Você tem um quarto sobrando?
1 Oh Mr. Pitiful, who let you down?
Notas iniciais
Eu decidi escrever essa fic porque os livros mostram o primeiro contato entre o Gansey e o Adam e o Gansey e a Blue, e falam do início da relação do Gansey com o Ronan, mas ninguém lembra de onde o Noah saiu. Então, é isso.
O título é um trecho da música "Mr. Pitiful", do Matt Costa, e pode ser traduzido literalmente como "Oh, Sr. Miséria, quem te decepcionou?". Eu o escolhi porque, bem, a primeira impressão do Noah é bem miserável, para ser sincera. Espero que gostem!
Quando chegou ao segundo andar de seu novo lar, Gansey demorou para perceber que não estava sozinho. Mais tarde, ele diria a si mesmo que levou tanto tempo para perceber a outra presença ali porque já era tarde e ele estava cansado por causa da mudança, enquanto uma parte minúscula dele, em algum lugar mais profundo que sua consciência, insistiria que o outro garoto permanecera invisível por um longo tempo.
O garoto estava parado junto à janela do que seria o novo quarto de Gansey. Ele estava de costas, e, por um momento surreal, Gansey pensou que conseguia ver o céu lá fora através dele.
Então, o garoto se virou, e a impressão sumiu. Ainda havia algo desbotado em sua aparência, uma espécie de véu escondendo o fundo de seus olhos, mas ele parecia sólido agora. Eles passaram um instante em silêncio, analisando um ao outro como dois forasteiros que se encontraram por acaso em uma terra de ninguém. Então, Gansey ergueu a mão em um aceno, hesitante.
— Olá.
O outro garoto sorriu. Ele era algo triste, como uma fotografia desbotada, mas o sorriso lhe pareceu vir fácil.
— Olá – Ele estendeu a mão para que Gansey apertasse. A mão dele estava fria demais comparada à palma suada de Gansey. – Eu sou o Noah.
— Gansey – Gansey tinha consciência de que não deveria ser natural encontrar desconhecidos tão educados no prédio que acabara de comprar, mas não conseguiu se forçar a questionar o fato. Ele hesitou; tinha a impressão de que poderia assustar Noah se soltasse a mão dele, e, por motivos além de sua compreensão, não queria isso. – Eu... Acabei de me mudar.
Noah soltou a mão do outro garoto delicadamente, e Gansey percebeu o que havia de tão peculiar em sua aparência: uma das bochechas de Noah estava machada de algo que, naquela iluminação, poderia ser sangue ou fuligem. A mancha contrastava com a palidez do garoto e com o blusão imaculado que trazia o brasão da escola particular onde Gansey estudaria no outono.
— Você é da Aglionby? – perguntou Gansey, indicando o blusão com um gesto elegante aprendido com seu pai. Noah estremeceu de leve, como se estivesse com frio.
— Pode-se dizer que sim.
Mais um minuto se passou em silêncio. Gansey tentou não encarar o garoto a sua frente por muito tempo, mas era difícil; ele tinha uma aura inquieta, como se fosse desaparecer caso Gansey desviasse o olhar. Por fim, Noah disse:
— Você tem um quarto sobrando?
Lentamente, Gansey assentiu. Sua consciência lhe dizia que ele não deveria querer aquele garoto estranho ali. Algo bem além disso, no fundo de seu peito e na base de sua nuca, achava a presença dele reconfortante. Natural.
Noah sorriu novamente, e, dessa vez, Gansey não pôde evitar retribuir.
— Me mostra onde é?
Gansey mostrou a ele. Embora houvesse dois quartos vagos, Noah não pareceu ter nenhuma dúvida sobre qual escolher, e Gansey não o questionou. No momento, o quarto tinha apenas o esqueleto da cama montado; era ali que Gansey pretendera ficar, antes de decidir simplesmente jogar o colchão no meio do maior cômodo.
— Está meio empoeirado – avisou Gansey, enquanto Noah andava de um lado para o outro do aposento.
— Não tem problema – Noah parou em frente à porta, onde Gansey estava parado. – É melhor do que onde eu costumava ficar.
Ele tocou o ombro de Gansey para indicar que queria passar, e, antes que pudesse se controlar, Gansey ouviu a si mesmo dizendo:
— Suas mãos estão muito frias.
Noah deu de ombros.
— Eu estou morto há sete anos. Isso é o mais quente que elas ficam.
O tom era solene, quase pesaroso, e, por um instante, Gansey temeu que ele estivesse falando sério. A mancha na bochecha dele parecia mais escura a cada vez que Gansey olhava para ela.
Então, Noah sorriu, e ele sentiu-se respirar, aliviado.
— Então, você vai para a Aglionby?
Notas finais
Aliás, a frase do Noah - "Eu estou morto há sete anos. Isso é o mais quente que elas ficam" - eu tirei do livro. É literalmente a primeira fala dele na história.
Eu dei uma revisada, mas, se tiver deixado passar algum erro, sintam-se à vontade para apontar. E é isso.
Fale com o autor