Você quer ser meu?

18 Uma festa e uma madrugada insone


Notas iniciais
Vocês conseguem ouvir os sinos tocando??? Os anjos cantando Aleluia???? Revisei metade do capítulo então se tiver algum erro me digam para que eu os conserte. Tenham paciência para lerem. Eu sei que o capítulo ficou gigante e talvez eu devesse tê-lo dividido...

O sábado amanheceu bonito, o sol estava brilhando lá fora anunciando a chegada do verão nessa terra gelada. E a única coisa que eu queria era continuar na cama, enrolado no meu edredom, mesmo estando quente. Mas a urgência em ir ao banheiro me obrigou a levantar.

Olhei a hora no relógio, eram quase dez horas. Me espreguicei e joguei o edredom para o lado. Fui ao banheiro e a casa estava tomada de um cheiro de comida maravilhoso. Assim que saí do banheiro, ouvi Claude falando.

_Não venha para cá. Volte para a cama.

_O quê? — exclamei

_Me obedeça. Volte para a cama agora. Vai!

Ele falou tão sério que eu resolvi obedecer.

“O que será que está acontecendo? Será que ele está pelado na sala?”

Se fosse isso, mesmo eu estando fazendo força para esquecê-lo, a tentação seria grande demais, eu teria que ver. Até porque quando fizemos sexo, ele ficou o tempo todo nas minhas costas e quando me virou eu apenas pude ver o tronco dele. É óbvio que eu não perderia a chance de ver aquele homem todo nu.

Mas antes que eu pudesse me levantar novamente e espionar alguma coisa, ele entrou no quarto. Trazia uma bandeja dessas de cama, que têm até pézinhos para não virar no colchão.

Me surpreendi pela atitude.

_Bom diaaa — falou sorridente e depositou a bandeja no meu colo.

Tinha tudo o que eu gostava de comer: bolo de chocolate, panquecas com maple syrup, leite morno com achocolatado e iogurte natural com morangos picados e mel. Era quase um banquete, eu nunca ia conseguir comer tudo aquilo.

Não posso negar que gostei da surpresa. Era fofa e fez o meu coração se aquecer, acho que eu não ia conseguir esquecer esse homem tão cedo. Acho até que os meus olhos brilharam.

_Gostou? — Claude me perguntou e sentou-se na beirada da cama, bem ao meu lado.

_É claro. Eu amei — peguei os morangos e misturei no iogurte, um pedaço ainda ficou grudado no potinho e eu o peguei com a mão, ia levá-lo à boca mas Claude segurou o meu punho e aproximou da própria boca, pegando-o, pude sentir os lábios e a língua tocando brevemente os meus dedos e aquilo acendeu algo em mim.

Tentei ignorar o gesto. Sorri um pouco e misturei o mel no iogurte.

_Já tomou o café da manhã? — perguntei e levei uma colherada à boca.

_Já. Acordei cedo para conseguir fazer isso tudo. Quer dizer, eu comprei tudo, exceto as panquecas.

Eu sabia que foi ele quem tinha feito as panquecas — elas estavam com as bordinhas meio queimadas.

Sorri em resposta e tomei mais do iogurte.

_Vou acordar você com o café na cama todos os dias, até você me dizer o sim que eu quero ouvir — falou e roubou um beliscão da panqueca.

_Ah é?? Quer dizer que depois que eu aceitar você não vai mais me acordar assim???

Nem pensei na hora que a minha resposta poderia ser não.

Mas Claude sorriu e olhou de um jeito que eu poderia derreter sob a intensidade daquele olhar.

_Vou sim. Mas vou te acordar com beijos.

“Oh céus” — pensei sentindo o meu rosto corar e o coração explodir dentro do peito.

“Por que ele não fez isso desde o começo????”

_Hmmm, isso parece interessante. — comentei e pisquei um olho.

Derrubei um pouco do maple syrup numa panqueca e comecei a comer.

_Então isso é um sim? — perguntou animado.

_Isso é um: estou pensando.

Vi que ele murchou, mas não me senti mal, afinal quantas vezes ele não tinha feito isso comigo??? Deixa ele sofrer um tiquinho.

Fora que eu não tinha garantia nenhuma de que Claude realmente iria assumir os seus sentimentos. Ele poderia muito bem dar para trás à qualquer hora e eu, realmente, não queria ter que passar por tudo aquilo novamente.

Acabei dividindo a minha comida com o Claude. Uma garfada da panqueca para mim, uma para ele. Uma mordida do bolo para mim, uma para ele. Sempre trocando alguns olhares, sempre ele tocando suave a minha mão, ou deixando a mão pousada sobre a minha coxa coberta pelo edredom.

Depois que terminamos, Claude retirou a bandeja e foi para a cozinha. Eu fiquei na cama, pensando:

“Caramba!!! Quantas mudanças em tão pouco tempo! Em questão de dias, o Claude quase transa comigo só para saber se eu tinha feito sexo com o Andrew, eu decido dar uma chance ao Andrew que me convida para um jantar na casa dele; descubro que o pai dele é um monstro; tenho uma conversa doida com o meu vizinho e o seu companheiro e por fim, Claude decide que me quer”.

Era coisa demais e eu me sentia meio tonto com tudo isso. Talvez eu devesse me entregar de vez ao Claude, afinal era tudo o que eu queria mas ainda tinha o Andrew e eu tinha que resolver tudo ele antes. Além do mais, eu não tinha segurança nenhuma de que, se eu cedesse, o Claude não iria se arrepender no dia seguinte. Ele já tinha feito isso!

Mas hoje era o dia da festa, a primeira festa da minha vida e eu estava decidido a não deixar nada me desanimar. E para melhorar, na segunda-feira não teria aula já que tínhamos entrado de férias na sexta-feira.

