Você quer ser meu?

24 Uma comemoração de boas vindas e um flagra


Notas iniciais
Oiee minha gente boa, tudo sussa com vocês? Tia Black rose ressurge das cinzas dando risada de papai noel ~Hohoho~ Primeiro de tudo: BEIJOOOOOOOO PRA 007 PELA RECOMENDAÇÃO LINDA . TE ADORO, AMORE ♥ ♥ Então gente, como vocês estão? Fim do ano chegando... Natal já tá gritando logo ali... eu não comprei nada e de quebra ainda tô com uma gripe do capeta, e nem é um capeta bonito que nem o Sebby ou o Claude. Mas né, é aquele ditado "Fazer o quê?" Esse ano foi doido na minha vida, virou dos avessos e desvirou umas 500X . Eu espero que 2017 seja melhor... Ahhh... Eu tenho que fazer algumas declarações aqui * Virei kpoper (muito nas coxas, mas virei) * Me viciei em fics Chanbaek ( oh god... elas são boas demais) * Tô morrendo com Yuri on ice (Victuri ♥ ♥ ♥) * Vendi minha alma pro capeta e comprei ingressos pro show do BTS (tchu tchu tchu) * Tô com uma fanfic de aniversário do Ciel quase finalizada mas como não terminei a tempo, nem sei se vou postar E... será que alguém tá lendo isso? Não sei *w* De qualquer modo, capítulo pronto. E o próximo tá quase pronto também. Boa leitura, amores

POV Alois

Caímos enroscados, com o Claude por cima de mim, ofeguei sentindo peso do corpo dele sobre o meu. Ele me beijava tão gostoso! Foi um beijo apressado, cheio de desejo, a língua explorava minha boca, exigindo do meu fôlego e eu correspondi no mesmo ímpeto, gemendo baixo pela intensidade do beijo. Enrolei meus braços no pescoço do Claude e o puxei ainda mais para mim, afastei minhas pernas abertas, dando espaço para o cara que me beijava de modo tão voraz. As mãos de Claude me pegavam com força, me apertando, puxando as alças delicadas do sutiã para marcar minha pele dos ombros com mordidas que seriam dolorosas se eu não estivesse tão excitado e gemendo de forma tão vergonhosamente alta.

Os vizinhos com certeza estavam ouvindo nossos gemidos e isso seria um problema se eu me importasse com a opinião alheia, o que não era o caso. Não quando eu finalmente tinha Claude me tocando daquele jeito, me marcando daquele jeito possessivo que me fazia ofegar querendo mais.

— Ahhhh….Claude...vai estragar a seda assim… — reclamei manhoso, só para fazer charme, enquanto o maior tentava tirar sem sucesso o meu sutiã. Na verdade, ele podia rasgar as peças e entrar em mim de uma vez.

—Dane-se…- resmungou desistindo da idéia de me despir e me supreendendo ao ouvir um cara todo certinho como o Claude usar esse termo.

“O que um sexo por telefone não faz, né?” — pensei comigo mesmo, sorrindo. Passeando com as mãos pelos ombros fortes do Claude, sentindo como a pele estava quente por baixo da camisa. Não resisti e enrosquei meus dedos nos seus cabelos, puxando de leve.

Claude não parou, começou a atacar meu peito, dando beijos por todo lugar e eu gemi alto quando senti a língua úmida e quente passar sobre meus mamilos por cima da renda. Arqueei minha coluna, sentindo o prazer crescer em mim, meus mamilos se enrijeceram na mesma hora e eu puxei mais forte o cabelo do Claude, ganhando em resposta uma mordida fraca no direito. Gemi mais.

Meu membro pulsava, rígido e úmido dentro da calcinha minúscula que já não comportava mais a ereção. Esse fato não passou desapercebido por ele que ergueu a cabeça

—Parece que alguém está meio duro… — murmurou, com um sorriso endiabrado naquele rosto lindo.

