Você quer ser meu?
7 Uma briga e uma tentação
Notas iniciais
Eu continuava com o bloqueio criativo, os capítulos não saíam de jeito nenhum e quando eu escrevia alguma coisa era algo muito ruim. Estava cansado e estressado, queria muito o meu café mas o Alois, que tinha assumido a cozinha depois de dizer que eu realmente cozinhava muito mal e que se eu não tinha aprendido nesses meses não ia aprender mais, resolveu jogar todo o pó fora. Agora eu teria que me contentar com chá e isso estava me deixando doido.
Fui até a cozinha para ver se encontrava alguma coisa que contivesse cafeína, achei uma garrafa de coca-cola light pela metade, a abri com muito cuidado para que o Alois não ouvisse o gás saindo — ele também não me deixava tomar refrigerante por causa da minha úlcera. Enchi um copo e estava tomando quando ouvi a campainha tocar. Só havia uma pessoa que tinha autorização para sumir sem ser anunciado e eu não queria recebê-lo. Coloquei a cabeça para fora da porta da cozinha mas antes que eu dissesse para o Alois não atender, ele chegou na porta primeiro e a abriu. Voltei para dentro da cozinha e terminei de beber.
_Claude, é para você.
Ele veio até a cozinha me avisar e me pegou tomando o resto da coca.
_Claude!!! — exclamou e tomou o copo da minha mão antes que eu pudesse erguê-lo numa altura que ele não conseguiria pegar, despejou o restinho no ralo da pia e pôs o copo com força no mármore.
Fui para a sala, ainda bravo por ele moleque ficar controlando o que eu posso comer e beber e mais bravo ainda por ter que enfrentar o meu editor que estava parado no meio da sala.
_Oi — falei.
Ele estava de cara fechada.
_Oi? É só o que tem para me falar?
_Boa tarde? — arrisquei.
_Quem é ele, Claude? — Alois me perguntou, estava parado ao meu lado.
_Ah, esse é o Daniel Cliff, é o meu editor. Daniel, esse é o Alois Trancy, é o meu sobrinho.
Eles se cumprimentaram apertando as mãos.
_O que está havendo aqui?
Quem respondeu foi o Daniel.
_O Claude não me responde os e-mails. Fiquei preocupado porque ele andou doente.
_Eu já estou bem.
_Então por que não respondeu os e-mails? Nem o celular?
Eu tinha desligado o aparelho ontem de manhã.
_Porque estou com problemas. Não consigo dar sequência nos capítulos — resolvi falar a verdade.
Alois acompanhava a conversa silenciosamente.
_Podia ter me dito. Me mande o que escreveu, eu só li até o segundo capítulo, não estava ruim.
_Acho que vou deletar tudo — falei desanimado.
_Nem pensar. Não dá tempo de começar tudo de novo. Vamos lá no escritório para você me mostrar.
_Pode ficar aí — falei para ele e mostrei o sofá — Vou trazer o tablet.
_Você quer beber alguma coisa? — ouvi o Alois perguntar para o meu editor enquanto eu me dirigia ao escritório.
Demorei para voltar porque não encontrava o danado do aparelho, eu sou bem organizado com minhas roupas mas todo o resto é uma bagunça. Quando finalmente o achei misturado numa pilha de papéis e voltei para a sala, encontrei o Alois e o Daniel conversando animadamente no sofá. Na mesinha de centro tinha alguns cupcakes que eu não sei onde o Alois tinha conseguido e uma jarra de limonada gelada. Daniel ainda segurava o copo meio cheio e estava sentado de lado, assim como o Alois que estava sentado sobre as pernas no sofá.
_Já viraram amigos, é?
Eles se olharam e riram.
_Já. O senhor Cliff me contava como você é difícil para cumprir o prazos e como fica nervoso com isso.
_Pode me chamar de Daniel, Alois, eu já disse. E ele me dizia como você está neurótico pela falta de café. O médico não havia te proibido?
_Que ótimo! Agora são dois para me policia. — falei exasperado. Não estava bravo de verdade mas aqueles dois pelo jeito não iam me deixar em paz nunca mais.
Me sentei ao lado do Daniel que se ajeitou no sofá e entreguei o tablet já com o arquivo aberto. Ele o pegou e começou a ler.
