Você sabe quem eu sou?

6 Capítulo 6. Os Campos de Trigo Sarraceno


Notas iniciais
Olá, como vão? Estão gostando?? Quero agradecer pelos comentários e primeira recomendação. Fiquei mega feliz. Bjs e até a próxima.

Capítulo 6. Os Campos de Trigo Sarraceno

"Eu quero apenas me lembrar de você, sentir você, me preocupar com você."1

O que é o tempo?

É o riso de uma criança correndo num parquinho, brincando e fazendo festa com os seus amigos?

É o bater do coração diante do ser amado?

O primeiro olhar materno repleto de ternura para uma filha ou um filho?

A felicidade provocada por uma grande conquista?

Ou seria o desespero diante de uma grande tragédia?

A dor do luto?

A revolta diante de uma injustiça?

Para mim o tempo é contado pelo movimento. Do sol, da lua, das estrelas...

Pelo movimento das pessoas vivendo suas vidas enquanto morre um pouco a cada dia.

Para mim também o tempo era sobre esperar. Esperar para morrer. Para viver. Para amar. Para ser feliz. Um dia. Um ano. Dez anos... mil.

E eu, a meu modo, era o senhor do tempo, mesmo que não pudesse voltar, ou avançar nele. Eu podia pará-lo.

E naquele instante, eu havia parado o tempo para me permitir ser um pouquinho feliz. Para esconder do mundo algo que era precioso para mim.

Estava sentado numa cama num quarto de hotel, observando enquanto Eun Tak, ou melhor Yeon Woo se movia freneticamente preparando nossa fuga.

O mundo a nossa volta estava congelado, silencioso, exceto por nós dois. Uma exceção criada por mim. Foi o meio que encontrei para que pelo menos por um dia o tempo não fosse nosso inimigo.

— Do que eu vou precisar Ahjussi?

Era uma pergunta simples, que não necessariamente exigia uma resposta. Enquanto enfiava coisas numa mochila, ela olhava em volta, sem prestar a menor atenção em mim. Ocasionalmente quando nossos olhares se cruzavam, ela abria aquele sorriso que me inquietava, que me mandava quebrar as regras e roubá-la para mim. E então, alheia ao que me provocava e no momento seguinte me esquecia em sua busca frenética por utensílios para nossa jornada.

Às vezes eu me perguntava se com ela também era assim. Se meu olhar a deixava nervosa, se ela sentia a pele arrepiar apenas diante das promessas implícitas entre nós.

E enquanto eu me consumia em perguntas, lá estava ela, ansiosa por nossa fuga espetacular. Por aquela grande aventura. Os olhos brilhando com o mais puro entusiasmo. Pronta para qualquer coisa que eu propusesse.

Eu gostava disso em minha esposa, qualquer mínima coisa era um presente bem recebido, tudo era motivo de festa. Toda aquela fome de viver era tão contagiante que eu já antecipava o quão triste seria ficar sem ela.

Mas eu não a perderia hoje. Hoje ela deixaria de existir para o mundo e eu seu seria o centro do dela... assim como ela seria o centro do meu.

Parar o tempo era meu recurso mais precioso. Não apenas pelos segundos a mais que eu ganhava em sua companhia, era mais fácil que ter duas adolescentes acordando e se deparando com dois estranhos em seu quarto.

Yeon Woo não existia naquele dia, não seria reconhecida ou lembrada.

— Ahjussi, poderíamos ir a praia.

Ela sugeriu, segurando uma camiseta.

— Você quiser, iremos!— Concordei ávido por agradá-la.

— Mesmo?! Que tal a ilha Jeju? Sempre quis conhecer a ilha Jeju. Ahjussi, você tem celular? Eu quero muitas e muitas fotografias. Quero muitas recordações bonitas!

— Eu não tenho celular, mas o Deok Hwa pode conseguir para mim. Preciso preparar algumas coisas para nosso passeio. Você quer me esperar aqui, ou vai comigo?

Pendurando a mochila no ombro, ela me dirigiu um sorriso estranhamente tenso.

— Ahjussi, não vamos mais nos separar!

Era uma resposta séria e preocupada demais para uma pergunta tão simples. E também um pedido.