Ofeguei em resposta, sentindo ele pressionar minha ereção na palma da mão, rebolei um pouco, querendo mais contato e Claude gemeu, mordiscando minha barriga. Então ele foi descendo, tirando a calcinha, me enchendo de beijos e mordidas pelas coxas e cada vez mais eu gemia e me excitava. Ele afastou minhas pernas e me olhou de um jeito que eu estremeci e me arrepiei por completo. Me ergui e segurei na camisa dele, puxando e estourando os botões, arranhei o peito, colando nossos corpos. Ele voltou a cair sobre mim, nossos lábios se encontraram com violência num beijo afoito, arrastei as unhas pelas costas dele, movendo meu quadril de encontro ao dele numa fricção que estava me enlouquecendo.

Não sei exatamente quando ele conseguiu abrir a calça e se encaixar em mim, só senti quando ele me penetrou, me arrancando um grito de dor e prazer, ele não havia me preparado.

—Alois… — murmurou parando na metade, provavelmente se dando conta do que havia feito, mas eu estava excitado demais e a dor que estava sentindo só me deixava querendo ainda mais, travei as pernas ao redor do quadril do Claude e o puxei para mim.

—Vem, Claude. Quero sentir você fundo dentro de mim — gemi já meio enlouquecido e gritei novamente quando ele atendeu ao meu pedido, sentia o membro dele me preenchendo completamente, quente, duro, tão profundo… Rebolei um pouco, acomodando melhor e ofeguei.

Claude entendeu o que eu queria e começou a estocar, quase não me dando tempo para me acostumar. O que se seguiu foi uma mistura dos nossos gemidos, nossos corpos se encostando, se roçando de um jeito tão gostoso, a cada estocada eu gemia mais alto, jogando meu quadril de encontro ao dele. Eu já não estava mais em mim, gemia e me enroscava mais nele, querendo sempre mais, beijando o pescoço e os ombros, puxando os cabelos negros e rebolando, intensificando ainda mais a violência das estocadas profundas.

Éramos uma bagunça naquela cama, ambos ainda meio vestidos, suados, nos agarrando à esmo, ao sabor do desejo e prazer que nos consumia, as mãos dele me apertavam com desejo, arranhavam e puxavam mais ainda, fazendo nossos corpos se chocarem ruidosamente e quando o orgasmo nos atingiu, ao mesmo tempo, foi como uma avalanche que me soterrou. Por alguns segundos me senti leve, a mente nublada na explosão de prazer, suspirei, abrindo os olhos momentos depois e olhando o Claude que me encarava com um leve sorriso no rosto. Meu corpo estremecia ainda e contraí minha entrada, apertando o membro do Claude ainda dentro de mim. Não queria que ele saísse, queria continuar e deixá-lo duro novamente para fazer tudo novamente, na mesma intensidade ou ainda mais duramente, gemi quando ele se retirou de mim e me disse algo porém já não consegui captar as palavras, acabei adormecendo quase instantaneamente.

Quando acordei, horas depois, pensei ainda estar dormindo, num dos meus sonhos mais gostosos. Estava com a cabeça sobre o peito nu do Claude, a mão quente dele pousada na minha cintura, com o braço envolvendo minhas costas protetoramente. Dei um sorriso e me encolhi, cheirando a pele branca, só isso já foi suficiente para me fazer arrepiar. Por muito tempo eu aproveitava quando ele estava trabalhando e a parte do serviço de casa ficava nas minhas mãos, para cheirar as camisas dele na hora de pôr na lavadora. Pensar que agora eu poderia sentir aquele cheiro diretamente da fonte me excitava e fazia uma revoada de borboletas voarem no meu estômago.