_Com licença — pediu Alois — vou para o meu quarto — passou por mim e tocou no meu ombro, ergui meu olhar e ele deu uma piscadinha para mim. Balancei minha cabeça em negativa e sorri, tentando ignorar o charminho dele.
Depois de meia hora do mais absoluto silêncio, finalmente o Daniel terminou de ler e pousou o tablet no colo. Ajeitei meus óculos no rosto, sempre fico nervoso quando lêem minhas histórias na minha frente, sinto como se estivesse sendo julgado e na verdade eu estou, Daniel está ali para ver a qualidade da minha obra.
Daniel tirou os óculos de armação azul do rosto e olhou para mim.
_Desde quando começou a escrever romances?
Olhei para ele sem entender.
_Não é um romance. É uma história policial — esclareci.
_É um romance — afirmou — o personagem principal está apaixonado.
Meu personagem principal era um policial, Carl.
_Carl não está apaixonado. Por que você diz isso? Você acha que ele tem algum sentimento pela Helen?
Helen era a vilã que roubava crianças e as vendia para a máfia.
_Não, Claude. O Carl está apaixonado pelo Liam.
“Como ele pode dizer isso???” — eu estava estupefato.
_Imagina??!!? Pelo assistente dele? Sem chance.
_Os dois permanecem todo o tempo juntos. Dividem a mesma casa e cozinham um para o outro e o Carl ficou desesperado quando a Helen sequestrou o Liam. Um desespero típico de quem vê o seu amor correr risco de morte.
Arqueei as sobrancelhas — “Eu tinha escrito isso mesmo?”
Fiquei em silêncio e olhei para o meu editor. Seus olhos sorriam para mim com aquela expressão “Te peguei”.
_Você está escrevendo um romance gay, meu amigo. Quando eles vão finalmente se beijar?
_E-eles não vão se beijar. Não é um romance gay.
_Tenho certeza que é. Só não sabia que você tinha talento para escrever esse tipo de coisa. Quer dizer, não está muito bom mas dá para melhorar. Seria bom você pesquisar sobre o tema, se é que você já não sabe de tudo.
_Pára com isso! — falei constrangido.
_Tem outra coisa — me falou e voltei a olhar para ele.
_O que é?
_É só coincidência o Carl ser um homem alto de cabelos pretos e olhos cor de mel e o Liam ser um baixinho em início de carreira, loiro e de olhos azuis?
Senti meu rosto pegar fogo. Eu não poderia ter dado tão na cara, assim.
_Como assim?
_É você e o Alois retratados no livro. Que tipo de relacionamento vocês têm?
Não era uma acusação. O Daniel era um amigo de longa data, acho que era o mais próximo de amigo que eu tive desde a época da faculdade. Ele era gay também, e era casado com outro editor. Eu não precisava mentir para ele.
_Eu não fiz nada com ele — me defendi.
_Mas quer fazer? — me perguntou sorrindo.
Olhei para o corredor, a porta do quarto do Alois estava entreaberta.
_Aqui não é o melhor lugar para falarmos sobre isso — falei num tom mais baixo.
_Ok. Vamos sair.
_Para onde?
_Tem uma casa de pães aqui perto.
Eu conhecia o lugar, era onde eu comprava pão todos os dias.
_Vou tomar um café, finalmente — suspirei, parecia até que eu sentia o cheirinho do café recém passado.
Daniel se levantou e eu avisei o Alois que ia dar uma saída.
_Não deixe ele tomar café, Daniel — gritou Alois de dentro do quarto.
_Pode deixar — respondeu o meu editor e eu me despedi da chance de um momento de liberdade.
Foi naquela tarde em que eu revelei para uma terceira pessoa tudo o que eu sentia e reprimia pelo meu sobrinho.
_Acho que você não devia se segurar tanto, Claude — opinou Daniel depois de ouvir quase toda a história — eu não havia revelado que o Alois era obrigado a se prostituir.
_Você tá louco? Ele é meu sobrinho!
Ele meneou a cabeça e os cabelos prateados dele balançaram de um lado para o outro.
_É. Isso pode ser um problema. Mas você não via a sua irmã há muito tempo. Que garantia você tem que o Alois realmente é filho dela?