Me levantei num pulo e fui tomar um banho.

Passei o dia sem fazer nada de útil, só fazendo coisas bobas mas que eu adorava: li um pouco, mexi na internet, conversei um pouco com o Andrew, ah, claro, excluí a mensagem do monstro, e joguei vídeo-game.

Lá pelas duas da tarde, Claude e eu fomos almoçar num restaurante.

Realmente ele estava bem diferente, me encheu de mimos, olhares apaixonados, segurava a minha mão. E eu tentando me fazer de durão, mas estava todo derretido por dentro, morrendo de vontade de pular no colo dele e beijar aquela boca. Mas as duas vezes que ele tentou me beijar, uma no hall do elevador e uma dentro do carro, eu me esquivei.

“Deixa ele passar um pouco de vontade. Vamos ver até aonde vai essa síndrome de Don Juan do Claude”.

Às oito da noite entrei no banheiro para tomar um banho e me arrumar para a festa. Não pude deixar de notar a cara de coitado do Claude, talvez ele estivesse pensando que eu fosse desistir dela. É claro que eu não ia deixar de ir — era a minha primeira festa e eu estava louco para dançar num lugar diferente que não fosse o tapete de casa ou o clube de dança da escola!

Tomei um banho demorado, lavei o cabelo e me depilei — sim, eu gosto de me depilar, odeio pelos — Depois sequei o cabelo no secador e modelei as mechas com pomada. Olhei no espelho e gostei do resultado, até a minha pele parecia brilhar.

Fui para o quarto e vesti uma calça jeans skinny verde musgo e uma blusa mais justa preta, pus um cordão de couro encerado com uma medalhinha no pescoço, calcei meus tênis e passei perfume.

Olhei o relógio: vinte e uma horas.

A festa estava começando agora e ia até altas horas da madrugada. Infelizmente eu não poderia ficar até o fim, mas consegui que Claude me deixasse voltar meia noite.

_Tchau, Claude. Estou indo.

Ele saiu do quarto e eu percebi que tentava fazer uma cara feliz, sem sucesso.

_Tome cuidado.

_Tomarei, pode deixar.

_Não beba nada alcóolico.

_Ok.

Claude me abraçou e eu devolvi o abraço.

_Não use drogas.

_Eu sei, Claude.

_Quer que eu te leve?

_Humm, não. Eu já chamei um taxi e vou pegar o Andrew em casa. Então, não precisa.

Claude fez uma expressão de desgosto quando ouviu o nome do Andrew, como se lembrasse de algo muito ruim.

_Cuide-se.

_Tá bom.

Acabei dando um beijo estalado na bochecha do Claude. Saí do apartamento antes que ele tentasse algo mais.



O taxi parou na frente da casa do Andrew e eu mandei um Whats para ele, minutos depois ele entrou no carro. Me cumprimentou com um beijo no rosto, provavelmente porque estava constrangido com o motorista.

Quinze minutos depois paramos em frente à casa do carinha do terceiro ano que estava dando a festa. Paguei o taxista e desci.

A festa já estava rolando solta, ouvíamos a música alta da calçada, a porta da frente estava aberta e tinha várias pessoas fora, algumas na entrada, conversando com o copo na mão, outras estavam sentadas no gramado. Todas as luzes da casa estavam acesas e a gente ouvia também o burburinho de vozes.

Comecei a subir o gramado para chegar à casa, que na verdade era uma mansão, mas Andrew me segurou pela mão, entrelaçando os nossos dedos e caminhou ao meu lado. Foi assim que entramos na festa, de mãos dadas.

Cumprimentamos o pessoal, mas nós não tínhamos muitas amizades. Atravessamos a sala que tinha sido transformada em pista de dança e era o único cômodo no escuro da casa, iluminado apenas por luz negra. Andrew foi até a cozinha e voltou com um drink, depositou o copo na minha mão e tomou um gole de uma garrafinha de que tinha pego.

Olhei a bebida, era algo cor de rosa e com muito gelo; provei. Era de morango e tinha algo alcóolico, talvez vodka. Lembrei do Claude falando para eu não beber nada mas eu duvido que houvesse algo sem álcool naquela festa. Um drink só não faria mal.

Estávamos no meio da pista e então fomos para um canto e eu me encostei na parede. Andrew não perdeu tempo e me abraçou, fazendo uma leve pressão sobre o meu corpo. Tomou um grande gole da garrafinha, pelo hálito devia ser dessas vodkas saborizadas com limão.

O drink desceu fácil e eu me sentia um pouco mole por causa dele. Então resolvi matar logo a minha vontade. Puxei Andrew pela mão e disse:

_Vamos dançar!

Ele ainda tentou travar as pernas.

_Eu não sei dançar.

_Não tem problema, tá escuro. Ninguém vai ficar prestando atenção.

Andrew se deixou levar.

Começamos a dançar. A música tão alta que a sentíamos reverberando nos nossos corpos. Era eletrizante.

Misteriosamente um novo drink surgiu na minha mão e uma nova garrafinha na mão do Andrew.

Dançamos e dançamos e depois da quarta música, Andrew falou no meu ouvido:

_Eu não aguento mais. Desse jeito eu morro.

Ri da cara dele e voltamos para um canto. Estávamos começando a suar.

Andrew disse que ia no banheiro e eu concordei. Fiquei lá vendo o movimento de pessoas, tinha muita gente da escola mas tinha também muitos que eu nem conhecia, deviam ser amigos do dono da festa ou amigos de amigos.

Corri os olhos pelo ambiente e percebi o Alexy e a turma dele — incluindo o Anton — num outro canto. Todos bebiam e várias garrafas vazias estavam enfileiradas perto da parede. Pelo jeito já tinham bebido bastante. Alexy também corria os olhos pelo ambiente, como se estivesse procurando por alguém, quando passou o olhar perto da onde eu estava, se fixou em mim. Estava escuro e só era possível ver pelos flashes de luz negra, mas eu tinha certeza que ele estava me encarando.