— Não vamos nos separar. — Respondi solenemente percebendo que como eu, ela precisava de algumas promessas. Algo firme para se agarrar.

"Pelo menos não por hoje, não vamos nos separar." Completei em pensamento.

Ela sorriu satisfeita antes de estender a mão para mim.

Tocá-la ainda provocava um tremor de desejo em meu corpo e num impulso, a puxei para um beijo. Parecia que eu estava sempre me esforçando para esconder o que sentia e de alguma forma, estava cada vez mais difícil me controlar.

Apesar de surpresa no primeiro instante, ela logo estava nas pontas dos pés e correspondia com desejo irrestrito, pressionando seu corpo no meu numa busca tão desesperada quanto a minha.

Suas lembranças. Minhas lembranças.

Embora não pudesse ler seus pensamentos. Eu sabia que ela se lembrava de nossa vida de casados.

— Hoje você é a minha Eun Tak. — Sussurrei quando interrompemos o beijo.

— Hoje eu sou sua noiva.

Eu sorri sabendo que precisava delimitar as coisas naquele momento.

— Não. Hoje você é minha esposa.

Ela me encarou, assimilando minhas palavras. E seu real significado. Esperei que ela desse o parecer.

— Então acho que precisamos de uma cerimônia de casamento. E de um vestido.

Olhei para o jeans desbotado que ela usava, a camiseta florida e o casaco marrom. Para mim ela estava perfeita, mas ainda parecia uma adolescente. Apesar de ser impossível determinar a idade de alguém em nossos dias, um casal como nós ainda atrairia atenção, mas pelo fato dela não estar fardada, tudo o que poderiam fazer era especular.

— O que você quiser. — Concordei com ela mais uma vez, afinal, naquele dia faria qualquer coisa que minha esposa quisesse.

— Oh... você está muito generoso hoje! Preciso ficar com medo Ahjussi?

É claro que ela me provocaria, mesmo adorando ser mimada. Decidi ignorar o tão perto da verdade ela chegou com aquela provocação.

— Estenda seu pulso.

— Vou ganhar um presente, Ahjussi? Uau, de onde veio toda essa generosidade? É sério, quero saber pra usar isso mais tarde.

Tirei a pulseira que o Deok Hwa me deu do bolso e coloquei em seu pulso.

— Com essa pulseira torna você invisível, não aparecerá em qualquer meio de captura digital. Então, nenhuma filmagem desses nossos momentos juntos aparecerá depois.

— Uau, nessa vida parece que todo mundo que eu conheço entende de contravenção. A Yuna e a Eun-Ha vão adorar quando vocês se tornarem mais amigos. Nem imagino do que vocês juntos serão capazes. Tenho até pena da minha mãe. Ela nunca vai saber que...

— Eu me apresentarei a sua família no momento certo.

—Não precisamos ter pressa. — E mudando de assunto, perguntou — E minhas recordações, Ahjussi? Se vou me casar e quero ter boas recordações do momento.

Peguei a mão dela e coloquei sobre meu coração.

— Elas estarão aqui.

Não somos a praia. Fomos a Paris escolher um vestido. Ela se encantou por uma que viu numa vitrine. Não demoramos mais que vinte minutos na loja.

— Não quero perder tempo hoje. — Ela justificou a pressa.

— Agora vamos para Jeju?— Perguntei quando deixamos a loja.

O vestido de noiva escolhido para a ocasião era singelo, mas elegante, por isso mesmo, muito bonito. Não possuía o glamour que a ocasião exigia, mas nós também não precisamos de muito. O tecido delicado tinha em relevo pequenas flores. Era branco, solto ao longo do corpo, chegando até os joelhos. Decote quadrado e alças finas.

— Mudei de ideia. Vou passar o dia com você aonde você quiser. — Ela me respondeu. — Prefiro conhecer Jeju quando pudemos andar livremente e não nos escondendo como se estivéssemos fazendo algo errado. Eu não quero encontrar com ninguém hoje. Só com você. Quero que esse dia seja nosso. Só nosso.

Era também o meu desejo.