_Você acha que ela roubou o filho de alguém? — dei um golinho no suco de uva que estava na minha frente.
_Não sei. Mas é uma possibilidade. Você disse que a Hannah era uma mãe horrível…
Tomei mais um gole, ponderando a possibilidade.
_Ainda assim, ele é uma criança.
_Não é tão criança assim. Mais ainda assim é menor de idade. Pode dar cadeia. Porém, por outro lado, ele está dando em cima de você, pelo que me disse.
_Pois é.
_Mas eu vou te dizer uma coisa, Claude. Vocês dois querem. Moram sozinhos. E não tem como ninguém ficar sabendo o que acontece entre quatro paredes.
Eu estava admirado pelo conselho me dade.
_Fácil assim? — perguntei.
_Fácil assim — me respondeu e terminou de tomar o suco dele — Olha, se o garoto não quisesse eu diria para você se segurar. Procurar outra pessoa e seguir em frente. Mas o caso não é esse. Ele está interessado e já deixou bem claro. Pára de puritanismo e se permita.
_Não sei — terminei o meu copo e me levantei.
Pagamos a nossa conta e caminhamos até a frente do meu prédio.
_Pensa direito sobre o assunto — Daniel falou — Ele é bem bonitinho — olhei bravo para ele e ele riu — Ah, você sabe, eu já tenho o meu — acabei rindo também.
_Tá bom. Vou pensar — falei.
_Mandei o seu texto para o meu e-mail. Estou com umas ideias aqui. Amanhã tem uma reunião sobre um novo projeto na editora, vou mostrar para eles e qualquer coisa eu te ligo.
_Tudo bem.
Nos despedimos e eu entrei no elevador.
Assim que abri a porta vi Alois sentado no sofá com as pernas dobradas. Estava com os olhos vermelhos.
_O que aconteceu? — perguntei preocupado.
_Eu vou embora — soluçou e recomeçou a chorar.
_O quê? Por quê? — entrei e fechei a porta.
_Porque eu estou te atrapalhando. É por minha causa que você não está conseguindo escrever… — Alois se jogou para o lado, deitando no sofá e escondendo o rosto, o corpo se sacudia com o choro.
Corri para ele.
_Não é nada disso, Alois. É apenas um crise de falta de criatividade. Mas mesmo assim, o Daniel gostou do que eu escrevi.
Ele se virou de frente para mim.
_Verdade?
_Claro — eu estava sentado ao seu lado.
_Eu não estou atrapalhando? — perguntou coçando os olhos molhados pelas lágrimas.
_É claro que não. Você nunca atrapalha — falei sorrindo, então Alois sorriu também e me abraçou com tanta força que eu quase caí em cima dele.
A verdade era que eu não estava conseguindo escrever direito porque estava sempre pensando nele e não porque ele estava me atrapalhando ou algo assim.
Me afastei um pouco mas ele não me soltou, estávamos bem próximos. Muito próximos, e meus olhos foram deslocados imediatamente para os seus lábios. Ele percebeu e umedeceu-os, passando lentamente a língua sobre eles, meu estômago se apertou em ansiedade e vontade. Então fechou os olhos e ofereceu a boca para mim.
“Se permita” — a voz do Daniel ecoou na minha mente.
_Claude — sussurrou Alois, me puxando mais.
Aproximei o meu rosto e nossos lábios estavam quase se tocando, então desloquei o meu rosto e dei um beijo na sua bochecha.
_Eu não posso, Alois — me desculpei e me levantei antes que caísse em tentação de novo.
_Hunf — resmungou o loiro e virou o rosto para o outro lado.
****
Não tinha sido dessa vez. Mas Alois não deixava passar nada em branco, todos os dias ele conseguia um jeito de me provocar e eu tenho que ser sincero — o garoto era a tentação em pessoa. Como ele podia ser tão sensual daquele jeito?
Eu estava ficando louco. E ele não parava nunca. Ele me fazia passar por momentos terríveis.
Numa noite quente ele foi dormir mais cedo que eu, nem assistiu o episódio inteiro. Foi para o quarto dizendo que não estava se sentindo bem. Perguntei se ele queria um remédio ou algo assim.
_Não, não. Não é nada de demais. Só preciso dormir.