Nessa hora o Andrew voltou com mais uma garrafinha. Alexy continuou me encarando e Andrew percebeu o meu olhar.

_O que foi? — perguntou e me ofereceu um gole.

Neguei a bebida.

_O Alexy não pára de olhar para cá.

Andrew olhou para o Alexy que ergueu um pouco a bebida num brinde mudo. Andrew retribuiu o gesto e voltou a olhar para mim.

_Talvez ele esteja a fim de você.

_Até parece — respondi.

_Espero que não seja isso. Você é só meu, não é? — perguntou meloso.

A voz do Andrew já estava um pouco alterada.

_Quantas dessas você já bebeu? — perguntei sinalizando a garrafinha já quase vazia que ele segurava.

_Três?

_Melhor ir com calma, não acha?

_Estou indo — então me puxou novamente para a pista — Vem, vamos dançar.

Fui feliz e dançamos várias músicas eletrônicas. Até que começou a tocar uma música mais sensual.

Bem, eu poderia voltar para o lugar onde eu estava mas eu não ia perder essa chance de dançar. Comecei a mover o meu corpo na batida da música e Andrew passou a mão pela minha cintura, me trazendo para ele.

Olhei para Andrew e vi o quanto ele estava vermelho e com os olhos brilhantes — sinais claros que estava começando a ficar bêbado. Então Andrew encaixou a perna entre as minhas e começamos a mover nossos corpos em sincronia.

Nunca tinha dançado assim com ninguém e eu estava adorando. Era gostoso e muito provocante, sabia que estávamos praticamente nos esfregando em público mas eu não queria parar.

Percebi que alguns casais dançavam mais ou menos assim, nós nem éramos os mais escandalosos mas, com certeza, éramos o que mais chamava a atenção por sermos o único casal gay a dançar assim na frente de todos. Alexy continuava a nos encarar da parede onde ele estava encostado e a expressão dele não era nada feliz.

Andrew falou alguma coisa no meu ouvido, mas com a música alta e eu distraído, não ouvi. Virei meu rosto para olhar para ele e me surpreendi com o olhar faminto que ele lançava para mim, então uma mão dele subiu e tocou o meu rosto numa carícia leve, passou o polegar pelo meu lábio inferior, desenhando todo o contorno da minha boca.

Lentamente, ele me beijou. Ainda dançávamos, os mesmos movimentos sinuosos que faziam nossos corpos se roçarem. Fechei meus olhos e o abracei, senti ele me apertar nos braços e seu quadril foi impulsionado para frente, ainda pela dança. Abri meus lábios e a língua de Andrew se enroscou na minha. Acariciei a sua nuca.

Era um beijo bom, era gostoso, mas ainda não fazia eu perder o fôlego.

Nos beijamos até a música acabar, o que não demorou muito.

_Acho que preciso de um tempinho — falou quando finalmente nos separamos.

Eu ri, meio alegrinho também pela bebida, e olha que eu tinha bebido bem menos que ele.

Olhei para o outro canto e Alexy ainda nos encarava. Aquilo estava me irritando muito.

Andrew me puxou para mais um abraço e eu vi outra garrafinha nas mãos dele.

_Você não acha que está bebendo muito?

_Relaxa Alois. Eu estou bem. Você não quer mais um drink? Eu pego.

_Não, não quero.

Andrew virou metade da garrafa de uma vez só. E eu comecei a ficar preocupado.

Ele percebeu a minha cara e me puxou.

_Eu estou bem — reafirmou mas a sua voz já era de quem estava bêbado.

Andrew me beijou mais uma vez, e me virou contra a parede, me prensando nela, as mãos tentaram se enfiar por baixo da minha blusa e eu tive que segurar os seus punhos, impedindo-o. Ganhei um muxoxo de insatisfação mas ele não parou de me beijar. Então pegou os meus braços e enrolou no próprio pescoço, me fazendo abraçá-lo. Ondulou o quadril de encontro ao meu e eu senti que ele estava excitado.

Interrompi o beijo, Andrew não era acostumado a beber e já tinha bebido muito, fora que o seu comportamento estava alterado também. Ele nunca iria me dar aquele amasso em público, mesmo quando nós quase fizemos sexo, ele havia sido calmo e delicado e ali estava o Andrew me segurando com força, mordendo os meus lábios e invadindo a minha boca com a língua.

Não estava ruim mas aquele não era o Andrew.

Ele me olhou com desejo.

_Acho que a gente precisa de um ar — falei, empurrando levemente o peito dele e ganhando alguma distância.

_Quer dançar mais? — perguntou com a voz enrolada.

_Quero.

“Contando que não seja nenhuma música sensual” — pensei. Mas estava tocando uma eletrônica bem animada.

Voltamos para a pista. Mas toda hora ele me puxava e me beijava; então, numa hora, Andrew me segurou com força e me beijou mais uma vez — um beijo faminto — sua mão escorregou pela minha cintura e ele me apalpou. Encheu a mão no meu traseiro.

Mesmo com a música alta, ouvi algumas pessoas ao nosso lado comentando algo. Quase morri de vergonha e parei imediatamente. Me livrei dos braços dele e saí andando.

_Alois — ele me chamou e veio atrás.

Fui até os fundos da casa e Andrew me alcançou segundo depois. Nova garrafa nas mãos. Olhei da garrafa para ele e balancei a cabeça.

_O que foi? — me perguntou.

_Não gostei do que você fez.

_O quê?

_Ficar me apalpando na frente de todo mundo — cruzei os braços no peito e me encostei na parede.