Finalmente Claude acordou e passou a mão no rosto, acredito que tentando espantar o sono. Dei um sorriso olhando pra ele e como ficava lindo quando estava com o cabelo daquele jeito, todo meio despenteado, então me encarou e ele sorriu. Meu coração disparou no peito, ele não me rejeitou nem vi no rosto dele aquela expressão de culpa e arrependimento. Claude estava feliz por me ter nos braços. Fiquei tão feliz que acabei por fazer um barulhinho parecido com ronronar e ele me apertou.
— Ainda estou com sono — murmurou sonolento. Óbvio que ele estava cansado, havia enfrentado um simpósio, viagem e mal chegou nós caímos na cama e não tinha sido pra dormir.
Na verdade eu também estava cansado e com sono.

—Eu também, vamos dormir mais um pouquinho — murmurei manhoso, me aninhando nos braços do Claude que me apertou e ergueu meu rosto dando um beijo calmo nos meus lábios.

Ainda durante a noite, acordamos novamente, na verdade eu fui acordado pela boca do Claude no meu pescoço, beijando devagar, numa tentativa infrutífera de não me acordar. Dei um sorriso feliz, sem nem abrir meus olhos e me enrosquei mais no Claude.
—Não queria te acordar… — ele murmurou contra meu pescoço, me fazendo arrepiar, passando as mãos pela curva da minha cintura e apertou.
—Mas acordou… acha que eu não ia acordar com os beijos do meu príncipe encantado? — brinquei, deslizando as unhas pelas costas nuas dele. Claude apenas riu baixo e continuou a trilhar meu pescoço com os beijos meio molhados, me fazendo arrepiar.

Envolvi a cintura dele com minha perna e o puxei querendo ele em cima de mim, o que ele veio sem nem eu precisar verbalizar, ondulei meu quadril, rebolando devagar de encontro ao membro semi-ereto, gemendo baixinho. Aquilo era muito bom, mas eu queria mais. Arranhei novamente as costas do Claude, e subi a mão até a nuca, agarrei o cabelo dele, puxando para mim com firmeza, pressionei meu pescoço contra os lábios dele.

—Morde — mandei ofegando. Eu queria muito ser marcado por ele. Claude fez algum barulho semelhante a um grunhido e mordeu. Gemi alto, expondo mais o pescoço.

—De novo, Claude…mais forte... — pedi novamente, gemendo arrastado agora. Meu corpo entrando em combustão.

O gemido que saiu dos meus lábios quando ele mordeu forte, do jeito que eu queria, com a força que eu precisava, pareceu incendiar ele também. Senti a ereção crescer e bater nas minhas nádegas e dessa vez o empurrei na cama, num impulso subi no colo dele, apoiando as mãos sobre o peito e tentando sentar sobre o membro ereto, rebolando tentando encaixá-lo em mim. Mas não consegui, gemi frustrado e então Claude se levantou, ficando sentado. Com uma mão afastou minha nádega e segurou o próprio membro, encaixando. Gemi de prazer e abaixei meu rosto, conforme sentava nele, e então minha boca foi capturada pelos lábios exigentes do Claude que iniciou um beijo delicioso. E então recomeçamos tudo novamente.



*****

Quando acordei novamente, já de manhã, estava sozinho na cama, me espreguicei feliz, fazia tempo que não me sentia tão bem, poderia parecer clichê, e talvez fosse, mas a verdade era que eu agora acreditava que o amor realmente fazia bem para o humor da gente. Queria sentir esse novo ar de romance, agora Claude não iria escapar mais!

Respirei fundo e me engasguei miseravelmente, abri meus olhos assustado, tossindo feito um doido e então percebi que o quarto estava tomado pela fumaça, não era uma fumaça pesada daquelas que não dá para ver nada, mas ela estava lá: uma fumaça branca que pairava sobre a cama e o cheiro de comida queimada. Ouvi Claude praguejando na cozinha e pulei da cama, gemi, dessa vez de dor: Claude tinha exigido demais do meu corpo. Embora eu não me arrependesse nem por um minuto.