— Nos campos de trigo onde casamos em sua outra vida. Podemos começar por lá. Depois podemos ir a Jeju. Tenho uma casa numa parte mais isolada da ilha. É o que posso oferecer hoje, mas quando pudermos registrar nosso casamento, prometo que viajaremos pelo mundo.

Ela sorriu indulgente ante a minha promessa.

— Se tiver você, Ahjussi, não eu precisarei de mais nada.

Era um dia ensolarado de agosto. O verão em breve terminaria e a temperatura era agradável nos campos de trigo Sarraceno que certa vez testemunhou o fim de minha vida mortal e o meu renascimento como imortal.

E eu tinha minha noiva não muito longe de meus olhos. Sabia que aquele seria um dos momentos mais perfeito de minha existência. Ou pelo menos um momento feliz, depois de uma longa espera... antes do começo de outra.

O lugar perfeito, num dia perfeito.

Brincando de seduzir, minha noiva continuava me tentando, me chamando incessantemente. Uma guirlanda de flores de trigo em seus cabelos, feita por suas mãos delicadas. Um buquê de das mesmas flores em suas mãos. Ela brilhava ao sol e seu brilho incandescente quase me cegava.

Congelado diante de tanta beleza eu a venerava como alguém aprecia uma bela pintura. De repente, eu não era mais um imortal preso num círculo sem fim de dor, eu era um homem apaixonado diante de sua noiva. Num campo de flores. Momentos antes de nossas juras de amor.

Eu estava em paz... e desesperadamente feliz.

Alheia as emoções que me dominavam, ao ritmar descompassado do meu coração, em sua jovem alegria, ela saltitava entre as flores, como uma fada primaveril. Como a doce menina que ela ainda era. Ocasionalmente, olhava para mim, acenava e sorria, brincando com os meus sentimentos.

Jogando com meus desejos.

Sentado de longe eu me deixava inebriar por sua forte presença feminina e encantadora. Não era o nosso tempo, eu sabia, mas pelo menos naquele dia, naquele hiato que nos dei, tudo seria permitido. Eu daria qualquer coisa que ela quisesse. Fosse o que fosse. O amanhã seria encarado apenas no dia seguinte, hoje seríamos dois amantes sem explicações para dar ao mundo.

E como nosso tempo era precioso, terminei de arrumar nosso piquenique e fui ao seu encontro.

— Oh... você me assustou Ahjussi!

Ela sobressaltou-se quando surgir ao seu lado. Eu sorri e a provoquei

— Essa garota tola, como a noiva de um duende pode se surpreender tão fácil? Você vê coisas incríveis todos os dias.

Entrando na provocação, ela sorriu daquele jeito que me deixava nervoso.

— Mas você é sempre surpreendente, Ahjussi! E sempre consegue fazer meu coração disparar.

Agora eu estava em maus lençóis. Principalmente porque ela me agarrou pelas lapelas de meu casaco e me puxou para um beijo.

Não foi o encostar de lábios do nosso primeiro beijo. Dessa vez sem timidez, a língua dela se enroscou na minha. Uma mão largou a lapela e agarrou a minha nuca, para que minha boca não desgrudasse da dela. Não era mais uma adolescente que me beijava, era a esposa que esperou cem anos para estar comigo.

Depois do primeiro instante de surpresa, eu a enlacei pela cintura, puxando seu corpo para o meu. E o beijo continuou por um longo tempo, para nós era como se não houvesse amanhã.

Para mim, que trazia milagres para a vida das pessoas, aquela menina/mulher era meu milagre pessoal.

Ela me disse uma vez que o primeiro amor nunca dá certo. Isso me fazia feliz. Se meu primeiro amor com a Eun Tak teve um fim trágico. O meu amor pela Yeon Woo era cheio de esperançosas possibilidades.

Que ironia. Sempre que eu estava triste, chovia. Agora, uma "chuva suave"(2) era o motivo de minha alegria.

Talvez inspirado pelo momento, eu finalmente vi o futuro dela, dez anos a frente.

A minha esposa brincava com um bebê no colo. Seu filho. Então ela ergueu a cabeça e falou sorrindo.

"Querido, traz a mamadeira?" E voltando-se para o bebê completou: "Papai vai trazer a mamadeira. Você quer? Quer mesmo? Ah, esse meu filho lindo!"