Andrew tomou mais um pouco da bebida e se aproximou.

_Desculpe — acariciou meus braços, mas eu estava em pose defensiva — Eu perdi um pouco do controle. É que você é tão bonito…

Sorri um pouquinho.

_Você me desculpa?

Assenti com a cabeça e nos abraçamos.

_Vamos entrar?

_Melhor ficar um pouquinho aqui — respondi, quem sabe o ar fresco não o ajudava na embriaguez dele e achei que aqui ele não iria me agarrar como lá dentro que estava escuro.

Ficamos um tempo lá fora, a noite estava gostosa, fresquinha mas não fria. Não falamos muito mas ficamos próximos um do outro sem no entanto nos tocarmos.

Até que alguém gritou lá da cozinha: “Pessoaaaal, chegou mais bebida!”.

_Opa. Tá pra mim!!! — exclamou Andrew e entrou correndo.

_Espera, Andrew — falei e fui atrás, ele não estava mais em condições de beber nada. Mas quando cheguei lá dentro parecia que a multidão havia triplicado. Perdi Andrew de vista e quando o achei, vários minutos depois, ele dançava com a garrafa na mão no meio da pista de dança.

Assim que me viu, abriu um sorriso e enorme e me agarrou.

_Você demorou para me achar — falou no meu ouvido.

_Então você se perdeu de propósito?

Andrew riu alto.

_Não. Não foi de propósito. Eu também tentei te achar mas como não consegui resolvi ficar aqui.

Balancei a cabeça negativamente.

“Completamente bêbado”.

_Vamos dançar mais — falou, me puxando pela cintura.

Dançamos mais duas músicas. E fomos para um canto, descansar, Andrew pegou outra garrafa, bebeu metade dela e a largou numa mesinha.

Então ele simplesmente me agarrou. Me segurou com força pelo quadril, me puxando para ele e me prensou novamente na parede. Ele foi rude e eu não gostei nem um pouco do tratamento. Algo disparou no fundo do meu cérebro mas na hora eu não percebi o que era. Andrew me beijou com violência e desceu a boca para o meu pescoço, mordendo a pele e sugando.

_Pára, Andrew — pedi baixinho.

Me sentia constrangido. Primeiro porque eu não queria que ele fizesse isso, segundo porque ele estava completamente bêbado e muito provavelmente não se lembraria de nada amanhã e terceiro que eu odiava quando me tratavam daquele jeito.

Andrew não me obedeceu e desceu as mãos pelo meu corpo voltando a apertar o meu traseiro. Ninguém viu isso porque eu estava contra parede, mas eu não queria nada disso.

_Andrew, chega — mandei e tentei afastá-lo sem sucesso.

Ele voltou a me beijar e então sussurrou no meu ouvido.

_Você não quer ir para um quarto?

_O quê? — falei sem acreditar no que tinha ouvido.

_Quero transar com você.

Olhei para ele. Nem parecia o Andrew.

_Não, Andrew. Eu não quero. — falei corando um pouco.

_Não quer o quê? Subir para o quarto ou transar comigo? — seu aperto foi mais forte e doeu um pouco.

_Nenhum dos dois — respondi e o empurrei. Ele deu dois passos para trás e voltou a me segurar.

_Por quê?

_Porque você está bêbado e nós estamos no meio de uma festa.

_Se fosse o Claude, você daria até na calçada.

Fiquei muito bravo. E ofendido.

_Chega, Andrew. Me solte.

_Não — falou e tentou me beijar de novo mas eu virei o rosto.

_Ah, que droga Alois. Libera logo. Você nem é mais virgem! — falou com a voz de bêbado dele.

O empurrei com toda a força e consegui que ele se afastasse. Andei rápido, quase fugindo, até os fundos da casa.

Estava com muita raiva do Andrew por ele falar assim comigo. Ele não tinha o direito de me tratar desse jeito. Senti as lágrimas começarem a arder nos meus olhos.

Parei na varanda, um pouco mais afastado da porta.

_Alois — ouvi ele me chamando e nem me virei.

_Alois — repetiu — Olha…

_Acabou — falei

_Mas… por quê?

_Por quê? — repeti — Porque você não tinha o direito de me tratar desse jeito. Eu não tenho obrigação de transar com você.

_Eu sei. Mas você deu tão fácil para o Claude…

Senti meu rosto pegar fogo. Mas eu não podia ficar com raiva do Andrew, era a bebida falando. Se bem que, diz o ditado que é nessas horas que as pessoas se revelam.

_Olha, Andrew. Não está dando certo. Eu até gosto de você mas não o amo…

OK, eu sei que aquele era o pior momento para acabar com o namoro ou o que quer que a gente tivesse mas talvez eu também estivesse sob efeito do álcool.

_Talvez você comece a amar, com o tempo.

_Eu tentei. Mas não tem jeito. Você é um amigo muito querido mas é só. Não tem jeito.

Cruzei os meus braços, abraçando a mim mesmo.

_Não fala isso — Andrew pediu, parecia mais sóbrio mas agora o estrago estava feito. Eu já tinha começado a falar e agora eu ia até o fim. Mesmo que a ideia inicial fosse esperar alguns dias depois da festa para ter essa conversa com o Andrew.

_Andrew, nunca vai dar certo. Acredite em mim!

“O seu pai é um monstro. Eu não posso conviver com isso”.

_Mas…

_É sério. Eu gosto muito de você mas não dá.

Andrew me segurou, quase me abraçando, estava chorando e aquilo partiu o meu coração.

_Mas hoje não estava bom?

_Estava, Andrew, estava. Mas você quer ir além e eu não posso te acompanhar. Não seria certo comigo nem com você. Você merece alguém que te ame de verdade.

_Mas eu amo você.

