Notas iniciais
Espero ter marcado sua vida, assim como você marcou a minha.

Alguma coisa vibrou embaixo do meu travesseiro, murmurei algo que nem mesmo eu fui capaz de compreender.

Um pouco mais acordado, fui capaz de identificar que era meu celular vibrando. Coloque a mão embaixo do travesseiro e o retirei de lá. No visor apenar o nome dela e sua foto de perfil do facebook. Eram 4h00 da madrugada, e foi assim que eu soube, foi o horário que haviamos combinado.

Um botão verde e um vermelho. Decidi que me permitiria ouvir sua voz pela última vez, enquanto lágrimas inundavam meus olhos.

- Por favor não faça! — Foi o que me escapou, e eu estava errado. Havíamos prometido, não era permitido falar nada do tipo, qualquer que fosse o lado que ligasse primeiro. — Me desculpe.

A única coisa que eu podia ouvir eram seus soluços e sua voz rouca que a cada poucos momentos soltava um gemido fraco, que me permitia perceber que ela chorava. As lágrimas já definiam uma trilha ininterrupta por minha face.

- Me desculpe por não ter podido ajudar, você sabe que fiz o melhor que pude. — Ela ainda não falara nada, e aquilo era pior que qualquer coisa que ela pudesse ter falado.

- Não foi sua culpa, você sabe. — Sua voz tremeu, eu comecei a soluçar também. — Nunca foi, eu queria ter aguentado, por você e por ele, você sabe.

- Eu sei, e eu sei que não deveria, então me desculpe, por favor, me desculpe, por não ter sido o suficiente por você, por não ter estado lá quando você precisou.

- Voê foi o suficiente, e você sempre esteve lá quando precisei. Eu só... não posso mais, eu não consigo mais, por todos os motivos clichês que você já conhece.

- Eu conheço. — Afirmei mais para o assunto não acabar do que para realmente dizer aquilo, eu já não tinha mais o que falar, mas não queria parar de falar com ela, porque quando eu parasse, tudo aconteceria.

Depois de dois minutos em silêncio, apenas ouvindo sua respiração, e ela ouvindo a minha, eu ouvi sua última frase.

- Então, adeus. Nos vemos do outro lado?

- Adeus Anna, nos veremos lá. Você viverá em meu coração, como a melhor amiga que um dia eu já tive.

A ligação foi encerrada pelo outro lado, e eu continuei com o celular em meu ouvido, que repetia incessantemente um toque monotônico de fim de ligação, e a cada toque eu ouvia novamente seu adeus, sua última mensagem para mim, mas por mais que eu tentasse fixar sua voz em minha memória, a única coisa que me vinha a mente era que eu não mais teria ela em minha vida.

Quando desliguei a ligação desse lado, seu último presente para mim apareceu.

Uma mensagem na secretária eletrônica, para que eu nunca me esquecesse de sua voz e de seu último desejo: "Você foi o melhor amigo que eu pude ter, viva por mim, por favor." A mensagem terminou, e eu a repeti mais uma vez, chorando e me apegando aquela única mensagem, até que ela terminou, então eu a repeti de novo, e de novo, e então mais uma vez, até que a bateria de meu celular acabou, e então eu despenquei, minhas lágrimas manchavam meu travesseiro, que abafava meus gritos, e mascarava minha tristeza. Eu não me movi, em dormi, nem pensei ou me atrevi a pensar em pensar, pois qualquer coisa que eu fizesse faria aquele momento menos aquele-momento, e eu estaria me movendo para frente, para longe dela, e eu queria aquele-momento para sempre, mas nem todo para sempre é real, e o dia amanheceu, e minha mãe me mandou acordar, e aquele-momento estava cada vez mais longe de mim. Quando meu celular carregou um pouco, eu procurei por sua mensagem, mas no momento em que reproduzi, já não tinha o mesmo significado.

Notas finais
Adeus, espero que você tenha lido, ou não, isso foi meu adeus, para sempre.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!