Eu seria pai? A surpresa da situação me trouxe um choque tão grande que eu interrompi nosso beijo bruscamente.

— O que foi?— Pela perguntou com uma ruga de preocupação na testa.

— Você vai ser mãe daqui a dez anos.

Escapou antes que eu pensasse muito sobre o assunto.

— Sério? Nós vamos ter um bebê?! Incrível!

Os olhos dela brilharam com a felicidade prometida naquela visão. O meu coração ficou um tanto apertado. Eu seria capaz de gerar um bebê?

— Eu espero mesmo ser o pai desse bebê, garota pervertida, ou você vai estar com problemas sérios.

Ela sorriu, debochando de minha ameaça.

— Então, Duende, é bom você se esforçar para me agradar. Já pensou se eu encontro um oppa bem bonito? Talvez meu coraçãozinho não resista e mude de direção.

— Não brinque com coisa séria! As pessoas vão se assustar se de repente aparecer um duende de gênio ruim perseguindo seus filhos.

Gargalhando, ela me abraçou forte.

— Oh, o que eu faço com esse meu duende ciumento? É claro que meus filhos serão seus. Cada filho que eu tiver. Em todas as vidas que eu tiver.

Era estranho como aquela garota fazia meu coração disparar apenas dizendo que eu era dela. Se o Ceifeiro me ouvisse agora estaria me chamando de cafona, mas como sempre eu nem me importaria.

—Promete ser minha para sempre? — Pedi, enquanto um medo insano que ela um dia encontrasse outra pessoa para amar invadia meu coração.

— Não posso prometer isso. — Ela falou com seriedade.

— Como é?! — Perguntei alarmado.

—Eu não posso prometer que vou te amar para sempre. Eu não posso prometer algo que não é minha escolha ou sua. A gente não escolheu se amar, a gente se ama, é nosso destino. Um destino que não pode ser mudado. Que nunca será mudado. Que eu não quero mudar.

Como se responde a algo assim? Simplesmente a puxei para os meus braços e para um novo beijo.

—Que bom que agora você é meu segundo amor.

— O quê, Ahjussi?

— Você me disse certa vez que o primeiro amor não foi feito para durar, então eu estou feliz por me apaixonar de novo pela mesma alma. Você foi o meu primeiro e agora é o meu segundo amor.

Ela ficou tocada por minhas palavras, tanto que seus olhos ficaram marejados. Tomando suas mãos entre as minhas, prometi.

— Até que a morte nos separe o que você fizer, o que você disser, eu também direi.

— Até que a morte nos separe o que você fizer, o que você disser, eu também direi.

Outra vez eu a puxei para meus braços num beijos sedentos e quando ela deu um impulso para pular em meu colo, eu simplesmente a sustentei e deixei que me enlaçasse pela cintura com suas pernas.

— Ahjussi, eu agora sou uma mulher casada? — Perguntou olhando nos meus olhos.

Eu sabia o que aquela pergunta significava, mas estava pronto para ela.

— Sim, você agora é uma mulher casada.

— Então, Ahjussi, eu não quero esperar...

Sorri, por que já esperava por aqui.

— Podemos ao menos comer antes, garota pervertida?

Ela encostou os lábios nos meus para responder.

— Comemos depois, Ahjussi. Eu já esperei por cem anos.

Apesar de saber que os meus cem anos foram muito mais longos que os dela e que talvez ela nunca tivesse a exata dimensão do quão doloroso para mim foi esperar, eu apenas concordei.

— Como você quiser garota pervertida.

Sem soltá-la, me encaminhei para o velho portão de madeira.

— Aonde vamos, Ahjussi?

— E isso importa?

Ela sorriu com olhar vitorioso e carregado de malícia.

— Não Ahjussi. Nem um pouco.

A casa ficava no topo de um penhasco. O quarto possuía janelas de vidro amplas e suas cortinas estavam totalmente abertas. A vista do mar era magnífica, nenhuma construção, nem ninguém a quilômetros de nós. Tudo o que importava para mim era a jovem mulher a minha frente.