“Ele está tentando cozinhar de novo?” — pensei amedrontado, ele continuava sem saber cozinhar e quando conseguia, era algo triste de se comer. Cheguei na cozinha em segundos e vi Claude de samba-canção verde escura e pequenos losangos bege, o avental branco de babados cobria só metade do peito e muito pouco das coxas, já que era do meu tamanho e portanto, pequeno demais pra um homem de cerca de um metro e noventa de altura.

Estava concentrado na briga que travava com a frigideira e algo preto que estava teimosamente grudado na panela, apesar dela ter revestimento anti-aderente.

— O que você está fazendo? — perguntei da porta, pegando um pano de copa e agitando no ar, tentando mandar um pouco daquela fumaça toda pra longe conforme eu me aproximava e via ele dar um pulo de susto pela minha presença.

—Ah… você já acordou? Eu queria fazer uma surpresa… — lamentou ainda com a frigideira numa mão e a espátula azul claro na outra. Tomei a espátula e a frigideira das mãos dele.
— E fez. Quase morro sufocado! — brinquei e joguei tudo dentro da pia, ligando a água e levantando mais uma nuvem de vapor e fumaça. — Abra a janela, Claude, ou a fumaça não vai sair de jeito nenhum e a gente vai morrer aqui!
Ele correu para me obedecer, abrindo a janela lavanderia que ficava conjugada com a cozinha. O vento fresco entrou em lufadas e a fumaça foi se dissipando, permitindo que nós respirássemos melhor.
Claude se mantinha ao meu lado com cara de cachorro que quebrou o vaso de planta.
—Não sei o que aconteceu… — comentou desgostoso.

—Você deve ter mantido o fogo alto, panquecas são rápidas, um descuido e elas queimam — falei jogando um pouco de detergente na frigideira dentro da cuba da pia, ela talvez só tivesse salvação se ficasse um tempo de molho. Estava distraído vendo o produto cair na água que jorrava da torneira e formar uma nuvem de espuma quando sinto os braços do Claude me rodearem por trás, logo depois senti sua respiração na nuca, fazendo todos os pelinhos se arrepiarem.
—Podemos comer fora… ir naquela padaria que você gosta tanto — falou baixo perto do meu ouvido, me fazendo estremecer. Vamos combinar né? Um homem como Claude, sussurrando no pé de ouvido, falando de comida? É demais para qualquer um. Me virei imediatamente para ele, enlaçando o pescoço e sorrindo.
—Eu ia adorar — respondi, enroscando os dedos pelos fios negros e repicados. Já estava meio tarde para um café da manhã mas o brunch naquela padaria era servido até perto do meio dia.

Claude sorriu para mim e inclinou o rosto, pronto para encaixar os lábios nos meus, só isso já bastava para eu sentir uma revoada de borboletas no estômago. Rocei meus lábios nos dele, acariciando com a ponta da língua, do mesmo jeito que eu sempre quis fazer e tudo melhorou quando o senti ofegar. Claude apertou minha cintura e me ergueu, me colocando sentado sobre a pia molhada. Dei um gritinho fino quando senti minha bunda ser molhada pela água fria da superfície de mármore, mas mesmo assim, o abracei pelo pescoço, inclinando o rosto para beijá-lo, já me sentia esquentar e enrosquei minhas pernas no quadril dele, puxando mais pra perto e então quando estava quase o beijando, olhei por cima do ombro do Claude, dando bem de cara com o calendário com o dia circulado por uma estrela dourada, estreitei meus olhos, era o dia da festa do Claude e puxei o ar, me dando conta de que era hoje o dia.
—Claude…- falei com a voz um pouco alarmada, ele teria que estar na editora cedo, para os últimos acertos e depois teria que voltar para se arrumar. Mas nem sequer deu tempo para eu concluir meu pensamento: o telefone tocou na mesma hora. Empurrei os ombros do Claude, tentando afastá-lo e descer da pia.