Quando terminou o capítulo eu fui dormir e aproveitei para ver se ele estava bem. Entrei no quarto e ele estava meio descoberto, o lençol meio embolado. Me aproximei da cama para cobri-lo e então percebi que ele gemia baixinho.
Aproximei o rosto do dele, tentando ouvir o que ele murmurava mas ele não dizia nada, apenas gemia. E gemia muito sugestivamente. Devia estar sonhando algo erótico. Então se mexeu dormindo e passou a mão pelo peito, percebi que estava sem camisa.
Ele iria piorar dormindo daquele jeito. Puxei o lençol para cobri-lo e tive um susto. Alois estava dormindo só de cueca.
“Filho da puta” — xinguei mentalmente.
Semi nu e gemendo daquele jeito. Era tentador.
Puxei o lençol e o cobri até o queixo e já ia saindo do quarto quando ele me chamou.
_Claude?
_Você não estava dormindo?
_Estava — miou para mim — Mas estou com sede. Traz um suco?
Fui até a cozinha e peguei um copo. Ele estava sentado na cama, o lençol havia caído e estava ao lado da cintura.
_Obrigado — sorriu e me entregou o copo vazio.
_De nada — respondi tentando apagar da memória o vislumbre do seu corpo.
_Claude? Não quer deitar aqui comigo? Não estou conseguindo dormir.
_Não vou deitar com você.
E saí quase correndo do quarto.
E teve outras vezes também. E em todas eu consegui escapar até o dia que eu meu sangue ferveu e eu quase perdi a cabeça.
****
Tinha sido um dia horroroso. A reunião na editora tinha se estendido das dez da manhã até a sete da noite. Eu estava morto, minha cabeça latejava de tanta dor e eu estava com humor do cão. Tudo o que eu queria era chegar em casa, tomar um banho e cair na cama.
Entrei em casa e tudo estava silencioso. As luzes da sala, do escritório e da cozinha estavam apagadas.
“Será que o Alois não está em casa?” — pensei mas ele não tinha me dito que ia sair. Naquela manhã, antes de eu deixá-lo na escola, avisei que teria uma reunião e que ela podia ser demorada. Ele havia me respondido que tudo bem, ia chamar o Andrew para jogar.
Não gostei nem um pouco. Mas era só implicância minha.
A única luz acesa era a do quarto do Alois, mas a porta estava fechada. Então ele estava em casa, me aproximei da porta ansioso por contar a novidade do novo trabalho que tinham dado para mim — era um novo desafio.
_Ah Alois, assim não — parei com a mão na maçaneta ao ouvir a voz do Andrew vir de dentro do quarto.
_Deixa de ser bobo. Só mais um pouco — era a voz do Alois.
Colei minha orelha na porta para ouvir melhor. Os dois agora riam.
_Não me marca Alois. Minha mãe vai brigar comigo!
_Huuum, tá com medo da mamãezinha — zoou Alois — é só cobrir com o blusão.
Franzi as sobrancelhas. Não podia ser o que eu estava pensando.
_Ai… olha só o que você fez! — exclamou Andrew — Sujou minha camisa, isso não vai sair nunca. O que eu vou dizer para a minha mãe.
_Hahahahaha.
_Ah, você tá rindo, é? Agora é a minha vez.
_Aaaahhhh não — o Alois gritou e eu ouvi o barulho de corpos.
Meu sangue ferveu. Eu não acreditava que eles estavam fazendo isso.
“Alois disse que só queria a mim. E agora estava se agarrando com outro?”
O ciúme feriu o meu coração e nublou o meu pensamento. Abri a porta de supetão, ela bateu na parede fazendo o maior barulho.
_O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO? — gritei.
Eles estavam deitados na cama, Alois deitado de bruços sob o corpo do Andrew, sua camiseta tinha subido um pouco e parte do abdome era visível. Ele estava com os braços estendidos para frente e parecia que o Andrew tentava segurar os seus braços. Pularam da cama, assustados com o meu grito. Alois sentou-se e Andrew ficou de pé, tomou uma distância prudente
_NÃO ACREDITO QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO ISSO!!!!
Alois olhou para mim sem entender. Andrew estava entre um tom roxo de vergonha e verde de nervoso.