Olhei para ele, totalmente paralisado pela declaração.

_Justamente por isso nós não podemos. Eu não consigo corresponder aos seus sentimentos.

_Você prefere alguém que não ame??? Como o Claude?

_Eu desisti dele também. Vou ficar sozinho.

Ambos já chorávamos. Dois corações partidos. E a minha tentativa de me divertir numa festa tinha ido pelo ralo.

_Mas eu não vou desistir de você — declarou Andrew, algo mudou nos olhos dele. Ele me segurou com mais força, apertando forte os meus braços, doeu e eu lutei para me libertar.

_Andrew, não.

_Você ainda vai gostar de mim — disse e foi me arrastando para dentro de casa, tentei travar as pernas mas é óbvio que não tinha força suficiente — ele era mais alto e mais forte do que eu.

Então comecei a entrar em pânico quando vi ele me arrastando escada acima.

_Andrew, pára. Por favor — tentei livrar o meu pulso do seu aperto. Já estávamos no andar de cima da casa e ele testava as maçanetas das portas tentando achar um quarto vazio.

_Você vai gostar, Alois. Posso ser tão bom quanto o Claude — declarou com a voz enrolada.

Dei um puxão forte e me libertei por um momento, me virei para ir embora mas Andrew me segurou de novo, me jogou na parede novamente e me prensou.

_Só uma vez Alois, a primeira e última. Não me faça obrigá-lo.

“Obrigar????” — a palavra estalou na minha mente e eu entrei em desespero.

Lutei com todas as forças mas cada vez Andrew me apertava mais. Ele nem tentava mais achar um quarto. As pessoas passavam pela gente e não desconfiavam de nada, com certeza achavam que era apenas um casal dando um amasso. Se eu não parasse, Andrew iria me estuprar ali.

Eu não acreditei que isso estava acontecendo comigo.

Por isso eu não gosto de nada alcoólico. A Hannah conseguia ficar pior do que já era quando estava bêbada. O álcool traz o que há de pior nas pessoas.

Juntei as forças e dei um empurrão forte do Andrew que cambaleou para trás, agradeci por ele estar bêbado e não ter muito equilíbrio, era o que eu precisava.

Fugi correndo e chorando. Ainda ouvi ele me chamando mas logo sua voz se perdeu na música alta que enchia o andar de baixo.

Parei na rua, vários metros depois da casa.

Apoiei as mãos nos joelhos, dobrado sobre mim mesmo, tentando recuperar o fôlego.

“Droga, droga, droga, droga”

Meu peito doía, doía muito. Eu sabia que era porque ele estava bêbado, jamais Andrew iria agir assim estando sóbrio mas eu estava magoado do mesmo modo.

Saquei o celular do bolso, marcava 23:47 — não iria chegar na hora em casa. Liguei para a central do táxi e pedi um, dando o endereço de onde eu estava. A atendente deu um prazo de trinta minutos, era muito mas eu aceitei. Sentei na guia da calçada e esperei. A rua estava escura mas ainda tinha movimento de algumas pessoas da festa. Fiquei de olho para ver se Andrew não iria aparecer atrás de mim mas isso não aconteceu.

Passou quarenta minutos e nada do táxi. A bateria do meu celular estava acabando mas eu liguei novamente para a central, a atendente se desculpou e disse que iria localizar outro motorista que estivesse nas redondezas, deu novo prazo de mais vinte minutos.

Bloqueei o aparelho e o enfiei no bolso.

Eu ouvia a música alta vindo da festa e as vozes das pessoas conversando e dando risada; eu estava apenas à três casas de distância.

Passou-se mais trinta minutos. Bateria à 2%. Liguei de novo. A moça mais uma vez se desculpou e então a ligação caiu. Olhei para o celular a tempo de ver ele se apagando.

_Mas que inferno!!!! — xinguei.

Olhei para os lados.

“O que eu vou fazer agora?”

Eu nem sabia onde passava ônibus, não sabia nem se passava ali. Poderia voltar para a festa e ver se alguém me emprestava o celular mas eu não queria correr o risco de encontrar o Andrew.

Comecei a caminhar, talvez se eu fosse até a avenida, conseguiria achar um ônibus ou um taxi desocupado.

Guardei o celular no bolso e então percebi .

“Cadê o meu dinheiro????”

Procurei em todos os meus bolsos. Todos vazios. Fiz o caminho de volta, talvez tivesse caído nas vezes em que peguei o celular.

Nada. Nem sombra do dinheiro. Só pode ter caído lá dentro, enquanto eu era arrastado ou lutava com o Andrew.

Tive vontade de gritar de tanta raiva.

“Mas que merda!!!!”

Agora eu seria obrigado a voltar a pé e o pior: a casa era longe da minha — mais ou menos três quilômetros a serem vencidos à pé e à noite…

Enfiei as mãos nos bolso e comecei a andar tentando fazer o caminho mentalmente porque é claro, azar nunca é demais: eu não sabia direito o caminho. Mas não podia ser difícil, eu lembro que tinha que pegar a avenida, virar à terceira a direita, segunda a esquerda e cair numa outra avenida.

****

“Talvez eu devesse ter virado na primeira e não na segunda à esquerda, ou será que eu estava na avenida errada?”

Maldito celular que tinha que ter descarregado. Se tivesse com bateria eu teria procurado outro táxi, ou teria usado o aplicativo de mapas e rotas para chegar em casa e então eu não estaria perdido do jeito que eu estava.

O local não me parecia familiar e eu comecei a ficar com medo.

Tudo estava deserto e as poucas pessoas que passavam não tinham a cara muito boa. Um grupo de caras passou por mim e ficou me encarando, eram quatro e eu apressei o passo, só faltava eu ser assaltado — nem dinheiro eu tinha.