—Deixe tocar… temos um assunto não resolvido — Claude murmurou e eu quase morri quando senti ele pressionar o quadril contra o meu, sentindo a ereção dele que se destacava fazendo um montinho frontal no avental de babado, deslizar sobre meu membro.
—Ahhnn…Claude… pode ser importante… — murmurei manhoso, o provocando, movendo meu quadril num rebolado lento, o incitando a se esfregar também em mim. O telefone continuou tocando mas agora o toque me pareceu menos irritante, talvez porque Claude houvesse colado nossos corpos.

—Nada é mais importante do que isso… — sussurrou no meu ouvido e mordiscou o lóbulo da minha orelha e eu gemi bem baixinho, corri as mãos pelas costas dele, deixando linhas suaves dos arranhões que deixei e puxei a ponta da faixa do avental, fazendo ele se abrir. Estava pronto para tirar aquela peça quando a ligação caiu na secretária eletrônica.

>>— Alô? Alois? Claude? Que saco! Caiu na secretária eletrônica! Claude, hoje é o dia do baile da editora, caso você tenha esquecido. Temos a reunião final, lembra? Portanto, eu estou indo para aí agora, trate de levantar e se trocar, você está mega atrasado e eu tomei uma bronca do diretor por sua culpa!!! Daqui a dez minutos, Claude! DEZ MINUTOS!!!

Era a voz do Daniel, e pelo tom, parecia muito puto da vida. Claude olhou nos meus olhos meio assustado mas continuou abraçado a mim.
A campainha tocou e logo ouvimos o barulho da chave girando na porta.

“Como assim? Chave na porta? Cadê os dez minutos ?” — pensei arregalando os olhos.

—Rápido, Claude! — falei baixo mas urgente, o empurrando para que saísse da frente mas não deu tempo.

—AAAIIII, que horroor!!! — Daniel gritou parando de supetão na porta da cozinha, tomado pelo susto, tinha até levado a mão ao peito

Eu dei um grito breve de susto também, pegando o pano de copa e cobrindo meu peito como uma donzela que não sou. Claude se mantinha paralisado, olhando para o editor que estava se abanando com a mão.

— Gente! Que isso?! Na pia da cozinha? Existe quarto pra essas coisas… -falou se recompondo e ajeitando o blazer na cintura.
— Vou te esperar no carro, Claude. É sério: dez minutos e nada mais — falou, desviando os olhos — E que bunda bonitinha, Claude. Nunca pensei que tivesse uma assim. Aproveite qualquer dia desses, Alois. — deu uma piscadinha para mim e saiu com um sorrizinho torto e malicioso nos lábios.

Eu nem sabia onde me enfiar de tanta vergonha e quando ele falou isso, fiquei mais roxo ainda, nem respirar eu conseguia mas olhei para a cara do Claude e não consegui me segurar: caí na gargalhada. Ele estava mais envergonhado do que eu.

—Não ria! Ele nos pegou no flagra! — falou envergonhado.

Dei uma risada baixa, conseguindo me recuperar do susto e claro, da vergonha enorme, meu rosto aos poucos parava de queimar tanto e eu acredito que estava voltando à cor normal.

—Pegou mesmo e ainda falou dessa sua bundinha — falei rindo e desci da pia, aproveitando para dar uma apertadinha no traseiro do Claude, ganhando um resmungo em resposta.

O traseiro dele não era grande, mas era bonitinho e dava vontade de apertar mesmo. Estranhamente eu não tive ciúme do Daniel olhando o Claude, acho que porque a relação deles é mais de amigos mesmo e, bem, Daniel é casado, além do que tudo o que já aconteceu no passado do Claude, se fosse para ter rolado algo, já teria rolado.

“Ou será que rolou e eu não estou sabendo?” — pensei desconfiado. Parei no batente da porta.
—Você já teve algo com o Daniel? — perguntei na lata, não sou de ficar de rodeios. Claude olhou para mim de olhos arregalados.