Quando a coloquei sobre a cama, assisti enquanto ela deslizava para o centro do colchão, cheia de expectativas. Sem perder um único movimento meu.

Escolhi para aquele dia um terno preto tradicional, afinal eu era um noivo tradicional e um clássico nunca saía de moda. Além disso, eu queria deslumbrá-lo e o terno serviu para esse propósito.

Embora estivesse ansioso, abri o casaco do conjunto com calma, o retirei e joguei num canto qualquer. Então afrouxei a gravata e também a retirei, abrindo os botões da gola de minha camisa branca, desabotoando os punhos, dobrei as mangas até a altura do cotovelo.

Então parei e cruzei os braços diante do peito...

— Ah, não. Não ouse desistir agora, Ahjussi. — Minha esposa exigiu, ansiosa, colocando-se de joelho sobre a cama.

Precisei reprimir meu riso, mordendo os lábios e estreitando os olhos.

— Eu não vou desistir, garota pervertida. Não se preocupe.

— Então porque parou?

— Se já retirei duas peças de roupas. A senhorita até agora não retirou nada. Uma garota do século XXII como você vai entender perfeitamente que os direitos são iguais.

Ela me olhou desconsertada. Em nossa curta vida matrimonial cem anos antes, não houve muito tempo para explorarmos nosso desejo e era natural que ela se sentisse tímida. Sem falar que eu adoraria retirar pessoalmente cada peça de roupa de seu corpo, redescobrir cada um de seus encantos... mas não daquela vez. Daquela vez, eu caminharia um pedaço do caminho e ela o outro. Se ela não fosse capaz de se despir para mim, seria uma prova de que ainda não estava pronta para os nossos desejos.

— E então, Agasshi, o que será?

Usei Agasshi numa tentativa de provocá-la, de lembrá-la que precisava se apropriar do título de senhora casada.

O silêncio caiu entre nós. Olhávamos fixamente. No meu olhar o desafio, no dela o medo. Em outro momento eu teria recuado e feito à vontade ela, mas havia tanto em jogo...

Ela foi a primeira a quebrar o contado visual quando fechou os olhos.

Não me surpreendi quando ela corajosamente ficou de pé sobre a cama e ainda de olhos fechados, retirou o vestido. Sua roupa intima era branca e virginal, como o vestido.

Quando finalmente abriu os olhos, me encarou com raiva.

Deus, como ela ficava linda furiosa.

Sabendo que a havia empurrado para além de seu limite, levei as mãos para os botões de minha camisa.

— Não!

A ordem direta de minha esposa me paralisou.

— Você tirou duas peças Ahjussi. Direito iguais.

E então, tirando o sutiã, o atirou sobre mim, antes de sentar-se com as pernas dobradas sob o corpo e esperar.

Eu precisei de um instante para recuperar o fôlego. Meus olhos estavam fixos em seus mamilos rosados e naquele instante túrgidos. Minha boca estava seca na ânsia de prová-los.

Eu estava feliz por ser um imortal, pois não tenho dúvidas que ela me garantiria um infarto antes de completarmos um ano de casados.

Com as mãos trêmulas, desabotoei desajeitadamente a camisa e retirei com pressa, atirando-a no chão. Quando minha esposa levantou-se fazendo menção de retirar a única peça que cobria o seu corpo, eu prontamente chutei os sapatos para longe e me teletransportei para junto dela.

— Que susto Ahjussi! — Ela exclamou e quase caiu para trás, mas eu rapidamente a segurei pela cintura.

Estávamos de pé, no centro da cama. Os seios encostados no meu abdômen. A nossa diferença de alturas nunca ficou tão evidente como naquele momento. Ela olhou para cima, insegura, como se não soubesse ao certo o que eu esperava dela.

Era hora de tomar as rédeas. Colocando-me de joelhos, fiz com que ela sentasse sobre os meus quadris, com uma perna de cada lado do meu corpo. Usando mãos espalmadas em suas costas, mantive ela encostada sobre o meu peito e me senti recompensado quando ela esfregou o rosto em meu pescoço.

— Eu amo você e o que vamos fazer agora é reflexo desse amor. Já tivemos aqui antes, você sabe disso. Não precisa ter medo. Tudo o que eu quero é que você tenha certeza da escolha que está fazendo.