Andei, andei e andei pela avenida, tentando me achar mas isso era impossível. Eu estava completamente perdido.

Engoli o choro — eu ia conseguir me virar, afinal já tinha sido morador de rua. Tudo bem que eu conhecia a minha cidade como a palma da minha mão.

Passei por um desses relógios de rua, marcava 2:00 da manhã. O Claude ia me matar.

Meus pés doíam terrivelmente.

Andei mais quatro quarteirões e achei um posto de gasolina com a loja de conveniência ainda aberta. Na verdade eu via que o atendente estava se preparando para fechar.

Me aproximei.

_Moço — chamei e o rapaz olhou para mim — você sabe como eu faço para chegar na 2nd Avenue?

Se eu chegasse nessa avenida conseguiria achar o caminho de casa.

O rapaz me olhou desconfiado, depois quando avaliou que eu não era uma ameaça, coçou a nuca.

_Second Avenue?? Cara, tá meio longe. Você tem que pegar essa avenida, anda uns três quilômetros e pega o viaduto então tem que virar à esquerda logo depois da passarela.

Ele apontou o sentido que eu estava vindo, ou seja, eu estava me distanciando do local, indo na direção contrária.

_Aqui não passa ônibus? — perguntei, já me sentindo confuso com tantos vira aqui vira ali.

_À essa hora? Não.

Bufei.

_Táxi?

_Nem.

Fiquei parado olhando para o moço, sem saber o que fazer. Engoli em seco — não tinha outra saída.

_Moço, onde tem um telefone público, preciso fazer uma ligação.

_Não tem telefone público por aqui, cara.

As lágrimas ameaçaram cair.

_Olha, eu estou perdido — expliquei — Meu celular tá sem bateria — mostrei o aparelho morto para ele — Será que eu não posso fazer uma ligação do seu? Por favor?

Acho que o cara se compadeceu da minha história ou talvez tenha sido a minha cara de cachorrinho pidão.

_Toma — me estendeu o celular dele e eu digitei o número de casa.

Claude atendeu no primeiro toque.

_Alô? — sua voz estava nervosa.

_Claude?

_Alois??? Onde você está?

_Aconteceu umas coisas… — não consegui terminar, Claude me interrompeu.

_O que aconteceu???? Você está bem??? O que foi?????

_Eu...eu estou perdido. Tem como você vir me buscar? — falei envergonhado.

_Cadê o Andrew? Ele está com você? — a voz dele mostrava raiva agora.

_Não. Eu não quero falar nisso. Você pode vir?

_Onde você está?

Afastei o celular da orelha e perguntei o endereço para o rapaz, ele me passou e eu retransmiti.

_Estou indo.

Claude desligou a ligação e eu entreguei o aparelho para o rapaz.

_Obrigado — abri um sorriso de agradecimento e ele corou.

_Eu estou fechando a loja.

_Tudo bem, eu espero na calçada. Logo, vão vir me buscar.

O rapaz terminou de fechar a loja e ainda ficou vários minutos aguardando comigo na calçada, falou que aquela região era meio violenta e que era perigoso eu ficar sozinho.

Depois de um tempo vi o carro do Claude encostando no meio fio.

Agradeci o rapaz pela companhia e ofereci carona até a casa dele, Claude não ia se importar de levá-lo caso soubesse que o cara ficou me fazendo companhia. Mas ele falou que morava perto e se despediu.

Entre no carro e o Claude estava com cara de poucos amigos, mas eu percebia que era mais preocupação do que qualquer coisa.

_O que aconteceu? — perguntou assim que eu fechei a porta.

_Não quero falar.

_Cadê ele?

_Ficou na festa.

_E o seu dinheiro?

_Acho que perdi.

_Eu tentei te ligar várias vezes.

_Meu celular descarregou.

Depois do breve interrogatório o silêncio se instalou.

Chegamos em casa e eu fui direto para o banheiro tomar outro banho, depois me enfiei na cama só de boxer.



***

Olhei o relógio: 3:20 da manhã. Já tinha rolado para todos os lados da cama e não conseguia dormir de jeito nenhum.

As lembranças do Andrew não saíam da minha cabeça. Talvez eu nunca devesse ter dado abertura para ele, talvez eu tenha deixado a coisa avançar demais. Eu não queria perder o amigo mas não sabia como iria ficar a nossa amizade depois de hoje. Fora que eu estava preocupado com ele, quer dizer, eu o havia deixado bêbado e sozinho na festa. Mas o que eu poderia ter feito???

Eu não ia conseguir dormir de jeito nenhum.

Fora que eu estava morrendo de fome.

Pulei da cama e fui até a cozinha, abri os armário e não achei nada gostoso. Então me lembrei de um pote de creme de chocolate na geladeira.

Peguei uma colher e o pote e fui para a sala. Liguei a TV bem baixinho para não acordar o Claude e comecei a comer o doce. Nada como chocolate para acalmar.

Amo chocolate!

Estava uma madrugada fresca mas o apartamento estava todo fechado então dentro estava quentinho, tanto que eu nem senti frio mesmo estando só de boxer no sofá da sala.

_Noite ruim?

Olhei para o lado e lá estava o Claude.

Estava despenteado e o cabelo repicado emoldurava bem o seu rosto, não estava de óculos e usava uma camiseta branca muito velha e meio transparente e um shorts.

_É. Pode-se dizer que sim — falei e ele se sentou ao meu lado no sofá.

_Quer falar o que houve?

_Acho que não — comi mais um pouco do creme.

_Algo a ver com o Andrew?

Concordei com a cabeça e peguei mais uma porção mas antes que eu comesse, Claude abriu a boca, pedindo a porção. Enfiei a colher na boca dele e ele a comeu, peguei mais um pouco e comi da mesma colher.