—Claro que não. Que idéia!! — falou ajeitando o cabelo.

—Acho bom mesmo, Claude. Acho bom — fiz um bico e olhei a hora, já havia se passado três minutos.

— Anda, se apresse ou vai ter que enfrentar a fúria do Daniel — brinquei e o empurrei para o banheiro. Indo em seguida para o quarto e vestindo uma camiseta do Claude.

Não havia muito tempo para nada, então Claude apenas tomou uma ducha super rápida e se vestiu. Não tivemos tempo para tomar café da manhã mas eu entreguei um pacotinho de biscoitos de aveia e mel para ele não ir em jejum, enfiei no bolso da jaqueta os remédios da gastrite e a ajeitei nos ombros enquanto ele se inclinava para mim.
—Desculpe por isso, eu volto mais tarde para irmos juntos para a festa, certo? — falou já com a chave de casa na mão. Abracei Claude e fiquei nas pontinhas dos pés, selando nossos lábios mas logo o celular dele tocou, com certeza era o Daniel.

—Vai lá — dei um sorriso pequeno e me sentei no sofá.

—Nos vemos depois — ele sorriu de volta e saiu, fechando a porta lentamente, ainda olhando para mim.

Fiquei assistindo televisão até o estômago reclamar de fome, meu corpo aos poucos se recuperava das dores e eu acabei tendo que levantar. Minhas opções eram frutas ou uma deliciosa barra de chocolate que piscou sedutoramente para mim quando abri o armário. Alguma dúvida do que eu escolhi?

Passei o resto do dia largado no sofá, assistindo séries e comendo o chocolate que, infelizmente, acabou rápido demais. Perto da metade da tarde, a consciência pesou por eu ter comido tudo sozinho num dia de festa, e se saísse um monte de espinhas no meu rosto? O arrependimento pesou e eu fiz uma vitamina de maçã e banana com leite desnatado e o adoçante do Claude. Confesso que me senti mais light depois disso, mesmo que o efeito fosse mais psicológico que qualquer coisa. Liguei para o Andrew e conversamos um pouco e quando finalmente desliguei, já eram sete da noite.

“Onde estava o Claude?” — pensei preocupado.

Liguei para ele e só deu caixa postal, o que me deixou apreensivo. Ele deveria ter chegado em casa bem mais cedo. Para ter tempo de se arrumar direito. A roupa dele permanecia fechada naqueles sacos parecendo de lavanderia, mas ele era todo branco leitoso e eu não pude ver que roupa era. Na verdade, a roupa foi dada pela editora, o mesmo modelo para todos os escritores que participavam do projeto. Suspirei, um pouco tenso. Ele não iria sem mim…

Resolvi ir tomar banho e começar logo a me arrumar, assim quando ele chegasse seria bem mais rápido. Tirei minha roupa ainda no corredor e joguei sobre a minha cama, lindamente intocada, já que eu tinha dormido com o Claude, dei um sorriso ao lembrar da minha noite e corri para o banheiro.

Enchi a banheira e coloquei uns sais de banho perfumados novo que eu havia comprado à pouco, ele prometia perfumar a pele e hidratar. Já estava entrando quando ouço meu celular tocando lá na sala. Saí correndo pelado e atendi.
—Alô? Claude? Onde você está? — perguntei de uma vez só.

Minutos depois desliguei o telefone com um suspiro. A reunião deles havia se estendido muito além da conta, culpa da diretoria que nem sequer pensou que os escritores tinham que irem para casa se arrumar e pegar suas famílias para a festa. Na verdade haviam culpado o Claude, falando que o atraso dele acarretou tudo isso, foi inevitável me sentir culpado por isso mesmo com ele dizendo que não. Pior ainda: ele não viria me buscar, James iria passar e pegar a roupa do Claude que se arrumaria na casa do Daniel, por ser mais perto do salão onde ocorreria a festa. Claro que eu tranquilizei ele, dizendo que estava tudo bem, iria me arrumar e depois iria de táxi até lá. Mas me senti meio desanimado com essa mudança no que estava combinado.