Afastando-se um pouco, minha esposa buscou os meus olhos.

— Ahjussi, a vida inteira duvidaram da minha capacidade de escolha. Você quer mesmo começar o nosso casamento me subestimando?

Era um pedido justo. Adulto, até. Pelo que eu conhecia de sua história, a queixa era muito válida.

— Desculpe. Hoje, eu não farei mais isso.

Aquela era uma promessa também justa.

E para provar que era totalmente consciente da escolha que havia feito, ela me puxou pelo pescoço e tomou posse de minha boca sem pudor. Seu beijo foi carregado de uma malícia que eu desconhecia. A mordida em meu lábio inferior tornou o meu desejo ainda mais evidente. Esperei que ela se afastasse incomodada, mas ela pressionou ainda mais os quadris contra os meus, tanto que precisei segurá-la.

— Devagar, amor.

A expressão no rosto dela não possuía um único traço de inocência ou modéstia. Era a expressão de uma mulher que sabia que era desejada e tiraria proveito da situação.

O segundo beijo me fez entender que eu precisava assumir o comando. Assim, sem interromper esse beijo a deitei sobre a cama, então me afastei um pouco para observá-la. Eu não sabia ao certo o que aconteceria em nossas vidas depois daquele dia, então, queria gravar aquela visão em minha memória, para quando os dias fossem frios e as noites longas.

Minhas mãos deslizaram pela pele macia de minha esposa. De cima para baixo começando de sua cintura indo até seus seios. Ela prendeu o fôlego e fechou os olhos.

Aproveitando daquele momento de entrega, me inclinei e tomei um mamilo entre os dentes.

— Ahjussi...

Ela gemeu, mas eu não lhe dei trégua. Abocanhei o seio, chupando forte. Depois passei a língua sobre o mamilo e voltei a chupá-lo.

Enquanto minha esposa gemia e sussurrava coisas sem sentido, alternei-me ataques a seus dois seios, tudo o que fazia em um repita no outro.

Yeon Woo me agarrava pelos cabelos, puxando para si.

Seguindo minha jornada por seu corpo, segui distribuindo beijos até chegar a seu umbigo, mas aquele não era o meu destino final, era apenas metade do caminho.

Ela não conheceu aquele tipo de prazer no passado, mas agora, eu não queria nem podia lhe negar nada.

Quando puxei sua calcinha para baixo, foi o único momento em que ela demonstrou de fato modéstia, cobrindo o próprio sexo com as mãos.

— Aonde foi parar a garota do século XXII? — Perguntei com malícia.

Mas aquela garota não se deixou intimidar.

— Você ainda está vestido enquanto eu estou completamente nua. Isso é justo.

— Isso é apenas sensato, minha querida esposa.

— Por quê?

— Eu corro o risco de roubar sua virgindade de forma insensata se tirar essa calça.

— Ahjussi...

— Posso ser imortal, mas não sou de ferro, garota pervertida. Agora me deixe tocar em você.

Ela hesitou, mas então fechando os olhos, afastou as mãos.

— Boa garota!

Elogiei, mas não me mexi de pronto. Era um passo grande para aquela garota. As lembranças de outra vida ainda estavam ali, mas aquele corpo era virgem.

— Kim Shin? — Chamou, ainda de olhos fechados.

— Sim, Yeon Woo?

— Você precisa ser corajoso, por nós dois. Eu...

Entendia que as duas mulheres que me amavam estavam em conflito dentro daquela garota.

— Pode doer.

— A gente só valoriza o prazer, após conhecer a dor.

Como alguém pode ser tão imatura e tão madura ao mesmo tempo?

Quando a toquei, foi com suavidade. Senti sua quentura e sua umidade, enquanto ela se contorcia sobre a cama.

Quando sentiu o toque de minha língua, ela tentou fechar as pernas, mas eu já estava preparado e a segurei com firmeza.

— Kim Shin...

— Calma, amor, só aproveita.

Ainda a torturei por um longo momento e quanto percebi que ela estava muito próxima do ápice, me afastei, me livrei da calça e da cueca num só movimento e voltei para cama.