_SE APROVEITARAM QUE EU NÃO ESTAVA EM CASA PARA TRANSAR?
Alois fez uma cara de espanto.
_Não, Claude. Não é nada disso.
_É CLARO QUE É. EU VI!- eu gritava descontrolado.
_A gente não estava fazendo isso não, senhor Claude.
_FICA QUIETO ANDREW. VOCÊ NÃO RESPEITOU A MINHA CASA.
_Não fala assim com ele, Claude e não grita- Alois brigou, a voz mais alta que o normal.
Tentei controlar o volume da minha voz.
_Está defendendo o seu namorado Alois? Ia demorar quanto tempo para me dizer. Ia me enganar por quanto tempo ainda?
_Enganar? Eu nunca te enganei — se defendeu.
_E-Eu acho melhor eu ir — gaguejou o moreno.
_Eu acho melhor mesmo — rosnei para ele.
_Tchau Alois. A gente se vê amanhã na escola.
Alois acenou com a mão e o Andrew saiu do quarto passando por mim de cabeça baixa, logo eu ouvi o barulho da porta sendo fechada. Voltei os meus olhos para o Alois. Eu estava possesso.
_Eu não acredito que você ia fazer isso, Alois. Desde quando?
_Claude, você está enganado. Eu e o Andrew somos só amigos. Não estávamos fazendo nada.
“Quanto tempo mais ele ia insistir na mentira?”
_AMIGOS FICAM SE AGARRANDO?
_NÃO ESTÁVAMOS NOS AGARRANDO.
_PUTA MERDA, ALOIS. EU VI!
_Você viu errado. Nós estávamos brincando. Eu estava riscando ele com a caneta — eu estreitei os meus olhos, me preparando para a história que eu achava que era mentira, Alois continuou — Risquei a camisa do uniforme e ele ficou desesperado achando que a mãe ia brigar com ele. Então resolveu dar o troco. Foi isso!
Balancei a minha cabeça.
_Não acredito!
_Mas foi isso que aconteceu, Claude. Você não viu os braços dele riscados?
Tentei puxar pela memória mas estava nervoso demais, acho que nem prestei atenção.
_Olha, se você não acredita — ele se esticou na cama e pegou um objeto — Aqui está a caneta que eu usei. Ele estava tentando pegar da minha mão para me riscar!
Era difícil, mas podia se verdade.
_Achei que vocês iam transar — falei mais baixo.
Ele me olhou muito bravo.
_Não ia. Mas agora vou.
_O quê?
_Eu não tenho nada com o Andrew. Mas você me deu uma ideia. Acho que vou começar a me insinuar para ele.
_VAI O QUÊ? — me descontrolei de novo.
_Ué. Eu não tenho ninguém, ele também não. Fora que ele é bem bonitinho. Você não acha? — falou me provocando.
_VOCÊ NÃO VAI FAZER ISSO, ALOIS. ESTÁ ME OUVINDO? — eu apertava com força a maçaneta da porta, meus dedos estavam até brancos.
_VOU SIM — ele começou a gritar — VOU DAR EM CIMA DELE. QUEM SABE ELE NÃO ME QUER?
_ISSO. SE OFEREÇA A ELE. SE OFEREÇA COMO...COMO…
_COMO O QUÊ, CLAUDE? COMO O QUÊ? VAI, FALA! — me desafiou. Eu nem percebi que tinha andado para dentro do quarto e que o Alois estava de pé agora. Tinha uma expressão desafiadora no rosto — COMO UMA PUTA, NÃO É? ERA ISSO QUE VOCÊ IA FALAR.
Apertei os meus olhos e tirei os óculos, eles estavam me agoniando. Eu não ia falar, mas era isso que tinha passado pela minha cabeça.
_MAS EU NÃO IA SER UMA PUTA PARA ELE SABE POR QUÊ? PORQUE EU NÃO IA COBRAR. VOU DAR DE GRAÇA! SE ELE QUISER VOU SER A VADIA DELE.
Alois cuspiu essas palavras no meu rosto e se eu tinha um pouco de sanidade ela foi embora naquele momento. Imaginei o Alois com o Andrew, nus naquela cama e o loirinho gemendo e arranhando as costas do moreno enquanto ele se movia contra o seu quadril.