Fiquei assim por alguns minutos, olhando o celular apagado na minha palma. Suspirei mais uma vez e pensei que talvez isso fosse até bom. Eu iria me arrumar melhor ainda e quando Claude me visse iria até se surpreender. Dei um sorrizinho feliz ao pensar na expressão dele, ele nem sabia qual era a minha roupa, o sorriso virou um risinho e eu corri para o banheiro me enfiando na banheira e tomando um banho longo e caprichado. Quando finalmente eu saí, mal deu tempo de vestir o roupão atoalhado e enrolar a toalha na cabeça, a campainha tocou, fui até a porta atender o James e o deixei sentado no sofá; peguei a roupa e o sapato do Claude, junto com uma box limpa e meias, coloquei as peças menores dentro de uma valise, junto com o perfume e itens de higiene pessoal e entreguei pro moreno alto.
—Eles só nos dão trabalho, não é? — falou ao seu despedir, já na porta.
—O Daniel ainda parece que dá menos que o Claude -falei sorrindo, aquilo parecia conversa de esposas vendo os maridos fazerem churrasco no domigo.
—Você é que pensa. Ele só dá um outro tipo de trabalho. Até de noite, Alois — deu uma risada baixa e saiu, me deixando um tanto quanto corado com a insinuação. Fechei a porta, me recompondo e corri para secar o cabelo e modelar ele com pomada do jeito que eu estava pensando.

Depois passei um creme hidratante no corpo de morango. Por que? Simplesmente porque eu acho que morango combina com a língua do Claude e eu pretendia fazer ele ficar doidinho. Ia provocar tanto o Claude nessa festa que não duvido que ele fosse me arrastar para algum banheiro. Dei pulinhos felizes e rolei na cama rindo com as ideias nem um pouco castas que eu tinha em mente.

Já eram quase nove da noite quando finalmente abotoei o último botão do meu colete verde, só faltava o casaco longo e roxo. Me olhei no espelho, gostando do reflexo e me virei para ver a parte de trás, meu traseiro estava bem apertado no short curto preto e talvez fosse algo triste pensar que ele ficaria coberto pelo casaco que cobria até metade das coxas mas de qualquer modo eu não queria que ninguém exceto Claude o visse. Passei os dedos pelos cabelos, eles estavam macios por causa da máscara nova de hidratação e pareciam um pouco mais claros.

Me sentei na cama e coloquei as meias ⅞ , calçando as botas de cordão em seguida. Já havia chamado o táxi, logo iria chegar. Dei a última olhada no espelho.

“Está faltando algo….” — murmurei analisando meu reflexo e então uma ideia surgiu na minha mente:

“É uma festa à fantasia, então não tem problema usar um pouco de maquiagem…” — pensei olhando para meu guarda-roupa onde eu guardava alguns item, raramente usados. Fui até lá e pesquei a caixa azul marinho do fundo do móvel, abri em cima da cama e peguei a máscara de cílios, meus cílios já eram longos e escuros mas não custava nada realçar mais um pouco. Passei algumas camadas até que eles estivem emoldurando meu olhar de um jeito impossível de não perceber, mas nada tão absurdo como algumas garotas da escola. Peguei um brilho labial rosado, também sabor morango e passei uma fina camada. Assim que guardei tudo na caixa, o interfone tocou: o taxista estava me esperando.

Fechei o apartamento e desci pelos elevadores, cumprimentei o porteiro que me olhou estranho, com toda certeza pela roupa diferente e entrei no carro. Dei o endereço para o motorista e troquei poucas palavras com o mesmo, logo depois coloquei meus fones de ouvido e selecionei uma música, seguindo a batida com a cabeça.