Ao deitar sobre seu corpo trêmulo, me preparei para invadi-la.

— Yeon Woo, olha para mim.

Ela abriu os olhos e ao me vê a seu alcance, buscou minha boca num dos seus beijos sedentos. Aproveitei esse momento para nos unir.

A dor a paralisou apenas um instante.

— Vai passar. — Prometi.

A resposta de minha esposa foi me abraçar com suas pernas, facilitando ainda mais minha invasão.

— Agora você precisa me amar, Kim Shin. Eu espero a vida inteira por isso!

Eu poderia falar com muito mais propriedade que ela sobre o tempo, mas não queria perder um único segundo. Como o mais obediente dos maridos, eu apenas atendi ao pedido de minha esposa e a amei.

Dormir juntos. Comer juntos. Falar sobre a nossas vidas. Amar-nos vezes seguidas... um dia na vida de um casal de amantes.

Meu plano inicial era levá-la para lugares paradisíacos, tolice o paraíso era qualquer lugar onde ela estivesse. Só deixamos o quarto para comer e retornamos em seguida.

Quando o sol começou a se pôs, eu sabia que era hora de voltar. Logo seria dia em Quebec e Yeon Woo voltaria a fazer parte da humanidade. Teria amigos e uma família que a amava. E eu teria que me afastar.

— Eu não quero ir embora, Ahjussi.

Estamos deitados na cama, abraçados, os corações já despedaçados pela despedida que não tardaria a acontecer.

— Nem eu, mas é preciso.

— Na Coreia vai ser difícil, minha família não vai entender.

Não queria estragar o nosso momento de paz.

— Tudo será resolvido a seu devido tempo. Não vamos sofrer ou nos preocupar com os problemas antes deles surgirem.

— Eu estou preocupada, Ahjussi.

— Com seus pais?

— Com você.

— Comigo?!

— Sim. A última vez que você ficou tão generoso foi numa despedida. Você mentiu para mim e eu quase acabei com sua vida sem saber.

O problema de estar com alguém tão perspicaz que é que pouca coisa pode ser escondida.

— Não se preocupe, não tenho nenhum plano de acabar com minha própria vida.

— Mas tem de me deixar.

Deus, como aquela garota era inteligente.

— Eu não vou deixar.

— Eu não acredito. Você mente quando acha que é para o meu bem.

— Dessa vez eu não vou deixar você. Mesmo que eu quisesse, eu seria incapaz de ficar longe.

O sol nascia quando a deixei minha esposa em seu quarto de hotel. Reticente, ela me agarrou quando tentei ir embora.

— Eu preciso ir, garota pervertida. Mesmo um duende precisa descansar.

Mas ela não compartilhou do meu humor.

— Meu coração dói, Ahjussi. Algo me diz que vamos ficar um longo tempo sem nos ver.

— Eu já disse, vai ser impossível para eu ficar longe. Não se preocupe, eu não vou deixar você.

— Promete?

— Prometo.

Apesar da promessa, a desconfiança não deixou o olhar dela.

No fim, não houve alternativa, desconfiada ou não minha noiva tinha vida a seguir. Após deixá-la com as amigas, voltei para a Coreia.

Eu tinha algo importante a fazer e precisava de ajuda.

Não foi difícil encontrar o ceifeiro que era próximo ao meu antigo colega de quarto. Ele ainda era um condenado a guiar as almas para a vida após a morte.

Para o azar dele, naquele dia dois fatores coincidiram: eu precisava de um favor e ele levaria a alma de uma criança que havia sofrido um acidente de carro.

Eu nunca gostei de presenciar a morte de crianças.

Quando o envelope com o nome de sua vítima queimou e de repente o garoto despertou, o ceifeiro nem mesmo se assustou, mas olhou em volta a minha procura.

— Você não pode fazer isso.

— Não posso?

Mesmo um ceifeiro não me desafiaria.

— Por que você resolveu atrapalhar o me trabalho dessa vez?

— Eu preciso de um favor.

Notas finais
1.Musica do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=50XGpRqtVMI 2. Escolhi o nome para Yeon Woo, que é o nome da protegonista de "The Moon embracing the sun " que significa "Chuva Fina".