_CALA A BOCA, ALOIS.
_NÃO CALO. E VOCÊ NÃO PODE ME FAZER CALAR.
Mas eu fiz. Calei a boca do Alois com a minha. Não sei como isso aconteceu. Num minuto eu estava a alguns passos do menor e no seguinte eu o estava agarrando e nossas bocas estavam coladas.
Senti ele se assustar contra o meu corpo, tentar me empurrar e então, por fim, derreter nos meus braços. Nosso beijo foi voraz, nossos lábios se moviam rapidamente, perfeitamente encaixados e nossas línguas se enroscavam e deslizavam uma contra a outra num batalha incessante. Ele passou os braços pelo meu pescoço e eu o puxei mais, colando nossos corpos. Deslizei minhas mãos pelas suas costas até chegar no quadril, apertei a sua bunda com as duas mãos espalmadas, era redondinho e carnudo, apertei novamente, massageando cada nádega. Alois gemeu na minha boca e ondulou o quadril.
Subi uma mão por baixo da camiseta e pela primeira vez senti a textura da sua pele, era lisa, macia e quente e eu consegui perceber que estava um pouco arrepiada. Alois começou a acariciar o meu peito sobre o tecido da camisa e eu deslizei minha boca para a sua orelha, mordisquei o lóbulo e ele se encolheu um pouco, desci beijando e mordiscando o pescoço.
_Ahhh, Claude — ele voltou a ondular o quadril no meu, fazendo os membros se chocarem. Continuei subindo a mão até atingir o seu peito, acariciei a pele e arranhei de leve o mamilo. Ele gemeu mais alto.
Percebi o que ele estava fazendo quando puxou minha camisa pelos ombros, a tirando e jogando para o lado. Seus dedos ágeis tinham a desabotoado e eu nem tinha percebido. Voltamos as nos beijar com a mesma fome e voluptuosidade. Eu ainda estava bravo com ele.
“Como ele ousava me dizer que ia se oferecer à outro?”
As mãos do Alois começaram a percorrer todo o meu torso, acariciando e apalpando. Ele gemia baixinho; eu mantinha uma mão massageando seu traseiro e a outra eu desci até o seu membro, apalpei-o sobre a calça, estava duro também e eu comecei a apertá-lo. Agora Alois gemia mais alto e apertava as minhas costas.
Ele parou o beijo apenas os segundos necessários para tirar a própria camiseta. Tomei seus lábios novamente num beijo necessitado. Como ele beijava bem!!! Como era delicioso o gosto da sua boca. Passei a língua, explorando cada cantinho, testando cada textura, a maciez escorregadia da face interna da bochecha, a rigidez dos dentes e a aspereza da língua. Alois acompanhava o ritmo do beijo mas cada vez mais eu percebia que sua respiração ficava descompassada e que ele tremia.
A força dos beijos havia nos empurrado e ele bateu com o traseiro na escrivaninha. Fiz força, o prensando contra o móvel. Ele estava meio sentado sobre ela, meio de pé; passei a mão pela sua perna e puxei a coxa para cima a enganchando no meu quadril, forcei meu membro contra o dele, numa busca desesperada por mais contato. Nossas mãos não paravam de explorar o corpo do outro, nossos quadris já faziam movimentos inconscientes. Estávamos loucos de tesão.
Então eu o tirei da escrivaninha e o joguei na cama. Deitei por cima dele e ataquei o seu pescoço. Alois se contorcia sob mim, e me arranhava de um jeito muito gostoso. Deslizou as mãos entre os nossos corpos e apertou o meu pênis. Gemi no seu pescoço e arremeti contra a sua mão. Segurei forte na sua cintura e desci beijando o peito. As mãos ágeis dele abriram a minha calça com facilidade e ele a empurrou até que estivesse no meio das minhas coxas, a chutei para fora e ele mesmo tirou a sua.
Alois era lindo. Sua pele era bem branca, mas dava para ver a linhas finas das cicatrizes que atravessavam o seu peito e seus braços. Acariciei e beijei cada uma delas e fui acariciando e beijando todo o seu peito, lambi os mamilos e os fiz saltarem, então os prendi entre os dentes e os acariciei com a língua, fazendo ele gemer cada vez mais.