_Brigamos — falei simplesmente, sem querer avançar no assunto.

_Depois vocês fazem as pazes — Claude falou e abriu a boca mais uma vez. Coloquei mais uma porção na boca dele e outra na minha.

_Acho que dessa vez não.

Claude tomou a colher da minha mão e a encheu enfiando na boca.

_Ei — reclamei brincando.

Ele riu e pegou mais, levou à minha boca mas não a pôs direito, um pouco escorreu pelo lado, sujando meu queixo e bochecha.

Claude então limpou com os dedos e lambeu-os. Olhei para ele, nossos olhos se encontraram e eu não sei bem o que aconteceu.

De repente Claude estava me beijando, nossos lábios se encontraram e se encaixaram com perfeição e o que se seguiu foi um beijo impetuoso, um beijo com gosto de chocolate. O pote ameaçou virar e Claude o colocou no chão sem nem mesmo parar de me beijar.

Então começou a me deitar suavemente no sofá e veio por cima, me cobrindo com o seu corpo.

Tocou o meu rosto, segurando-o e intensificou o beijo. A língua entrou na minha boca e dançou na minha. Ofeguei e o abracei, meus dedos se afundaram no seu cabelo e ele desceu uma das mãos pela lateral do meu corpo, parando no meu quadril.

Claude então desceu a boca para o meu pescoço, beijando e mordiscando. Me senti esquentar, a língua dele acariciava a minha pele me fazendo arrepiar. Meu membro começou a endurecer. Era incrível como o meu corpo reagia rápidos aos toques do Claude. Eu estava derretendo nos braços dele e ele sabia disso. Pressionou a minha ereção contra a sua coxa.

_Alois — ele gemeu.

Claude gemeu o meu nome ! E eu não conseguia ficar mais duro do que já estava. Comecei a mover o meu quadril contra a coxa de Claude que estava entre as minhas, roçando a minha ereção ali, tentando algum tipo de alívio mas tudo o que eu conseguia era ficar mais e mais excitado.

Claude continuava atacando o meu pescoço, as mãos percorrendo o meu tórax, descendo para as minhas coxas, apertando, apalpando...As mãos dele eram grandes e quentes e eu adorava o seu toque.

Puxei ele para mim e beijei-o novamente. Claude me beijava de um jeito ainda mais gostoso e intenso do que da nossa primeira vez. Ele me beijava como se a minha boca fosse algum doce maravilhoso que ele tivesse que provar lenta e calmamente.

Eu estava muito excitado e percebi que ele também, seus olhos dourados estavam escuros de desejo e me olhavam de um jeito que eu me senti corar.

Então Claude se afastou. Senti meu coração se apertar.

“Mais uma vez ele vai fugir?”

Mas então Claude pegou o pote que ainda tinha metade do creme e inclinou sobre meu peito.

“Não acredito que ele vai fazer isso”.

Mas sim, ele fez.

Derramou uma generosa quantidade do chocolate cremoso no meu peito e nos meus mamilos.

Olhei para ele e seus olhos estavam tão intensos, mordi meu lábio inferior. Claude sorriu e começou a lamber meu peito, sorvendo o chocolate com grandes lambidas.

Fechei meus olhos, rolando-os nas órbitas. Aquilo era ótimo e ficou melhor ainda quando ele começou a lamber os meus mamilos, a língua áspera passando várias vezes na pele sensível dos mamilos, eriçando-os para depois serem sugados por aquela boca úmida. Arqueei as costas e puxei os cabelos do Claude.

Nunca tinha sentido tanto prazer na minha vida.

_Aahhhh Claude — o gemido saiu mais alto do que eu imaginei.

Senti Claude rindo baixinho e continuando a trabalhar com a língua agora sobre o meu abdome. As mãos dele também não paravam, apalpando e explorando o meu corpo que já devia estar à cinquenta graus celsius.

Eu achei que fosse queimar de tão quente que eu estava. Claude subiu e me beijou, a boca dele estava melada de chocolate. Beijei-o com volúpia porque eu já não me aguentava de tanto tesão.

Claude voltou a pegar o pote e derramou mais na minha barriga. Lambeu, sugou e mordiscou minha pele toda até que eu estivesse meio enlouquecido. Então começou a massagear o meu membro.

_Claude… — gemi, fechando os olhos e segurando pelos braços.

_Você é lindo demais, Alois. Não pensei que você pudesse ficar mais lindo do que é mas… olhe você agora… — Claude sussurrou. A respiração dele batia contra a minha pele do baixo ventre e era como fogo líquido.

_HHhhhmmm — gemi e ergui o meu quadril quando ele começou a tirar a minha boxer.

Claude puxou a peça, deslizando-a pelas minhas pernas e a jogou em algum lugar. Então envolveu o meu membro com a mão e começou a me masturbar.

_AAAAAHHHH AHA HAA — gemi alto e quase gozei mas ele percebeu isso e diminuiu a velocidade.

_Está tão sensível assim, Alois? — perguntou, a voz baixa e grave vibrando nos meus tímpanos e me excitando ainda mais.

Apenas assenti com a cabeça.

Meu membro então foi coberto por mais chocolate e eu comecei a tremer de antecipação pelo que Claude ia fazer.

E quando a boca dele, quente e molhada, envolveu o meu pênis eu quase gritei de prazer. Agarrei seus cabelos com uma mão e com a outra apertei o tecido do sofá, achei que se não me segurasse em algo que cairia, me perderia no prazer que aquela boca estava me proporcionando.

Eu nunca tinha sido chupado e a sensação era magnífica. Claude fazia movimentos com a cabeça — subindo e descendo — a língua escovando a mucosa sensível do meu pênis, retirando todo o doce e me levando à loucura.

_Claudeee aaahh nhhhggg — gemi quase gritando.