POV Claude



Decididamente aquele não era o meu dia. Minha tentativa de fazer um café da manhã romântico e caprichado para o Alois tinha ido por água abaixo quando eu quase incendiei a cozinha, depois pensei realmente em compensar a falta de comida com um sexo gostoso, já que tinha mandado o bom senso para o quinto dos infernos, melhor seria aproveitar. Mas então o que me acontece?

Eu esqueço que hoje era o bendito dia da festa e que eu teria ainda uma reunião na editora. Reunião essa completamente inútil, diga-se de passagem, já que seria apenas para nós treinarmos nossas apresentações. Ora, nós como escritores, já sabíamos o que íamos falar. Não precisava ficar treinando como alunos do sexto ano para não gaguejar na hora do seminário.

Mas não teve jeito, tive que ir. E para coroar tudo, Daniel me deu o maior flagra. Nada podia dar mais errado. Então a vida provou que eu estava redondamente errado e sempre tem um jeitinho de piorar. O editor sênior, vice presidente da editora era quem ia dar a reunião. Engoli em seco, ele odiava atrasos. Entrei meio travado na sala de reunião e Daniel me olhou torto.
—Agora entende porque eu fui te buscar? — murmurou enquanto nos sentávamos nas poltronas estofadas em torno da longa mesa retangular de cerejeira.
—Obrigado — murmurei de volta e ajeitei meus óculos no rosto.

—Tudo bem, só a visão da sua bundinha já me pagou o transtorno. — Daniel falou sorrindo e eu corei até o último fio de cabelo. Eu sabia que aquilo era brincadeira e não uma cantada de verdade mas lembrar a situação embaraçosa que ele havia presenciado era vergonhoso.

—Pare de falar isso, Daniel!! — exclamei, fechando a cara e ele riu.

A reunião se estendeu por horas a fio, eu já nem aguentava mais ficar naquela cadeira, ouvindo mais do mesmo, todas as últimas reuniões que tive, giraram em torno do lançamento dos novos livros.

Mal comi no almoço, nem ao menos tive tempo de ligar para o Alois e saber como ele estava. E quando achei que finalmente estava livre, iria poder ir para casa para me arrumar e pegar o Alois vem a última bomba: nós, escritores, teríamos que estar antes de qualquer convidado na festa para recepcioná-los.

Olhei em pânico para o Daniel. Não ia dar tempo, eu nem ao menos tinha vindo de carro.

—Calma! Eu vou ligar para o James. Ele vai buscar a sua roupa e você se troca em casa.

—Mas e o Alois? Eu tenho que ir buscar o Alois. — falei, calculando se daria para eu pegar um táxi e ainda chegar à tempo sem o vice-presidente da editora pedir minha cabeça como prêmio.

—Não vai dar. Ele pode vir depois de táxi.

Eu ainda argumentei mas não teve jeito e no final das contas, Daniel estava certo, se eu insistisse iria fatalmente chegar atrasado, de novo. Terminei ligando para o Alois, explicando toda a situação. Percebi que a voz dele estava tristinha embora ele tentasse disfarçar e não tiro a razão dele.

Quando cheguei na casa do Daniel, James já estava lá com minha mala. Fiz um agrado rápido no cachorrinho deles que pulava nas minhas pernas como um canguru e entrei. Daniel me deixou à vontade na suíte dos hóspedes e correu para o próprio quarto para tomar banho e se arrumar.
—Não demore muito, Claude. Estamos bem em cima no horário.

—Eu nunca me atraso — falei quando ele saiu do quarto e ouvi um “Atá” vindo do corredor.

Corri para o banheiro para não dar margem à ele me caluniar sobre meus atrasos.

Notas finais
Eu realmente achei que ia conseguir escrever o raio do baile, mas acabou que ficou grande demais e deixa pro próximo. Já adianto que vai ter um draminha básico, só pra dar uma acelerada nos nossos corações, né? Gente, eu juro que vou revisar tudo e responder todos os comentários. Juro juro. Muitos beijos pra vocês
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.