Desci beijando o abdome e mordi o pênis ainda coberto pela boxer. Ele jogou a cabeça para trás e gemeu alto.
_Claude — sua voz estava começando a ficar rouca.
Me ergui e o virei de costas. Beijei sua nuca, afastando os cabelos. Mordi seus ombros que ficaram marcados facilmente.
“Se aquele amiguinho aproveitador tentasse algo com ele , ia ver a minha marca. Ia ver a quem o Alois pertencia.” — o pensamento possessivo passou num flash na minha cabeça.
Desci deslizando a língua pela coluna do Alois, fazendo ele se arrepiar por completo.
Alois empinou o traseiro. Esfregando a bunda no meu membro que ainda estava coberto pela cueca. Me ergui e segurei forte pela cintura, forçando meu quadril contra as suas nádegas.
_Você gosta? — perguntei — É isso que você quer?
Esfreguei o meu pênis que já estava duro feito rocha na sua bunda e ele rebolou. Forcei mais, aumentando a pressão e fazendo ele perceber o quão duro eu estava.
_É- é isso, Claude. Eu quero você. — gaguejou — Está tão duro….
_Estou duro por você — falei e puxei a boxer dele para baixo.
Eu tinha um tubo de lubrificante no meu quarto mas não ia dar tempo. Eu não ia para o que estava fazendo.
Me agachei na traseira do Alois e lambi a sua entrada. Ele gemeu alto e se jogou para frente, puxei o seu quadril com força e comecei a lubrificar com saliva. Alois começou a rebolar na minha boca e aquilo era gostoso demais, eu estava delirando. Segurei o seu pênis e comecei a masturbá-lo enquanto lambia a sua entrada.
_Vem Claude. Eu não posso mais — gemeu e aquilo foi a gota d´água.
Tirei a minha boxer e me posicionei. Segurei ele pela cintura e fui entrando aos poucos. Ele era mais apertado do que eu imaginei e gemeu de dor quando a cabeça venceu a resistência da sua musculatura. Forcei mais o meu pênis e ele foi escorregando para dentro até entrar completamente;
_Alois — gemi — Você é tão quente! É tão gostoso!
Beijei suas costas e acariciei seu tórax. Ele se moveu minimamente e eu senti meu membro ser apertado pelas suas paredes. Movi meu quadril, retirando-me e voltei a empurrar.
_Ahhhhhh — Alois gemeu.
Comecei a me mover lentamente mas logo não aguentei e comecei a bombar com força contra o quadril do Alois. Ele gemia alto e rebolava.
_Mais, Claude. Mais forte! — gemeu, quase choramingando. Era ótimo vê-lo gemer, me excitava ainda mais e eu queria me enterrar cada vez com mais força nele.
_HAaahaaaaaaaa, Claudeee — Alois gemeu e rebolou e pareceu que sua entrada sugava o meu pênis. Apertando-o e sugando-o para dentro.
Aquele maldito loirinho era gostoso demais, achei que eu fosse morrer esmagado ali.
Bombei mais um pouco e o virei de frente para mim. Ele envolveu o meu quadril com as pernas e eu voltei a me enterrar ali. Era bom porque agora eu podia ser o seu rosto e como ele estava lindo, totalmente entregue ao prazer, gemendo e balbuciando palavras desconexas. Suas mãos não paravam de me apalpar — ombros, braços, coxas. Seu quadril não parava de se mover, aumentando a fricção e o contato entre nós dois.
Beijei a sua boca e comecei a masturbá-lo e logo ele gozou, jogando a cabeça para trás. Minutos depois eu também atingi o meu ápice, dentro do corpo quente e delicioso do Alois.
Caí por cima dele, exausto. Ambos respirávamos descompassadamente, estávamos suados e felizes.
Alois me abraçou e devagarinho eu me retirei dele. Escorreguei para o lado para que não pesasse sobre ele.
_Tudo bem? — perguntei. Agora que tínhamos acabado, fiquei com medo de ter sido muito bruto com ele.
_Tudo ótimo, Claude. Nunca me senti tão bem.
Nos beijamos lentamente. Apenas tentando nos acalmar e sentir um ao outro.
Ficamos abraçados e trocando beijos rápidos até que o sono nos venceu.
Fale com o autor