Mas Claude continuou, lambendo e sugando.

Então empurrou minhas coxas para cima, erguendo o meu traseiro e sugou a minha entrada.

_AAAHHHH — gemi e ele gemeu junto.

Acariciou o local com a ponta dos dedos, massageando em pequenos círculos a minha entrada e eu nunca quis tanto ser penetrado quanto naquela hora.

_Claude...eu… — não consegui terminar a frase.

Claude sujou os dedos no chocolate e lambuzou fartamente a minha entrada. Então sorriu para mim e sorveu cada porçãozinha do chocolate. Segurei o meu pênis e comecei a me masturbar. Eu suava, tremia e me contorcia sob a língua do Claude trabalhando no meu músculo e então, quando ele entrou com um dedo, eu gozei. Sujei meu abdome com o sêmen e senti meu corpo amolecer naquele cansaço pós-orgasmo.

Ele percebeu o que tinha acontecido, sorriu provocante para mim e lambeu o meu gozo, me deixando completamente limpo, seus dedos não pararam de me penetrar e em poucos minutos eu estava duro novamente.

Então ele retirou os dedos e baixou o próprio shorts. O membro dele pulou para fora e eu o segurei — duro, quente e macio — manipulei-o um pouco com Claude ali: ajoelhado entre as minhas pernas flexionadas, ele apoiou as mãos nos meus joelhos e jogou a cabeça para trás.

_HHHMMnngg — gemeu rouco e moveu o quadril contra a minha mão.

O membro dele despejava pré-gozo que sujou os meus dedos. Levei-os à boca e os lambi, sentindo pelo menos um pouco do gosto do Claude mas quando fiz menção de me levantar para chupa-lo ele me impediu.

Empurrou meu ombro de volta para o sofá e deitou-se sobre mim. Tomou a minha boca num beijo faminto e encaixou a ponta do pênis na minha entrada, eu a contraí e ele empurrou.

_AAHAHHHH — gememos juntos enquanto ele deslizava com algum esforço dentro de mim e quando chegou ao fim e mesmo assim Claude o empurrou mais, forçando-o todo para dentro eu gemi mais alto e arqueei as costas.

_Alois … — Claude sussurrou no meu ouvido e começou a se mover lentamente.

Eu me sentia pleno mas não vou dizer que não doía um pouco. Porém o prazer era tão grande que nada mais importava. Comecei a me mover também, rebolando no pênis de Claude e ele começou a gemer alto.

Os efeitos dos gemidos de Claude sobre mim seriam como jogar gasolina numa fogueira. Me incendiavam de uma maneira que não tem como se descrever em palavras.

Ele então me segurou pela cintura e aumentou o ritmo, estocando forte e profundo. Envolvi sua cintura com as pernas e o abracei, minhas mãos moviam-se nas suas costas, acariciando e quando alguma estocada era mais profunda e tocava a minha próstata, invariavelmente eu o arranhava, então ele gemia gostoso e estocava mais forte.

_HHaaa ahah...Claude… mais… — choraminguei e ele me beijou com desejo.

Correspondi o beijo do mesmo jeito e comecei a beijar seu pescoço, deslizando a língua e mordiscando. Percebi que ele também se arrepiou. Subi lambendo o seu pescoço e suguei o lóbulo da orelha, então contorcei todo o desenho da orelha com a língua. Claude gemia ainda mais e seu quadril conseguiu imprimir um ritmo alucinante contra o meu traseiro.

A sensação era tão incrível que eu senti quase perdendo a consciência.

_Está tão gostoso, Claude — sussurrei no seu ouvido, entre uma lambida e outra — Eu quero mais…

Claude mordeu a junção do meu pescoço com o meu ombro, afundou os dedos na minha cintura e conseguiu ainda mais.

Seu pênis golpeava minha entrada em movimentos curtos, rápidos, bruscos e profundos. Acertando em cheio a minha próstata. Meu próprio pênis pulsava e então numa sequência enlouquecedora, eu gozei fartamente, pela segunda vez.

Não foi um orgasmo bonito na minha opinião, eu o arranhei, me contorci, gritei e choraminguei, tudo ao mesmo tempo, minha entrada se contraiu várias vezes e senti os jatos do gozo de Claude me inundarem.

Quando consegui abrir os olhos, depois de vários minutos em que os espasmos ainda sacudiam o meu corpo, Claude estava sorrindo. Um sorriso apaixonado que fez meu coração pular feito doido dentro do peito.

“Finalmente ele não fugiu” — pensei desafiadoramente mas não falei nada.

Claude ainda me beijou várias vezes antes de sair de mim.

Olhamos um para o outro.

_Posso considerar que você vai me dar outra chance? — falou sorrindo e passando a mão na minha testa, tirando meu cabelo molhado de suor.

_Não — falei simplesmente e me levantei.

Tentei ignorar a fisgada no quadril.

_O quê?

_Ainda estou pensando — falei sério — Mas...isso que aconteceu aqui conta pontos à favor.

Sorri e pisquei um olho para ele.

Na verdade eu queria rir, porque a cara que o Claude fez foi hilária. Por certo ele tinha certeza que eu iria aceitar na hora.

“Deixa ele ficar inseguro” — pensei divertido e me enfiei no banheiro. Estava todo melado e precisava de mais um banho.

Eu não previa fazer sexo com o Claude, não achei que isso fosse acontecer agora. Mas como resistir à um cara lindo e gostoso, como o Claude, me cobrindo de chocolate e depois me lambendo?

Liguei o chuveiro e me enfiei debaixo. Antes de fechar a porta do box vi o trinco do banheiro se mover, ainda bem que eu tinha trancado.

Nós ainda teríamos muito tempo para tomarmos banho juntos.



Notas finais
Gostaram??? Beijos