai. É o meu coração! Ele não quer deixar de amar aquela mulher.

***

Acomodado no sofá da sala, enquanto esperava Sara retornar da cozinha, Grissom não parava de pensar e até se preocupar um pouco com o fato de Dylan já saber sobre Sara e ele terem reatado. Aquele sujeito já armou uma vez para separá-los e quase conseguiu em definitivo. E se tentasse uma segunda vez?

Bem... De uma coisa o supervisor tinha certeza, caso Dylan tentasse, ele estaria de olhos bem esperto pra não cair mais uma vez em uma armação. Não se deixaria enganar novamente! Mas apesar de estar ciente que não cairia em outra cilada daquele sujeito, Grissom não podia evitar sentir certa preocupação e temor por aquele sujeito fazer algo.

—Desde que ouviu mais cedo, a Liv deixar escapar ao Dylan sobre a gente e o bebê, que você ficou calado.

Sara comentou, acomodando-se ao lado de Grissom no sofá. Era de tarde e somente os dois estavam em casa, já que Any e Liv tinham saído ainda a pouco pra comprar sorvete e levar os cães para passearem um pouco.

—O fato dele saber da gente te preocupa? — Ela quis saber tocando o rosto do supervisor.

—Pelo que ele aprontou conosco, sim. Ele quase conseguiu nos separar pra sempre, com aquela armação, Sara. Agora, só espero que esse sujeito não invente de vir pra cá de novo para armar contra a gente.

No fundo essa era também um pouco a preocupação de Sara. E em virtude disso, que ela não queria que fosse ainda do conhecimento de Dylan a sua relação com Grissom e muito menos do bebê. Todavia, sua filhota querida, não pareceu colaborar com isso. Mas apesar de toda a preocupação e o temor pelo ex saber daquelas coisas, algo dizia à Sara que Dylan não seria um problema pra ela e Grissom.

—Sinceramente, eu não acredito que devemos nos preocupar tanto com o Dylan. Ele dificilmente vai voltar pra cá tão cedo, pois tem o trabalho dele em Chicago, então... Com quem acho que devemos nos preocupar é com a Teri que está aqui perto da gente.

Grissom teve de concordar com Sara. Depois das coisa que ela lhe contou que Teri disse a ela dias atrás, eles tinham razão suficiente pra se preocuparem com a loira.

O supervisor até quis ligar para a ex-amiga na mesma hora em Sara lhe compartilhou as ameaças feita por Teri, mas a perita morena não deixou que ele fizesse isso. Segundo ela, Teri certamente negaria aquilo, desse modo, seria perda de tempo bater boca com aquela mulher.

Grissom então cedeu ao pedido da morena e não ligou pra Teri. Mas ele tinha em mente chamar a atenção da loira, na primeira oportunidade que a encontrasse quando retornasse ao trabalho. Em hipótese alguma deixaria aquilo barato. Ela ia ouvir dele umas boas verdades na cara!

—Como eu me enganei com ela, não foi Sara?

Essa última que Teri aprontou, foi o estopim pra Grissom. O supervisor perdeu qualquer resquício de bom sentimento que ainda podia haver da parte dele para com a ex-amiga. E pensar que por anos, ele achou que ela fosse uma pessoa, quando na verdade, ela era alguém totalmente diferente da boa amiga a qual se mostrava ser. Como ele pode se enganar tanto assim?!

—Fui um cego com ela. — Ele admitiu, encarando Sara. O tempo todo ela estava certa quando lhe dizia que Teri não era quem ele pensava.

—Mas agora você não é mais cego, certo?

—Graças à você que abriu meus olhos.

—Eu não! Aquela mulher fez isso ao deixar a "máscara" dela cair sozinha. E pode esperar, que quando você voltar ao trabalho, ela vai se aproximar de você com cara de "Madalena arrependida" e bancando a boa amiga. E se eu souber que você ficou dando confiança pra ela, Grissom... Eu vou bater em você, não nela, ouviu limão azedo? — Sara o ameaçou, fazendo involuntariamente Grissom rir daquilo. _Não é pra você rir, porque eu tô falando sério.

—Eu sei que está! — Ele ainda sorria. _Mas é que é engraçado ver você com ciúmes e falando desse jeito.

—Eu não estou com ciúmes! — Ela negou e logo depois, se esforçou pra não rir do modo cômico ao qual, Grissom lhe olhava após suas palavras. _Aliás, quem disse que eu estou com ciúmes?

Como se ele não a conhecesse! "Ciúmes" devia ser seu nome do meio. Combinaria perfeitamente com ela.

—Ninguém precisa me dizer isso, honey. Só a ameaça que me você fez, ja foi uma "evidência" e tanto pra incriminá-la nesse delito claro de "ciúmes à pessoa amada".

Os dois caíram na risada, deixando pra trás o clima um pouco tenso que se instalara devido a menção do nome dos ex's de ambos os peritos.

—Sabe que eu percebi que você ficou bem"engraçadinho" depois do tiro que levou? — Sara comentou, deslizando uma das mão pelos cabelos de Grissom.

— Na verdade, eu fiquei "engraçadinho", depois que... Você voltou a fazer parte da minha vida de novo!... Eu não sei o que seria de mim sem você, Sara!

Nem ela saberia o que seria de si sem aquele homem. Possivelmente, ela seria apenas a meta do que é com ele!... Seria alguém incompleta, já que com ele, ela se sente completa. Ele é a sua outra metade! A outra metade que um dia lá atrás, ela julgou ter encontrado no pai de sua filha.

—Eu sei o que você seria! — Ela lhe murmurou após tê-lo presenteado com um rápido e doce beijo pelas últimas palavras que ele lhe disse. _... Você seria o limão mais azedo de todo esse mundo!

Ela brincou e ele não se conteve e caiu na gargalhada disso. Certamente, aquela fosse a verdade mesmo!

—Você é maluca!

—E você adora esse meu jeito maluco de ser, bem como, o meu temperamento um tantinho explosivo, minhas escancaradas crises de ciúmes e tudo mais que fazem parte desse pacote chamado Sara Sidle, não é?

Se ele adora? Mais que isso... Ele ama! É completamente louco por aquele lindo pacote! E a amava justamente, por aquelas coisas mencionadas e muitas outras mais, que compunham aquela mulher sentada ao seu lado.

—Eu não adoro... Eu amo tudo isso!

Ele admitiu antes de beijá-la.

Notas finais
Sara está mais do que certa quando diz que eles devem se preocupar com Teri, ao invés, de Dylan. E vocês comprovarão isso já a partir do próximo capítulo. Preparem-se para as fortes emoções que estão por vir. Um grande beijo!